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Figura 1. Mapa Área Kalunga

FOTE: Baiocchi, 2006

O Nordeste goiano é o espaço em que se desdobra o cotidiano de uma comunidade negra rural denominada Kalunga. Ela situa-se na microrregião da Chapada dos Veadeiros, ao nordeste do estado de Goiás. Localizada a 600 km de Goiânia e a 330 km de Brasília, DF, limita-se com os municípios de Arraias-TO, Monte Alegre de Goiás-GO, Teresina de Goiás- GO e Cavalcante-GO, a região compreende aproximadamente as seguintes coordenadas

geográficas: de 13º 20`a 13º 27` de latitude sul e de 47º 10`a 47º 20`de longitude oeste de Greenwich.

O território Kalunga possui uma área de aproximadamente 253.000 hectares e abrange

parte dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás.

A grande área Kalunga divide-se em cinco subáreas que Baiochi (2006) chamou de

núcleos principais ou municípios. São eles: Contenda e Kalunga Vão de Almas Vão de

Muleque e Ribeirão dos Negros. Essas grande subáreas ou municípios são divididos em inúmeras localidades: Tinguizal, Riachão, Sucuri, Saco Grande, Curral de Taboca, Boa Sorte, Bom Jardim, Areia, São Pedro, Faina, Olho Dágua, Caiçara, Tarumã, Saco, Mochila, Boa Vista, Lagoa, Volta do Couto, Terra Vermelha, Ema, Fazendinha, Maiadinha, Morro, Choco, Buriti Comprido, Córrego Fundo, Borracgudo, Guarah, Limoeoro, Caldas, Ouro Fino, Brejão, Ribeirão, Soledade, Funil, Porcos, Prata, Maquine e outras. É notória a relação dos nomes dessas localidades com as formações geológicas e hidrográficas e também com os animais, enfim, com a vida cotidiana rural desse povo.

Estima-se que apenas 30% dessa grande área sejam agricultáveis. A maior parte do território é composta por serras, o que torna difícil o acesso à região, marcada por grandes áreas entremeadas de extensões íngremes, veredas e muitos rios, e o principal é o Paranã, afluente do rio Tocantins (VELLOSO, 2007).

O clima caracteriza-se por um período chuvoso que abrange os meses de novembro a março. O período de estiagem ocorre entre os meses de junho e agosto, podendo ser considerados como de transição os meses de abril, maio, setembro e outubro (VELLOSO, 2007).

A rede hidrográfica pertence à bacia do Rio Tocantins, tendo como principais referências o Rio Paraná e os afluentes Prata, Bezerra, das Almas e Ribeirão dos Bois, que se destacam dos demais pela extensão e pelo volume de água. O Rio das Almas avoluma-se após receber os córregos Gameleira, Capivara, Maquine, Vargem Grande, Bananal, Escorregador, Moxila, Palmeira, Ave Maria e Terra Vermelha (BAIOCCHI, 2006).

O relevo é tipicamente ondulado e entrecortado por vales bastante profundos e de difícil acesso. As altitudes regionais são as mais elevadas do relevo goiano, entre 900 e 1.200 metros, nas chapadas e na cumeada das serras, incluindo o ponto culminante do estado de Goiás, que é o Morro Alto (VICENTE DE PAULA, 2003).

As vias de acesso às diferentes comunidades são escassas, conforme o agrupamento/localidade. Quando há intensas chuvas, muitos carros não conseguem subir as serras ou atravessar os diversos córregos que transbordam, inviabilizando o trânsito nas diversas localidades.

De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, a população Kalunga é formada por mais de três mil pessoas8 Dados mais recentes apontam que a comunidade quilombola, a maior do país, tem a população estimada em cerca de cinco mil habitantes, espalhados em uma área equivalente à da cidade de São Paulo. Atualmente são 958 famílias distribuídas em 884 domicílios situados em 62 povoados dos territórios dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás. 9

Mary Baiocchi, conforme relatos de vários moradores, dentre os quais Dona Procópia

e o ex-vereador Tico10, foi a primeira a realizar pesquisas entre os Kalunga. Informa Siqueira (2006) que o primeiro contato dela com o grupo ocorreu em 1967, quando a antropóloga coordenou projetos como coordenadora do Instituto de Antropologia da Universidade Católica de Goiás (UCG). Mais tarde, em 1982, ela voltou a pesquisar efetivamente na região coordenando o projeto Kalunga – povo da terra, com o apoio da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Em 1999, Mari Baiocchi, em seu livro intitulado Kalunga: povo da terra, dedicou-se a descrever o agrupamento Kalunga, apresentando suas características culturais, econômicas e históricas, apoiada em relatos orais, pesquisa de campo e documental.

Depois do trabalho de Baiocchi, outros pesquisadores também estudaram esse grupo.

Aldo Asevedo Soares (1993) – em sua dissertação de mestrado na área jurídica trata a questão da cidadania Kalunga. Ana Van Meegen Silva (1999) em dissertação de mestrado em Antropologia Cultural, descreve a identidade étnica do grupo Kalunga. Cleide Rodrigues Amorim (2002) na tese de doutorado em Antropologia Social, analisa as influências sociais e identitárias causadas pelos processos de tombamento da área kalunga como sítio histórico e a conseqüente interação com outros segmentos da sociedade envolvente nesse grupo. Marise Vicente de Paula (2003) em dissertação de mestrado em Geografia realiza um estudo a respeito do isolamento ante a intensa mobilidade espacial apresentada pelos moradores da

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Informações disponíveis em http:// www.kalunga.com.br 9

Jornal Diário da Manhã, Goiânia, 30 de julho de 2008. 10

Tico – é o apelido de Manoel Edeltrudes Moreira, Presidente da Associação dos Kalunga e ex -vereador em Monte Alegre-Go.

comunidade Kalunga de Engenho. Alessandra D`Aqui Velloso (2007) em dissertação de mestrado em Gestão Ambiental e Territorial, realiza uma análise do processo histórico- espacial recente da comunidade quilombola Kalunga de Engenho II. Thaís Teixeira de Siqueira (2006), em dissertação de mestrado em Antropologia Social analisa os contextos festivos e musicais da comunidade Kalunga. Rosolindo Villa Real (1997), em dissertação de mestrado em educação, analisa o currículo da escola Kalunga.