5.3 Exemple numérique
5.3.4 Résultats et analyses
O grau de mestre em Enfermagem é concedido aos titulares de conhecimentos aprofundados e especializados no seu campo de intervenção, que demonstrem níveis elevados de julgamento clínico e tomada de decisão (OE, 2010). Segundo o Decreto-Lei n.º 65/2018, o grau de mestre é atribuído aos que demonstrem possuir conhecimentos e capacidade de compreensão que permitam o desenvolvimento e aprofundamento dos conhecimentos obtidos ao nível do 1º ciclo de estudos e que constituam a base de desenvolvimento e ou aplicações originais, nomeadamente em contexto de investigação.
Com este capítulo, pretendo realizar uma súmula dos capítulos anteriores, evidenciando a aquisição e desenvolvimento das competências do grau de Mestre, designadamente na aplicação dos meus conhecimentos e da capacidade: de compreensão para a resolução de problemas em situações novas, nunca por mim vivenciadas, em contextos multidisciplinares; de lidar com temas complexos; de comunicar as minhas conclusões e conhecimentos a especialistas e não especialistas; e demonstrar competências que me permitiram uma aprendizagem ao longo da vida.
Por conseguinte, e dando continuidade aos capítulos anteriores onde analisei e refleti sobre as atividades desenvolvidas que me apoiaram na aquisição e aprofundamento de competências comuns do enfermeiro especialista e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, importa agora fazer um breve paralelo com o perfil de competências fundamentais inerentes ao Mestre em Enfermagem Médico-Cirúrgica.
Infira-se que, aquando do meu ingresso no Curso de Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica no ano letivo 2018/2019, o meu portefólio profissional e de formação, foi submetido à avaliação pelo Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Enfermagem São José de Cluny, por forma a creditar a minha experiência profissional, na área de Urgência/Emergência. No decorrer dessa avaliação, foram-me creditadas as competências em Enfermagem de urgência/emergência e em Enfermagem em Cuidados Paliativos, suportadas pela minha experiência profissional e análise das várias formações por mim realizadas, tais como SAV com DAE, ATCN, MRMI, Triagem de Manchester, bem como a Formação Avançada em Cuidados Paliativos.
Os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo das unidades curriculares do curso de mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, bem como a pesquisa bibliográfica e a participação em diversos cursos direcionados para o doente crítico, vieram alicerçar a minha intervenção na evidência científica, “nutrindo” os saberes obtidos ao nível do 1º ciclo de estudos e desenvolvendo-os através das experiências vivenciadas nos diferentes campos de estágio e na pesquisa e leitura de trabalhos de investigação. Desta forma, contribuiu
fortemente para o desenvolvimento das aprendizagens profissionais, permitindo-me desenvolver o autoconhecimento e a assertividade, ajudando-me a basear a minha prática clínica enquanto enfermeiro especialista em conhecimentos sólidos e válidos.
Segundo o Decreto-Lei n.º 65/2018, o enfermeiro mestre deverá ser capaz de comunicar os seus conhecimentos quer a especialistas, quer a não especialistas de forma clara e sem ambiguidades (p. 4162). Sendo assim, ao longo deste mestrado, partilhei com os meus colegas do serviço os resultados das minhas pesquisas com a mais recente evidência científica, por exemplo sobre a sépsis e o choque séptico, dando a conhecer as mais recentes guidelines de atuação e divulgando resultados de trabalhos de investigação, recorrendo assim a uma estratégia promotora da prática baseada na evidência, melhorando a qualidade dos cuidados por nós prestados e promovendo a segurança dos mesmos perante o doente com sépsis e choque séptico.
Ao refletir sobre a competência “saber aplicar os seus conhecimentos e a sua capacidade de compreensão e de resolução de problemas em situações novas e não familiares, ainda que relacionados com a sua área de estudo em contextos alargados e multidisciplinares” (DL n.º 65/2018, p.2246), orientei o seu desenvolvimento com recurso ao processo de enfermagem, garantindo um cuidar individualizado adaptado às necessidades concretas da pessoa em situação crítica e à sua família.
