Vamos imaginar a seguinte situação. Passam-se os dias e temos o início de um novo mês, novembro, marcado no calendário municipal como o período de ocorrência de uma antiga festividade religiosa, a festa da Apresentação ou padroeira. O jornal A República, então, começa a publicar e fazer circular entre os leitores informações sobre a programação oficial da comemoração, colaborando com a transmissão de informações e instruções para que os interessados possam organizar-se para os diferentes momentos do evento.
Os primeiros atos festivos correspondem aos dias de novenas que antecedem o dia da padroeira. Comissões de festeiros são organizadas e são distribuídos os dias em que cada uma tem que assumir a condução das atividades festivas. Cada grupo trabalha no sentido de conseguir as rendas necessárias para a realização da novena e que o seu dia seja aprovado pelos diferentes participantes. Esse era o contexto de organização que podemos identificar a partir do padrão de publicações mantidas nos jornais, a partir de agora passaremos a analisar os discursos presentes nos periódicos e entender como a festa foi uma forma de produção do lugar.
Nas comemorações entre os anos de 1910 até 1939, muitas comissões de novenas foram organizadas ano após ano. Alguns exemplos de grupos de padrinhos em 1912229 foram os seguintes: moradores do bairro do Alecrim, os marítimos, o comércio, os operários da fábrica de tecidos, os empregados públicos em geral, as crianças, os artistas, os solteiros e os casados. A comissão promotora da novena das crianças, por exemplo, marcada para o domingo, publicou no jornal uma notícia sobre a programação, como meio de obter ampla divulgação e promover a otimização do seu dia. Da seguinte maneira a comissão informou a população:
Às nove horas da noite do sábado, por ocasião do repique festivo, soltar-se-á um balão e, em seguida, uma salva de 12 tiros e uma girandola de foguetes; às 5 horas da manhã do dia seguinte, ao toque da alvorada, soltar-se-á a mesma quantidade de foguetes e celebrar-se-ão, às 5 1/2, missas na intenção das crianças natalenses, após as quais terá lugar a benção de uma bandeira com a efigie da Excelsa Padroeira e passeata de crianças de ambos os sexos que comparecerem decentemente vestidas. Em frente a Sé, depois de ter
circulado o jardim da Praça André de Albuquerque, será hasteada a mesma bandeira e haverá ainda uma salva de 21 tiros e girandola de foguetes, ao meio dia; às 6 horas da tarde e ao começar a novena, três girandolas [...]230. Conforme as expectativas programadas, no dia 17 de novembro de 1912, foram iniciados os atos litúrgicos na Igreja Matriz. As celebrações solenes, segundo o estudioso Sérgio Chahon, ocorriam normalmente em ocasiões determinadas: domingo de Páscoa, Natal, Pentecostes, dia de Todos os Santos, feriados de culto a Jesus Cristo e Maria. A missa solene requeria um maior ornato do edifício e especialmente do altar, mais de um sacerdote, ritos especiais, cantos231.
Outra característica para as missas solenes era que elas atraíam um numeroso público por ser uma ocasião especial e para contemplar a beleza do templo no momento festivo, muitas vezes presidida pela autoridade máxima da igreja na cidade, o bispo e ritual solenizado com música sacra232.
Segundo Chahon, assistir à missa dominical e nos dias santificados na sociedade colonial era primeiramente uma obrigação. O comparecimento a esse rito do santo sacrifício foi entendido também como um momento de render graças ao divino, honrar os santos, cultivar a amizade com Deus. Outro motivo era a busca por conseguir agradecer as graças obtidas, pedir auxílio divino nas provações da vida, suplicar a Deus perdão pelas faltas cometidas, pedir pela salvação de suas almas quando chegasse a hora da morte e pelos falecidos233.
A missa celebrativa organizada pela comissão das crianças foi concluída, em seu momento na igreja, pelo hasteamento da bandeira da Virgem da Apresentação no adro do templo primeiramente conduzida por um grupo de crianças na praça fronteiriça e onde o público que não conseguiu entrar no templo ficava acompanhando os ritos, por isso a importância de uma praça logo na frente da igreja234.
