CHAPITRE I : Contexte de l'étude
2. Sources d’énergie alternatives issues de la biomasse
Neste trabalho de investigação qualitativa os instrumentos usados foram a análise de conteúdo das entrevistas.
Segundo as considerações éticas a ter em conta, é necessário, o preenchimento de um formulário, para a obtenção de um consentimento favorável, para a aplicação do instrumento de colheita de dados, indicando assim, no pedido em consiste o projeto, quem participa e quais os recursos necessários.
Qualquer investigação realizada, provoca questões morais e éticas, no seu desenrolar, pelo que é necessário proteger todos os direitos e liberdades dos inquiridos, que participam no estudo. Fortin (2009:116), define que “A investigação aplicada aos seres humanos pode, por vezes, causar danos aos direitos e liberdade da pessoa. Por conseguinte, é importante tomar todas as disposições necessárias para proteger os direitos e as liberdades das pessoas que participam nas investigações”.
Sabendo que na investigação qualitativa a fonte direta dos dados é o ambiente natural, contactámos com as pessoas, observámos os diferentes acontecimentos, tomámos e registámos informações, a fim de evitar interferências ou interpretações que existiriam se fossem outras pessoas a observar.
A recolha de dados, na investigação qualitativa, segundo Bogdan e Biklen (1994:73), consiste nas seguintes técnicas: “observação, observação participante, entrevistas com os participantes e inventariação dos documentos”. Neste estudo vamos usar a segunda técnica, ou seja fazer entrevistas com os participantes, como refere Bogdan e Biklen a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos do próprio sujeito, permitindo que se desenvolva intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os entrevistados interpretam certos aspetos.
A razão pelo recurso à entrevista atribui-se fundamentalmente ao facto de a entendermos como uma técnica de recolha de dados que permite acesso a um maior leque de informações. Tal como afirmaram Bogdan e Bicklen (1994: 136), “As boas entrevistas caracterizam-se pelo facto de os sujeitos estarem à vontade e falarem
livremente sobre os seus pontos de vista (…). Produzem uma riqueza de dados, recheados de palavras que revelam as perspetivas dos respondentes”.
A utilização da entrevista aponta para várias vantagens, pois podem-se adaptar às necessidades de cada situação, de cada entrevistado e de cada questão, o entrevistado é questionado diretamente, o que facilita a explicação das respostas e esclarecimento das próprias perguntas, podendo ser avaliadas opiniões e atitudes. Podem recolher-se dados com consistência qualitativa, sendo as informações obtidas mais precisas.
Ao contrário da afirmação anterior, também são apontadas desvantagens quanto à utilização da entrevista, pois há uma menor liberdade da pessoa entrevistada nas respostas, uma vez que não dispõem de grande tempo para pensar ou voltar atrás, como acontece num questionário, está também eminente o risco de distorção, dependendo da forma como o entrevistador orienta as questões. Este processo torna-se moroso, uma vez que é preciso fazer a preparação e aplicação da entrevista a uma pessoa de cada vez.
Sousa (2005), citando Selltiz, considera que através da entrevista se faz uma averiguação com o propósito de se obterem informações, contendo seis tipos de objetivos: a averiguação de factos, opiniões, sentimentos, atitudes, decisões e motivações.
Os modelos de investigação podem dividir-se, de um modo geral, em investigação qualitativa, quantitativa e mista; o primeiro paradigma baseia-se na recolha de dados qualitativos, ou seja, rico em pormenores descritivos relativos a locais, pessoas e conversas, sendo os seus resultados apresentados sob a forma de relatório narrativo com descrições contextuais; já o segundo paradigma baseia-se na recolha de dados quantitativos, questionários de resposta fechada, por exemplo, sendo as suas conclusões normalmente apresentadas sob a forma de relatórios estatísticos. Quanto à investigação mista, envolve ambos os paradigmas, qualitativo e quantitativo, e pode ser mais ou menos influenciada por cada um deles.
Segundo Pacheco (2002:19), Afirmam:
“Porque não há lugar para a dicotomia tradicional/inovador, pois também não se aceitará a compartimentação entre quantitativo e qualitativo, nos pressupostos
metodológicos o investigador procurará estabelecer uma grande conversação, ou uma grande estratégia, de modo que o modelo seja rigoroso, sistemático e objectivo e que o problema seja estudado na sua totalidade. O modelo é consequência tanto da problemática, anterior definida, quanto dos pressupostos de investigação perfilhados pelo investigados”.
