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CHAPITRE III ETUDE DES PROCESSUS DE COMPREHENSION ET D’ACTION LORS DE DYSFONCTIONNEMENTS DE SYSTEMES AUTOMATISES

IV. 2-2 Les schémas de stratégies

Katchiry Bortolini1; Ana Luisa Rambo¹; Mariana T. Tillmann2; Max J. Freyer3; Eduardo Negri Mueller4;

Rosema Santin4; Teane Milagres Augusto Gomes4

1 INTRODUÇÃO

O lúpus eritematoso discoide (LED) é uma doença dermatológica imunomediada que se manifesta através de lesões eritematosas, principalmente na região do plano nasal, sendo uma dermatose pouco frequente em cães e gatos. Porém, nessa categoria é a segunda mais comum em cães (1,2,3). Sabe-se que a fotossensibilidade é um importante fator que exacerba os sinais clínicos, tendo participação na patogenia da enfermidade, no entanto a mesma não está totalmente elucidada. Os aspectos clínicos envolvem uma área de despigmentação com eritema e descamação no plano nasal, que evolui para a erosão, úlceras e crostas locais, alastrando-se até a região periocular (1,2,3). O diagnóstico definitivo é feito através do histórico juntamente com os achados do exame físico e a biópsia de pele, que revela principalmente uma dermatite de interface hidrópica e/ou liquenoide (1,2,3). O tratamento é realizado levando-se em conta a severidade da doença. Nos casos mais brandos, realiza-se a aplicação de glicocorticoides tópicos, enquanto nos casos mais severos, preconiza-se a terapia imunossupressora com glicocorticoides sistêmico, sempre com associação de protetores solares tópicos e diminuição da exposição à luz solar (1,2,3,5). O objetivo foi relatar o caso de um paciente canino de seis anos diagnosticado com LED e tratado, obtendo sucesso e remissão dos sinais.

2 RELATO DE CASO

Durante uma consulta de atendimento a domicílio, um canino, macho, castrado, mestiço de Border Collie e Pastor Belga, seis anos, pesando 22 kg foi atendido apresentando lesão descamativa não pruriginosa em plano nasal, com evolução de aproximadamente dois anos. Ao exame físico, notava-se a presença de eritema, despigmentação local e descamação evidente, formando crostas. Porém, restritos somente à região nasal. O animal apresentou os parâmetros físicos gerais normais. A partir disto, realizou-se a coleta

1 Médicas Veterinárias Autônomas; [email protected]

2 Docente no Curso de Medicina Veterinária da Universidade do Oeste de Santa Catarina de Xanxerê. 3 Graduando no Curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal de Concórdia.

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AT

de sangue para exames complementares (hemograma completo e bioquímica sérica de enzimas hepáticas e renais, proteínas totais e albumina), que se apresentaram sem alterações. Então, o paciente foi encaminhado à realização de biopsia incisional da lesão no Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Concórdia. O material colhido foi fixado em formol a 10% e encaminhado ao Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Veterinária do IFC para a realização do exame de histopatologia. O laudo revelou uma dermatite de interface liquenoide e hidrópica, caracterizadas pela presença de acentuado infiltrado inflamatório linfoplasmocitário difuso na junção dermeepidérmica e degeneração hidrópica das células basais, além de incontinência pigmentar. Associando o laudo histopatológico ao histórico e lesões dermatológicas constatadas, foi confirmado o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Discoide. Para o tratamento, foi instituído um creme dermatológico formulado de hidrocortisona 1% e fator de proteção solar 60 para uso tópico de oito em oito horas, além de vitamina E na dose de 400 UI por via oral a cada vinte e quatro horas, juntamente com a diminuição da exposição ao sol. Após três semanas, as descamações e o eritema diminuíram e já havia sinal de cicatrização dos tecidos, sendo o intervalo de uso do creme aumentado para doze em doze horas até o presente momento.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Lúpus Eritematoso Discoide é considerado uma variante benigna do Lúpus Eritematoso Sistêmico devido às suas lesões serem restritas somente à pele e mucosas da face e interdígitos, sendo o que foi exposto nesse caso, pois o cão possuía somente lesões clínicas e histopatológicas em plano nasal condizentes com o descrito em LED. (1,2,3,5). Adequando-se à bibliografia, que cita a enfermidade como mais usual em cães do que em felinos, o animal era um canino. Além disso, a idade de ocorrência do LED do mesmo também está de acordo com o que citam autores (1,2). O paciente era macho, divergindo este resultado do exposto em estudo retrospectivo sobre LED, onde o mesmo relata ser mais usual em fêmeas (4). Quando tratando-se da raça, raças dolicocefálicas são citadas como as mais predispostas (4), o que condiz com este relato de um mestiço de Border Collie com Pastor Belga. Por fim, o tratamento realizado com glicocorticoide auxiliou na remissão da lesão por promover supressão da reação imune local, juntamente com o fator de proteção solar, o que diminuiu a incidência direta dos raios solares que atuam como agravantes. A vitamina E foi utilizada como coadjuvante na cicatrização e hidratação da lesão devido à sua propriedade antioxidante (1,3,5).

4 CONCLUSÃO

O LED tem, juntamente às outras dermatopatias imunomediadas, uma casuística baixa. Porém, necessita da avaliação sistêmica do animal para diferenciação de outras enfermidades, com exames complementares e o exame histopatológico para um diagnóstico definitivo e, principalmente, tratamento adequado, o que exige conhecimento da enfermidade e a capacitação do Médico Veterinário para seguir uma conduta correta.

REFERÊNCIAS

HNILICA K. A.; PATTERSON, A. P. Autoimmune and Immune-Mediated Skin Disorders. In: HNILICA, K. A.; PATTERSON, A. P. Small Animal Dermatology: A Color Atlas and Therapeutic Guide. 4.ed. Saint Louis: Elsevier Inc., 2017. cap. 8, p. 266-267.

LEWIS, D. T. Dermatologic disorders. In: SCHAER, M.; GASCHEN, F. Clinical Medicine of the

Dog and Cat. 3. ed. London: Manson Publishing Ltda., 2016. cap. 18, p. 800-802.

MULLER, G.; KIRK, R. Autoimmune and Immune-mediated Dermatoses. In: MULLER, G.; KIRK, R. Small Animal Dermatology. 7. ed. Saint Louis: Elsevier Inc., 2013. cap. 9, p. 459-460. OLIVRY, T.; LINDER K. E.; BANOVIC, F. Cutaneous lupus erythematosus in dogs: a comprehensive review. BMC Veterinary Research, v. 14, p. 132, 2018.

PALUMBO, M. I. P. et al. Incidência das dermatopatias autoimunes em cães e gatos e estudo retrospectivo de 40 casos de lúpus eritematoso discoide atendidos no serviço de dermatologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP – Botucatu.