3. ENERGY RESOURCES
3.4. Renewable resources
3.4.5. Solar energy
Existe a necessidade do praticante, de montar exercícios para trabalhar estas áreas. Para conseguir isso, o vocabulário musical dos percussionistas formam uma fonte que não deveria ser subestimada. Trabalhando com
guidelines tradicionais dos ritmos brasileiros, eles podem ser adaptados para a bateria em maneiras diferentes,
como Cunha (2000) mostra no Método IPC. Preparando o praticante primeiramente com diversas combinações de células rítmicas em cada mão e cada pé, ele promove a independência em 3 níveis: a independência horizontal, a independência vertical, e a independência transversal. Visualizando:
84 Disponível em http://www.drumswithjason.com/coordination Acessado 28/04/2012
85 Disponível em http://paraibapercussiva.blogspot.com.br/2011/04/metodos-e-livros-brasileiros-sobre.html Acessado 28/04/2012
FIGURA 1 - Independência horizontal: Duas extremidades horizontais tocam uma marcação fixa, embora uma outra toque
uma célula rítmica repetitiva, e a restante, faz uma leitura rítmica paralelamente. Por exemplo: pé esquerdo: marcação; pé direito: marcação; mão esquerda: célula rítmica; mão direita: leitura.
FIGURA 2 - Independência vertical: Duas extremidades do mesmo lado vertical tocam uma marcação fixa, embora uma
outra do lado contrário toque uma célula rítmica repetitiva, e a restante, faz uma leitura rítmica paralelamente. Por exemplo: pé esquerdo: marcação; mão esquerda: marcação; pé direito: leitura; mão direita: célula rítmica
FIGURA 3 - Independência transversal: Duas extremidades do lado contrário diagonal tocam uma marcação fixa, embora
as outras duas restantes tomam o papel dos executantes da célula rítmica repetitiva, e da leitura rítmica paralelamente. Por exemplo: pé esquerdo: leitura rítmica; mão direita: célula rítmica; pé direito: marcação; mão direita: marcação.
Cada um destes modos cria quatro possibilidades de aplicar a leitura, pensando no fato que ela se alterna por cada uma das extremidades. Depois de Cunha (2000) preparar o praticante com células gerais, ele introduz
Mão direita Mão esquerda
Pé esquerdo Pé direito
Mão esquerda Mão direita
Pé esquerdo Pé direito
Mão esquerda Mão direita
padrões brasileiros, como por exemplo a zabumba do baião. Acrescenta os exercícios com estes, antes de sair das preparações completamente e se dedica aos ritmos brasileiros, trabalhando integralmente com os padrões tradicionais da percussão.
Um outro método, escrito pelos dois bateristas baianos Eddie Cameron e Edni Devay, promove o processo de se flexibilizar na coordenação de uma maneira diferente, mas não menos eficiente. O método “Ritmo em Melodia”, no presente no prelo, se baseia numa ferramenta fundamental dos bateristas: Os rudiments86, ou seja, um destes: o
paradiddle87. Sem se focar na interdependência pelo título (pois se foca nas habilidades da bateria, em desenvolver
o lado melódico desta) , esta obra pode ser vista como grande contribuição à interdependência. Principalmente o treinamento da interdependência é criado e desenvolvido no Paradiddle simples com a manulação D-E-D-D – E–D- E-E88, concebido em compassos binários:
FIGURA 4 - Paradiddle simples
Os autores aumentam este para que caiba num compasso de 5/8 ao juntar um paradiddle simples89 com um
paradiddle duplo90:
FIGURA 5 - Paradiddle aumentado para 5/8
Ao passo que, adiante, esta manulação é aplicada na bateria integrando acentos como meio de expressão. O Paradiddle no método “Ritmo em Melodia” sofre distintas instrumentações entre os instrumentos da bateria. Os autores sugerem uma configuração da bateria composta por: Cowbell, Tom 1, Caixa, Surdo, Bumbo e Chimbau (em que os últimos dois instrumentos devem ter tocados apenas com os pés).
86 De rudimentum (lat.). Trata sobre o baquetamento de células rítmicas. Hoje em dia os rudiments fazem parte da formação básica de cada um baterista para aperfeicionar as habilidades técnicas.
87 Existem 4 tipos de Paradiddles: Single Paradiddle, Double Paradiddle, Triple Paradiddle, Single Paradiddle-Diddle. 88 D = Mão direita, E = Mão esquerda. No Exemplo 1, R (right), corresponde a D e L (left) corresponde a E.
89 Manulação: DEDD - EDEE 90 Manulação: DEDEDD - EDEDEE
FIGURA 6 - Paradiddle aumentado e distribuído nos instrumentos da bateria
Neste ponto, Cameron e Devay destacam os membros “inferiores” (os pés), e os membros “superiores” (as mãos). Enquanto as mãos tocam o paradiddle em 5/8, surgem, em continuação, duas possibilidades: 1.) a valorização do 5/8 como 5/8 ou 2.) a valorização do 5/8 como um outro tipo de compasso (aqui compasso binário). Consequentemente os autores decidem usar as duas possibilidades ao mesmo tempo e nomeiam este resultado de “compassos cruzados”.91 Diferente do método de Gramani (1988, p. 163-170), que introduziu essa polimétrica com
Sambas, Eddie Cameron e Edni Devay aplicam o mesmo conceito ao Samba, ao Baião e ao Ijexá, usando sempre apenas um símbolo de métrica.