O tempo festivo foi marcado pelos fogos, o traje mais adequado era o da roupa “decente”, sem maiores especificações e o comportamento ordeiro. O espaço da catedral foi preparado para transmitir a sensação de dia solene realçado pela iluminação especial.
230 Festa da Padroeira. A República, Natal, 14 nov. 1912. Caderno, n. 254, p. 1.
231 CHAHON, Sérgio. Os convidados para a ceia do Senhor: as missas e a vivência leiga do catolicismo na cidade do Rio de Janeiro e arredores (1750-1820). São Paulo, 2008, p. 306.
232 Ibidem, p. 310-317.
233 Ibidem, p. 357-362.
A notícia anterior mostra uma situação de organização do evento, mas também uma expectativa para um dia que se desejava que ocorresse da melhor forma possível, para conquistar a satisfação de todos aqueles que dispensaram uma parcela do tempo do seu dia para participar das atividades programadas, mas, principalmente, de seus organizadores. Nas reportagens sobre a festa da Apresentação, a expectativa referia-se ao desejo e espera baseada em situações que não eram cotidianas. Na medida em que não era todos os dias que se estava em festa, participando ativamente de uma atividade no espaço público, então, era preciso programar e contar que os participantes seguissem as recomendações presentes no plano, daí derivando a necessidade de dar ampla divulgação.
A vivência da novena das crianças estava prevista para começar a ser anunciada com uma salva de 12 tiros, balão e uma girândola de foguetes ainda na noite da novena anterior dos empregados públicos. No dia marcado para as crianças, no domingo, durante as primeiras horas, fogos também foram soltos na mesma quantidade de foguetes da noite anterior e na sequência ocorreu uma missa na intenção dos participantes da novena.
Essas missas consistiam num ritual que também serviu para pedir/agradecer graças para os devotos que patrocinaram a festa. O mesmo significado ocorreu nas demais novenas, as comissões patrocinavam, trabalhavam e, em troca, elas eram favorecidas pelo ritual como forma de reforçar o pedido por proteção, outras graças almejadas e de cultuar a padroeira.
O programa do dia das crianças correspondeu a uma expectativa e organização da atividade. Era um evento do dia a ser levado a efeito no espaço público e um plano que criava um regime regulador do campo visual. O lugar físico orientou a prática, ou no caso, por se tratar de uma expectativa, o plano. Em quais pontos as crianças estariam, que trechos percorrer, onde a bandeira ficaria hasteada, o momento dos efeitos sonoros e luminosos no céu, essas indicações corresponderam a estruturação do evento e também do seu campo sonoro-visual.
Esse plano, possivelmente, foi o oferecido ao olhar daqueles que se posicionaram na praça e nos recantos próximos para acompanhar o festejo. O que obrigatoriamente devia ocorrer no espaço físico já estava previamente estabelecido no que tange à ordem sobre comportamentos e a apresentação em público. A novena, nesta parte e conforme a notícia, era uma cerimônia minimamente planejada e racionalizada, com cada um desempenhando seu papel, as crianças, principal motivo da noite fazendo de forma “decente” e “ordeira” sua homenagem à divindade, os sacerdotes na condução dos sacramentos e os adultos prestigiando o desempenho das crianças que tiveram condições de se apresentar ao público.
Os foguetes e o sons provocados no perímetro da cidade anunciavam a passagem do tempo. A repetição desse anúncio ligava o dia à ocorrência da festa numa forma de associação a partir da sonoridade e visualização dos fogos queimados no céu, ambos utilizados como forma de comunicação. No fim, a procissão e o hasteamento da bandeira em local de circulação demarcavam a presença da divindade através da sua imagem na área externa da igreja.
A ocupação sonora e visual do espaço fora um artifício muito utilizado nas festas civis e religiosas no período colonial. Os jesuítas foram os primeiros a entender que o espetáculo audiovisual podia ser utilizado para a catequese. Eles organizavam procissões nas suas escolas utilizando sons e recursos visuais para chamar atenção e demarcar um momento diferente do ritmo cotidiano como fizeram os organizadores da novena das crianças em 1912235.
