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3 Le stylobate au-dessous des deux colonnes existantes est mal restauré, on peut sans doute y voir une doucine droite et un bandeau

22.2.2.2. Les reliefs retrouvés en 1915:

O intenso debate que se havia instalado na sociedade brasileira sobre os rumos da educação nacional e da educação profissional desde a Constituinte de 1988, passando pela LDB/96 e as reformas do governo Fernando Henrique Cardoso ganharam novo fôlego com a eleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 2003. O famoso intelectual português Boaventura de Sousa Santos traduziu muito bem o clima de euforia de amplos setores da sociedade, com a vitória do ex-metalúrgico, em artigo intitulado Lula e a esquerda, publicado no Caderno de Opinião da Folha de São Paulo (2003):

A vitória de Lula representa um “choque de realidade” para as elites políticas que governaram o Brasil até 2002. A distância e a arrogância que a separam do país real e acumulação histórica de ressentimento que isso criou entre as classes populares não lhes permitiram aproveitar as fragilidades do candidato Lula. 58 milhões de brasileiros, na sua maioria pobres, preferiram correr o risco de votar num governo que os pode desiludir a votar num governo que, à partida, já não os consegue iludir (...) É inescapável a perplexidade causada por duas enormes dissonâncias cognitivas reveladas nessas eleições. A primeira consiste na discrepância entre a dramática polarização política, sobretudo no segundo turno, e as diferenças moderadas entre as duas propostas políticas, sobretudo se tivermos em conta as políticas do primeiro mandato de Lula e se descontarmos o tema das privatizações. A segunda reside em que o candidato que conquistou o voto e o coração de milhões de pobres é o mesmo que recebeu efusivas e cúmplices felicitações de Bush, a quem interessa o bem-estar dos ricos e muito ricos.

A razão para essas dissonâncias, continua o autor, está no fato de a distância que separa as elites oligárquicas das classes populares não ser apenas econômica, apesar de esta ser enorme em um dos países mais injustos do mundo. Outros aspectos, principalmente relacionados com o simbólico, estão na base do êxito de Lula, tais como, a sua capacidade para ampliar o impacto político de medidas relativamente tímidas e devolver a autoestima a milhões de brasileiros humilhados não apenas pela fome, mas também pelas barreiras no acesso à educação e pelo racismo insidioso da suposta democracia liberal.

Graças a tal capacidade, medidas não originariamente de esquerda, como o Bolsa Família, puderam ser constitutivas de cidadania social, e pequenas transferências de renda puderam ser transformadas em mudanças qualitativas. Tudo isso foi possível devido a uma sutil inversão do sinal político: atribuído por Lula, o Bolsa Família foi entendido pelos brasileiros como “isso é o mínimo que vos devo”; fosse atribuído por

um presidente de direita, dissesse o que dissesse, seria sempre entendido como “isso é o máximo que vos devo”. (SANTOS, 2006)

O governo Lula começou, desde logo, adotando uma outra concepção educacional e revogando Decreto de n. 2.208/97, cujo conteúdo desmontava toda e qualquer perspectiva de uma escola pautada na uniteralidade de uma educação integral que sempre foi o modelo almejado pelos educadores brasileiros de vertente transformadora. Em 2004, um ano após o início do governo, a rede federal de educação tecnológica recuperou sua autonomia em termos de implantação de cursos não superiores, em todos os níveis e em todo território nacional, no tocante a cursos da educação profissional tecnológica. Começou, então, a existir um diálogo mais aberto com o governo federal, no sentido de se repensar estratégias de crescimento da rede federal, considerando-se o potencial instalado da mesma e os níveis de capacitação dos seus profissionais, invertendo-se o sentido do período de FHC, de atrofiamento da rede.

As instituições passaram a ocupar um lugar de destaque na agenda do governo federal e explicitou-se a preocupação com o crescimento regional e a interiorização da formação profissional. O Estado passou, por conseguinte, a assumir um papel de agente ativo, no sentido de apoiar um amplo projeto de inclusão social, ao contrário das gestões anteriores. Ganhou força a ideia de expansão da rede com a finalidade de contribuir com a qualidade de vida da população, sobretudo mais pobre e com menos acesso às facilidades urbanas, mas isso em articulação com outras ações de desenvolvimento territorial sustentável. Nesse ambiente, em 2006, deu-se início ao processo de expansão da rede federal. Na primeira fase desse processo, tiveram prioridade os estados que ainda não possuíam escolas federais, além de cidades do interior com potenciais arranjos produtivos e vocação para explorar as potencialidades locais. Em 2007, iniciou-se a segunda fase da expansão obedecendo ao lema “Uma escola técnica em cada cidade-polo do país”. Assim, estabeleceu-se a construção de 150 unidades em todo país e o aumento de 180.000 vagas, em toda a rede, e estimou-se a oferta de um total de 500 mil vagas até 2010. A meta era que em 2010 a rede contasse com 354 unidades já prontas. Reafirmou-se assim o propósito da educação profissional e tecnológica em todo território nacional de forma equânime e balanceada, conforme os arranjos sociais e culturais de cada cidade-polo e de cada região e mesorregiões, no sentido de consolidar a educação profissional e tecnológica em todo território nacional. Uma verdadeira revolução na educação profissional, algo que há muito tempo não se via em termos de políticas públicas, implicando um alto investimento para o desenvolvimento com soberania e emancipação tecnológica. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao Jornal do Brasil declarou: “Desde a primeira escola técnica criada por Nilo Peçanha, em 1909, até 2003 o Brasil construiu 140,

portanto em 93 anos. Nós, em oito anos, vamos construir 214”. (JORNAL DO BRASIL, Edição de 15 de jun. de 2008).

Sobre o lema adotado pelo governo, “Uma escola técnica em cada cidade-polo do país”, o mesmo não deixou de contagiar educadores e intelectuais que há tanto tempo se debatiam por uma atenção mais comprometida com essa área. Exemplo disso está na manifestação otimista de um dos grandes nomes da educação nacional:

A educação é uma área que deverá contar com diferenças de tratamento em relação ao passado próximo e distante. O título do programa para a educação expressa a prioridade que o governo propõe a oferecer à área. “Pensar a educação como ação relevante na transformação da realidade econômica e social do povo brasileiro é pensar numa Escola do Tamanho do Brasil”, é o que diz o programa. (PT, 2002, apud LIBÂNEO, et. al., 2003, p. 209)

Surge, então, uma nova institucionalidade cujo caráter diversificado em termos de ofertas de educação profissional a tornou sui generis no mundo, nesse campo específico de modalidade de educação, tanto do ponto de vista vertical, da educação inicial a pós-graduação, quanto da horizontalidade, no prosseguimento dos estudos e de suas várias tendências como bacharelados, licenciaturas, engenharias, tecnólogos em nível superior, médio e básico, com cursos técnicos e médios, além de programas com os mais diversificados objetivos de interagir com a realidade local de cada município do país - a exemplo da educação de jovens e adultos da rede federal, o PROEJA, o projeto Mulheres Mil, visando acompanhar e capacitar mulheres das periferias urbanas, convênios nacionais e internacionais com esse mesmo tipo de finalidade, dentre outra iniciativas.

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