CHAPTER IV: STRATEGIC FRAMEWORK
4.5. Cross-cutting areas
Os resultados que se apresentam fundamentam-se em levanta- mentos53 no corpus do Projeto ALiB, especificamente em todos os pon-
tos dos estados do Amapá, Roraima e Amazonas. Referem-se, assim, à fala de 44 informantes da Região Norte, distribuídos da seguinte forma:
Quadro 1: Relação de informantes documentados,
distribuídos por Estado
Estado Cidade Informantes do-cumentados
AMAPÁ 1. Oiapoque
2. Macapá 4 informantes8 informantes RORAIMA 3. Boa Vista 8 informantes AMAZONAS 4. São Gabriel da Cachoeira
5. Tefé 6. Manaus 7. Benjamin Constant 8. Humaitá 4 informantes 4 informantes 8 informantes 4 informantes 4 informantes Fonte: Elaborado pelas autoras.
O total geral de ocorrências dos pronomes tu e você foi de 564 dados. Houve 168 ocorrências do pronome tu e 396 ocorrências de você54. Tal como em estudos anteriores acerca dessas formas de
tratamento (PAREDES SILVA, 2003; MODESTO, 2006; MARTINS, 2010; NOGUEIRA, 2013), o pronome você foi a forma mais utilizada nos três estados em questão, como se pode observar no Gráfico 1.
53 Os dados considerados para esta pesquisa foram levantados, diretamente, a partir da audição dos inquéritos referentes aos 44 informantes. O registro das ocorrências foi feito em tabelas, informando-se o Estado, a localidade, o número da localidade, a identificação do informante, o sexo, a faixa etária, a escolaridade, o tipo de questionário, a forma utilizada pelo informante (você, ocê, cê ou tu) e o número da questão a propósito da qual foi obtida.
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V OCÊ OU TU ?: O TRA TAMENT O DO INTERL OC U TOR NA RE GIÃ O NOR TE A P AR TIR DOS D ADOS DO P RO JET O A TL AS LINGUÍS TIC O DO BRASILGráfico 1: Distribuição dos pronomes tu e você por Estado
Fonte: Elaborado pelas autoras.
A partir dessa distribuição, observa-se que os usos dos pronomes tu e você nos estados do Amapá e Roraima têm percentuais bem próximos, devendo-se fazer o destaque para o uso do pronome tu no Amazonas.
Do ponto de vista diatópico, observando as ocorrências dos pronomes por localidade (Gráfico 2), os dados analisados mostram comportamentos distintos, inclusive num mesmo estado. Em Oiapoque, extremo norte do Estado do Amapá, os informantes utilizaram apenas o pronome você. No Estado do Amazonas, as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Tefé apresentaram usos semelhantes, assim como Manaus e Humaitá. Destaca-se, pelo uso elevado do pronome tu, a cidade de Benjamin Constant.
Gráfico 2: Distribuição dos pronomes tu e você por localidade
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSOO cruzamento entre diatopia e diastratia, aqui observada do ponto de vista do nível de escolaridade (nível fundamental e universitário), visa à depreensão do grau de prestígio ou desprestígio das variantes pronominais.
Levando em conta a escolaridade do informante, os dados analisados revelam que a diferença entre os dois níveis é inexpressiva, o que pode demonstrar que os falantes não sofrem avaliação positiva ou negativa. Vale destacar que em Boa Vista foram os falantes com nível universitário que utilizaram o pronome tu com maior frequência do que os falantes com nível fundamental.
Gráfico 3: Variação diastrática nas capitais
dos estados Amapá, Roraima e Amazonas
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Os gráficos 4 e 5 apresentam a variação diageracional por localidade estudada, a fim de se observar a variação pronominal na fala dos mais jovens e mais velhos.
Com relação ao Estado do Amapá, a cidade de Oiapoque apresentou dados apenas do pronome você, já a capital Macapá apresentou usos equivalentes nas duas faixas etárias, com uso mais elevado do pronome tu pelos informantes mais jovens. Os dados do Estado de Roraima, por outro lado, revelam um uso percentualmente maior do pronome tu pelos informantes mais velhos.
No Estado do Amazonas, o pronome tu ocorreu com maior frequência na fala dos informantes mais jovens de três localidades,
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V OCÊ OU TU ?: O TRA TAMENT O DO INTERL OC U TOR NA RE GIÃ O NOR TE A P AR TIR DOS D ADOS DO P RO JET O A TL AS LINGUÍS TIC O DO BRASILnas cidades de São Gabriel da Cachoeira (57,1%), Manaus (37,9%) e Humaitá (47,1%). Na cidade de Benjamin Constant são os informantes da faixa etária II que utilizam o pronome tu com maior frequência do que os mais jovens, e em Tefé o pronome tu foi utilizado apenas pelos informantes mais velhos.
