3.3.2.1. Expetorantes
Os expetorantes atuam na tosse produtiva por estimulação dos
mecanismos de produção e eliminação do muco, como o movimento ciliar que
impulsiona as secreções até à faringe, sendo posteriormente eliminadas [50, 51].
Em doses elevadas tem uma ação emética, agindo através da estimulação da
mucosa gástrica para produzir uma resposta reflexa no centro do vómito no
cérebro [49]. Contudo, a sua utilização ainda é controversa, havendo poucas
Unidade Curricular Estágio 37
provas da sua eficácia [48, 49]. Alguns dos expetorantes comercializados em
Portugal são os seguintes [52]:
Guaifenesina (MNSRM) – existe comercializado em Portugal sob a
forma de xarope [52]. Esta aumenta a expetoração do fluido do trato respiratório,
reduzindo a viscosidade do muco [61]. A administração a crianças menores de
6 anos só deve ser feita com indicação médica [61]. O único medicamento
autorizado a ser comercializado em Portugal que contem guaifenesina é o Vicks
Xarope Expetorante®, que tem como excipiente a sacarose, logo este não é
indicado para diabéticos [52].
Hedera helix (MNSRM) – existe comercializado em Portugal sob a
forma de xarope, solução oral e comprimido efervescente [52]. É um
medicamento à base de plantas usado como expetorante na tosse produtiva [62].
Este extrato de plantas está contra indicado em crianças com idade inferior a 2
anos e não deve ser utilizado por períodos superiores a 5 dias [62]. O único
medicamento autorizado a ser comercializado em Portugal que contem Hedera
helix é o Prospantus®, que tem como excipiente a sacarose, logo este não é
indicado para diabéticos [52, 62].
3.3.2.2. Mucolíticos
Os mucolíticos diminuem a viscosidade das secreções brônquicas,
facilitando a sua expulsão [50]. O uso de mucolíticos implica uma diminuição da
viscosidade e a remoção do muco, tanto através da atividade ciliar do epitélio,
como pelo reflexo da tosse, sendo portanto de esperar um aumento da
expetoração e da tosse no início do tratamento [63].
Em Portugal estão a ser comercializados os seguintes fármacos
mucolíticos [52]:
Acetilcisteína (MNSRM) – comercializada em Portugal sob a forma
de comprimido efervescente, pó para solução oral, comprimido dispersível,
solução oral, granulado para solução oral e solução injetável, contudo esta última
é um MSRM [52]. É um aminoácido sulfurado que se caracteriza pela sua ação
fluidificante sobre as secreções mucosas e mucopurulentas nas patologias do
aparelho respiratório [63]. Algumas reações de hipersensibilidade têm sido
relatadas, incluindo broncospasmo, angioedema, erupções cutâneas e prurido
[51]. A sua utilização está contra indicada em crianças com idade inferior a 2
Unidade Curricular Estágio 38
anos e em casos de úlcera duodenal, visto que, os mucolíticos têm a capacidade
de destruir a barreira mucosa gástrica [63]. A sua administração durante a
gravidez e a lactação deve ser feita com precaução e por indicação médica [63].
Figura 9 - Estrutura química da acetilcisteína e um exemplo.
Ambroxol (MNSRM) – comercializado em Portugal sob a forma de
xarope, comprimido, solução oral, cápsula de libertação prolongada, pastilha
mole e solução injetável, contudo esta última é um MSRM [52]. O ambroxol
aumenta a secreção do trato respiratório e estimula a atividade ciliar. Estas
ações resultam na melhoria do fluxo e transporte do muco, facilitando a
expetoração e a tosse [64]. Este mucolítico esta contra indicado em crianças com
menos de 12 anos e a sua administração não deve exceder os 7 dias [64]. Não
deve ser recomendado o seu uso durante o 1ºtrimestre da gravidez nem durante
a amamentação visto que o ambroxol é excretado para o leite materno [64].
Figura 10 - Estrutura química do ambroxol e um exemplo.
