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Services Configuration Tool

Part IV. Network-Related Configuration

Chapter 19. Controlling Access to Services

19.3. Services Configuration Tool

Experienciei o colapso das minhas certezas, e neste colapso encontrei uma nova esperança na fé cristã... Depois de estudos iniciais já no campo de prisioneiros, decidi estudar teologia... para tentar compreender este poder da esperança, ao qual devia a minha vida... O problema é: como se pode falar de Deus ‘depois de Auschwitz”. Mas, mais ainda: como se pode não falar de Deus depois de Auschwitz.277

Assim como Moltmann, Viktor Frankl também foi prisioneiro em campo de concentração nazista. Nos dois autores encontramos a temática do sofrimento extremo

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vivenciado na guerra e que leva a uma reflexão sobre a condição humana. Os dois levantam a questão de como continuar crendo em Deus depois de tudo o que se viu e enfrentou? O que é fé depois que se viu amigos morrerem na sua frente, pessoas da sua igreja ficarem mutiladas ou um querido próximo ficar gravemente ferido ou perder a vida? Como reaver a esperança depois de ter perdido coisas tão preciosas?

Frankl refletindo também sobre o sofrimento e esperança escreve que é justamente nas situações de extrema dificuldade que a pessoa tem a oportunidade de crescer e sair mais de si mesma. E é quando também ela se refugia na dimensão futura. Para ele, é uma peculiaridade do ser humano o existir com uma perspectiva futura. Sobre isto ele comenta:

... Para cada um dos libertos chegará o dia em que, contemplando em retrospecto a experiência do campo de concentração, terá uma estranha sensação. Ele mesmo não conseguirá mais entender como foi capaz de suportar tudo aquilo que lhe foi exigido no campo de concentração... Essa experiência do libertado, porém, é coroada pelo maravilhoso sentimento de que nada mais precisa temer neste mundo depois de tudo que sofreu – a não ser seu Deus.278

O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento ao comentar sobre os vários termos que expressam a “esperança” ou a “expectativa” aponta os mais empregados no Novo Testamento, que são o substantivo elpis e o verbo elpizo e seus derivados. Esta visão de esperança sob as lentes do Novo Testamento afirma que as duas palavras denotam o ato de “esperar”, “mas ambas também incluem a idéia do ‘objeto esperado’. Assim ta elpizomena significa ‘as boas coisas esperadas’, e elpis é o objeto da boa esperança bem como o ato de esperar”279. Ao descrever a ocorrência das duas palavras no texto bíblico, constatamos que

existe um paralelo com a fé, como sendo o elemento que vem dar substância à nossa esperança. A fé e a esperança caminham juntas e têm uma relação intrínseca, como podemos ler no texto do Dicionário de Espiritualidade:

278 FRANKL, Viktor. Em Busca do Sentido, p. 72 e 88.

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Na existência cristã, a fé ocupa o primeiro lugar; mas o primado pertence à esperança. Sem o conhecimento de Cristo, que se possui graças à fé, a esperança se converteria em utopia suspensa no ar. No entanto, sem a esperança, a fé esmorece e torna-se tíbia e morta. Por meio da fé, o homem encontra o caminho da vida autêntica; mas somente a esperança pode mantê-lo em tal caminho. Por isso, a fé em Cristo faz que a esperança se transforme em certeza; e a esperança confere amplo horizonte à fé, levando-a à vida.280

Naquela situação de desolação onde as instituições fracassaram e não conseguiram dar respostas àquela população desesperançada e sem alento, muitos pensavam em desistir da vida. Nesta ocasião a comunidade do Reino foi o grupo remanescente que tinha uma palavra de fé e confiança através da mensagem do evangelho de Jesus Cristo que independia das circunstâncias, mas dava a certeza que novos dias viriam, ainda que tudo ao redor dissesse ao contrário, a Igreja tinha a mensagem da fé de que tudo se faria novo.

