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Representations with projective symmetries

No Parque das Dunas, o horário escolhido para a observação foi motivado pela programação, posto que as manhãs de domingo, acontecem apresentações culturais voltadas ao público infantil, como a execução do projeto Bosque encena (cf. fig. 10), sendo esse um aspecto relevante, considerando o aumento significativo de visitantes nesse período do dia.

Figura 10: Cartaz para divulgação de evento no projeto “Bosque Encena”- Parque das Dunas

Fonte: Bosque Encena (2019).

Observa-se logo na entrada, a presença de ambulantes comercializando brinquedos e alimentos à base de açúcar - balas e derivados - denotando o tipo de consumidor a que se destina, ou seja, as crianças. No entanto, apesar da presença do público infantil e seus responsáveis, percebe-se também, a diversidade de grupos que compõe o local. Visitam esse lugar, escoteiros, grupos de jovens, praticantes de atividade física, fotógrafos com seus respectivos clientes de ensaio fotográfico - mulheres grávidas - além de grupos escolares e outros.

Os/as acompanhantes das crianças, maioria casais com crianças bem pequenas, chegam carregando brinquedos para atividades ao ar livre - velocípedes, bicicletas e/ou patinetes - dado arranjo físico desse espaço que permite a prática dessas atividades. No entanto, quase sempre percebe-se que o uso desses brinquedos se limitava a um momento inicial, sendo que aqui as crianças são logo cooptadas para outras atividades, deixando tais objetos de lado (cf. fig. 11).

Figura 11: Crianças interagindo no playground enquanto a bicicleta é esquecida no banco.

Fonte: Acervo da autora (2019)

Caminhando em direção ao anfiteatro, onde estava acontecendo apresentações do grupo Clowns de Shakespeare, atividade referente ao projeto Bosque Encena, presencia-se uma cena entre duas crianças, em que acompanhadas de seus respectivos pais e mães, uma delas, ainda bebê, vinha sendo conduzida em seu carrinho velocípede e a outra, um pouco maior, corria pelo anel viário do parque. A criança maior, no instante em que percebe a presença da outra, aproxima-se e começa a interagir com o brinquedo do bebê, sendo em

seguida repreendida pela mãe. Nota-se que a ação inibe o contato, posto que a criança ao ser retirada de perto do bebê, volta correr livremente pelo parque.

Antes de chegar ao anfiteatro, observa-se que o espaço destinado aos jogos de tabuleiro tinha um uso diferente daquele que fora projetado. Suas mesas de jogos estavam ocupadas com atividades de festa, duas dessas, com comemorações de aniversário infantil. As crianças participantes estavam dispersas, sendo que próximo a mesa, ficaram apenas alguns adultos. Já o anfiteatro se encontrava lotado, tendo todos os assentos ocupados pelas famílias e suas crianças. Nessa área do parque, havia também um grupo de crianças que identificados pelo uniforme, tratavam-se de alunos e alunas da Escola Municipal Santa Luzia do município de Monte Alegre-RN. Tais crianças aparentavam entre sete e oito anos e estavam acompanhadas de duas professoras e um professor, permanecendo na atividade até o final da apresentação. Observa-se que algumas crianças pertencentes ao grupo escolar demonstravam interesse pela atividade, permanecendo quietas e atentas ao enredo da apresentação, já outras, expressavam certo desconforto, tendo em vista que vez ou outra faziam menção de levantar do assento, mas eram contidas pelo professor que as acompanhavam.

Durante o espetáculo, as crianças eram encorajadas a interagir com as atrizes em cena, respondendo a seus questionamentos, ou mesmo participando ludicamente da peça. Em uma dessas interações, na cena em que a atriz esboça um sentimento de tristeza e se aproxima do público, um menino de aproximadamente quatro ou cinco anos, corre em direção da atriz e a abraça, como quem tem a intenção de consolar, sendo o exemplo seguido por mais três crianças, que ao observar a cena, repetem o gesto do menininho. Outra interação foi quando solicitada ajuda das crianças para realizar o papel de um personagem na história, o lobo. Um menino se dispôs a subir no palco e contracenar com as atrizes em cena, apesar de se mostrar inicialmente tímido, representou tudo o que foi solicitado. A reação das crianças menores com relação ao espetáculo era de não se contentar em apreciar do alto de seus assentos, ao contrário, o encantamento era tamanho, que algumas delas ficavam junto ao palco, com o rosto escorado na estrutura (cf. fig. 12). Essa ação teve início por uma delas e foi repetida por mais três. Desse modo, é notório que o comportamento diferente daquele em que são condicionadas, inicia sempre por uma criança que encoraja as demais.

