production scientifique dans l´étude des relations « Etre humain -
2. Les différents éléments de référence dans les relations être humain - dans les relations être humain -
2.2. La relation avec le territoire et les unités administratives unités administratives
Tudo tem um princípio. E esta investigação surgiu pelo interesse pessoal em perceber as implicações que o conflito decorrente no meio familiar ou entre os progenitores que apesar se separados continuam a interagir e dividir preocupações sobre os filhos pode acarretar para os adolescentes ao nível escolar e ao nível da autoestima.
Com a revisão de literatura feita para a concretização desta investigação, constatou-se que a fase da adolescência é considerada um período do desenvolvimento humano que, tendo sido instituído no séc. XX continua a intrigar os investigadores. Este período situa -se entre a infância e a entrada na idade adulta, mas não está bem delimitada a duração da mesma, pois a entrada na idade adulta é cada vez mais tardia. Apenas se sabe que esta é delimitada pela entrada na puberdade, fase que causa muitas dúvidas e stress nos indivíduos, dadas a mudanças que ocorrem a nível físico e psíquico. Com a idade os adolescentes abandonam o pensamento egocêntrico, ou seja, deixam de ser o centro do mundo e das atenções e passam a ter consciência daquilo que o rodeia tendo em conta as perspetivas dos restantes elementos da sociedade, da comunidade, da família e do grupo de pares – pensamento formal.
Durante a revisão de literatura averiguou-se, também, que não existe uma definição geral do conceito conflito interparental, contudo, existem três dimensões que o ajudam a definir. Essas dimensões são especificamente: frequência, intensidade e conteúdo. O conflito interparental está interligado à internalização e externalização dos problemas quer em crianças quer em adolescentes, sendo que ao longo do tempo e das fases de vida familiar pode passar por muitas fases e etapas. Para alguns autores, este tipo de conflitos são frequentes no seio familiar, dado a interdependência dos membros e a existência de muitas áreas de desacordo entre os progenitores/pais (ex: educação dos filhos, divisão de tarefas ou responsabilidades em casa). Os conflitos podem adquirir um caráter construtivo ou um caráter destrutivo, dependendo da forma como é resolvido e experienciado pelos atores envolvidos no conflito, designadamente os filhos.
54 Os conflitos interparentais podem ainda associar-se a múltiplos problemas no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, qualquer que seja o meio social da família, e esses problemas podem ser visíveis a nível comportamental, académico, na autoestima e na negatividade relativa às relações amorosas. As consequências do conflito interparental foram conceptualizadas por Grynch e Fincham (1990) através de um esquema cognitivo-contextual. Estes identificaram dois tipos de processos: o processo primário e secundário, e apoiam a ideia de que os adolescentes que se encontram no processo secundário estão propensos a desenvolver níveis baixos de autoestima.
O conflito nasce, geral e primeiramente, dentro do casal, atingindo posteriormente não apenas os cônjuges, mas também, e particularmente, os seus filhos. A tentativa de solução do conflito muitas vezes, termina em divórcio. No entanto, esta decisão nem sempre resulta no término do conflito, dado que os membros do casal continuarão a ter os seus filhos em comum e, em alguns casos, estes continuam a ser pretexto para a continuar o conflito, este facto acarreta para as crianças e os adolescentes consequências que se podem prolongar no tempo.
Neste sentido, em Portugal existe uma lei (147/99 de 1 de Setembro) que visa a intervenção em situações de insegurança ou desequilíbrio familiar em crianças e jovens. No entanto, certos autores defendem que a separação ou divórcio dos pais é uma solução benéfica para os filhos, pois quando existe conflito interparental, pressupõem-se que a redução do contato entre a díade parental e, consequentemente, a diminuição do atrito conjugal, restabeleça a harmonia familiar (Clarke-Stewart et. al., 2000; Emery, 1982).
Alguns autores defendem que o conflito interparental é um fator preditor de risco no desempenho escolar dos adolescentes, assumindo que as interações estabelecidas na família desempenham um papel essencial no meio escolar. E segundo as teorias sistémica e ecológica, as crianças e os adolescentes, são cingidos por outros contextos que lhes podem permitir sustentar a realidade do conflito interparental. Averiguaram ainda que o mediador mais explicativo da interferência do conflito interparental no rendimento escolar dos adolescentes é a culpabilização.
No que respeita à autoestima, sabe-se que é um constituinte do autoconceito e refere- se, sobretudo, à avaliação que todos os indivíduos realizam sobre si, sobre as suas qualidades, capacidades e aptidões. A autoestima é também um constructo inerente à personalidade e está sujeita a alterações que podem ocorrer na fase da adolescência e é influenciada pelas experiências de vida. Varia muito, principalmente, na adolescência, pois esta fase parece
55 evidenciar níveis mais baixos de autoestima, contudo, há autores que acreditam que é na fase da adolescência que a autoestima atinge uma maior estabilidade, não existindo um consenso. A autoestima pode possuir um carácter de estabilidade e de instabilidade, sendo que a instabilidade deste constructo gera sentimentos de fragilidade e vulnerabilidade nos indivíduos. Por norma a autoestima é mais elevada no sexo masculino, quando comparada com o sexo feminino, algo que pode ser resultado das normas sociais e culturais, uma vez que as raparigas são mais pressionadas pela sociedade em que se insere. A autoestima está correlacionada, segundo a investigação, com os resultados escolares dos indivíduos. Contudo, através de mecanismos de coping, do apoio social e grupal a autoestima pode manter uma certa estabilidade.
Quando nos debruçamos sobre a relação entre a autoestima e o conflito interparental podemos afirmar que o conflito interparental tem sido percebido enquanto variável que interfere na autoestima, embora, as investigações difiram nos resultados. Alguns estudos apontam que efetivamente o conflito interparental se reflete na autoestima dos adolescentes, tal como observado na presente investigação, mas por outro lado, houve quem chegasse à conclusão que esta relação não se verifica (Mota & Matos, 2006).
Numa última fase da revisão de literatura, constatou-se que o rendimento escolar não tem uma definição pré-definida, mas pode-se afirmar que se refere à avaliação letiva da aprendizagem escolar dos indivíduos feita pelos professores através das informações que recolhem de forma direta (testes de avaliação) e indireta (assiduidade/pontualidade/ comportamento). Averiguou-se que, de acordo com a literatura, o conflito interparental pode ser um fator preditor do rendimento académico de crianças e adolescentes. Sendo que alguns autores, no que respeita à variável autoestima, acreditam que a esta não evidencia diferenças significativas quando associadas ao rendimento escolar, particularmente no 8º e 9º ano de escolaridade, dado que nestes anos os alunos tendem a recorrer a distintos mecanismos de coping para proteger o seu nível de autoestima.
Na parte empírica desta investigação, procedeu-se ao tratamento estatístico e confirmação/ testagem das hipóteses formuladas para o presente estudo, após o estudo das qualidades psicométricas dos instrumentos utilizados.
Quando se avaliou a fiabilidade e a variância dos fatores, verificou-se que a consistência interna dos instrumentos CPIC e RSES é boa, no entanto, na escala CPIC houve duas subescalas que obtiveram um alfa de Cronbach baixo, essas são: a subescala Culpa e a subescala Triangulação. Mais estudos são necessários com este instrumento para se apurar a
56 sua validade e fiabilidade para a população de adolescentes. Recomenda-se o estudo da validade fatorial através do método de análise fatorial confirmatória.
Relativamente à testagem das hipóteses elaboradas para a presente investigação, esta foram quase todas confirmadas, exceto a hipótese “ prevê-se que a perceção do conflito esteja relacionado com os resultados escolares dos adolescentes” e a hipótese “ preveem-se diferenças na perceção do conflito em função do nível socioeconómico”. Constatou-se que, o conflito interparental não se correlaciona positivamente com os resultados académicos dos adolescentes, mas, relaciona-se com a autoestima dos mesmos. Não obstante esta relação só é significativa em algumas das subescalas da CPIC, como seja, na Frequência, na Intensidade, na Eficácia, na Culpa, na Resolução e na Estabilidade. Contudo, é significativa e negativa esta correlação entre as dimensões do conflito (Propriedades do conflito, Ameaça, e Culpa). Sendo que a autoestima, como seria de esperar, é mais elevada no género masculino.
Relativamente ao conflito interparental, o sexo feminino apresenta uma perceção mais elevado do conflito, quando comparado com o sexo oposto, dado que estes parecem valorizar mais os motivos que desencadeiam o conflito interparental. Os resultados apontam que a perceção de eficácia que os adolescentes possuem face aos conflitos interparentais parece interferir no nível de autoestima.
A autoestima também varia tendo por base o ano de escolaridade em que os adolescentes se encontram, evidenciando-se que os estudantes do 8º ano possuem um nível de autoestima mais elevado e não são tão afetados pelo conflito interparental. Averiguou -se, ainda, que os adolescentes de famílias intactas tendem a valorizar menos o conflito interparental, quando comparados com os jovens de famílias divorciadas, e apresentam um nível médio de autoestima superior, no entanto, não podemos esquecer que o número de famílias divorciadas no estudo é diminuto.
É de salientar que a dimensão do conflito que melhor prediz o nível de autoestima é a subescala eficácia.
Com este estudo obtiveram-se respostas a algumas questões associadas á problemática do conflito interparental. Para além da avaliação psicológica em casos de problemas de comportamento e rendimento escolar dos alunos, é fundamental ter como base informações sobre o contexto familiar, que permitam compreender o adolescente de forma global. Esta investigação permitiu averiguar que em casos de conflito interparental são aos meninas quem mais sofre com a situação, sendo importante dedicar-lhe mais atenção aquando do conhecimento da relação e dinâmica familiar. Permitiu, ainda, abranger uma classe etária que
57 não é estudada nos estudos que existem nesta área, dado que os estudos se debruçam essencialmente sobre a infância.
Como limitações ao estudo entendemos que é extremamente complicado ter acesso aos estabelecimentos de ensino, quer por saturação de pedidos quer por questões burocráticas. Também é difícil obter os consentimentos informados por parte dos pais/ encarregados de educação, principalmente quando o tema da investigação aborda temáticas relacionadas com a dinâmica e o contexto familiar. Ressalva-se, também, que a forma de amostragem não foi a mais adequada, sendo útil e necessário que, em estudos posteriores, seja utilizada uma amostragem probabilística e não de conveniência, para melhor se esclarecerem alguns resultados que contradizem estudos anteriores. E, ainda, avaliar outras dimensões do contexto familiar e escolar que possam ser mediadoras entre o conflito interparental e o bem-estar subjetivo e rendimento escolar dos adolescentes. O suporte social, por exemplo, por parte de outros familiares e até do grupo de pares pode ser um mediador e um fator de resiliência dos adolescentes que melhor os ajudem a superar as consequências do conflito interparental.
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66 Anexo 1
Questionário Sociodemográfico
Dados do Aluno:
Idade:_____________ Sexo: F M
Ano de escolaridade:__________ Turma:______ Nº de aluno:________