Como referido no capítulo anterior, no estágio de cuidados intensivos, realizei um processo de enfermagem fundamentado, que me permitiu debruçar sobre os focos de atenção específicos da pessoa em situação crítica com falência multiorgânica, formulando os diagnósticos de enfermagem tendo em conta a análise crítica dos dados obtidos na avaliação e, prescrevendo as intervenções de enfermagem gerais e especializadas necessárias. Em Portugal, o processo de enfermagem encontra-se legalmente regulamentado no REPE, pelo que as suas etapas estão descritas no art. 5, ponto 3, enfatizando que “os cuidados de enfermagem são caraterizados por (…) utilizarem metodologia científica” (DL n.º161/96, p. 2960), ideia esta corroborada por Fernandes (2010), que reforça a ideia que o processo de enfermagem fundamentado assume um grande valor, visto que a decisão de cuidados traduz- se num método científico.
A realização deste, implica uma avaliação exaustiva da pessoa, o que inclui não só o indivíduo, como as famílias e a comunidade onde está inserido. Contudo, este processo não fica por aqui, implicando igualmente a avaliação de todo este, garantindo que os resultados obtidos são os resultados esperados, revendo os diagnósticos de enfermagem iniciais e alterando as intervenções com o evoluir da situação de saúde do utente. Assim,
podemos indagar que o processo de enfermagem é um método cíclico, sendo suscetível de ser adaptado a qualquer momento.
Ao realizar o processo fundamentado de enfermagem e, implementando todas as suas etapas, levou-me à prestação de cuidados adequados e uma visão integral e humanizada da saúde do utente, antevendo e identificando possíveis complicações em tempo útil. Utilizei a metodologia do processo de enfermagem em todos os contextos da sua prática, avaliando primeiro as situações, planeando as intervenções, implementando as mesmas e, sempre que possível, avaliando os resultados obtidos.
No que se refere ao SU e ao Pré-Hospitalar, o cuidar da pessoa em situação crítica e da família implica uma avaliação criteriosa e rápida por parte do enfermeiro. A abordagem usando a metodologia ABCDE, aliada ao quadro clínico e aos dados obtidos através da monitorização, levam a um agir de forma rápida e segura, tendo em conta todos os dados obtidos na avaliação inicial. Segundo Benner (2005), faz parte do enfermeiro perito a capacidade de intuição que cada situação clínica exige, para apreender os reais problemas do utente, sem se perder num largo leque de soluções e diagnósticos estéreis, porque age a partir de uma compreensão profunda da situação global.
De acordo com a mesma autora, os enfermeiros especialistas no cuidado ao doente crítico, defrontam-se, muitas vezes, com contextos imprevisíveis, sendo que estes exigem respostas imediatas e perante os quais torna-se fulcral a utilização do julgamento clínico para a tomada de decisões e orientação de intervenções (Benner, 2005). Esta defende ainda que são nove os aspetos orientadores do pensamento do enfermeiro no cuidado ao doente crítico: estabelecer prioridades; aquisição de conhecimentos e a sua aplicação prática; capacidade de raciocínio perante a mudança; conhecimento especializado; capacidade de resposta face às alterações da situação do doente; capacidade de influenciar uma situação; identificação e resolução de problemas; articulação de princípios éticos com a prática; e a capacidade de se colocar no lugar do outro.
Se, no seu quotidiano, perante situações comuns, os enfermeiros tomam decisões sem grandes análises, quando se trata de situações mais complexas, são necessárias, por parte dos enfermeiros, análises mais longas e profundas para a tomada de decisão. No que se refere à capacidade para integração de conhecimentos, tomada de decisão e gestão de situações complexas, com ponderação sobre as implicações e as responsabilidades éticas, profissionais e sociais, nos estágios e no exercício das minhas funções as decisões foram sempre realizadas à luz dos princípios éticos e deontológicos realizando análises reflexivas, por forma a conduzir o mesmo. Isto é, perante situações em que se levantavam questões éticas e
deontológicas, procurei refletir sobre as mesmas, com intuito de melhorar a prestação dos cuidados em eventos posteriores.
É indiscutível que a tomada de decisão assume-se como um fator preponderante na qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, sendo que, para mim, enquanto futura mestre em enfermagem médico-cirúrgica, torna-se fundamental refletir sobre a forma como o meu agir espelha a capacidade para “integrar conhecimentos, lidar com questões complexas, desenvolver soluções ou emitir juízos em situações de informação limitada ou incompleta, incluindo reflexões sobre as implicações e responsabilidades éticas e sociais que resultem dessas soluções e desses juízos ou os condicionem” (decreto-lei n.º74/2006, p.2246). Durante a realização dos estágios e, com base no descrito nos capítulos anteriores, sempre demonstrei capacidade para integrar novos conhecimentos, como também para tomar decisões e gerir situações complexas relacionadas com a pessoa em situação crítica. Essas decisões foram sempre eleitas de forma ponderada, respeitando as minhas responsabilidades éticas, profissionais e sociais.
No que concerne à competência de desenvolvimento autónomo de conhecimentos, aptidões e competências ao longo da vida, aprender constituiu um desafio contínuo para o desenvolvimento pessoal e, ao longo da vida profissional, na procura da autorrealização, pois considero que a conclusão do mestrado em enfermagem médico-cirúrgica insere-se num projeto de conquista pessoal. Considero que as aprendizagens teórico-práticas do MEMC, bem como as vivências relativas à minha atividade profissional, assumiram um papel fulcral no que se refere à aquisição de competências a este nível, pois a constante procura pelo conhecimento e pela formação, permite responder aos desafios emergentes e resultantes da elevada complexidade do cuidar em saúde, fazendo com que se reflita na qualidade dos cuidados prestados.
Por fim, afirmo que as competências resultantes da especialização em enfermagem médico-cirúrgica, associadas às responsabilidades acrescidas decorrentes do grau de mestre em enfermagem, permitiram-me auferir uma visão mais crítica e reflexiva, baseada no conhecimento científico. Permitiram-me ainda aprofundar os conhecimentos, melhorar atitudes, valores e comportamentos inerentes à prestação de cuidados de enfermagem especializados no cuidar da pessoa e família em situação crítica.
CONCLUSÃO
Concluído este meu caminho formativo decursivo do 3º Mestrado com Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica, que culminou com a elaboração do presente relatório, torna-se essencial refletir sobre a sua elaboração, tecendo importantes considerações sobre as competências desenvolvidas através das atividades realizadas ao longo dos ensinos clínicos e da experiência profissional com vista a atingir os objetivos propostos.
Com a redação deste relatório, constatei que o meu crescimento se processou em diversos níveis, desde o profissional ao pessoal. Isto pois considero que me superei na constante demonstração de capacidades técnico-científicas, sociais e humanas, que me edificaram enquanto enfermeira e enfermeira especialista. Segundo Fonseca (2015), o enfermeiro EEMC presta cuidados de enfermagem em contextos onde se encontra a pessoa em situação crítica, isto é, desde o pré-hospitalar, passando pelo intra-hospitalar e, até no momento da alta, potenciando a transição saúde/doença, tendo em vista a sua recuperação.