Figura 12: Crianças próximas ao palco em apresentação do projeto “Bosque Encena”.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Saindo do anfiteatro, observa-se que o equipamento de xadrez gigante também teve um uso diferente. Nesse, a função recreativa estava por conta da brincadeira com bola (cf. fig. 13), tendo em vista que aqui havia quatro crianças absorvidas nesse exercício. No Parque infantil a ocupação acontecia por parte das crianças menores que interagia com seus responsáveis, a maioria, mães que monitoravam o acesso de seus/as filhos/as aos brinquedos. Alguns pais, também realizavam esse tipo de interação, fosse orientando o uso de brinquedos individuais como a bicicleta, ou os brinquedos do playground.

Figura 13: Crianças jogando bola no equipamento de xadrez.

Na área de piquenique também sobressaia o uso da festa, sendo duas ou três mesas ocupadas com comemorações do público infantil e as demais, por outros grupos sociais. As brincadeiras nessa área do parque ocorriam de forma mais livre. As crianças corriam e brincavam de pega-pega e escalar árvores. A única brincadeira que ocorreu de forma inusitada se remete à apropriação de elementos naturais do ambiente, onde uma criança, aparentando três ou quatro anos de idade, manuseava areia, galhos secos e folhas, fazendo uso de um brinquedo do tipo balde de praia. No espaço saúde, espécie de quadra destinada a prática esportiva, havia crianças jogando futebol (cf. fig. 14). Aqui, observa-se alguns adultos interagindo com as crianças, que aparentemente, pertenciam a mesma família.

Figura 14: Crianças jogando bola no espaço saúde.

Fonte: Acervo da autora (2019).

No tempo de permanência no campo, o espaço destinado ao uso público do parque estava tomado de pessoas, tendo apropriação da infância em todos os ambientes. O atrativo se deve em grande parte ao projeto Bosque Encena, oferta que tem aumentado consideravelmente o número de visitantes nesse horário. Também nesse horário, percebe-se ausência de outras atividades ofertadas à infância, como as recreativas e as educativas ambientais, que são realizadas pelos equipamentos de xadrez e escolinha de artes, com ressalva para a sala de exposição que tem seu funcionamento diário sem interrupção. Os outros equipamentos estavam fechados e sem a presença dos recreadores e/ou educadores.

No que se refere à Cidade da Criança, a permanência se deu no período das festividades em comemoração ao dia da criança, onde é ofertada uma programação com várias atividades destinadas ao público infantil, mas também, em finais de semanas comuns em que as visitas são mais frequentes. Desse modo, a oferta cultural e de lazer oriunda do evento, atrai um público considerável, fato observado pelo significativo número de visitantes (cf. fig.15), que formam filas de pessoas na entrada principal do parque, bem como, pela movimentação do comercio informal que se aglomera nesse período.

Figura 15: Cidade da Criança na programação em alusão ao dia da criança.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Com efeito, aqui a oferta de lazer acontece comumente por intermédio da parceria público privada, em que apesar da existência do playground do parque, encontra-se instalado nessa época do ano, brinquedos infláveis (cf. fig.16) e equipamentos como motocicletas motorizadas infantil e patins, em que as famílias precisam arcar com os custos de aluguel e uso dos brinquedos.

