PART ONE BASIC COMPLEXITY CLASSES
CHAPTER 7 Randomized computation
7.7 RANDOMIZED SPACE-BOUNDED COMPUTATION
O Illness Perception Questionnaire (IPQ) foi desenvolvido por Weinman, Pétrie, Moss- Morris e Home (1996) com o objectivo de avaliar a representação cognitiva da doença, tendo por base o Modelo de Auto-regulação do Comportamento na saúde descrito por Leventhal et ai. (1997).
O Illness Perception Questionnaire, considerado como um instrumento adequado, válido, fiável e sensível para o objectivo pretendido. Tem sido adaptado em diferentes idiomas e largamente utilizado, na totalidade ou parcialmente em diferentes estudos, nomeadamente na doença cardíaca (Pétrie, Buick, et ai, 1999; Steed et ai., 1999; Weinman et ai, 2000); doença pulmonar crónica obstrutiva (Scharloo et ai., 2000); síndrome de fadiga crónica (Moss-Morris, et ai., 1996); diabetes (Griva, et ai., 2000); doença de Adison (Fortune et ai., 2000; Heijmans, 1999); psoríase (Fortune et ai., 2000) e cancro (Buick, 1997; Cameron, 1997). Foi ainda aplicado a esposas e cuidadores de pessoas com graves problemas de saúde (McCIenahan & Weinman, 1998; Weinman et al., 2000).
Recentemente, Moss-Morris et al. (2002) apresentaram a revisão deste instrumento de medida, que permitiu melhorar as suas propriedades psicométricas, reduzir o número de itens (de 50 para 38 itens), e incluir sub-escalas adicionais que permitem a avaliação da coerência da doença, duração cíclica e a sua representação emocional. Foi ainda alterada a estrutura inicial da sub-escala da identidade da doença.
A versão em Português, foi traduzida e adaptada por Figueiras e Jerónimo (2002) para estudo dos modelos de senso comum na epilepsia e suas implicações para a qualidade de vida. Foi também aplicada por Figueiras, Machado e Alves (2002) num estudo dos modelos de senso-comum das cefaleias crónicas nos casais e sua relação com o ajustamento marital.
Características do Instrumento de Medida
O Revised Illness Perception Questionnaire (IPQ - R) é constituído por nove sub-escalas apresentadas em três secções. A primeira secção (secção A), avalia a Identidade da Doença, sendo apresentados 14 sintomas habituais em situações de doença. Numa escala dicotómica ("sim" e "não"), o doente é questionado sobre a presença de cada um desses sintomas desde o início da doença e ainda se os considera relacionados com a patologia em estudo.
Nesta sub-escala, incluímos dois itens suplementares, de resposta aberta, em que era solicitada a inclusão de outros sintomas que o doente apresentasse desde o início da doença, e questionada a sua possível relação com a doença em análise, no sentido de
identificar sintomas específicos da doença oncológica. As respostas são apresentadas em sistema de resposta múltipla, sendo o somatório dos sintomas considerados pelos doentes como relacionados com a doença, a sub-escala da Identidade da Doença. Quanto maior for o valor determinado, mais forte é a identidade da doença.
A segunda secção da escala avalia a Duração (aguda/crónica) da doença, com 6 itens (questões 1 a 5 e 18); a sua Duração (cíclica), composta por 4 itens (questões 29 a 32); as Consequências, com 6 itens (questões 6 a 11); o Controlo Pessoal, com 6 itens (questões 12 a 17); o Controlo de Tratamento, com 5 itens (questões 19 a 23); a Coerência da Doença, com 5 itens (questões 24 a 28) e a sua Representação Emocional, com 6 itens (questões 33 a 38).
Na íntegra, a escala é constituída por 38 afirmações, cujas respostas estão ordenadas segundo uma escala tipo Likert com 5 pontos: ^"discorda plenamente"; (2) "discorda"; (3) "não concorda nem discorda"; (4) "concorda" e (5)"concorda plenamente".
(ANEXOS III e IV)
Após a inversão de alguns itens (itens 1, 4, 8, 15, 17, 18, 19, 23, 28 e 36), a cotação de cada sub-escala é realizada através do somatório de todos os itens que a compõem, dividida pelo número de itens. Nas escalas de Duração da Doença (aguda/crónica e cíclica), quanto maior é o valor atribuído, mais crónica é a percepção da doença e maior a sua periodicidade. Nas escalas de Consequências e Representação Emocional, quanto maior é o valor, mais grave é a percepção de consequências e mais negativa a sua representação emocional. Nas sub-escalas de Controlo (Pessoal e de Tratamento), quanto maior o valor, maior a percepção de controlo da doença por parte do doente e do tratamento. Por fim, na sub-escala da Coerência da Doença, quanto maior o valor obtido, menor é a compreensão da doença por parte do doente.
A última secção avalia as Causas da Doença. São apresentadas 18 causas possíveis para a doença e as respostas são também organizadas com uma escala tipo Likert com 5 pontos. Também neste caso, quanto maior é o valor obtido em cada item, maior é a concordância com essa atribuição causal. Os autores não consideram apropriado somar os itens desta sub-escala, pois cada uma representa a crença numa atribuição causal específica. Aconselham a combinação de itens ou a realização de uma análise factorial para identificar grupos de atribuições causais que podem assim ser usados como sub-escalas.
Finalmente é solicitado ao doente que hierarquize as principais causas que pensa terem contribuído em maior grau para o aparecimento da sua doença.