Os promotores de novenas responsabilizavam-se também pela iluminação interna e externa da catedral da Apresentação. As informações sobre a decoração pontuam que ela teria sido “caprichosamente” decorada na celebração de 1916. Uma forma de atribuir pompa à festa236, da santa ser homenageada e de tornar mais belo o dia organizado pelo grupo:
O brilhante novenário que a precedeu atraiu ao secular templo da praça André de Albuquerque e imediações milhares de pessoas não só desta capital como também dos lugares mais próximos, que ali estacionavam em extraordinária aglomeração, não se tendo verificado durante os festejos a menor alteração da ordem, graças à índole tradicionalmente pacata de nosso povo. As duas últimas noites do novenário, distribuídas, respectivamente, aos solteiros e aos casados, estiveram magníficas, salientando-se, porém, a última, pela decoração e iluminação interna do templo e pela beleza dos fogos artificiais queimados no adro da igreja237.
No ano de 1916, a comissão dos casados foi coordenada pelos senhores capitães Joaquim Lustosa da Câmara e Emygdio Fagundes. A dos solteiros pelas “senhoritas” Laura Alves, Eunice Marinho, Nanita Rocha e Abia Barros, os srs. Joaquim Lustosa Filho, Sandoval Wanderley, Ulysses de Góes e Abelardo de Barros238. Eles se preocuparam em destacar socialmente as noites organizadas a partir da valiosa ornamentação do templo e investimento nas atrações. Assim, chamando atenção sobre o seu desempenho no novenário, como
235 DEL PRIORE, Mary Lucy. Festas e utopias no Brasil colonial. São Paulo, 2000, p. 31-32.
236 FESTA D’APRESENTAÇÃO. A República, Natal, 20 nov. 1916. Caderno, n. 259, p.1.
237 Festa d’Apresentação. A República, Natal, 22 nov. 1916. Caderno, n. 269, p. 1.
aconteceu no fato das duas noites serem contempladas com um comentário positivo no jornal oficial do governo do Estado.
A significativa quantidade de pessoas que se deslocavam para os espaços da festa e foram vivenciar as atividades oferecidas nas novenas funcionavam, discursivamente no jornal A República, como indicadores do sucesso do evento. Na novena comandada pela comissão dos solteiros, por exemplo, a informação pontuada era a de que muitas pessoas estiveram presentes na praça em frente à Matriz e no seu entorno para participar dos divertimentos organizados. Vale salientar que a praça era o centro e o perímetro inicial de fundação da cidade, como tratamos no primeiro capítulo, local inicialmente criado pela missa inaugural, segundo Lima, e que no século XX continuava sendo destacado por atividades públicas como a festa da padroeira. O periódico propagava que o sucesso era tão significativo que se poderia dimensionar que “dir-se-ia que ali se achava quase toda a população de Natal [...]239”.
Podemos imaginar que ser participante da novena, tomar para si o trabalho de conduzir um festejo em praça pública devia causar nos natalenses que tiveram seus nomes discriminados nas páginas do jornal A República, como os convidados e convocados para efetivar a contento a solenidade da padroeira, uma gratificação pública e construção de notoriedade. Era uma demonstração de poder econômico por conseguir reunir fundos para tornar requintada uma festa religiosa antiga, em uma área central da cidade, num templo secular, como já apontava Nestor Lima em 1909. Notoriedade construída também para as famílias como podemos observar na participação do capitão Joaquim Lustosa da Camara e Joaquim Lustosa Filho nas novenas mais valorizadas naquele ano pelos redatores do jornal.
Nessas reportagens observamos o cuidado em caracterizar a festa da Apresentação como uma grande festividade, que promovia muita diversão e era importante para a cidade. À vista disso, discursivamente, ela era demonstrativa da forte filiação da população ao catolicismo, podendo ser facilmente identificados como católicos e devotos da senhora da Apresentação, cristãos ordeiros que sabiam comportar-se a contento em ocasiões especiais. Como comentamos, a decoração do templo era um fator que recebia atenção na novena, sobre este tema o cronista Chantecler escreveu em 1911:
A crua claridade do sol faz desaparecer sensivelmente o encanto das cerimônias votivas. Não sei porque, um interior de igreja, à noite, cheio de flores, de luzes radiantes, de hinos, é de muito mais efeito, para esplendor do culto, do que de dia e os fiéis devem sentir a alma mais recolhida no enlevo místico da oração. A transferência veio, pois, francamente, a calhar e o
confrade que a sugeriu aqui, não podia ter sobre as homenagens à Padroeira uma lembrancinha melhor240.