Seguindo este silogismo, o caminho realizado ao longo deste Curso de Mestrado com vista à aquisição e ao desenvolvimento de competências na área da Médico-Cirúrgica, realizou-se em diferentes contextos do cuidar da pessoa em situação crítica, desde a emergência pré-hospitalar (EMIR), ao SU e ao SMI (UCIP, HNM). Pela sua diversidade e especificidade, estes locais proporcionaram-me experiências únicas e diversificadas, revelando-se como excelentes campos de aprendizagem, possibilitando uma multiplicidade de experiências e novos conhecimentos, bem como se revelaram fundamentais para a aquisição e desenvolvimento de competências especializadas.
Todos os contextos onde realizei os ensinos clínicos demonstraram-se desafiantes, representando novos contextos para a minha prática que, até então, tinha sido desenvolvida em serviços de urgência básicos. Consegui, através do empenho e dedicação, adquirir um conjunto de saberes inerentes ao cuidar da pessoa em situação crítica, como nunca havia experienciado e que me possibilitaram o desenvolvimento da autonomia necessária para a prestação de cuidados altamente qualificados e de forma contínua, conjuntamente com a equipa multidisciplinar.
A especificidade de cada campo de estágio, bem como a relação estabelecida com os utentes, famílias e equipa multidisciplinar, foram fatores determinantes para alvejar com sucesso esta etapa profissional. Torna-se evidente ainda que a existência dos diferentes
contextos de estágio, de diversas equipas de enfermagem e multidisciplinares, detentoras de uma base de conhecimentos sólidos e de um rigor técnico, com capacidade de adaptação, criatividade e flexibilidade, foram determinantes para o sucesso de todo este meu percurso especializado.
Com a elaboração do presente relatório intitulado: “Construindo um perfil de competências: do pré-hospitalar às unidades diferenciadas”, refleti sobre as competências comuns e específicas adquiridas e aprofundadas nos contextos da prática no âmbito dos cuidados especializados em EMC, evidenciei as competências de Mestre e, demonstrei o desenvolvimento de competências de análise crítico-reflexiva das situações decorrentes da prática profissional, bem como sobre o contributo das mesmas para a prática de enfermagem.
Assim sendo, baseei a minha análise mediante o Regulamento das Competências Comuns do Enfermeiro Especialista (Regulamento n.º 122/2011 de 18 de fevereiro e Regulamento n.º 140/2019 de 06 de fevereiro), no Regulamento das Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica (Regulamento n.º 429/2018, 16 de julho) e no Decreto-Lei n.º 65 de 16 de agosto de 2018 (Competências de Mestre).
Neste sentido e, relativamente às competências comuns do enfermeiro especialista, a minha análise crítico-reflexiva incidiu sobre o domínio da responsabilidade profissional, ética e legal, da melhoria da qualidade, da gestão dos cuidados e do desenvolvimento das aprendizagens profissionais. Relativamente às competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica, a minha análise baseou-se nos domínios de competência: “Cuida da pessoa a vivenciar processos complexos de doença crítica e/ou falência orgânica”; “Dinamiza a resposta a situações de catástrofe ou emergência multi- vítima, da conceção à ação”; “Maximiza a intervenção na prevenção e controlo da infeção perante a pessoa em situação crítica e/ou falência orgânica”; e as unidades de competências afetas a cada uma.
Embora nem sempre tenha sido fácil, surgindo inúmeros obstáculos pelo caminho, associados à dificuldade em articular a atividade profissional, académica e a vida pessoal com o tempo para me dedicar a este relatório, assim como a minha capacidade de síntese e a organização de conteúdos, considero que dei o meu melhor, atendendo ao contexto em que estou inserida.
Saliento, por fim, que me sinto motivada para aperfeiçoar e continuar a desenvolver competências na prestação de cuidados de enfermagem na área da pessoa em situação crítica, através da formação contínua, assumindo o compromisso da autoformação, assim como para
continuar a promover a crítica-reflexiva entre os meus pares, no meu local de trabalho. Desejo continuar, como futura enfermeira especialista, a aperfeiçoar o saber, saber fazer, saber estar e o saber ser, tendo por base de atuação a pessoa na sua total conceção holística.
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