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Access Control Lists

Part II. File Systems

Chapter 14. Access Control Lists

Interagindo com o povo na diversidade de acontecimentos, a Igreja Batista, como colocado no início do capítulo, não ignorou as questões dos novos tempos, mas encontrou seu lugar de protagonista com outros agentes parceiros, buscando dar respostas contextualizadas e concretas para os novos desafios que se apresentavam. A Igreja Batista em sua trajetória histórica teve diferentes modelos de ação, embora muitas vezes não tenha conseguido acompanhar o dinamismo da história. Conforme diálogo com algumas fontes no início deste capítulo, procuramos seguir em nossa experiência na cidade do Huambo a dinâmica das necessidades que o momento apresentava, de acordo com a recomendação de Brighenti, quando diz que a Igreja precisa mudar sempre para cumprir sua missão integral de cuidar do homem todo: “A Igreja precisa mudar muito, constantemente, para poder continuar a ser sempre a mesma. Ela existe para evangelizar; para uma missão junto a todos os povos de todas as épocas. Evidentemente, como instituição sujeita às contingências culturais em que está inserida...”.255 As mudanças, necessariamente não significavam renúncia aos seus

propósitos, pois como afirma Bosch, a Igreja para mudar não precisa “renunciar a uma obra importante, mas fazê-la diferentemente. A Missão da Igreja permanece”.256

No decurso dos anos, neste contexto de emergência constante que se vivia em Angola, as alterações na práxis pastoral das Igrejas, principalmente a Batista, foram decorrentes da preocupação com a inserção das pessoas na sociedade, tornando-as mais engajadas na promoção social das populações locais, como podemos ler nas palavras de Serrano: “... tinham uma plurifuncionalidade, sobretudo os protestantes257, pois sua função não era apenas

a evangelização, mas muitas vezes também a promoção social, isto é, proporcionar uma educação profissionalizante e também uma assistência médica às populações”.258

255 BRIGHENTI, Agenor. Reconstruindo a Esperança, p. 48 256 BOSCH, David. Missão Transformadora, p. 439.

257 Protestante – Em Angola usualmente o termo refere-se a Igreja evangélica de um modo geral. 258 SERRANO, Carlos Moreira. Angola, Nasce uma Nação, p. 103.

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A necessidade da comunidade impulsionou a Igreja a preocupar-se diretamente com o desenvolvimento e a sustentabilidade do povo. O conceito de desenvolvimento comunitário que passou a nortear as suas ações está bem próximo da posição de Maurício Cunha:

O desenvolvimento comunitário é o estágio mais complexo de ajuda, por se tratar de um trabalho em longo prazo, que envolve ampla participação das pessoas a serem ajudadas e uma série de habilidades e papéis a serem exercidos pelo agente de desenvolvimento. Além disso, é o processo que traz os resultados mais impactantes e permanentes, atingindo as estruturas da comunidade em todas as áreas.259

Cunha defende como tese que é possível a transformação de comunidades pelo evangelho integral. Seus pressupostos partem da definição de desenvolvimento que “pode ser definido como o processo de mudança ou transformação em que um indivíduo ou um grupo de indivíduos cresce em direção a melhores níveis de vida em todos os aspectos: físico, social e espiritual”.260

Para ele, todo o processo de desenvolvimento comunitário terá como ponto de partida o cuidado integral do homem, e pela perspectiva cristã vai muito além de suprimento de necessidades, mas visa conduzir o homem rumo às intenções de Deus para com ele. Portanto, compartilhar as Boas Novas do Reino “não é um fim em si mesmo, mas o início de um processo desejável de mudança e transformação”.261

Neste caso, o objetivo da Igreja na sociedade, começando pelo indivíduo, é levar toda a comunidade rumo às intenções de Deus para com ela.

Cunha mostra os tipos de ações para situações específicas que podem variar desde: 1. Assistência de emergência, que envolve sobrevivência e é pontual; 2. Reabilitação ou reconstrução para melhorar condições; 3. Desenvolvimento ou transformação, as pessoas querem crescer rumo às intenções de Deus para com elas, conseguem agir em seu próprio favor. Os projetos de desenvolvimento ou transformação estimulam a criatividade e auto-

259 CUNHA, Mauricio José. O Reino entre nós, p. 91. 260 Ibid., p. 91.

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suficiência, além de incentivar a auto-sustentabilidade. Enquanto que os projetos caracterizados como emergenciais, se não houver um bom planejamento e coordenação das ações durante a fase crítica, tendem a se tornar assistencialistas (quadro 4):

TIPO DE AJUDA DEFINIÇÃO PROCESSO RESULTADOS

Ajudando as pessoas a sobreviver (situações emergenciais) Assistência ou Socorro Emergencial Pré-Avaliação Levantamento de Recursos/suprimentos/ distribuição Satisfação de necessidades imediatas Sobrevivência Ajudando as pessoas a se tornar melhores Reabilitação ou Reconstrução Treinamento de habilidades Reconstrução Retorno ao estágio inicial Ajudando as pessoas a agir em seu próprio favor Desenvolvimento ou Transformação Avaliação, discussão, detecção de necessidades, interação, facilitação, envolvimento da comunidade Fortalecimento da comunidade, transformação, auto- suficiência Quadro 04:

Fonte: CUNHA, Mauricio. O Reino entre nós: Transformação de Comunidades pelo Evangelho Integral, p. 90.