A Igreja pôde ser uma promotora da práxis de esperança também quando proporcionou amparo aos desalentados. Ela foi um lugar de refúgio, conforme comentamos no início do capítulo e, também, Moltmann se refere a ela assim: “... a igreja enquanto comunidade pode ter o seu lugar e exercer a sua função. Ela pode tornar-se o lugar de refúgio... Aqui as comunidades cristãs podem oferecer calor e proximidade humana, vizinhança e ambiente de lar, uma comunidade cheia de sentimento e afeto...”.281 Sobretudo, a

Igreja foi promotora da práxis de esperança quando estava proclamando o Reino de Deus, quando estava chamando a sociedade para viver de acordo com as intenções de Deus para com ela, como nos confirma Bosch: “Enquanto a Igreja está proclamando o Reino de Deus e o está edificando, ela está se estabelecendo em meio ao mundo como o sinal e o instrumento desse Reino”.282

Para Castro, estabelecer o Reino nesse mundo, significa levá-lo a alcançar um estado de shalom, que não é uma simples ausência de guerra, mas “refere-se especialmente ao círculo de idéias relativas ao ‘bem-estar-social’. Na maioria das referências, shalom descreve

280 FIORES,Stefano de; GOFFI, Túlio. Dicionário de Espiritualidade, p. 337. 281 MOLTMANN, Jürgen. Teologia da Esperança, p. 377.

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um estado de harmonia, prosperidade, plenitude de vida e realização pessoal, comunitária e nacional”.283

Na guerra o melhor ensino de esperança por novos tempos que a Igreja pôde dar, não foi só a sua mensagem, ou o fato de permanecer com o povo se solidarizando, como dito no início do capítulo, mas também acreditar em dias melhores realizando o melhor trabalho possível para o bem comum. Quando a Lanchonete Ekuku foi organizada, e em plena guerra, muitos interpretaram como ingenuidade e até mesmo como insanidade, mas quando víamos os jovens comemorando datas especiais como, dia dos namorados, como um jovem qualquer de sua idade, mesmo sendo um momento efêmero, tínhamos certeza de que a esperança na vida era uma realidade mais que presente. O governo elogiou algumas vezes a Igreja Batista por ter acreditado, permanecido e ser dos poucos que abriram comércio em meio aquela destruição.

O Seminário manteve suas atividades em todo o tempo de guerra, as aulas só pararam fora do período de férias quando teve um propósito claro de sair para sinalizar o Reino de Deus.

O grande desafio, entretanto é agora nesta fase. Como é natural nas sociedades pós- guerra imediato, há um sentimento de vazio e cepticismo. Se a Igreja Batista decidir que quer ser uma comunidade do Reino, seu papel é garantido nesta tarefa de reconstrução nacional, mas principalmente, na restauração do próprio homem que sofreu, perdeu, ressentiu e agora precisa acreditar no futuro. Precisa perdoar e recuperar a esperança. Só o homem renovado poderá reencontrar sua identidade tão fragmentada com a guerra e aceitar o desafio de recomeçar. Só a comunidade do shalom poderá lhe oferecer esta oportunidade, como podemos ler nas palavras de Castro: “Os cristãos têm uma motivação a mais para se inserirem

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no espaço público: o paradigma missionário do shalom. Eles são desafiados a participarem na obra de restauração do mundo bom criado por Deus, vivendo a fé cidadã”.284

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma nação que viveu debaixo de ocupações por séculos, um regime marxista-leninista muito centralizador por 16 anos e duas guerras que assolaram o país de 1961 até 2002, efetivamente, tem um povo estigmatizado, fragilizado e ferido.

Em 1975, depois de 14 anos de resistência, protagonizada pelos três movimentos de libertação, Angola alcança a independência de Portugal. Mas por desentendimentos entre os grupos de resistência organizada, o país é surpreendido com uma nova guerra, que mais tarde é circunscrita somente ao MPLA e a UNITA.

