• Aucun résultat trouvé

Structure des solutions de PSS ´etudi´ee par SAXS

A redação da Enciclopédia das ciências das artes e dos ofícios [1751 a 1765], por Diderot6, provocou uma virada na história da cultura e da organização dos processos de trabalho. O autor fez considerações acerca da importância de se relacionar o conhecimento dos artesãos às artes liberais, ou unir a geometria intelectual à experimental. A partir de então, engendraram-se as novas relações entre cultura e trabalho.

Em dezembro de 1774, a imperatriz Maria Teresa da Áustria aprovou um projeto geral de reforma da instrução, no qual encontrava um quadro organizativo da educação estatal, dividindo em níveis de ensino, semelhantes aos existentes hoje:

com a Trivial ou deutsche Schule – dos 6 aos 10-12 anos;

as Hauptschulen- entre elas as Normalschulen – para preparação de professores; os Gymnasien – que preparavam para as universidades;

• e a reorganização das próprias Universidades.

Além disso, no mesmo período e no mesmo país, foram implantadas escolas especiais de vários tipos, das quais algumas eram de formação profissionalizante, como a escola de desenho manufatureiro para a indústria têxtil (1758) e a escola de comércio (1770).

5 A idéia de John Locke (1632-1704) era fornecer uma mão-de-obra menos rude, não apresentando nenhum caráter

humanista nessa sua proposta. A indústria têxtil de lã era a base econômica fundamental da Inglaterra neste período e, conseqüentemente, o maior empregador de mão-de-obra.

6Denis Diderot (1713-1784), escritor e filósofo francês, notabilizou-se por ter sido o organizador da Enciclopédia, considerado o verdadeiro pai desta obra que tentava congregar a totalidade dos saberes existentes.

Ao final do século XVIII, as corporações de ofícios mecânicos foram se diluindo pelas exigências das manufaturas, agora ávidas de força de trabalho livre do seu controle, barata e fácil de se contratar e de se dispensar.

Um dos eventos mais significativos na nova conformação da sociedade, ou seja, do surgimento da classe operária e da consolidação do poder da burguesia e o conseqüente desaparecimento da aristocracia, além da mudança dos modos de produção e do ensino, foi a Revolução Industrial. A partir desta, passou a existir uma preocupação maior em relação à definição da formação profissional.

A escola tornou-se um espaço de múltiplas aprendizagens não mais apenas acessíveis à elite, mas também ao trabalhador da formação básica, passando pela técnica e possibilitando o acesso à universidade. Neste novo contexto de desenvolvimento científico e tecnológico, o acesso à escola proporcionou um lugar de maior destaque na sociedade, na medida em que o homem necessitava aprender sobre as várias ciências de tal modo que pudesse ascender econômica e socialmente.

7Além disso, o seu desenvolvimento técnico-profissional não ficava mais restrito ao

ambiente de trabalho, como mero repetidor das instruções recebidas pelo chefe, mas percebia-se a eminente busca na obtenção de um conhecimento mais amplo da realidade que cerca o trabalhador. É isto que caracteriza a primeira fase da Era Contemporânea.

Fator definitivo na transformação do ensino foi a Revolução Industrial que no início restringiu-se à Inglaterra de 1760 a 1850, mas espalhou-se rapidamente pelo mundo, englobando outros países europeus, além das Américas e do Japão. Ao provocar grandes modificações não apenas nos modos de produção, através da mecanização, mas também no modo de vida do homem, tornaram-se perceptíveis às mudanças também nas condições e nas exigências da formação humana.

Disto Manacorda (2000, p. 271) assinala que “os trabalhadores perdem sua antiga instrução e na fábrica só adquirem ignorância”, uma vez que deixa de ser relevante o domínio de todo o processo produtivo, para restringir a atuação do operário a partes específicas, de modo mecânico e repetitivo.

Com o advento da indústria, a partir do século XVIII, desapareceram as corporações de artes e ofícios, bem como a aprendizagem artesanal como única forma de instrução. Surgia a moderna instituição escolar pública; saía o aprendiz, que adquiria seu conhecimento na oficina do mestre, e entrava o sistema escolar. “Fábrica e escola nascem juntas: as leis que criam a escola de Estado vêm juntas com as leis que suprimem a aprendizagem corporativa” (MANACORDA, 2000, p. 249).

Na França, em 1794, alguns anos após a Revolução Francesa (1789), criou-se um Conservatório de Artes e Ofícios, com a dupla função de instituto de instrução e de museu da técnica. No mesmo ano, foi instituída a Escola Politécnica, que qualificava profissionais de alto nível para todas as especializações da engenharia. Estas iniciativas devem ser entendidas a partir do processo de politização, democratização e laicização da instrução, proposto pela Revolução Francesa e que visava uma instrução universal e uma reorganização do saber, advindas do surgimento da ciência e da indústria moderna. É desta forma que se deu o início do aprendizado profissional por meio do sistema escolar, visando a atender às necessidades do processo de desenvolvimento.