Ambroxol + Clenbuterol (MSRM) – é comercializado em Portugal
sob a forma de comprimido, xarope e granulado, contudo só pode ser
comercializado por indicação médica [52]. Esta associação é usada para afeções
das vias respiratórias agudas e crónicas que decorram com broncospasmo e
alteração da formação e transporte das secreções, em especial: bronquite aguda
e crónica, asma brônquica, enfisema, laringotraqueíte, bronquiectasias e Fibrose
Cística [65]
Bromexina (MNSRM) – é comercializado em Portugal sob a forma
de xarope, comprimido, gotas orais, comprimido dispersível e solução oral [52].
Este fármaco possui a capacidade de diminuir a viscosidade do muco e de
estimular a atividade do epitélio ciliado, permitindo o aumento da depuração
Unidade Curricular Estágio 39
mucociliar [66]. Alguns efeitos adversos gastrointestinais podem ocorrer
ocasionalmente e um aumento nos valores das transaminases tem sido relatada.
Outros efeitos adversos relatados incluem dor de cabeça, tonturas, sudorese e
erupções cutâneas [51]. A utilização deste fármaco só é aconselhada a crianças
com menos de 2 anos de idade com supervisão médica [67].
Figura 11 - Estrutura química da bromexina e um exemplo.
Carbocisteína (MNSRM) – é comercializado em Portugal sob a
forma de xarope, solução oral, cápsula e pó para solução oral [52]. A
carbocisteína (5-carboximetil L-cisteína) é um muco-regulador e atua através da
alteração da estrutura do muco, reduzindo a sua viscosidade e facilitando a
expetoração [68]. Alguns efeitos adversos relatados foram náuseas, desconforto
gástrico e erupções cutâneas [51]. Está contraindicado em casos de úlcera
gastroduodenal e não se recomenda a grávidas e na lactação [68].
Figura 12 - Estrutura química da Carbocisteína e um exemplo.
Sobrerol (MNSRM) – encontra-se comercializado em Portugal sob
a forma de xarope, cápsula e pó para solução oral [52]. É utilizado como
mucolítico em perturbações do aparelho respiratório com aumento da secreção
brônquica, nomeadamente, bronquite crónica ou DPOC (Doença Pulmonar
Crónica Obstrutiva) [69]. O sobrerol (ciclidrol) aumenta o volume das secreções
brônquicas através de um mecanismo de hidratação, agindo desta forma como
fluidificante, além de, modificar a composição bioquímica e celular do muco e
assim facilitar os movimentos ciliares. Estas ações conjuntas, favorecem os
mecanismos de depuração das vias aéreas e promovem uma melhoria da função
respiratória [69]. A sua utilização não deve ultrapassar os 10 dias e está contra
indicado a crianças com idade inferior a 2 anos [69].
Unidade Curricular Estágio 40
Carbocisteína + Sobrerol (MNSRM)
– esta associação é
comercializada em Portugal sob a forma de cápsula e xarope [52]. A utilização
em crianças com menos de 5 anos deve ser feita apenas com prescrição médica
e a duração do tratamento não deve ultrapassar os 14 dias [70].
Erdosteína (MNSRM) – é comercializado em Portugal sob a forma
de comprimido dispersível e cápsula [52]. É indicado no tratamento de infeções
respiratórias agudas e exacerbações de DPOC na presença de hipersecreção
[71]. O seu uso não deve exceder os 10 dias e está contraindicado em crianças
com idade inferior a 2 anos e em casos de úlcera gastroduodenal [71]. Devido à
provável interferência de metabolitos produzidos pelo metabolismo da metionina,
a erdosteína é contraindicada em doentes com cirrose hepática e deficiência da
enzima cistationina-sintetase [71].
Figura 13 - Estrutura química da Erdosteína e exemplo.
Fenspirida (MSRM) – é comercializado em Portugal sob a forma de
xarope e comprimido gastro resistente, contudo é um MSRM, logo só pode ser
comercializado por prescrição médica [52]. Está indicado no tratamento de
rinofaringites, laringites, manifestações respiratórias e otorrinológicas da alergia,
otites, sinusites e afeções das vias respiratórias inferiores [72]. A fenspirida
possui propriedades anti-broncoconstritoras e anti-inflamatórias [72].
Dans le document
THE BLACK BOX SOCIETY
(Page 89-93)