Conforme dados da pesquisa de campo, a população da comunidade está representada
da seguinte forma: 82 mulheres e 78 homens, perfazendo um total de 160 pessoas, constituindo 43 famílias, distribuídas com base em critérios calcados no parentesco. Na época desse levantamento, existiam 17 pessoas que moravam fora da comunidade, por isso, elas não entraram no somatório geral da população de Tinguizal.
A população residente na comunidade de Tinguizal está classificada, segundo seus moradores em crianças, jovens, adultos e os mais velhos.
Cerca de 36% são constituídos de crianças, que estão na faixa etária de 0 a 12 anos. A população jovem corresponde a 26%, na faixa etária de 15 a 24 anos, e o percentual é de 32% se for considerada a faixa etária de 15 a 29 anos; já a população adulta, de 30 a 60 anos, totaliza 20%. Somada a dos mais velhos com mais de 61 anos, corresponde a cerca de 24%, com um total de 38 pessoas. A soma total de jovens e adultos corresponde a 52% dos grupos etários que formam a chamada população potencialmente ativa. O grupo de crianças de até 5 anos é formado por 32 pessoas, na de idosos maiores de 61 anos, 6 pessoas.
Das 43 casas que compõem a comunidade de Tinguizal, todas foram visitadas, cabendo observar que a densidade nas unidades domésticas tende a baixar.
As unidades compostas de uma a duas pessoas correspondem a 35% do número de famílias, de 3 a 4 pessoas, 33%, de 5 a 6 pessoas, 25% de 7 a 8, somente uma família, equivalendo a 3%, e, com mais de nove membros, 4% do número de famílias.
A economia da comunidade de Tinguizal está baseada na agricultura de subsistência e
fabricação de farinha. Das 43 famílias visitadas, com exceção de duas, todas plantam milho, arroz, feijão e mandioca. Alguns possuem em seus quintais árvores frutíferas, como manga, laranja, limão, caju. Parte dos gêneros alimentícios produzidos é para o próprio consumo dos moradores, e uma outra porção é reservada para o próximo plantio. O excedente, quando existe, geralmente é trocado com os vizinhos ou vendidos na feira em Monte Alegre.
Dentre as atividades ligadas à pecuária, destacam-se: rebanho bovino de 174 cabeças, criadas por 18 famílias; os eqüinos, 37, criados por 15 famílias; os suínos, 8, criados por quatro famílias. Das 43 famílias, 32 criam galinhas, em média de 15 galinhas por família.
Das 43 famílias moradoras na comunidade, 37 vivem com renda mensal de até um salário mínimo. São 127 pessoas que sobrevivem com esse valor, mas apenas 66 trabalham. Cinco famílias recebem de um a dois salários mínimos, abrangendo um universo de 29 pessoas, e somente 14 trabalham. Apenas 1 família, com 4 membros em que três trabalham, possui renda mensal na faixa de 2 e 3 salários mínimos.
O levantamento desta pesquisa aponta um alto índice de famílias cujos rendimentos mensais não passam de um salário mínimo. Além da atividade agrícola, que remunera a maioria das famílias, na comunidade existem também projetos do governo federal, como distribuição de cestas básicas e a Bolsa Família. Esse último projeto é destinado a famílias que têm uma renda mensal per capita de até cem reais por pessoa. A pessoa responsável pela família deve atender a certos requisitos: manter em dia a vacinação das crianças, não deixar as crianças em idade escolar faltar às aulas, promover a alfabetização caso haja adulto analfabeto em casa, e em caso de gravidez, realizar os exames recomendados, tais como o pré-natal. O valor médio do benefício é de setenta e quatro reais e quarenta e três centavos recebidos por meio do cartão família15.
Na comunidade, onze pessoas (oito mulheres e três homens) são aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Ministério da Previdência Social e recebem um salário mínimo cada. Dessas onze pessoas, três são pensionistas (viúvas) e três são aposentados por invalidez. Uma vez por mês, geralmente nos primeiros cinco dias úteis do mês, todos os aposentados e pensionistas recebem seus rendimentos na agência dos correios em Monte Alegre.
Guardadas as devidas proporções e imprecisões, o levantamento possibilita traçar um
perfil médio do habitante da comunidade de Tinguizal, quanto à sua condição econômica, cuja renda mensal por habitação é inferior a um salário mínimo. Prevalece o uso e prática da agricultura de sobrevivência, com plantio, sobretudo, de mandioca, milho e criação de galinhas. Observa-se também que quase a totalidade dos responsáveis pelos domicílios não tiveram acesso à educação escolar. Mais da metade das pessoas da comunidade é analfabeta, porém, na faixa etária dos 13 aos 29 anos, essa proporção cai para 26% de analfabetos em razão da instalação de escola na comunidade nos últimos dezanos.
As mulheres na comunidade de Tinguizal são responsáveis por 32% dos domicílios. São catorze mulheres que vivem sozinhas sem ter a ajuda de um homem para a manutenção
15
do domicílio, o que pode ser explicado pela evasão de homens adultos da comunidade, em busca de trabalho em outras localidades, as chamadas migrações temporárias que, segundo Martins (1997, p.44) “deixam marcas permanentes”. Acerca desse tema, o autor faz a seguinte observação:
Com freqüência, na história das migrações temporárias, mulheres e crianças da família são mobilizadas como mão-de-obra para substituir o trabalhador ausente. [...] quase sempre o trabalhador migra temporariamente para assegurar a permanência de seu pequeno mundo camponês;migra para assegurar com ganhos extraordinários as carências econômicas que já não podem ser supridas pela própria unidade familar de produção – seja por deterioração das relações de troca, seja por declínio da fertilidade do solo ou da produtividade da força de trabalho (MARTINS, 1997 p.44).
Ainda, segundo o autor, a figura do pai ausente define sociologicamente a nova configuração familiar. “Ainda não sabemos a extensão dos efeitos dessa ausência na formação da personalidade básica dos imaturos e das novas gerações (MARTINS, 2003, p. 143)