O problema das relações instrução-trabalho, ou da instrução técnico-profissional, seria o tema dominante da pedagogia moderna, uma vez que havia duas alternativas: inserir na fábrica o sistema de observação e imitação da época da aprendizagem artesanal, ou criar escolas científicas, técnicas e profissionais. Manacorda (2000, p. 280) ressalta que “Desde o momento em que a instrução tende, embora, lentamente, a universalizar-se e a laicizar-se, mudando destinatários, especialistas, conteúdos e objetivos, o ‘como ensinar’ (até as coisas mais tradicionais, como a preparação ‘instrumental’ ou ‘formal’ do ler, escrever e fazer contas)

assume proporções gigantescas e formas novas; tanto mais se o problema do método se entrelaça com o problema dos novos conteúdos da instrução ‘concreta’, que surgem com o próprio progresso das ciências e com sua relativa aplicação prática”.

Enquanto na Inglaterra, nação industrialmente mais evoluída, a partir de 1823 foram criados institutos de mecânica para instruir os operários nos princípios científicos da matemática e das manufaturas, no resto da Europa desaparecem gradativamente as corporações de artes e ofícios, abrindo caminho para as instituições escolares.

As primeiras manifestações que podem ser observadas em relação ao interesse da escola pela relação entre o progresso científico e tecnológico e o universo educacional fizeram-se presentes, visando transpor as barreiras entre o espaço escolar e a nova constituição social que surgia.

O socialismo marxista não contestava as conquistas da burguesia no campo da instrução: universalidade, laicidade, estatalidade, gratuidade, renovação cultural, ascensão da temática do trabalho, opunha-se apenas à incapacidade, ou mais propriamente à falta de interesse da burguesia de colocar em prática estes programas. Além disso, defendia uma concepção de união entre instrução-trabalho de modo a possibilitar uma formação total de todos os homens.

Marx87 em seu posicionamento referente à instrução profissional, a qual foi explicitada nas Instruções aos delegados do I Congresso da Internacional dos Trabalhadores, realizado em Genebra em 1866, manifesta seu entendimento de que a instrução intelectual seria primordial. Como segunda instância, referia-se à educação física e a terceira envolveria treinamento tecnológico, transmitindo os fundamentos científicos gerais de todos os processos de produção.

Admitia ainda a tendência da indústria em introduzir a criança e o adolescente no processo produtivo, desde que adequado às forças infantis, e para isso eles deveriam ser

7 Karl Marx (1818-1883), filósofo alemão, tinha em mente uma unidade diversa entre instrução e trabalho, para

todos, possibilitando um conhecimento da totalidade das ciências como também as capacidades práticas em todas as

preparados no uso prático e na capacidade de manusear os instrumentos elementares de todos os ofícios.

É importante destacar que tal documento não se referia à instrução profissional, porém Marx deixava clara a sua intenção de ver homens total e omnilateralmente desenvolvidos, de modo que tivessem uma noção de todas as ciências e das práticas produtivas.

Esta visão inovadora que tirava do espaço profissional, ou seja, das antigas oficinas, o processo de aprendizagem e o colocava no âmbito escolar, além de possibilitar o acesso aos conhecimentos técnico-profissionais para um número maior de pessoas, ampliou os horizontes também no sentido de se ter uma visão menos bitolada da sociedade, das artes, das ciências, viabilizando, enfim, a formação do cidadão completo, conhecedor do universo que o cerca. “A relação educação-sociedade contém dois aspectos fundamentais na prática e na reflexão pedagógica moderna: o primeiro é a presença do trabalho no processo técnico-profissional, que agora tende para todos a realizar-se no lugar separado ‘escola’, em vez do aprendizado no trabalho, realizado junto aos adultos; o segundo é a descoberta da psicologia infantil com suas exigências ‘ativas’” (MANACORDA, 2000, p. 304-305).

Os aspectos pontuados por Manacorda (2000) sobre o trabalho no campo da educação destacaram-se ao enveredarem por caminhos que eventualmente se chocavam, outras vezes se entrelaçavam, ou ainda ignoravam-se entre si. Um dos caminhos foi o desenvolvimento objetivo das capacidades produtivas sociais, caracterizadas por ser muito duras e exigentes, pois necessitava de homens capazes de produzir em conformidade com as máquinas, precisava colocar algo de novo no velho aprendizado artesanal e contava com especializações modernas. O outro foi a moderna “descoberta da criança”, exaltando sua espontaneidade, que estimulava a educação sensório-motora e intelectual através de formas adequadas, do jogo, da livre atividade, do desenvolvimento afetivo, da socialização. “Portanto, a instrução técnico-profissional promovida pelas indústrias ou pelos Estados e a educação ativa das escolas novas, de um lado, dão-se as costas, mas, do outro lado, ambas se baseiam num mesmo elemento formativo, o

trabalho, e visam ao mesmo objetivo formativo, o homem capaz de produzir ativamente” (MANACORDA, 2000, p. 305).

Ainda no século XIX, a escola americana introduziu o “learning by doing”, de John Dewey98, ou seja, aprender fazendo, no qual os alunos eram treinados para encontrarem sozinhos as verdades e resolverem individualmente os problemas científicos.