Como o MPLA buscou o apoio do bloco socialista, a comunidade internacional deduziu que a Unita era o arauto da democracia neste impasse angolano, e apostou no grupo de Jonas Savimbi e, principalmente os EUA, contribuiu consideravelmente para o reforço do seu poderio bélico. As interferências foram desde a invasão de território pela África do Sul, conforme descrito no primeiro capítulo, até imposição e forte pressão para antecipação das eleições para cumprir objetivos eleitoreiros de George Bush (pai), comentado no terceiro capítulo. Depois de 20 anos de ingerências, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano, lançou seu livro de memórias, Years of Renewal, e nesta recente obra admite que a política americana errou em Angola e elogia a atuação do chanceler brasileiro Azeredo da Silveira que soube tratar do assunto analisando melhor o contexto africano (figura 27).285

Muitas nações acreditavam no novo país, inclusive o Brasil foi o primeiro governo a reconhecer a independência de Angola, como nos descreve Menezes: “...os poucos países ocidentais que se aproximaram de Angola (dentre eles o Brasil, que foi o primeiro a

285 GASPARI, Elio. Kissinger Admite que Errou em Angola. Folha de São Paulo, 18 de Abril de 1999, caderno

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reconhecer sua ‘independência política’) cedo se afastaram, caracterizado que estava o novo regime ‘socialista’ adotado na África”.286

O combustível deste conflito armado não foi a ideologia, mas o regionalismo, etnocentrismo e desejo de poder e foi este entrave que as Missões de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM) não conseguiram compreender devidamente. Desde o período colonial, as autoridades portuguesas, como estratégia de dominação, dificultavam a comunicação entre os reinos e estimulavam o separatismo. O trabalho missionário era orientado a concentrar-se por região, o que veio anos mais tarde determinar a adesão denominacional de um respectivo grupo etnolingüístico. Jonas Savimbi habilidosamente soube tirar proveito da situação semeada pelo colono e com semelhante metodologia mobilizou milhares de pessoas para lhe seguirem.

Como país soberano, Angola era mergulhada numa guerra devastadora e prolongada que deixou seqüelas irreparáveis. E hoje, terminadas as hostilidades, uma retrospectiva revela que um dos maiores danos que os confrontos provocou foi fracionar e arruinar o que Angola tinha de mais precioso: o seu povo.

A seqüência de mudanças sócio-políticas lentamente desencadeou um processo de aculturação na tradicional cultura angolana. Foram anos de vida forasteira, e principalmente a guerra, que reflete e produz uma vivência fragmentada, contribuiu para a configuração de uma cultura do provisório, ou seja, uma cultura de guerra. A população foi ajustando seus padrões culturais. Desenvolvendo mecanismos de defesa, inventando manobras para sobreviver e não sucumbir ao mar de miséria e morte resultados de um conflito armado.

Esta situação de transitoriedade prolongada que eu chamei de “cultura do provisório”, apresentada no segundo capítulo, também chamada por Imbamba de cultura da morte ou cultura da não-cultura e nomeada por Schubert de cultura da pobreza, era alimentada pela falta de perspectiva e esperança. Ela foi “minando” os valores, trazendo infiltrações tais que

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hoje com o cessar-fogo os estudiosos concordam que a cultura está em crise. Há uma necessidade de recuperar a própria identidade dos angolanos, como nos confirma o Sr. Quintino:

... é um país muito rico e as pessoas perderam a identidade e se os missionários ou a obra missionária ajudar a recuperar a identidade dos angolanos para que eles reconheçam quais são os seus propósitos, para que eles comecem, assim aos poucos, a recuperar o que os colonialistas durante 500 anos destruíram e aquilo que durante estes últimos 40 anos a guerra civil destruiu, eles mesmos terão possibilidade de produzir para o seu sustento. Neste momento, resta só que se lhe abram as mentes para que eles possam descobrir quais são os seus propósitos e como se devem viver neste contexto.287

Em meio a este contexto histórico de ocupações, tiranias, jogos políticos, destruição e desolação, as Igrejas estavam presentes, de alguma forma, no transcurso dessa história caminhando junto com a população e, desde o início da luta pela independência, também sofreu todos os efeitos de um conflito armado. Especialmente na cidade do Huambo, o epicentro dos combates, a Igreja Batista acompanhou gradativamente o evoluir da situação político-militar. As necessidades e demandas que a devastação da guerra geravam no cotidiano colocavam para a comunidade batista a necessidade de revisão em sua eclesiologia para procurar responder às novas perguntas que surgiam. Os novos tempos exigiam respostas contextualizadas!