Na festa do ano de 1911, algumas novenas ocorreram antes do anoitecer. Essa organização, na avaliação do cronista, não foi uma boa escolha para realçar o templo em dias de celebração especial porque, certamente, a utilização de luzes valorizava a ornamentação e somente pela noite elas atingiam o máximo esplendor e destacavam a decoração como um todo, produzindo efeitos no contraste entre claro e escuro.
Essas últimas citações destacam um fator especial sobre a festa, a saber, os lugares onde era criada tinham fundamental importância para o evento. O espaço do templo e da praça, cuidados e ornamentados tornavam a ocasião mais especial numa valorização para o festejo. Assim, a festa não podia ocorrer em qualquer lugar, organizar a área era condição fundamental para prestigiar a cerimônia, como também, os participantes da novena, os fiéis, a religião, a cidade e a santa.
Investir na ornamentação espacial e compor um ambiente com músicas favoreciam a criação de um local para atrair o público e sensibilizar os presentes. Para Chantecler, a melhor organização do espaço favorecia as práticas que nele ocorria como as orações dos fiéis. É interessante notar que o articulista não se identifica como devoto e católico. No seu discurso demarca-se uma separação entre ele, um cronista observador do que acontecia na cidade, e o público. Realizar as transformações no templo era muito importante para conseguir criar um sentido de festa. Esta existia pela adaptação espacial ao que se compreendia como indispensável para o evento religioso: uma bela igreja, luzes, música, público, apresentação de grupos de destaque, irmandades, sacerdotes, fogos, comida, sociabilidade. Dessa maneira, ocupar e transformar o espaço urbano era um fator de relevo na realização das festividades.
As novenas sempre desempenharam um importante papel na festa porque grande parte dos atrativos ocorriam nos dias votivos em preparação para o 21 de novembro. Exatamente por isso o jornal manteve o cuidado em publicar a programação do dia e de fazer alguns comentários de como elas estavam sendo vividas. Normalmente, elas foram apresentadas nos dias seguintes do diário como sendo um sucesso, atraindo muita gente e oferecendo atrativos naqueles primeiros anos do século XX. Porém, nem sempre a festa foi marcada pelo suposto esplendor:
Os moradores do Alecrim, encarregados da novena de ontem, se não conseguiram muito, fizeram, entretanto, o que estava nos limites de suas posses e deram aos outros um belo exemplo de interesse pelos festejos da
Apresentação. Vamos ver, de hoje em diante, o que estão a arquitetar os demais noiteiros, se as esperanças depositadas nos esforços dos casados e
solteiros têm confirmação241.
Queremos destacar duas situações. Primeiro, em 1911, Chantecler escreveu que os primeiros dois dias de festa não tiveram o máximo desempenho que era de costume, a novena promovida pelos moradores do Alecrim foi marcada pela simplicidade material, porém, não deixou de ser uma bela demonstração de vontade de homenagear a padroeira ainda que não tenha conseguido o esplendor esperado pelo cronista. Contudo, naquele ano, não localizamos no jornal uma nova notícia sobre se as novenas dos solteiros e casados tiveram maior expressão pública.
Segundo, é notório o desejo e a torcida do jornalista para que os festejos atingissem o máximo esplendor. Esse desejo demonstra que a festa era uma prática cultural especial, assim como a atualização ano após ano mantendo uma estrutura e a cobertura da imprensa renovavam a festa como o grande acontecimento do mês de novembro, validando que ela tinha importância para indivíduos da sociedade. Em outras palavras, era uma prática e uma pauta recorrente no mês de novembro e que não foi extinta ao longo do tempo.
