Apresentamos, a seguir, alguns dados do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), para que se possa entender as fraquezas e as potencialidades que o setor apresenta. Segundo o Guia dos Museus Brasileiros, do Ibram49, houve um
crescimento no número de instituições museais, que passaram de 3.118 em 2011 a 3.649 em 2015 (Ibram/2015). É importante considerar que atualmente é utilizada uma metodologia que permite às próprias instituições se autodeclararem museus, tendo como base o conceito de museu presente na Lei n° 11.904, de 200950.
Desse modo, cada instituição preenche o Cadastro Nacional de Museus e é inserida na plataforma online Registro BR, na qual é possível encontrar várias informações sobre os museus brasileiros, e como a plataforma está disponível na internet permite uma constante atualização das informações. Em 17 de março de 2017, o número de museus foi novamente atualizado, chegando a 3.749, e até a conclusão deste trabalho possivelmente o número de unidades terá crescido. Como o conceito de museu é bastante alargado, aceita-se que instituições com características e missões muito diferentes integrem o universo museal brasileiro. Levando-se em consideração as dimensões do país, as diferenças regionais e a população de mais 207 milhões de habitantes, o número de instituições ainda é escasso (Figura 4).
49 A página do Ibram está disponível em: <http://www.museus.gov.br/os-museus/museus-do-brasil/>. Acesso em: 24 abr.
2016. O Guia dos Museus Brasileiros, em: <http://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2011/05/gmb_norte.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2016.
50 "Art. 1°. Consideram-se museus, para os efeitos desta lei, as instituições sem fins lucrativos que conservam,
investigam, comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento."
Figura 4: Mapa com o número de museus em cada região brasileira
Fonte: Cadastro Nacional de Museus (CNM), Ibram/MinC, 2015.
Observa-se que as regiões consideradas mais desenvolvidas do país são as que possuem maior número de museus. Quando são contabilizados aqueles que dispõem de sites, essas diferenças regionais são mantidas, como demonstra a Tabela 1:
Tabela 1 - Número de museus que possuem sites em cada região do país
Regiões Percentual de museus brasileiros Número de museus brasileiros Percentual de museus brasileiros com site Número de museus brasileiros com site NORTE 4,69% 171 3,87% 74 NORDESTE 20,91% 763 17,49% 334 CENTRO-OESTE 7,48% 273 6,54% 125 SUL 27,38% 999 27,75% 530 SUDESTE 39,55% 1443 44,35% 847 Total 100,00% 3.649 100,00% 1.910
Fonte: Cadastro Nacional de Museus (CNM), Ibram/MinC, 2015.
Do total de museus brasileiros, menos de 50% dispõem dessa plataforma de comunicação, que é o site (Figura 5). É importante ponderarmos que nem todas essas instituições estão realmente disponíveis na rede, como demonstra a figura do Ibram abaixo, pois temos de considerar que há museus que estão em processo de implantação e alguns fechados para reformas ou enfrentando a falta de servidores
para mantê-los em funcionamento. Desse modo, de fato, o número de museus ativos que dispõem de página na internet é de 1.755 instituições.
Figura 5 - Representação gráfica de sites de museus brasileiros em
funcionamento
Fonte: Cadastro Nacional de Museus (CNM), Ibram/MinC, 2015.
Outro fator relevante se refere à temática muito eclética dos museus que possuem sites disponíveis, como pode ser observado na Figura 6.
Figura 6 - Representação gráfica de museus com sites e suas temáticas
Fonte: Cadastro Nacional de Museus (CNM), Ibram/MinC, 2015.
Com relação aos dados sobre ações educativas em instituições museais, o Cadastro Nacional de Museus (CNM/2010) aponta que aproximadamente a metade dos museus cadastrados (48,1%) possui um setor específico para ações educativas, 51,9% não possui um setor educativo. Isso significa que metade dos museus
nacionais não dispõe de um setor específico para a implementação de ações educativas. Muito provavelmente são poucos os que destinam uma dotação orçamentária específica para educação.
Para se entender melhor o contexto deste estudo, buscamos os dados de uma recente pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos equipamentos culturais brasileiros (2016)51, na qual se pode verificar que temos
muito o que avançar para uma plena inserção na rede. A pesquisa é fruto do trabalho do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.BR) e do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.BR). Teve abrangência nacional e foi desenvolvida entre novembro de 2016 e abril de 2017 no setor museal, com 99 museus participantes, distribuídos equitativamente pelas cinco regiões do território brasileiro.
Os dados desse levantamento apontam que:
▪ 69% dos museus pesquisados têm computadores e 81% os utilizam; ▪ 74% fazem uso da internet e 26% não a usam;
▪ apenas 35% dos museus pesquisados dispõem de websites; ▪ 49% têm uma presença em plataformas ou rede sociais online;
▪ 56% oferecem oficinas ou algum tipo de formação para o público, mas presencialmente;
▪ 6% oferecem oficinas ou algum tipo de formação para o público (presencial e a distância), porém não consta registro de museu que apresente formação apenas a distância;
▪ apenas 15% das instituições pesquisadas possuem área ou departamento de TI e 22% terceirizam os serviços de TI.
Quando se pensa em um melhor aproveitamento da rede para ampliar a função educativa dos museus, a pesquisa apresenta poucas informações, como, por exemplo, o fato de aproximadamente 56% dos museus possuírem algum serviço educativo presencial e apenas 6% oferecerem esse serviço de forma presencial e a distância, ou seja, é um número inexpressivo em um universo já restrito.
51 Dados disponíveis em: <http://cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-das-tecnologias-da-informacao-e-
Diante dessa realidade tão tímida de aproveitamento do ciberespaço para a promoção de práticas educativas online pelos museus, sentimos a necessidade de melhor entender o cenário dígito-cultural relacionado às instituições nacionais investigando como estão se constituindo suas propostas pedagógicas na web. No capítulo seguinte, apresentamos a metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho.