• Aucun résultat trouvé

A seguir, agrupamos os principais achados obtidos nessa etapa (Etapa II). Constatamos tratar-se de um conjunto eclético de instituições, no qual existem aquelas que tradicionalmente exercem a função educacional dos museus e outras que ainda parecem tatear o universo museal. Isso ocorre devido à própria diversidade de instituições que são consideradas museus pela legislação.

Outro ponto importante a ser esclarecido é que, embora haja o conhecimento de que as divisões de comunicação e educação costumam ter suas atividades bem compartimentadas nas organizações museais, optamos por mesclar perguntas mais direcionadas ao campo da comunicação ou outras ligadas ao campo educacional, na intenção de saber se existia um intercâmbio entre as áreas.

As respostas fornecidas pelos educadores confirmaram vários pontos observados na Etapa I da pesquisa, como: a formatação dos espaços educativos, o direcionamento do uso da página para divulgação das atividades presenciais e a quase inexistência de espaços de interação relacionados com o setor educativo dos sites. Dito isso, traçamos um apanhado geral do que foi possível colher com os subsídios dos educadores para melhor compreender os Espaços Educativos Virtuais.

Começamos tentando saber um pouco sobre como se estruturam as divisões educacionais nos museus para, aos poucos, ir entrando na questão do que é ou não transferido e remodelado para os sites. O número de profissionais do setor educativo é variado, da mesma forma que os museus são distintos. Dessa forma, nas grandes

instituições o número tende a ser maior, bem como o público que esses espaços expositivos recebem, e os museus menores costumam ter equipes restritas. A questão orçamentária é centralizada na maioria dos museus, fato que não ajuda o desenvolvimento da área, assim como a falta de profissionais com formação em TICs nas divisões educativas dificulta ações relacionadas à postagem de conteúdos. Na contramão das dificuldades, é possível verificar o grande número de acessos a algumas instituições, ou seja, navega-se pelos museus brasileiros na internet.

Com relação às concepções educativas que norteiam as ações, pode-se dizer não haver surpresas, pois os autores apontados são reconhecidos no meio educacional museal (Paulo Freire, Vigotsky, Ana Mae Barbosa, Piaget e outros são citados). Foi percebida, pela regularidade nas respostas, a preocupação com a questão dialógica e com a democratização do conhecimento.

O uso do site para disponibilizar material didático foi confirmado pelas respostas dos educadores, quase unânimes no reconhecimento do uso desse recurso pelos museus. Na averiguação dos interativos, esse foi um dos itens bem pontuados (131 inserções). Portanto, é costumeiro disponibilizar material (download) para complementar as práticas educacionais e para inspirar outras práticas em sala de aula.

Por outro lado, o fato de os sites de museus serem muito pouco explorados como plataforma para aprendizagem também foi confirmado, além de os espaços de participação serem restritos aos e-mails para contato. Ironicamente, quando se pergunta como os usuários podem contribuir para a melhoria do site, as respostas têm por base a participação deles, seja sugerindo novos conteúdos ou ações, avaliando o trabalho ou participando nos interativos online, mas sempre direcionadas a um contato mais integrado com a equipe do museu.

É consensual, por parte dos educadores, a opinião sobre as potencialidades da rede em promover o acesso à informação para aqueles que não podem visitar os ambientes expositivos.

O uso das redes sociais é uma realidade confirmada em todas as fases desta pesquisa, inclusive pelas respostas dadas nos questionários, mesmo que ainda basicamente para a função de divulgação das atividades. A perspectiva de um maior uso da rede para fins educativos é tida como uma vontade dos educadores.

Citamos a seguir exemplo relatado por um educador de utilização da rede Facebook com fins educativos:

O curso Meninas com Ciência contou com um grupo fechado no Facebook, onde as cursistas, seus responsáveis, os docentes e os monitores compartilharam as experiências presenciais por meio de imagens e narrativas, assim como informações relevantes ao tema do curso provenientes de outros sites.

Práticas Educativas como essa podem ser consideradas como integrantes de uma cultura participativa. São usos inovadores para uma rede social que integram as atividades presenciais do museu com o ambiente virtual. O modelo de uma educação não formal só tem a contribuir para esse tipo de experiência, considerando que seu único compromisso é com uma profícua aprendizagem dos visitantes e usuários, deixando ao ensino formal toda uma série de burocracias e certificações.

Este outro educador resume:

É importante considerar as redes sociais como espaço de atuação dos museus, pois o público virtual não necessariamente visita a instituição, apesar de também interagir com os conteúdos que ela mobiliza. Seria uma maneira de expandir esses limites físicos e testar novos formatos para apresentação e discussão dos acervos e temáticas.

Nos museus participantes da pesquisa, nota-se a ausência de um verdadeiro intercâmbio entre os setores educativo e de comunicação, fato que prejudica o desenvolvimento de práticas educativas online. Contudo, são relatadas iniciativas no sentido de promover uma maior integração entre essas áreas. Algumas respostas mencionam a existência de ações pontuais e em épocas de planejamento institucional, mas sempre com muitas ressalvas sobre um trabalho integrado.

Em outras respostas, observa-se o reconhecimento da ausência de espaços direcionados para a participação dos estudantes e do público nos sites. Da mesma forma, existe o entendimento de que o ambiente virtual pode colaborar para uma aproximação com os jovens. Além disso, é admitida a contribuição que o uso dos sites vem proporcionando à relação com as escolas, sendo sugeridas outras ações que podem ampliar e nutrir a relação entre o corpo docente e o discente das escolas que se utilizam dos equipamentos museais.

A questão orçamentária e a de falta de recursos humanos são colocadas como os maiores limitadores para a ampliação do trabalho educacional no meio

virtual, apesar de outras questões serem apontadas, a exemplo de as direções dos museus não perceberem a importância do meio virtual. Além disso, os educadores afirmam estar preparados para um maior uso da rede para fins educativos, porém, quando perguntados sobre como o site poderia ser mais bem utilizado para finalidades educacionais com os professores, a maioria responde com uma prática já consolidada, que é a postagem de materiais didáticos, artigos e publicações. No entanto, foram observadas algumas respostas sugerindo o uso mais sistematizado do Espaço Educativo do site para cursos em plataformas específicas para a atividade.

Sobre um melhor aproveitamento dos ambientes virtuais pelos estudantes, os educadores sugerem uma adequação da linguagem, especialmente ao público jovem, o uso de jogos online e de atividades lúdicas. O reconhecimento da importância de atividades lúdicas é ressaltado. Ao mesmo tempo em que se observa uma compreensão por parte dos educadores de museus da importância de estarem sintonizados e serem participantes de uma cibercultura abrangente ao campo educacional, também se nota uma preocupação de que as condições de pessoal, estruturais e orçamentárias estejam dadas para o desempenho de uma nova missão, ou seja, registra-se certa tensão com relação a novas propostas educativas. Se fosse possível resumir em uma frase tudo o que foi expresso por esses profissionais, diríamos que há o anseio por um maior uso dos recursos da internet, mas também o conservadorismo presente nas falas.

Os questionários serviram notadamente para confirmar vários elementos que já havíamos observado na visitação virtual pelos ambientes (Etapa I), para direcionar o olhar sobre questões de âmbito interno das instituições e sobre o pensamento daqueles que atuam diretamente com as práticas educativas nos museus.