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2. CURRENT ENERGY SITUATION

2.2. Energy balance: Retrospective and general overview

2.2.9. Social dimension

Kleves de Araujo Gomes Universidade Federal de Pernambuco [email protected] Resumo: Como discente do curso de Licenciatura plena em música nunca havia me passado a ideia de ser um

educador no ensino básico. Com a necessidade de entrar no mercado de trabalho, comecei a dar aulas em uma escola particular em Jaboatão dos Guararapes – PE. A escola em que leciono possui um invejável aparato tecnológico, mas para as aulas de música a infraestrutura limitava-se a uma simples sala, sem tratamento acústico. Na busca do plano de aula mais adequado para as turmas iniciais do ensino fundamental tive conhecimento da “Turma do Som”. Sua proposta pedagógica se encaixava bem nos moldes de conteúdos e de ludicidade pensados por mim. Com os avanços constantes da tecnologia, acredito que em breve o ensino básico, como um todo, estará se utilizando de plataformas similares à Turma do Som para alcançarem a excelência na educação escolar.

Palavras-chave: Plataforma digital, educação, tecnologia.

Introdução.

Como discente do curso de Licenciatura plena em música, na Universidade Federal de Pernambuco, nunca havia me passado a ideia de ser um educador no ensino básico, em paralelo eu aceitava a ideia de lecionar em uma escola de ensino específico (técnico ou profissionalizante), superior e/ou como professor particular de violão popular. Porém, com a necessidade de entrar no mercado de trabalho, comecei a dar aulas em uma escola particular em Jaboatão dos Guararapes – PE, no ano de 2011. Passei a trabalhar com turmas do Ensino Infantil e do Fundamental I e II. Tive que adaptar-me a essa nova realidade e também aos novos desafios, sendo um desses a falta de recursos específicos para as aulas de música. A escola em que leciono possui um invejável aparato tecnológico, mas para as aulas de música a infraestrutura era quase zero, limitando-se a uma simples sala, sem tratamento acústico (no ano vigente a escola comprou instrumentos de banda popular, o que aumentou um pouco as possibilidades). Todos os instrumentos com que trabalhei eram meus. Para diversificar também trabalhei com instrumentos de sucata e com utensílios de cozinha, a saída mais comum para atender às necessidades do educador musical.

Em 2012 eu tinha a certeza de que estaria lecionando no ensino básico, mas dessa vez já adaptado ao cenário de aula. Porém, eu ainda me perguntava a respeito da falta estrutura específica para o ensino de música, principalmente para turmas que estavam saindo da vivência especificamente lúdica para começar a conhecer os princípios científicos básicos da música, nesse caso as turmas do 2º ano do Ensino Fundamental I. Ainda em busca do plano de aula mais adequado para essas turmas tive conhecimento de uma plataforma virtual, que poderia resolver grande parte dos meus problemas, chamada “Turma do Som”. Sua proposta pedagógica se encaixava bem nos moldes de conteúdos e de ludicidade pensados por mim. Em contato com a coordenação pedagógica da empresa desenvolvedora, que até então eu não conhecia, procurei estabelecer o uso da plataforma virtual como material didático e a direção da escola apoiou a proposta.

Turma do Som: Respostas na Sala de Aula.