Figura 16: Crianças divertindo-se no brinquedo inflável privado do parque.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Por outro lado, as apresentações teatrais e artísticas são de acesso livre, ou seja, são destinadas a todos/as que pagaram pelo ingresso de visita ao parque. Porém, fora das festividades, observa-se ausência dessa atividade. Concomitante, para esse fim, é utilizado o anfiteatro do espaço, que tem suas instalações ao ar livre, é em parte arborizado e possui boa acústica. Nota-se que aqui, as apresentações também acontecem mediante interação das crianças e das famílias, no qual o público é estimulado a participar do espetáculo (cf. fig. 17). Evidencia-se que a participação, tanto das crianças como das famílias nessas atividades acontece de modo voluntário, considerando que o próprio público se candidata a proposta do show. Á guisa disso, alguns pais e mães que subiram ao palco, recebiam a torcida das crianças que eufóricas, gritavam o nome de seus referidos responsáveis.

Figura 17: Espetáculo de contação de estórias no anfiteatro.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Não obstante, o pedalinho que é uma das ofertas de lazer permanente desse espaço, não diferente de outros dias, também estava disponível mediante o pagamento do valor do aluguel, ou seja, a quantia de R$ 15,00 (quinze reais) pelo usufruto do brinquedo. Por sua vez, apesar dos relatos de pais e mães que enfatizavam insatisfação pela privatização do brinquedo, tal constatação não se configurou em objeção ao uso do equipamento, dada a procura, observada pela fila que se formou em frente ao deck de acesso ao lago (cf. fig.18).

Figura 18: Deck de acesso ao pedalinho.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Sobre as outras ofertas de lazer permanente desse espaço, a casa da vovozinha, também se encontrava em pleno funcionamento, tendo a disposição recreadores que monitoravam as brincadeiras das crianças - maioria em fase da primeira infância - que sentadas em um tapete, manuseavam bonecas e outros brinquedos. A biblioteca também aberta à visitação, contava com um acervo direcionado ao público infantil, além de mesas, cadeiras e puffs para o exercício da leitura. Porém havia pouca procura por essa atividade, que durante o evento, não fora observada movimentação das crianças nesse espaço.

Já o Espaço Eureka, mantinha uma exposição que contava a história da comunicação na linha do tempo, com experimentos distribuídos em quatro salas diferentes, tendo inclusive um gerador de energia movido a força do corpo humano, no qual os/as visitantes pedalavam em uma espécie de bicicleta objetivando acender as lâmpadas do painel. Aqui também não fora observada grande movimentação das crianças. No entanto, é pertinente destacar que esse equipamento é bastante requisitado pelas escolas, que frequentemente, agendam visitas durante a semana para os/as alunos/as. Já o prédio da escolinha de artes, exibia uma exposição relacionada a robótica, exposição essa que pertencia a uma

escola privada, a Código Kid, que no momento, divulgava seu trabalho sobre aulas voltadas as áreas de tecnologia e arte (youtuber, robótica e arte) nas quais prometia um modelo de ensino divertido e estimulante de qualidades como a criatividade (anexo 03), além de ofertar descontos e aulas experimentais gratuitas às pessoas, visitantes do stand e que possivelmente efetuassem matrícula em uma de suas turmas.

No que concerne a Área de Lazer do Panatis, a observação se deu em face dos finais de semanas, no qual a movimentação e a circulação de crianças são mais frequentes, mas também, em alguns dias durante a semana, sempre em períodos da tarde. Tem-se que nesse espaço, mães e pais encontram refúgio para suas crianças brincar com mais liberdade, tendo nesse, uma extensão da rua como lugar da brincadeira. A amplitude do local e as grades que o circundam imprimem as famílias certa segurança, o que justifica a significativa procura por parte dessas pessoas. Nota-se que a procura se deve em parte, pela infraestrutura que dispõe de espaço e a pista de cooper, que é muito utilizada pelas crianças para a utilização de brinquedos como a bicicleta, patins e patinete. Nesse caso, esse não é o único uso do equipamento, se considerar que, como lugar destinado as atividades físicas (cf. fig. 19), alguns adultos, em grande parte do sexo feminino, praticavam a caminhada ao mesmo tempo em que empurravam o carrinho de seus bebês, e em alguns momentos, crianças maiores acompanhavam seus respectivos responsáveis no exercício da caminhada e/ou corrida.

Figura 19: Pessoas caminhando na pista de cooper.