As celebrações ocorridas nos anos de 1910 foram noticiadas no jornal A República como sinônimo de atos devocionais na Matriz, encontros festivos nas novenas no templo sagrado e na praça nas imediações da igreja. As notícias que conseguimos ter acesso na década de 1920 apresentam esse plano de apresentação com mais algumas informações sobre o congraçamento público. No geral, a proposta da festa não parece ter mudado muito a julgar pelo material pesquisado.
Esse período ficou marcado na historiografia como o momento de criação do Partido Comunista, o movimento tenentista, desenvolvimento das atividades industriais até a Grande Depressão de 1929242 que provocou a falência de muitas fábricas no Rio de Janeiro e em São
Paulo, a existência de mais de um milhão de desempregados no país243, ampliação dos setores
urbanos com o crescimento da classe média, da classe trabalhadora, as quais tornaram mais complexo o jogo político nos anos de 1920 e 1930244.
241 Idem.
242 FERREIRA, Marieta de Moraes; PINTO, Surama Conde Sá. A crise dos anos 1920 e a revolução de 1930. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (orgs.). O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro, 2010, p. 389.
243 Ibidem, p. 404.
Em 1922, ocorreu a disputa eleitoral para a sucessão do presidente Epitácio Pessoa. Os grupos dominantes dos estados de Minas Gerais e São Paulo lançaram a chapa Artur Bernardes e Urbano Santos. Contrariando os grupos dominantes dos estados do Distrito Federal, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul, os quais lançaram a candidatura de Nilo Peçanha e J. Seabra, essa foi a primeira quebra com a política dos governadores iniciada por Campos Sales245.
Este grupo, denominado Reação Republicana, pretendeu combater o imperialismo de Minas Gerais e São Paulo no processo de escolha dos presidentes, pregavam a regeneração dos costumes políticos, diversificação da agricultura, mobilização das massas urbanas que estavam agitadas desde o final da década de 1910.
A formação da chapa concorrente contou com o apoio dos militares que estavam insatisfeitos com os presidentes civis conduzidos pelos grupos dominantes de Minas Gerais e São Paulo. Em 1 de março de 1922 ocorreu a eleição controlada pela máquina oficial e a vitória coube a Bernardes. O grupo Reação Republicana não reconheceu o resultado e promoveu uma campanha para agitar a mobilização popular e os militares para manter o clima de tensão contrário ao governo e seu grupo de apoio. Porém, a agitação política atingiu maior proporção somente em 1930246.
Foi diante dessa conjuntura histórica que a festa foi praticada na década de 1920: crescimento das populações urbanas, concentração do poder federal nas mãos das elites paulistana e mineira, disputas políticas entre muitos estados pelo poder nacional, agitação do proletariado em busca de melhores condições de vida. Em 1920 a festa da Apresentação também foi alvo de disputa como imaginou um cronista:
Na grande festa da Apresentação. Cheia de encantos, cheia de esplendores. Uma ideia façamos, meus senhores, se tivesse uma “Noite” a oposição. Dionysio encarregava-se das flores, fogos de vista – Capistrano (o João), Gurgel tomava conta do balão, e o Tota angariava torcedores... dirigiria a orquestra o Sandoval, tomava Orlando conta do dinheiro para pagar o grande festival!!! E o velhote Correia, bicho fino, almofadinha agora, bem lampeiro, para a noite entregar tangia o sino...247
Chamou-nos atenção a aparição de um novo grupo, chamado no texto de “oposição”, sugerindo que ele era formado por aqueles que não tiveram oportunidade de organizar uma noite de novena como fizeram os que se identificavam como participantes do comércio,
245 Ibidem, p. 393-394.
246 Ibidem, p. 397-398.
solteiros, casados. Conforme o discurso presente no jornal, aqueles que não tiveram a opção de preparar atrativos para o público demonstraram-se interessados em organizar uma noite de festa.
Ferreiro Torto, o autor, inicia reconhecendo o evento como uma ocasião de encantos e esplendores. Os conhecidos recursos festivos – flores, fogos, balões, orquestra – não iriam faltar no dia organizado por aqueles que parece que nunca tiveram a chance de conduzir uma