Para ajudar o entendimento dessas duas maneiras de se perceber e tocar estes compassos cruzados, que acontecem paralelamente, é necessário um olhar detalhado a um exemplo concreto do livro, no caso seguinte do Baião,92 no qual esta introduzido com o padrão dos membros inferiores em compasso binário:
FIGURA 7 - Bumbo e Chimbau no Baião
Em seguida, os autores relembram do Paradiddle em 5/8 e juntam as duas vozes horizontais, usando o símbolo métrico do 5/8:
FIGURA 8 - Paradiddle de 5/8 por cima do Baião em 2/4 91 Corresponde com a Polimétrica.
92 Em respeito à dedicação do livro a Luiz Gonzaga, cujo centenário de nascimento comemora-se este ano de 2012, no mesmo ano de lançamento do método.
No exemplo dado percebe-se que a sequência tocada pelos membros inferiores se repete depois de dois pulsos enquanto a sequência dos membros superiores recomeça depois de cinco colcheias. Dessa forma, cria-se um ciclo melódico tocado pelos membros superiores em relação à sequência dos membros inferiores, pois os inícios destas passam a não mais serem coincidentes, voltando a se encontrarem apenas depois de quatro compassos de 5/8 (ou de cinco compassos de 2/4, marcado cinza). Usando agora a instrumentação sugerida no Exercício 4 (Exemplo 3), se produz a melodia seguinte:
FIGURA 9 - Baião com Paradiddle em 5/8, distribuído na bateria
Portanto, Cameron e Devay aplicam o mesmo conceito, como mostrado no caso do Baião com várias possibilidades de instrumentação. Ao mudar as sequência dos membros inferiores em respeito ao acompanhamento tradicional de cada estilo, sugerem exemplos para a criação de melodias próprias do praticante, elaboradas através do uso do Paradiddle como ferramenta. Além de possibilitar uma plataforma para a própria criatividade do praticante, o estudo promove a independência horizontal, e o fluxo técnico, conservando o foco principal que consiste no desenvolvimento melódico das sequência apresentadas.
A independência esta promovida pelo fato de que as vozes começam no primeiro tempo, mas depois a voz superior cria um ciclo independente da voz inferior. Desta maneira o cérebro tem que seguir as duas (ou seja, as três, pois existem duas no pé, embora a voz das mãos pode ser considerada uma só) ao mesmo tempo. A interdependência neste caso não pode ser subestimada pelo praticante, pois a cada cinco compassos (em referência ao último exemplo dado), as vozes cairão juntas. Desta maneira, para o executante não há possibilidade de deixar de acompanhar o
timing frequentemente, e as modalidades da melodia, as quais estão se mudando a cada momento; mudanças estas
geradas pelo fato de se combinar um compasso quebrado com um compasso binário.
Conclusão:
Aproveitar o vocabulário do percussionista mostra-se fundamental para o baterista melhorar as suas habilidades. Uma troca de experiências neste contexto possibilitaria uma enorme extensão do vocabulário musical para os bateirstas. E também para percussionista que poderia desfrutar de exercícios do baterista para aplicá-los na percuteria que surgiu como variação da bateria. Dessa maneira, evidenciasse uma crescente necessidade em se desenvolver a independência e a interdependência na bateria, com foco na música popular brasileira.
Referências
:CAIERO, DANIEL: Trabalhando a independência groovando (editora e ano desconhecidos)
CAMERON, EDDIE; DEVAY, EDNI: Ritmo em Melodia: Insight Brazilian Rhythm, Salvador da Bahia: Editora Associação Cultural Brasil - Japão, no prelo
CHAPIN, JIM: Advanced techniques for the modern drummer: Coordinated independence as applied to jazz and
be-bop, Miami: Warner Bros. Publishing Inc., 2002
CHESTER, GARY; ADAMS, CHRIS: New Breed I: Systems of the Development of Your Own Creativity, New Jersey: Modern Drummer Publications Inc., 1985
CHESTER, GARY; ADAMS, CHRIS: New Breed II , Endicott (NY): Drummers Intensive Company, 1990
CUNHA, CÁSSIO: IPC - Independência Polirítmica Coordenada para Bateria e Percussão, Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 2000
GRAMANI, JOSÉ EDUARDO: Rítmica, São Paulo: Editora Perspectiva S.A., 1988, p. 163-170
MARVIN, DALGREN; FINE, ELLIOT: 4-Way Coordination: A Method Book for the Development of Complete
Independence on the Drum Set, Miami: Warner Bros. Publications Inc., 1963
MINNEMANN, MARCO: Extreme Interdependence: Drumming Beyond Independence, Miami: Warner Bros. Publications Inc., 2001
SOPH, ED: Musical Time: A Source Book for Jazz Drumming, New York: Carl Fischer Music, 2004
SVENSSON, TOMAS: Grundlegende Techniken am Schlagzeug, München: Grin Verlag für akademische Texte, 2011