PART ONE BASIC COMPLEXITY CLASSES
CHAPTER 8 Interactive proofs
8.7 INTERACTIVE PROOF FOR THE PERMANENT
Watson et al. (1988), criaram uma versão da MAC Scale para o cônjuge/parceiro do doente oncológico, no sentido de complementarem o estudo da validade da escala MAC, procedendo à correlação entre as respostas dos doentes e seus cônjuges/parceiros. Obtiveram uma correlação aceitável nas diferentes sub-escalas (entre 0,63, p<0,01 e 0,76, p<0,001), com excepção para a componente de evitamento, em que não foi evidente a correlação Q'ustificado pela inclusão de apenas um item).
Não conhecemos, no entanto, qualquer estudo desenvolvido pelos autores sobre a validação desta versão da escala MAC para o cônjuge/parceiro.
A Mental Adjustment to Cancer Scale - Partner (MAC Scale-P) foi aplicada neste estudo, com a finalidade de avaliar a extensão pela qual os familiares dos doentes oncológicos, adoptam determinadas respostas no processo de ajustamento ao diagnóstico e tratamento da doença.
A composição da MAC Scale-P é semelhante à MAC Scale, relativamente ao número de itens, escala de resposta e suas componentes, já anteriormente descritas para o doente oncológico. As respostas são cotadas também de acordo com as indicações dos autores, descritas no seu manual específico (Watson et ai., 1989).
A MAC Scale-Partner foi solicitada aos autores, com o objectivo de ser aplicada no presente estudo, traduzida e adaptada à cultura Portuguesa, nomeada a um grupo de familiares de doentes oncológicos. Foi mantida a estrutura e características da escala de origem, apresentando unicamente a substituição das palavras "cancro" por "doença" e de "parceiro" por "familiar". A primeira substituição prende-se com a melhor aceitabilidade por parte dos serviços de saúde e a segunda com as características da amostra. A presente escala foi aplicada exclusivamente no segundo momento de avaliação.
Com base neste estudo, foi elaborado um artigo, que se encontra submetido para publicação (Santos, Ribeiro, & Lopes, 2003).
Adaptação da MAC Scale-P ao grupo de familiares
A MAC Scale-P foi assim aplicada a uma amostra de 179 familiares de doentes oncológicos que correspondem à segunda amostra deste estudo (Av.2). Os participantes eram essencialmente do sexo feminino (n=114, 63,7%), casadas ou em união de facto (n=139, 77,7%), e empregadas (n=120, 67%) e com actividade laboral activa (n=113, 63,1%). As suas idades estavam compreendidas entre 18 e 75 anos (M=42,8; DP=13,7) e apresentavam entre 2 e 19 anos de escolaridade (M=9, DP=5,2). A relação com o doente oncológico era muito próxima, sendo na sua maioria cônjuges ou companheiros (n=87, 48,6%), ou então filhos ou filhas (n=67, 37,4%).
A tradução da MAC Scale-P para o idioma Português, foi realizada de acordo com a metodologia aconselhada, nomeadamente a tradução para Português, retroversão para a língua original por tradutor independente, comparação das duas versões do questionário e ainda a análise e discussão dos pontos críticos da escala, com especialistas (Ribeiro, 1999b).
O estudo piloto foi realizado com 20 familiares de doentes oncológicos, de diferentes grupos patológicos e diferentes estádios. A MAC Scale-P mostrou-se de aplicação rápida (10 a 20 minutos), de fácil compreensão, não ofensiva para os respondentes e não causadora de significativa perturbação a nível emocional.
No sentido de analisarmos a validade de constructo da escala e adequarmos a sua estrutura às características conceptuais da nossa cultura, procedemos à ACP, seguida do estudo da validade convergente/discriminante dos itens com as sub-escalas encontradas. Da ACP, obtivemos uma solução factorial que explica 41,35% da variância total, e cujos 40 itens da MAC Scale-P se organizam, de forma distinta da encontrada pelos autores para a escala original, desenvolvida para os doentes oncológicos.
Decidimos eliminar os itens que apresentaram baixa correlação com os restantes e muito baixo poder discriminativo entre as sub-escalas (£0,05), à semelhança dos critérios definidos para o grupo de doentes. Foram assim eliminados 13 itens, constítuindo-se uma escala menor (com 27 itens), o que facilita significativamente a sua aplicação em contextos de saúde.