Na área do playground (cf. fig. 20), observam-se duas mulheres que conversavam sentadas ao banco, enquanto acompanhavam a brincadeira de suas crianças, entretidas embaixo do balanço. Uma das crianças sentadas ao chão manuseava a areia, visto que o brinquedo estava danificado, e enquanto isso, a outra tentava escorregar na rampa de BMX que fica ao lado, inutilizada para o esporte pela falta de manutenção.

Figura 20: Estrutura do balanço do playground e rampa de BMX- Área de Lazer do Panatis.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Caminhando em direção ao centro dessa área, encontra-se outra mãe que também observava o filho brincar, um menino de sete anos que corria e subia nas arvores do lugar. Em conversa informal sobre a oferta local, a referida mulher explica que frequenta a área de lazer há pouco tempo, onde aproveita o espaço para o filho brincar longe de equipamentos eletrônicos e para propiciar o contato com outras crianças, tendo em vista que esse é seu único filho. A mulher também relata insatisfação pela má conservação dos brinquedos do playground e por não fornecer outras fontes de entretenimentos para as crianças, além do espaço em si.

No campo de futebol, que no momento encontrava-se com parte da área ocupada por um parque infantil privado (cf. fig. 21), meninos que dividiam com esse empreendimento o pequeno espaço, interagiam mediados pela atividade recreativa do futebol, enquanto que na quadra de esportes, que também estava ocupada com o mesmo tipo de atividade, usufruíam adultos e adolescentes (cf. fig. 22).

Figura 21: Campo de futebol ocupado por parque privado.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Figura 22: Grupo de adolescentes e adultos jogando na quadra de futebol.

Convém ressaltar, que as expressões da brincadeira observadas nesse espaço, se amparam muitas vezes no imaginário das crianças, posto que a maioria das visitantes desse espaço faça uso daquilo que estavam a sua mão e utilizavam como forma de entretenimento. Tal constatação se deve em grande parte, tanto pela inutilidade dos brinquedos como pela ausência de uma oferta cultural e recreativa voltada ao público infantil. Desse modo, observa-se improviso de brinquedos nas cenas em que uma criança utiliza uma garrafa pet para simular uma bola, e em outra, quando algumas delas brincavam com os equipamentos da academia da terceira idade, fazendo desse uma espécie de playground. A Área de Lazer do Panatis é bastante arborizada (cf. fig. 23), o que a torna convidativa para as brincadeiras das crianças.

Figura 23: Arborização da Área de Lazer do Panatis.

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Fonte: Acervo da autora (2019).

Em suma, percebe-se nos três ambientes, que as brincadeiras das crianças ocorrem muito em função das propostas dos espaços e se apresentam integrada a realidade em que estão inseridas, considerando que os infantes criam novas possibilidades. Em todo caso, quanto aos períodos classificados por Held (1980), o brincar das crianças nesses espaços se detém mais a brincadeira de exercício e a brincadeira simbólica. (ver Quadro 03)

Quadro 03: Brincadeiras observadas nos ambientes

Classificação das brincadeiras

Tipos de brincadeiras Local da brincadeira

Brincadeira de exercício Correr, pular, pega- pega, escalar, andar de

bicicleta e/ou

patins/patinete e uso do playground.

Parque das Dunas; Cidade da Criança; Área de Lazer do Panatis.

Brincadeira simbólica Boneca, casinha, carrinho, brinquedos de praia e teatro.

Parque das Dunas; Cidade da Criança.

Brincadeira de regras Jogos de tabuleiro e

esportes em geral _

Nota-se, portanto, nos três espaços, que as brincadeiras mais freqüentes limitavam-se as do tipo exercício, com ênfase para as brincadeiras de pega-pega, pular e escalar. Já a brincadeira simbólica limitou-se aos ambientes que disponibilizavam atividades culturais e recreativas, como Parque das Dunas e Cidade da Criança. No que se referem às brincadeiras de regras, não fora encontrado vestígios dessa tipologia, uma vez que nenhum dos espaços ofertava atividades esportivas para o público infantil, enquanto que as de jogos, também não se encontravam disponíveis.

5.3 Reflexões acerca dos espaços pesquisados: sociabilidade, lazer e