Para continuar sendo a mesma Igreja de Jesus Cristo, cumprir sua missão no mundo e, segundo Costas, prosseguir na sua jornada de ser um sinal histórico do Reino de Deus, ela precisava sair do seu modelo eclesiástico e dar cuidado integral a população que estava com a vida esfacelada. Na sua teologia de manutenção, sua função pastoral na sociedade se tornava atrofiada; a Igreja entendeu as palavras do nosso teólogo sul-africano David Bosch “que a Igreja só é Igreja quando existe para os outros”.

287 QUINTINO, Osvaldo. Entrevista concedida à Margareth Roth na cidade de Luanda em 05 de dezembro de

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Diante de novos desafios, a Igreja precisa reinventar a sua práxis, como nos afirma Brighenti:

...Desde os novos desafios, recriar o modo de ser igreja (novas expressões), para que ela se torne apta a dar respostas concretas às necessidades sentidas pelas pessoas de hoje (novos métodos). Qualquer resposta a perguntas que ninguém mais faz torna velha e obsoleta a evangelização... .288

Bosh também traz contribuições fantásticas quando afirma que a Igreja está constantemente num processo de tornar-se, e que as “mudanças” não são renúncias de obra importante, mas é decidir fazer diferentemente a mesma coisa. E, ser Igreja numa situação de crise intensa, é estar aberto para avaliações constantes, pois a crise se torna uma oportunidade imperdível de exercer a missão. Nestas circunstâncias, a Igreja precisa adequar sua estratégia para alcançar o povo.

Na cidade do Huambo, a prioridade da Igreja Batista em um primeiro momento, a cada dia, era contribuir para criar condições de sobrevivência para a comunidade. No entanto, a necessidade de reconstrução da vida material e da esperança em um futuro, transformou a Igreja em um agente de transformação, ou seja, a Igreja transformava ao mesmo tempo em que era transformada, como nos confirma Bosch:

Todo este estudo parte da premissa de que a definição de missão é um processo contínuo de peneirar, testar, reformular e descartar. Isso significa que se deve entender a missão como uma atividade que transforma a realidade e, simultaneamente, que existe uma necessidade constante de a própria missão se transformar.289

Samuel Escobar nomeia esta dinâmica de Missiologia Crítica da Periferia290, onde o mais importante não é quantidade de ação missionária ou cumprir programas pré- estabelecidos, mas o que conta é o tipo de ação. No mesmo capítulo, este missiólogo latino- americano define missiologia como “uma reflexão crítica da práxis, à luz da palavra de

288 BRIGHENTI, Agenor. Reconstruindo a Esperança, p. 44. 289 BOSCH, David. Missão Transformadora, p. 609

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Deus”. E aqui podemos voltar ao ponto inicial, quando discorremos sobre o assunto no terceiro capítulo, e concordar com Floristan quando diz que a práxis sem reflexão, é mera prática repetitiva291. São ações de manutenção de um sistema obsoleto. Casiano afirma que a

ação da Igreja e dos cristãos deve ser balizada com a práxis de Jesus, só assim é possível uma ação pastoral eficaz.

Foi assim que a comunidade batista percebendo o novo kairós e ponderando sobre seus métodos arcaicos, entendeu que não podia mais dissociar responsabilidade social de evangelização. Na angústia aprendeu que ser Igreja no meio da guerra é “recuperar a interdependência e descobrir a indispensabilidade do outro”, como escreve Bosch. É acabar com a autonomia e auto-suficiência.292 É vivenciar junto com a população a luta diária pela

sobrevivência. É promover o cuidado integral do ser humano. É trabalhar em parcerias para a transformação de realidades, o que nos leva a concordar com Longuini na definição de pastoral que é “a inserção dos cristãos na sociedade, visando sua transformação”.293

A Igreja além de se aproximar mais do povo, quebrou outros paradigmas no sentido de romper as barreiras denominacionais e nos momentos críticos atuar em parceria com outras denominações, especialmente com a Igreja Católica.