No entanto, é preciso esclarecer que este movimento da Igreja Batista em se dispor a contribuir com o desenvolvimento comunitário, ficou circunscrito às regiões mais afetadas pela guerra, sobretudo a região do Huambo, que foi o epicentro de todos os conflitos. Nesse sentido, é importante retomar às palavras de Bosch sobre a afirmação de que a crise é o ponto onde o perigo e a oportunidade se encontram262, para podermos avaliar que a Igreja Batista,

como uma instituição denominacional, não soube fazer o trânsito: emergência & desenvolvimento, aproveitando a oportunidade para desenvolver mais projetos que gerassem um real desenvolvimento com abrangência nacional. Como denominação não levou a comunidade a experimentar no seu viver diário as intenções de Deus para com ela.

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Por outro lado, como descrito no início do capítulo 2, a calamidade estava tão presente no cotidiano, que geralmente agíamos em função da preservação. E nesta linha de raciocínio, apesar de tudo, a atuação dos batistas foi muito além de simples ações solidárias, pois a sua práxis pastoral contribuiu para recuperar nas pessoas a sua auto-estima, a sua dignidade e o anseio de viver, como afirma Jung:

Quando pessoas amam e se sentem amadas, recuperam e fortalecem sua auto-estima e senso de dignidade, características fundamentais não só para ações solidárias mas também para serem capazes de criatividade e iniciativa, qualidades fundamentais para viver bem no mundo hoje. Em outras palavras, a sabedoria do amor não é “útil” somente para questões existenciais, mas também é importante para se conseguir meios econômicos para uma vida digna nas relações econômicas cada vez mais exigentes e cambiantes.263

Analisando o quadro de Cunha e comparando com a trajetória da Igreja Batista na cidade do Huambo, constata-se que a Igreja trabalhou nos três níveis: emergência, reconstrução e transformação com auto-sustento. Através de alguns projetos conseguiu transformar o amor e a compaixão em atos de solidariedade e dar uma considerável contribuição para o desenvolvimento da cidade, como descrito em sua missão integral abordada no capítulo anterior. Como exemplo de ação para o desenvolvimento, vamos falar do Projeto Ekuku.

Desde a década de 80, quando a Igreja ainda tinha uma eclesiologia intra-muros, já confeccionava produtos artesanais para vender e angariar fundos para o sustento de líderes que queriam estudar no Seminário e não tinham condições. Equipes de mulheres faziam pães e bolos para vender na igreja. Os balcões eram máquinas de lavar roupa fora de uso, abandonadas pelos missionários na guerra da independência. O estado de guerra chancelou esta prática de pequenos negócios, principalmente no segmento feminino, como fonte de renda durante a guerra.

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Crescia cada vez mais o número de candidatos para estudar no Seminário do Huambo. Então, alguns líderes da escola tiveram a idéia de abrir uma lanchonete como fonte geradora de recursos. O governo participou doando um contêiner e a juventude da escola se organizou em mutirão para pintar, fazer jardim, varandas, balcões e armários. A Lanchonete Ekuku recebeu do governo todos os documentos que regulamentavam o estabelecimento e organizou um comitê para administrá-la. Foi inaugurada em novembro de 2000, com a participação de representantes do governo e ONG’s parceiras.

A grande motivação para a realização do empreendimento fazia parte de um sonho acalentado há anos: criar um espaço para a juventude naquela cidade que só respirava medo, desânimo, miséria e sem perspectivas para o futuro. Rapidamente, o Ekuku se transformou no point dos jovens e das fotografias, pois não tinha outro lugar alegre e bonito para passear na cidade (fig. 11/ 18 – 20).

Essa visão de auto-sustentabilidade foi inspirada também na necessidade de incrementar o programa que a Igreja desenvolvia na Penitenciária. A coordenação do trabalho entre os reclusos não dispunha de fundos para dar assistência aos projetos em andamento dentro do presídio. Portanto, os lucros da Lanchonete eram divididos entre o Seminário e o Projeto de apoio aos presos.

Em 2001, os jovens conseguem a doação de uma sorveteria toda equipada no Brasil para ampliar o Complexo Ekuku que já contava também com uma padaria. Atualmente, o projeto emprega 20 pessoas, patrocina programas na rádio da cidade oferecendo senhas especiais de lanches e participa do sustento do Seminário com uma grande porcentagem.

O Ekuku tem sido um armazém de esperança como descreveu certa vez um cliente no Huambo, pois sua ação catalisadora tem estimulado a juventude, impulsionando-a a crer no futuro e confirmar que a unidade traz força e capacita a empreendimentos que transformam realidades, como diz nosso mestre David Bosch.

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ALGUNS PROJETOS DA IGREJA BATISTA EM HUAMBO

Figura 16 – Foto: Culto de Formatura

Alunos do Seminário Figura 17 – Foto: Seminário Teológico Batista de Huambo Fachada Principal

Complexo Ekuku Ponto de Encontro em Huambo

Figura 18 – Foto: Lanchonete

Figura 19 – Foto: Sorveteria

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ALGUNS PROJETOS DA IGREJA BATISTA EM HUAMBO

Figura 21 – Foto: Elavoko – Centro de Profissionalização para Mutilados de Guerra

Figura 22 – Foto: Lembi Lembi – Centro Médico e de Recuperação Nutricional

Figura 23 – Foto: Projeto Alfabeta Alfabetização de Adultos

Figura 24 – Foto: Lavra Comunitária Plantação de Milho, feijão e Soja

Figura 26 – Foto: Construção da Escola do Presídio Figura 25 – Foto: Encontro com os Detentos

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