Características da MAC Scale-P: Versão adaptada
A MAC Scale-Partner que será aplicada neste estudo é constituída por 4 componentes ou sub-escalas, por nós denominadas como:
1. Desânimo/Fatalismo 2. Espírito de Luta
3. Preocupação Ansiosa/ Revolta 4. Aceitação/Resignação
A sua cotação é realizada pelo somatório de todos os itens que compõem cada componente. Quanto maior o valor atribuído, maior a concordância com a estratégia de coping em análise.
Analisámos a fidelidade da escala, através do coeficiente alpha de Chronbach e do estudo da sua reprodutibilidade (coeficiente teste-reteste) realizado com uma sub-amostra de 31 familiares. Os resultados obtidos são apresentados no quadro seguinte.
Quadro 26 - Análise da fidelidade da MAC Scale-P
Componentes da N°de *Jph*de' Coeficiente Chronbach Teste-reteste
MAC Scale - P Itens N=179 N=31
Desânimo/Fatalismo 12 0,85 0,84** Espírito de Luta 6 0,77 0,63** Preocupação Ansiosa/Revolta 6 0,79 0,75**
Aceitação/Resignação 05 0^54 0,57** Nota: ** Correlação significativa ao nível de 0,01 (2- tailed)
Como podemos verificar pelo quadro 26, as três primeiras sub-escalas apresentam valores de coeficiente alpha de Cronbach considerados aceitáveis, dado que se situam entre 0,77 e 0,85. Só a última sub-escala apresenta um valor de alpha de Cronbach mais baixo
(0,54). Os valores resultante da reprodutibilidade do estudo, indicam uma estabilidade temporal aceitável (Ribeiro, 1999b).
Foi ainda analisada a correlação (r de Pearson) entre as diferentes componentes da MAC Scale-P propostas neste estudo e a validade concorrente, realizada com o questionário genérico de coping, "Brief Cope", forma abreviada do "COPE Inventory" (Carver, Scheier & Weintraub, 1989), na sua versão traduzida para Português por Tapadinhas (cit. por Rodrigues, 2000). Estas análises permiti ram-nos clarificar a conceptualização que está na base dos conteúdos teóricos inerentes a cada uma das sub-escalas propostas para o instrumento adaptado.
Assim, a primeira componente extraída, que denominamos de Desânimo/Fatalismo pretende espelhar um conjunto de respostas para lidar com a doença de um familiar, que se caracteriza predominantemente por sentimentos de incapacidade para alterar a situação stressante e o apoio por ela requerido, desistência e controlo externo da situação, desesperança em relação ao futuro e uma atitude fatalista face ao desfecho do problema.
A segunda componente, que denominamos de Espirito de Luta caracteriza-se essencialmente por uma atitude de confronto da situação indutora de stresse, crença nas capacidades pessoais para alterar os resultados, procurando os apoios necessários para atingir os seus objectivos.
A escala em análise documenta ainda um estilo de resposta emocional caracterizado por uma atitude de ansiedade permanente com a possível evolução da situação e os novos prejuízos que daí possam advir. Nota-se ainda alguma tendência para evitar o confronto com o stressor e revolta pelas vicissitudes existenciais. Constitui a componente da Preocupação Ansiosa/Revolta. Esta componente mostrou correlacionar-se moderada, mas muito significativamente com a componente de Desânimo/Fatalismo, uma vez que ambas se caracterizam por um conjunto de estratégias para lidar com a doença do familiar predominantemente focadas no controlo emocional e entendidas pelos referenciais teóricos como pouco adaptativas (Blanchard, et ai., 1997; Faller et ai., 1999; Lazarus, 2000; Ptacek, J.T.; Ptacek, J.J., & Dodge, 1994).
A componente menos representativa da escala em estudo é a denominada de Aceitação/Resignação. Representa um padrão de resposta essencialmente caracterizado por uma aceitação resignada da situação stressante, com a tentativa expressa de continuar a viver com o mesmo nível de bem-estar.
O Espírito de Luta e a Aceitação/Resignação, apesar de manifestamente utilizarem estratégias diferentes, apresentam-se como dois modelos de resposta face à doença que são interpretados na literatura como positivos e favoráveis à adaptação, beneficiando a