O terceiro capítulo apontou algumas vertentes da práxis pastoral em condições de guerra como: diaconia e assistência de emergência; socorro aos feridos, visitas pastorais a locais de amparo como campo de refugiados, hospitais e centros de acolhimento; papel de facilitador para implantação de projetos de desenvolvimento; mediação entre população, projeto e ONG’s/ONU; preparo de agentes de transformação e missão profética de denúncia, a Voz dos Sem Voz. Entretanto, conviver com o povo durante 17 anos na cidade do Huambo, em meio aos confrontos, e analisando as entrevistas realizadas, percebemos três atividades da Igreja Batista que mais impressionaram as pessoas e foi realmente um traço distintivo da

291 FLORISTAN, Casiano. Teologia Practica, p. 180 e 187. 292 BOSCH, David. Missão Transformadora, p. 435. 293 LONGUINI, Luis. O Novo Rosto da Missão, p. 11 e 62.

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comunidade durante os combates: a permanência da liderança na cidade, que foi a mensagem mais poderosa que puderam compartilhar, quando poderia e teve oportunidade de ter saído; sua mensagem bíblica de conforto e esperança ajudando-os a manter o desejo de continuar vivendo; e, finalmente, o serviço de acolhimento que lhe deu o título de “comunidade do refúgio”, ou “tábua de salvação”, “celeiro de esperança”, “oásis”, entre outros.

Nossa pesquisa constatou que em ocasiões de conflito armado, a presença pastoral dos cristãos e da Igreja é fundamental para impedir a extrema deterioração das condições sócio- econômicas. Mantém o equilíbrio e coopera para que a comunidade tenha razoável estabilidade. A pesquisa, sendo um estudo de caso, pode trazer contribuições como leitura suplementar para aqueles que, indo viver num contexto de conflito armado, desejam sinalizar o Reino de Deus com uma práxis pastoral eficaz.

Hoje, terminada as hostilidades, o desafio primordial neste pós-guerra é contribuir para que a mulher e o homem angolanos reencontrem sua identidade que foi desconstruída nestes anos de turbulência político-militar. É ensinar-lhes o perdão e reconciliação, verdades significativas e tão atuais, presentes no evangelho de Jesus Cristo. É apontar-lhes caminhos para recuperar os valores da sua cultura esquecidos: a dignidade e estima de um povo alegre que transpira uma musicalidade e um ritmo que vêm da sua alma. A prioridade, portanto, para Angola não é reconstruir os prédios destruídos e cidades arrasadas, como nos relata Imbamba: “A verdadeira reconstrução de Angola passa necessária e primariamente pela reconstrução do homem angolano... para torná-lo cidadão digno, pacífico, tolerante, solidário... Recriando o homem, tudo será recriado”294. Não queremos dizer com isso que a vida material não

necessite de cuidados emergenciais. Sim, necessita e é muito importante, mas um novo homem está para ser re-construído e esta missão é responsabilidade da Igreja, como podemos ler nas palavras do Pr. Adelino:

A Igreja tem grande responsabilidade porque durante a guerra a população confiou na igreja, confidenciaram seus problemas à Igreja ou pediram opiniões à Igreja. E,

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neste momento, no tempo da reconstrução, a igreja deve desempenhar o seu papel para que este país seja reconstruído. Quando falo em reconstrução quero dizer a vida das pessoas, e não só reconstruir os prédios, as pontes, mas a vida das pessoas, porque foram as pessoas que foram mais magoadas e são elas que devem ser curadas... .295

E esta obra de recriar, perdoar, retomar a esperança e devolver o sentido para o homem e mulher angolanos só será possível através da comunidade do shalom. Só a comunidade do Reino com sua presença pastoral poderá conduzi-los a uma nova vida restaurada, com perspectivas de novos tempos.

295 CHILUNDULU, Adelino. Entrevista concedida à Margareth Roth na cidade de Luanda em 10 de dezembro

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BAUR, John. 2000 Anos de Cristianismo na África: uma história da igreja africana, Lisboa: Paulinas, 2002.

BLAUW, J. A Natureza Missionária da Igreja. São Paulo: ASTE, 1966.

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BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo,