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Regression with subjects and items

Dans le document A practical introduction to statistics (Page 152-155)

7.2 A comparison with traditional analyses

7.2.3 Regression with subjects and items

Fonte: João Vicente Martins, In Crenças, Advinhação e Medicina Tradicionais dos Tuchokwe, do Nordeste de Angola 56

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AMSELLE, Jean-Loup; M’BOKOLO, Elikia – dirs. (1985), Au coeur de l’ethnie, Ethnies, Tribalisme et État em Afrique, La Découverte, Paris, cit. in., GONÇALVES, António Custódio (2003), op. cit., p.11; também em DAVIDSON, Basil, op. cit., p.21

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MARTINS, João Vicente (1993) Crenças, Adivinhação e Medicina Tradicionais dos Tuchokwe, do Nordeste de Angola, Instituto de Investigação Científica e Tropical, Lisboa, p.37

Por outro lado, de acordo com António Custódio Gonçalves, “a cristalização de ‘etnias’ reenvia depois a processos de dominação política, económica ou ideológica de um grupo por outro.” Logo, este investigador afirma que:

“As etnias são ‘significantes flutuantes’, ou seja, um conceito dinâmico que permite compreender uma realidade social mutante. São realidades fluidas, em movimento: ninguém é exclusivamente membro de uma etnia; os indivíduos como os grupos sociais são ou deixam de ser, segundo o espaço e o tempo, membros de uma determinada etnia. As formas de organização social na África pré-colonial estão associadas a ‘processos constantes de composição, decomposição e recomposição’, que se desenvolvem no interior de um espaço e que fundamentam a ‘consciência de uma pertença de identidade individual ou de uma identificação colectiva’. A colonização cristalizou num território fixo e institucional estas identidades individuais e identificações colectivas, dando origem a uma série de ‘safaris ideológicos’ que todos nós conhecemos.57

Ainda segundo Custódio Gonçalves, o debate sobre a etnia, a etnicidade, o tribalismo é necessário pelos seguintes aspectos:

“As identidades culturais não são rígidas nem imutáveis. São sempre processos de identificação em curso e constituem uma sucessão de configurações e representações que de época para época dão corpo e vida a tais identidades. É necessário conhecer quem pergunta pela identidade, em que condições, contra quem, com que propósitos e com que resultados.”58

Esta reflexão de António Custódio Gonçalves tornar-se-á mais tarde oportuna, quando abordarmos a questão do luso-tropicalismo e da crioulidade em Angola. O sociólogo Victor Kajibanga propõe uma abordagem epistemológica endógena para análise dos processos societais angolanos.

5.1.1. Uma sociedade multicultural

A população angolana é caracterizada pela existência de um variado mosaico cultural, dada a coexistência de diferentes grupos etnolinguísticos, quase todos de origem bantu que, por sua vez, se dividem em quase uma centena de subgrupos.59 Com estatísticas

57

GONÇALVES, António Custódio (2003), op. cit., p.12

58

Ibidem

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recolhidas em 1960,60 portanto, ainda antes do eclodir da guerra colonial em 1961 e de uma maior desestruturação das comunidades tradicionais, de entre os grupos étnicos mais importantes,61 destacamos os seguintes:

5.1.1.1. Os Bakongo

Os 500.000 bakongo, em Angola, representavam, em 1961, apenas 25% da população total desta etnia. A maioria residia na bacia do rio Zaire e nos territórios vizinhos das actuais República Democrática do Congo e República do Congo. Todavia, a sua capital cultural é, em Angola, na cidade de Mbanza Kongo, antiga capital do Reino do Kongo, que se destacou pelo seu papel político predominante durante os séculos XV e XVI.

Makukua Matatu Malamb’e Kongo62 é uma frase que, de acordo com a tradição oral Bakongo63, nos leva a entender, que o reino do Kongo era um todo composto por três partes distintas: Makukua; Matatu; Malamb’e. Segundo o relato de Ana Maria de Oliveira, “são os três troncos de termiteira64, as três pedras ao fogo que suportam a panela, o que em sentido figurado significa: a lareira, a casa materna e, por analogia, o lugar onde se cria, onde se decide, o centro onde tudo começou.”65 Daí que Makukua

Matatu Malamb’e Kongo pode, em princípio, ser aceite como “as três lareiras, as três

pedras base, as três partes, a trindade que formava o antigo reino do Kongo.”66

Estas três componentes correspondem a três áreas geograficamente distintas e bem diferenciadas do ponto de vista social e económico. Cada uma delas encontra-se

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PÉLISSIER, René (1986), História das Campanhas de Angola, vol. 1, Editorial Estampa, Lisboa, pp. 21-23

61

NEVES, Fernando; (1974), Negritude e Revolução em Angola, Edições “ETC”, Paris, pp. 24-29.

62

NDWALA, Raphael Batsikama ba Mampuya ma Voici les Jagas ou l’histoire d’un peuple parrecide bien malgré lui, Kinshasa s/e, p.176, cit. in., OLIVEIRA, Ana Maria (1999), Elementos Simbólicos do Kibanguismo, Missão de Cooperação Francesa – Cultura em Novembro/94, Luanda, p.19

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“Grupo etnolinguístico que está na base da formação do antigo reino do Kongo. O idioma é o kikongo, falado não só na República de Angola, mas também na República Democrática do Congo, na República do Congo e na República do Gabão”. Cf. FERNANDES, João; NTONDO, Zavoni (2002), Angola: Povos e Línguas, Editorial Nzila, Luanda, p. 45

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“Entende-se por térmite, um insecto cujo nome vulgar é formiga-branca, que abunda nos países quentes e destrói tudo que encontra; as térmites constroem ninhos (termiteiras), que podem atingir dois metros de altura”. Cf. SÉGUIER; Jaime, op. cit., p.1164

65

NDWALA, Raphael Batsikama ba Mampuya ma, op. cit., p.179, cit. in. OLIVEIRA, Ana Maria, op.cit., p.19

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administrativamente associada a cada um dos descendentes do manicongo67: Kongo-

dya-Mpangala; Kongo-dya-Mulanza; Kongo-dya-Mpanzu. O centro de convergência

dessas três partes é designado por Kongo-dya-Nza.68

O antepassado de todos os Congoleses (a “mãe grande” que a tudo deu início) é Nzinga, filha de Nkuvu, que foi casada com Nimi e teve dois rapazes e uma menina, respectivamente, Vit’a Nimi, Mpanzu’a Nimi e Lukeni Lwa Nimi. Os três constituem a base da sociedade congolesa Makukua Matatu Malamb’e Kongo. O nome das três crianças, associado ao nome de Nzinga representa a linhagem Tuvila. 69

Vita Nimi, o filho mais velho de Nimi, a quem se chamou Ne Nvunda, era também

conhecido por Nsaku, que significa aquele que traça os destinos do Kongo. Daí que deste ramo tenha surgido uma descendência de diplomatas, pois sempre que os reis tinham necessidade de enviar embaixadas ou missões ao estrangeiro, escolhiam individualidades do ramo Kisaku.

O segundo filho, Mpanzu’a Nimi, teve uma descendência numerosa. Era por natureza guerreiro, também um excelente agricultor e um bom conhecedor de minerais.

Lukeni foi a mais difícil de criar. Daí ser também conhecida por Vuzi, ou seja, aquela

que cria problemas. Era muito bela e desprezava quase tudo o que comia, excepto carne. Casou-se e teve filhos, que eram também muito admirados, quer pela sua beleza, quer pelo seu carácter. Cada um destes três filhos de Nzinga recebeu uma parcela do território do reino do Kongo. A fronteira de cada área geográfica era delimitada com a plantação de uma árvore de nome Nsanda, que simboliza a vitalidade e a firmeza do

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O mesmo que Ntotila ou rei do Congo. “Muene Congo” Muene (em forma sincopada Ne), ou Mani, quer dizer “senhor”, “dono da terra”. Muene (ou Mani) + Congo: “Senhor do Congo”, “Rei do Congo”. Cf. SANTOS, Eduardo dos (1969), op. cit., p.20. Ver em ANEXOS II-A e B listas nominais dos Ntotila ou Manicongo. De acordo com as fontes consultadas verifica-se que, um mesmo ntotila, apresenta diferentes grafias do seu nome em kikongo e, aparentemente, de acordo com as fontes consultadas, somos também levados a inferir uma possível confusão entre nomes e cognomes (?!). Mas, as datas de reinado e os nomes de baptismo em português permitem uma fácil identificação do próprio manicongo. Contudo, procurámos aproximarmo-nos o mais possível de Raphael Batsikama ba Mampuya ma Ndwala, várias vezes citado por Ana Maria de Oliveira, por ele próprio ser um bakongo nascido na República Democrática do Congo, país muito familiarizado com a utilização das línguas africanas até nas instituições de ensino, desde a colonização belga.

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NDWALA, Raphael Batsikama ba Mampuya ma, op. cit., p.179, cit. in, OLIVEIRA, Ana Maria, op. cit., pp. 19 e 35

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povo congolês. Nas zonas territoriais pertencentes a um grupo diferente, era associado um outro símbolo de referência, capaz de ser reconhecido pelo grupo.

MAPA 2.3 – PRINCIPAIS MIGRAÇÕES DAS POPULAÇÕES ANGOLANAS E

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