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DDS Implementation Strategy

CHAPTER V: IMPLEMENTATION OF NYARUGENGE DDS

5.2. DDS Implementation Strategy

Contrapondo-se aos gramáticos tradicionais, principalmente aqueles que não admitem as inovações linguísticas feitas pelos falantes, considerando-as erros, há alguns estudos da Linguística – Linguística Cognitiva57, Sociolinguística e Gerativa58 – que investigaram

o comportamento dos pronomes do PB. Alguns, de certo modo, redefiniram o quadro pronominal canônico difundido pelo padrão normativo, conforme se apresentará neste texto. Estudos sobre a variação pronominal entre as formas eu e mim são raros, no entanto as pesquisas da classe pronominal como um todo são numerosas. Neste capítulo, a ênfase será para os estudos em nível de pós-graduação que tomaram como parâmetro a Teoria da Variação e Mudança Linguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]) e os pressupostos da Sociolinguística Quantitativa (LABOV, 2008 [1972]) como principais bases teóricas59.

Figueiredo (2007) observa a construção para + 1PS + infinitivo e investiga se as formas pronominais eu e mim estão em processo de

57 Estudos como os de Torrent (2005) e Pena-Ferreira (2017).

58 Estudos como os de Pereira e Roncarati (1993), Mioto, Silva e Vasconcellos (2007) e Carvalho (2008).

59 Dois trabalhos de conclusão de curso apresentam considerações importantes sobre o fenômeno, a saber: Novais (2018) e Silva e Nogueira (2018).

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variação ou mudança linguística em orações infinitivas iniciadas pela preposição para. O referido autor utiliza-se de dois corpora, com informantes do Rio de Janeiro, a partir de entrevistas sob os moldes da Sociolinguística Variacionista, com dados do Programa de Estudos sobre os Usos da Língua – PEUL/UFRJ – amostras de épocas distintas, 1980 e 2000: Amostra Censo – constituída por 64 informantes; Amostra Tendência – constituída por 32 informantes. Nas duas amostras, os informantes estão distribuídos sistematicamente em gênero/sexo, idade (7 a 14 anos; 15 a 24 anos; 25 a 49 anos; e maiores de 50 anos) e nível de escolaridade (primário, ginásio e colegial).

Figueiredo (2007) utilizou como variáveis linguísticas a função sintática da oração infinitiva, o paralelismo, o tipo de texto, a modalidade, a correferência de sujeitos e a natureza semântica do verbo da oração principal. As variáveis sociais consideradas foram idade, idade e escolaridade e escolaridade e gênero/sexo.

Nas análises iniciais, o autor constatou que:

A variante eu, forma prescrita pelas gramáticas normativas, não se mostrou expressiva em nossos dados. Ao contrário, ocorre com quase nula freqüência, 4% nas amostras checadas. A variante mim, forma discriminada, apresenta percentagem mais elevada, 20%, e a variante zero, que não é mencionada na disputa, destaca-se com 75% dos casos. Considerando a tendência do português brasileiro a não apagar o pronome sujeito na fala (Paredes Silva, 1988), este comportamento se mostra ainda mais interessante (FIGUEIREDO, 2007, p. 15)

No trabalho, ao estudar a variação entre o pronome mim e a não marcação, uma vez que o pronome eu apresentou baixa frequência, o autor concluiu que há uma “[...] sistematicidade da distribuição entre mim e zero ao mesmo tempo em que identificamos os contextos linguísticos e sociais para seu uso. Validamos assim, implicitamente, as variantes estudadas” (FIGUEIREDO, 2007, p. 107). Afirma também que “o pronome explícito mim funciona inequivocamente como sujeito de infinitiva, independentemente da função que eventualmente exerça na

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: “P

RA EU” OU “P

RA MIM” F

AZER

?

oração principal” (FIGUEIREDO, 2007, p. 107). O pronome oblíquo

mim, quando precedido pelo complementizador para, na fala do Rio

de Janeiro, de acordo com os resultados apresentados por ele, pode ser encontrado em posição de sujeito nas sentenças com verbos no infinitivo.

Ao estudar a flexão de caso dos pronomes pessoais no português popular da Bahia, utilizando quatro corpora60, no continuum de

urbanização do PB, Mendes (2016) afirma que o quadro dos pronomes difundido pela tradição gramatical não considera os processos de variação e mudança que moldam o PB atual, que o tornam polarizado. Sob a ótica de uma realidade linguística brasileira que se configura por normas, divididas em dois polos – as normas cultas urbanas e as normas populares (LUCCHESI, 2015) –, a autora sugere um quadro para os pronomes encontrados nas duas normas.