No primeiro dia de aula utilizando a Turma do Som eu temia que os alunos a rejeitassem, porém, quase que de imediato, rapidamente eles já estavam envolvidos pelos personagens apresentados no primeiro episódio e em seguida também extasiados com a proposta de jogos, desenvolvidos para fixação dos conteúdos vistos em aula. Já era de se esperar que um desenho animado prendesse a atenção dos alunos e que os cativasse de imediato. Porém, para o professor fica a pergunta: E agora? Quando o conteúdo musical começar a ser abordado, qual será a reação deles? A resposta surge nas aulas seguintes. Os personagens convidam os alunos a prestarem atenção nos sons que os rodeiam. Logo eles param para ouvir cada som que compõe “o silêncio” da sala de aula. Para que eles possam vivenciar melhor esse momento, o episódio é pausado e proponho uma atividade de observação dos sons da sala de aula. Há então uma explosão de ideias, cada um dos alunos diz quantos sons ouviu, qual colega falou na hora errada, quem riu e mais colocações vão “chovendo” até que o episódio é continuado. Surgem temas teóricos a respeito dos sons: crescentes e decrescentes, timbres, intensidade, entre outros. Os alunos permanecem concentrados e participativos, a teoria é dada e eles continuam focados. Nesse momento surge outra pergunta: Esse assunto está sendo abordado de forma superficial ou está num patamar elevado demais para os meus alunos? O próprio episódio responde mais uma vez, ao mostrar simplicidade, objetividade na abordagem do conteúdo e ao dar espaço para o professor exemplificar e aprofundar o que achar pertinente, esse espaço também faz com que o foco dos alunos não esteja somente na tela do seu computador ou na projeção feita pelo computador central. Um momento de êxtase para os alunos é a “hora do jogo”. O jogo propõe a descoberta dos sons de três ambientes: floresta, trânsito e instrumentos musicais. Todos querem participar dizendo onde acha que deve ser o local de onde provem o som que está se ouvindo. Quando marcada a opção correta ouvem-se gritos de comemoração. Na fase seguinte tem-se que descobrir qual figura representa um determinado som. Sem perceberem eles estão trabalhando a percepção sonora, que será de vital importância para os estudos musicais; também estão trabalhando o raciocínio lógico, indispensável para a matemática e demais disciplinas. Terminado o jogo é hora de avaliar o que aconteceu. Os próprios personagens perguntam aos alunos como foi a experiência e quais foram os resultados obtidos com o jogo. Para que não haja dúvidas acerca dos resultados desejados com a aplicação do conteúdo, em episódio e jogo, é sugerida a construção de um ambiente sonoro com os sons vistos no episódio. Cada aluno cria o seu próprio ambiente em um estúdio acústico virtual adaptado, bastante similar aos modelos de softwares de estúdio, chamado “trilho sonoro”, composto de várias trilhas, para inserção de sons. Cada aluno cria seu ambiente, talvez sem a lógica que um adulto aplicaria, mas com a criatividade e a liberdade que os conduzirá à essa lógica. Ao término dessa atividade mais uma vez os alunos param para apresentar suas experiências e resultados. O episódio termina com uma revisão de todo o conteúdo trabalhado. Dessa vez para o professor não resta mais pergunta alguma, mas sim uma resposta: “funciona”. Os alunos demonstram satisfação e empolgação para praticarem em casa os jogos que foram trabalhados durante a aula, assim desenvolvendo o conteúdo de forma plena, fixando-o com empolgação.

As crianças de hoje estão acostumadas aos jogos de vídeo-game, aos sites de relacionamento social, à tecnologia e tudo mais que os avanços tecnológicos oferecem a eles. Fica muito mais simples discursar, debater e propor uma prática quando o conteúdo em questão é falado na mesma “língua” do aluno. O simples fato de um conteúdo como “os sons” sair do seu estado invisível e ser observado e trabalhado em uma animação, em jogos e atividades lúdicas já representa um resultado bastante satisfatório para um professor. A gama de opções oferecidas por essa plataforma dá um retorno positivo quase que imediato ao professor. Para que não restem dúvidas, basta lembrar, por exemplo, que alunos do 2º ano do ensino fundamental, em pleno os seus 7 ou 8 anos de idade, gozam de uma imensa carga de energia e por essa razão têm uma forte tendência à dispersão e perda de atenção. Nas aulas ministradas com a “Turma do Som” essa dispersão cai consideravelmente. É notório o interesse que os alunos têm

de responderem ao que os personagens perguntam, porque nessa ocasião eles não estão somente vendo um desenho, mas sim interagindo com o mesmo, o que é mais interessante ainda para eles.

Para esse docente uma plataforma virtual como essa, além de oferecer múltiplas opções de trabalhos em sala de aula, faz com que a música enquanto ciência pautada em elementos invisíveis seja visualizada e “tocada” pelos seus alunos. Para a educação musical esse tipo de tecnologia traz a possibilidade de provar a importância da música no desenvolvimento do ser humano, pois, ela remete à prática constante e essa prática é o estopim para o “despertar” de todos os benefícios que a música pode oferecer ao se tornar disciplina obrigatória no ensino básico. De acordo com Joly (2003, p. 116):

A criança, por meio da brincadeira, relaciona-se com o mundo que descobre a cada dia e é dessa forma que faz música: brincando. Sempre receptiva e curiosa, ela pesquisa materiais sonoros, inventa melodias e ouve com prazer a música de diferentes povos e lugares. A grande maioria das coisas que uma criança aprende é resultado de suas brincadeiras, em outras palavras, ao praticar sua criatividade brincando a criança está estabelecendo, na verdade, uma prática das teorias captadas por ela ao longo de anos de observação do mundo. Pude perceber que o rendimento das turmas do 2º ano tem sido bem maior do que as turmas em que eu decidi trabalhar sem a plataforma, isso porque para essas eu estou dando uma possibilidade maior de interação com a aula, além de estar falando em sua língua atual que é a tecnológica.

Não pretendo afirmar que toda essa tecnologia, oferecida pela Turma do Som, é a “verdade absoluta” que faltava aos educadores musicais ou que ela é a máxima solução para os desafios do ensino da música nos primeiros anos do ensino fundamental, Rudolph (1996, p. 10) diz que a tecnologia não é uma panacéia da educação musical. Contudo, posso relatar que os recursos oferecidos pela “Turma do Som” têm aberto novas possibilidades de ensino para esse docente e em nada tem limitado o seu trabalho, pelo contrário e esse relato é um reflexo disso. Almeida (2003, p. 10) diz:

Ensinar em ambientes digitais e interativos de aprendizagem significa: organizar situações de aprendizagem, planejar e propor atividades; disponibilizar materiais de apoio com o uso de múltiplas mídias e linguagens; ter um professor que atua como mediador e orientador do aluno, procurando identificar suas representações de pensamento; fornecer informações relevantes, incentivar a busca de distintas fontes de informações e a realização de experimentações; provocar a reflexão sobre processos e produtos; favorecer a formalização de conceitos; propiciar a interaprendizagem e a aprendizagem significativa do aluno. A escolha dessa plataforma ou de outra similar como ferramenta de ensino só trouxe benefícios para as turmas do 2º ano, fez com que a teoria, indispensável para a compreensão da música enquanto ciência, e a prática, indispensável para o desenvolvimento dos alunos, caminhassem efetivamente lado a lado, gerando resultados concretos e praticamente imediatos. Com os avanços constantes da tecnologia, acredito que em breve o ensino básico, como um todo, estará se utilizando de plataformas similares à Turma do Som para alcançarem a excelência na educação escolar

Referências

ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. “Educação a distância na internet: abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem”. Educação e Pesquisa: Revista da Faculdade de Educação da USP, São Paulo, v. 29, n. 2, jul./dez.2003.

FRANÇA, C.; CABRAL, G.; SILVEIRA, W.; FLORÊNCIO, F. (2011), “Criação, Apreciação e Performance com Suporte Digital no Ensino Básico de Música”. In XX Congresso Anual da ABEM, 11, Vitória, 2011.

JOLY, Ilza, Zaner, Leme, (2000). “Um processo de supervisão de comportamento de professores de musicalização infantil para adaptar procedimentos de ensino”. Tese de Doutorado (Educação) São Carlos: UFSCar, 2000.

SWANWICK, Keith. “A Basic for Music Education”. London: Routledge, 1979.

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