A investigação-ação é uma metodologia de investigação orientada para a melhoria da prática nos diversos campos de ação. Por conseguinte, o duplo objetivo básico e essencial é, por um lado obter melhores resultados naquilo que se faz e, por outro, facilitar o aperfeiçoamento das pessoas e dos grupos com que se trabalha. Esta metodologia orienta-se à melhoria das práticas mediante a mudança e a aprendizagem a partir das consequências dessas mudanças. Permite ainda a participação de todos os implicados. Desenvolve-se numa espiral de ciclos de planificação, ação, observação e reflexão. É, portanto, um processo sistemático de aprendizagem orientada para a praxis, exigindo que esta seja submetida à prova, permitindo dar justificação a partir do trabalho, mediante uma argumentação desenvolvida, comprovada e cientificamente examinada.
Ao nível da investigação existem vários métodos e formas de controlo, tal como foi evidenciado por Fortin (2009:158):
“ Entre os diferentes tipos de métodos qualitativos utilizados nas várias disciplinas, encontra-se o estudo fenomenológico, a teoria fundamental e o estudo etnográfico. Se bem que estes três tipos de métodos partilhem certas características comuns, eles distinguem-se da forma seguinte: o estudo fenomenológico procura compreender um fenómeno, para extrair dele a essência do ponto de vista daqueles que vivem ou viveram a experiência; a teoria fundamental tem por objectivo gerar uma teoria a partir dos dados colhidos no terreno e junto das pessoas possuem uma experiência pertinente. O estudo etnográfico tenta descrever um sistema cultural do ponto de vista das pessoas que partilham a mesma cultura”.
Segundo Fortin os estudos podem ser do tipo descritivo, correlacional, experimental, cada um deles com aplicações diferentes, na fase de investigação, cada um destes estudos, pressupõem, obter informações e descrever fenómenos, examinar as relações entre variáveis, conhecer as relações entre os fenómenos.
Segundo Sousa (2005), existem três tipos de entrevistas, que são elas: a entrevista dirigida, a não-dirigida ou aberta e a entrevista em painel. Todas elas com técnicas e formas de orientação diferentes entre o entrevistador e o entrevistado.
No presente estudo de caso da Escola Secundária A, utilizámos uma entrevista estruturada ou dirigida, onde foi feito um guião das questões a colocar aos diferentes entrevistados dos grupos disciplinares, de forma a registar as respostas dadas pelos intervenientes. Com a finalidade de recolher os dados no maior rigor e fidelidade, demonstrando a maior naturalidade e isenção possível. A todo o teor da conversa foi garantida e mantida a confidencialidade. Os inquiridos neste trabalho foram apenas doze professores avaliadores/relatores dos dezassete grupos disciplinares, com funções supervisivas dos professores de terceiro ciclo e Secundário, conforme já dissemos.
As entrevistas foram realizadas durante o dia, na Escola Secundária A, em hora combinada com cada professor entrevistado. As entrevistas foram realizadas num lugar calmo e acolhedor, sem ruídos, nem interrupções e isento de quaisquer influências estranhas, de modo que o ambiente criado foi favorável à desinibição do entrevistado e à confidencialidade da mesma. Para que o entrevistado se sentisse mais à vontade e não fosse influenciado, não houve pessoas a assistir. Solicitámos aos entrevistados autorização para gravar cada uma das entrevistas.
Na verdade a capacidade para entrevistar não é inata, nem depende apenas da vontade da pessoa a que tal se dispõe, desenvolve-se sobretudo através da competência técnica, da prática e da constante reflexão sobre o trabalho desempenhado. Sousa (2005) citando Ghiglione e Matalon (1997), afirma que a competência técnica refere-se à capacidade do entrevistador em conduzir uma entrevista, utilizando técnicas adequadas para conseguir respostas verídicas e dados válidos, conseguindo-se manter no seu papel de investigador, com o maior rigor e isenção. O entrevistador deve possuir também uma formação ética, que lhe permita conseguir exercer as suas opiniões e desejos individuais, de modo a não influenciarem as respostas dadas pelo entrevistado.
Segundo Carmo e Ferreira (1998) a própria maneira de inquirir, o tom de voz, o retorno que dá, terá certamente, influência na riqueza e autenticidade dos dados recolhidos.
Sintetizando com Bodgan e Bilken (1994:136):
(…) Um bom entrevistador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais apropriadas. (…) Poderá pedir uma clarificação no caso de o respondente mencionar algo que lhe pareça mais estranho (…).
Na análise documental foram seguidos os procedimentos referidos por Sousa (2005), a constar: uma primeira leitura, integral e cuidada no intuito de se ter uma visão do todo, uma segunda leitura mais pormenorizada, de modo a esclarecer os significados em dúvida, uma terceira leitura, mais cuidada, de modo a ser detetada a ideia principal, localização dos principais elementos, análise dos mesmos e das reflexões e interações, da estrutura, da temática, interpretação final destas análises e redação do resumo final.