Ainda na perspectiva das ideias desenvolvidas por Mendes (2016, p. 236), “[...] a flexão de caso dos pronomes pessoais de primeira pessoa do singular é um aspecto que contrapõe variedades populares mais urbanizadas e variedades populares menos urbanizadas [...]”. Com isso, o fator urbanização foi elencado como um importante favorecedor para a aplicação da regra da flexão dos pronomes pessoais de primeira pessoa. Assim, a referida autora afirma que o pronome eu vem sendo utilizado na posição de complemento verbal e adverbial.

Maia (2016), ao observar o uso variável das formas eu/mim e

mim/me em textos escritos, narrativas pessoais de estudantes do Ensino

Fundamental de duas turmas, 6º e 9º anos, de Ilhéus, interior baiano, afirma que, além da competição das formas eu e mim, o zero anafórico/ catafórico é um recurso muito utilizado pelos estudantes, haja vista que

[...] a diferença mais acentuada ocorre com o uso da variante estigmatizada, para mim, mais usada pelas alunas (84,6%) do que pelos alunos (15,4%). São elas também que usam mais o apagamento (53,5%), mas

60 São amostras de falas do português afro-brasileiro (Helvécia, Cinzento, Rio de Contas e Sapé); do português popular do interior de pequeno porte (Santo Antônio de Jesus e Poções), médio porte (Feira de Santana); e do português popular de Salvador.

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com uma diferença não muito grande em relação aos alunos (46,5%). Quanto a essa regra do apagamento, os dados evidenciam que tanto alunos quanto alunas a reconhecem como uma estratégia natural, talvez por conta da dificuldade que eles têm para identificar as regras para o uso das formas expressas. No que se refere à variante padrão, para eu, numa leitura horizontal, não percebemos diferença de uso, ou seja, não há variação; a variação é registrada numa leitura vertical: os alunos usam mais a variante prescrita e as alunas, a variante estigmatizada. (MAIA, 2016, p. 41)

Ao concluir o estudo, Maia (2016), em um caderno de orientações, aponta para diversas alternativas didáticas para que os professores trabalhem os referidos pronomes nas aulas de Língua Portuguesa, a fim de desconstruir o preconceito linguístico e, sobretudo, propagar a aceitação das formas inovadoras em posições não previstas pelo padrão normativo.

Gomes (2019), em pesquisa concluída recentemente sobre o fenômeno, observou a fala de informantes do interior de São Paulo, São José do Rio Preto, utilizando o banco de dados do IBORUNA61.

No estudo, foram encontradas 28 ocorrências do pronome eu, 85 ocorrências do mim e, por sua vez, 308 ocorrências do zero anafórico. Segundo a referida autora, “os resultados mais relevantes da análise ternária revelaram que a variante zero é a mais utilizada por todos os perfis sociais” (GOMES, 2019, p. 138).

Ao concluir o estudo, Gomes (2019) afirma que:

[...] na variedade investigada, as análises entre mim e

eu indicaram como fatores relevantes para a variação,

em primeiro lugar, o gênero do informante, seguido de sua escolaridade e renda. O perfil social dos informantes que mais empregam mim em posição de sujeito de orações infinitivas, segundo as análises desenvolvidas, são homens, com escolaridade até o Ensino Médio e de baixo poder socioeconômico.

61 Mais esclarecimentos podem ser obtidos no site do Projeto ALIP. Disponível em: http://www.iboruna.ibilce.unesp.br/interna.php?Link=corpo.php&corpo=36. Acesso em: 27 jun. 2020.

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: “P

RA EU” OU “P

RA MIM” F

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Com esses resultados, conclui-se que não há variação estável entre as duas formas na variedade investigada, mas uma mudança em curso em direção à variante

mim, apenas refreada pelo alto grau de escolaridade

do falante. (GOMES, 2019, p. 140)

Ainda, nessa perspectiva, Gomes (2019) indica que outros estudos sejam feitos, sobretudo em busca do emprego da forma inovadora como sujeito de orações infinitivas iniciadas pela preposição para em textos de sincronias passadas, sejam eles do português europeu e do português africano.

Os estudos ora apresentados trazem, sob o viés sociolinguístico, em suas respectivas abordagens, reflexões sobre uma nova configuração dos pronomes do PB, principalmente as flexões casuais das formas para a primeira pessoa do singular. Nota-se também que, por meio desses estudos, não se tem uma pesquisa que, no que tange ao fenômeno, investigue a fala dos brasileiros, moradores das capitais e/ou interior. O panorama evidenciado demonstra estudos localizados, o que, de algum modo, já traz, de forma satisfatória, embora pontual, revelações do comportamento do fenômeno em algumas comunidades de fala do Brasil. Urgem, desse modo, pesquisas, sob diversas abordagens teóricas, que cataloguem e noticiem sobre o comportamento desse fenômeno na fala dos brasileiros.

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