Gráfico 4: Variação diageracional por localidade
nos estados do Amapá e Roraima
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Gráfico 5: Variação diageracional por localidade
no Estado do Amazonas
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSOA variação diassexual tem sido relacionada ao prestígio das formas em variação, distinguindo-se o sexo feminino, de modo geral, pela utilização, com mais frequência, de variantes de prestígio. Acerca disso, Trudgill (1991, p. 78) afirma que “[...] mesmo levando em conta outras variáveis tais como a idade, a educação e a classe social, as mulheres produzem de modo consistente formas lingüísticas mais próximas da linguagem padrão (norma padrão) ou mais prestigiosa que as dos homens”.
O Gráfico 6 demonstra como se dá a variação pronominal levando em conta o aspecto diassexual na amostra analisada. Os dados revelam que, no Estado do Amapá, o comportamento linguístico de homens e mulheres é bem semelhante. Todavia no Estado de Roraima são as mulheres que utilizam com maior frequência o pronome você.
Gráfico 6: Variação diassexual por localidade
nos estadosdo Amapá e Roraima
Fonte: Elaborado pelas autoras.
A realidade encontrada no Estado do Amazonas pode ser visualizada no Gráfico 7:
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V OCÊ OU TU ?: O TRA TAMENT O DO INTERL OC U TOR NA RE GIÃ O NOR TE A P AR TIR DOS D ADOS DO P RO JET O A TL AS LINGUÍS TIC O DO BRASILGráfico 7: Variação diassexual por localidade
no Estado do Amazonas
Fonte: Elaborado pelas autoras.
No Amazonas, é possível observar que os homens lideram o uso do pronome tu nas cidades de São Gabriel da Cachoeira (23,5%), Benjamin Constant (92,9%) e Humaitá (46,7%). Nessas localidades, são as mulheres que usam o pronome você com maior frequência. Em Tefé, apenas as mulheres utilizaram o pronome tu e lideraram o uso desse pronome na capital do estado (25%).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise do corpus possibilitou realizar o levantamento e a documentação da variação entre as formas de tratamento no português falado em três estados da Região Norte do Brasil, seguindo os princípios da Dialetologia contemporânea em que o registro segue os parâmetros diatópicos, diageracionais, diassexuais e diastráticos. Nesse sentido, os dados comprovam que fatores geográficos e sociais interferem no uso das formas de tratamento. A seguir, sintetizam-se os contextos de ocorrência dos pronomes tu e você no corpus.
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C ONTRIBUIÇ ÕES DE ES TUDOS GE OLINGUÍS TIC OS P ARA O POR TUGUÊS BRASILEIRO: UMA HOMENA GEM A SUZANA C ARDOSONo Estado do Amapá, o pronome tu foi utilizado apenas pelos informantes de Macapá, com maior frequência na fala dos mais jovens, correspondendo a 33,8% dos dados, foram documentados usos equivalentes no que se refere às variações diastráticas e diassexuais. O pronome você apresentou maior frequência nas duas localidades estudadas, sendo a única forma utilizada pelos informantes de Oiapoque.
Com relação ao Estado de Roraima, o pronome tu foi utilizado com maior frequência pelos informantes com nível universitário (28%), do sexo masculino (31%) e pelos informantes da faixa etária II (31%).
Já os dados do Estado do Amazonas podem ser agrupados da seguinte forma: cidades em que o pronome tu é utilizado com maior frequência pelos mais jovens: São Gabriel da Cachoeira (57,1%), Manaus (37,9%) e Humaitá (47,1); cidades em que o pronome tu é utilizado com maior frequência pelos homens: São Gabriel da Cachoeira (23,5%), Benjamin Constant (92,9%) e Humaitá (46,7%). O pronome você, em contrapartida, foi utilizado, de modo geral, com maior frequência pelos informantes mais velhos e pelas mulheres no Estado do Amazonas.
Assim, o trabalho procurou mostrar como os pronomes tu e
você estão distribuídos nos estados do Amapá, Roraima e Amazonas
bem como os seus contextos de ocorrência. Dessa forma, pretendeu-se oferecer subsídios para o registro da diversidade da língua portuguesa falado na Região Norte do Brasil.
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