Adaptação do Revised Illness Perception Questionnaire (IPQ-R) a doentes oncológicos
A opção por este instrumento teve em conta a sua especificidade e aplicabilidade aos objectivos deste estudo. No entanto, a sua ainda reduzida aplicação à cultura Portuguesa e em amostras com características distintas da presente, levou-nos a realizar um estudo de adaptação e validação, do qual foi elaborado um artigo (Santos, Ribeiro & Lopes, 2003a).
Apresentámos, em síntese, os principais resultados e as características psicométricas do instrumento em análise, baseadas no estudo anteriormente citado.
Participaram neste estudo 385 pessoas com diagnóstico de doença oncológica não metastática (MO ou Mx), a um tempo igual ou inferior a três meses, que correspondem à primeira amostra colhida neste estudo (Av.1). Os participantes eram essencialmente do sexo feminino (n=236, 61,3%), casadas ou em união de facto (n= 303, 78,7%), apresentavam uma média de idades de 55,9 anos (ampl. 23-82) e uma média de 6 anos de escolaridade (ampl. 1-22), empregadas (n=155, 40,3%) e activas (n=78, 20,3%). Em termos clínicos, apresentavam patologia de foro digestivo (n=151, 39,2%), mama (n=127, 33%), urológico (n=56, 14,5%) e ginecológico (n=51, 13,2%). A maioria dos doentes ainda não tinha iniciado tratamento médico formal para a sua doença (n= 192, 49,9%).
De acordo com as indicações dos autores, a análise da escala foi realizada por secções distintas, uma vez que a sua estrutura é multi-domínios e não uma estrutura única e conjunta (Moss-Morris et ai., 2002). Neste sentido, começámos por analisar a segunda secção da escala, composta por 7 sub-escalas (Duração aguda/crónica e Duração cíclica; as Consequências; Controlo Pessoal e Controlo de Tratamento; Coerência da Doença e Representação Emocional), procedendo em seguida à análise da sub-escala da Identidade (primeira secção da escala) e por fim a sub-escala das Causas da Doença (terceira secção da escala).
Com vista à confirmação da estrutura da escala, foi realizada a Análise de Componentes Principais (ACP), seguida da validade convergente-discriminante dos itens das sub-escalas. A ACP resultou numa solução factorial que explica 55,64% da variância total. Os resultados obtidos neste estudo, suportam quase na totalidade a estrutura teórica de base, embora possamos sentir alguma tendência nas respostas, em associar as consequências da doença (item 6 - "a minha doença é grave") com a sua duração. Esta tendência foi também sentida pelos autores do questionário, no seu último estudo de validação (Moss-Morris et ai., 2002).
Também a extensão da doença no tempo (item 18 - "A minha doença vai melhorar com o tempo") parece ter sido analisada como um resultado do seu tratamento. A reinspecção do
conteúdo dos itens indica que eles se devem agrupar de acordo com a estrutura inicial, pelo que se aceitou a solução factorial proposta pelos autores.
Analisámos a fidelidade das diferentes sub-escalas IPQ-R através do coeficiente alpha de Cronbach. No quadro 24 apresentámos os resultados obtidos no presente estudo e em estudo de validação recente, apresentado pelos autores ((Moss-Morrís et ai., 2002).
Quadro 24 - Análise da fidelidade dos resultados da escala IPQ-R na amostra de doentes, e no estudo de validação desenvolvido pelos autores
Alpha de Chronbach N 0 d e A m o s t r a Autores
Itens N=385 N=711 Identidade (sintomas relacionados com a doença)
Duração (aguda/crónica) Consequências Controle Pessoal Controle de Tratamento Coerência da Doença Duração (cíclica) Representação Emocional Causas da Doença 14 0,79 0,75 6 0,83 0,89 6 0,72 0,84 6 0,65 0,81 5 0,69 0,80 5 0,75 0,87 4 0,76 0,79 6 0,84 0,88 14 0,81 -
A análise do quadro 24 permite-nos concluir que os valores obtidos na presente amostra são semelhantes aos do estudo de validação original, desenvolvido pelos autores. O coeficiente de consistência interna neste estudo, estende-se entre um mínimo de 0,65 na sub-escala de Controlo Pessoal e um máximo de 0,84 na Representação Emocional, valores considerados aceitáveis e indicando que em cada componente, os itens se apresentam como um todo homogéneo (Almeida & Freire, 1997; Ribeiro, 1999b).
A aplicação do IPQ-R em amostras Portuguesas, nomeadamente de doentes com epilepsia (Figueiras & Jerónimo, 2002) e cefaleias crónicas (Figueiras et ai., 2002), embora com amostras mais reduzidas, respectivamente de N=47 e N=31, apresentaram valores de consistência interna semelhantes (>0,65 e <0,85).
No trabalho de Figueiras et ai. (2002) é referida a eliminação de itens nas sub-escalas de Duração (aguda/crónica), Controlo Pessoal e Controlo de Tratamento, por aumentar a consistência interna da escala. Este facto não se reproduziu no presente estudo.
A sub-escala de Identidade, permite ao doente identificar os sintomas presentes e ainda, de cada um deles, seleccionar os que considera relacionados com a sua doença. Incluímos dois itens com resposta aberta, no sentido de permitir a possibilidade de inclusão de novos sintomas específicos da doença oncológica. Os sintomas por eles mencionados, dizem respeito essencialmente a sinais identificativos da presença de algo anormal que requeria ajuda especializada. A hemorragia, a falta de apetite e os sintomas de índole emocional (como a tristeza, a ansiedade e a depressão), bem como outros já incluídos no questionário original (como as dores, a fadiga, a perda de forças e a perda de peso) parecem constituir a