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CHAPTER V: IMPLEMENTATION OF NYARUGENGE DDS

5.1. Sequencing of activities

Apresenta-se, aqui, uma breve revisão, não exaustiva, que abarcará algumas gramáticas de diversas linhas teóricas e metodológicas.

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O QUE DIZEM OS BRASILEIROS

: “P

RA EU” OU “P

RA MIM” F

AZER

?

Na Gramática Houaiss, segundo Azeredo (2008, p. 175), “a classe dos pronomes pessoais é a única que apresenta formas distintas para três grupos de funções [...]”. O referido autor apresenta, dessa maneira, os retos, para as funções de sujeito e predicativo; os oblíquos átonos, para as funções adverbais de objeto e de adjunto; e, por fim, os oblíquos tônicos, para as funções de complemento e de adjuntos, sempre precedidos por preposição (AZEREDO, 2008, p. 175).

Os pronomes pessoais do caso reto, conforme Bechara (2010), possuem sintaxe de sujeito ou predicativo do sujeito na oração, pois “as formas eu, tu, ele, nós, vós, eles, elas, que funcionam como sujeito, se dizem retas” (BECHARA, 2010, p. 132). No que tange aos pronomes pessoais do caso oblíquo, a norma padrão estabelece função sintática, não admitindo variação, de complemento verbal (objeto direto ou indireto) ou complemento nominal.

Conforme Cunha e Cintra (1985), a forma para mim fazer é uma criação oriunda do povo, atribuída ao resultado do cruzamento sintático entre as duas construções consideradas padrão: Isso é para eu fazer. Isso

é para mim.

Lima (1985) postula que o pronome mim como sujeito de infinitivo é um “erro comum”, uma expressão que se origina da linguagem informal, sem maiores cuidados linguísticos.

De acordo com o breve panorama exposto, a partir da leitura de diferentes gramáticas tradicionais – Azeredo (2008), Bechara (2010), Cunha e Cintra (1985) e Lima (1985) –, percebe-se que, em alguns aspectos, os pensamentos dos autores se assemelham, sobretudo no que se refere à forma pronominal mim na posição de sujeito. Geralmente, tratam como inadequação gramatical, não permitindo variação. Além disso, o quadro dos pronomes pessoais apresentado por eles também é semelhante.

Encontram-se, conforme postulados de Bagno (2011), na

Gramática pedagógica do português brasileiro, noções divergentes das

postuladas pelos quatro autores de gramáticas tradicionais anteriormente apresentados. Bagno (2011, p. 462) afirma que “[...] os pronomes não são uma classe de palavras, mas uma função que palavras de diversas classes podem exercer [...]”. Ao utilizar as postulações feitas por Benveniste (2005), o referido autor advoga que “no lugar dos ‘pronomes pessoais’, uso índices de pessoas [...]” para se referir às pessoas do discurso.

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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSO

Na referida obra, há tentativas para explicação sobre a ocorrência de para + mim + infinitivo. Bagno (2011) aponta que essa forma recebe avaliação negativa por parte da comunidade, embora esteja sendo amplamente utilizada entre os falantes dos grandes centros urbanos e que possuem escolarização. Também há direcionamentos que indicam que a forma ocorre devido a várias hipóteses, tais como: o cruzamento de duas construções que se fundem em uma única, sintetizando a sintaxe, a semântica e a pragmática, representando um ganho funcional: “a) O ilustrador trouxe uns desenhos pra mim. b) O ilustrador trouxe uns desenhos para eu examinar. a) + b) = O ilustrador trouxe uns desenhos para mim examinar” (BAGNO, 2011, p. 730).

Nessa perspectiva, outra maneira de explicar o fenômeno é por meio da braquilogia, figura de linguagem que remete ao termo grego

brakhys, que significa breve, curto, reduzido. Desse modo, algumas

formas que sofreram braquilogia se gramaticalizam em estruturas fixas; com isso, uma ou as duas formas que se cruzaram tendem a desaparecer da linguagem corrente. Outra maneira de observar o fenômeno é o favorecimento do mim por causa da preposição para, uma vez que as formas obliquas são regidas por preposições (BAGNO, 2011).

O pronome pessoal tem uma natureza fórica, ou seja, é uma classe gramatical que tem como característica a capacidade de fazer referência pessoal. Desse modo, os pronomes pessoais possuem como premissas consideradas básicas representar na oração os papéis dos discursos, isto é, remeter à situação de fala, e garantir a continuação do texto, fazendo referência a elementos do próprio discurso, como postula Neves (2011).

Ainda conforme a referida autora, as formas pronominais oblíquas tônicas mim e ti, regidas de preposição, são restritas a funções completivas. A norma gramatical estabelece que as formas pronominais eu e tu não podem ser regidas por preposição e só podem exercer a função de sujeito da oração. Entretanto é perceptível na linguagem popular, literária e jornalística o uso de construções com esses pronomes precedidos da preposição entre, em algumas orações (NEVES, 2011, p. 456).

Cereja e Magalhães (2013), em sua gramática pedagógica, afirmam que o sistema de pronomes pessoais do PB vem sofrendo mudanças e já está sendo descrito de forma distinta por linguistas. No PB oral, as expressões você, a gente e vocês são usadas como pronomes pessoais,

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O QUE DIZEM OS BRASILEIROS

: “P

RA EU” OU “P

RA MIM” F

AZER

?

fazendo referência à segunda pessoa do singular e às primeira e segunda pessoas do plural, respectivamente. As formas pronominais eu e tu exercem a função de sujeito; em contrapartida, os pronomes oblíquos tônicos mim e ti desempenham outras funções. De acordo com a norma padrão da língua, empregar a forma pronominal mim no lugar da forma pronominal eu não é considerado adequado.

Vale destacar que, nas gramáticas pedagógicas e/ou de uso de Bagno (2001), Neves (2011) e Cereja e Magalhães (2013), são encontradas algumas noções mais flexíveis sobre o uso dos pronomes pessoais no PB bem como abonações quanto às formas pronominais da língua falada. Tais aspectos já dialogam com alguns estudos no campo da Linguística, que buscam examinar o comportamento dos pronomes.

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