L’ORDRE D’UN MONDE
2. LA RÉPUTATION POUR SEULE RICHESSE
Venture Capital
Venture Capital é um tipo específico de financiamento
provido por companhias gestoras independentes que intermediam recursos para investir em ações de novas empresas com alto potencial de crescimento ainda não listadas na bolsa (GOMPERS; LERNER, 1999; OECD, 1996; KENNEY, 2011; AVNIMELECH; TEUBAL, 2006). É um tipo de investimento que busca balancear o risco e o potencial de retorno, assumindo papel muito claro em relação a outras modalidades, como observado na figura abaixo.
Figura 7 - Modalidades de Investimento, risco e vendas ao longo do ciclo de vida de EI
As principais características e peculiaridades do VC (GOMPERS; LERNER, 1999; OECD, 1996; SAMILA; SORENSON, 2009; WONGLIMPIYARAT, 2006; MEIRELLES, 2008, LEBHERZ, 2010) são:
• Investimento temporário (de 2 a 7 anos) que oferece um prazo razoável para a empresa crescer, mas visa se encerrar num prazo determinado.
• Foco em pequenas e novas empresas inovadoras de base e no investimento interno às empresas, visando a superação dos desafios do negócio.
• Risco – por se tratar de um investimento em um negócio composto por variáveis imprevisíveis, tais como perfil do empreendedor, maturidade ecológica e potencial de mercado, o processo de VC sempre carrega um alto nível de incerteza e risco.
• Alto Retorno na forma de ganhos de capital – investimento na empresa para prover o seu crescimento e valorização visando obter ganhos futuros na saída do investimento que ocorre normalmente pela venda a um cliente estratégico ou pela abertura de capital. Reinvestimento dos lucros ao longo da operação, visando valorizar o EI.
• Parceria e suporte na gestão – o VC frequentemente é denominado de “smart money” devido à característica fundamental de sempre constituir um aporte de capital acompanhado de um conjunto de atividades de suporte que configura uma verdadeira publicidade entre investidor e investido.
• Investidores são normalmente instituições financeiras, fundos de pensão ou outras entidades procurando diversificar portfólios (limited partners), mas também podem ser indivíduos (businnes angel), grandes companhias (corpotare venture).
• O gestor do VC (general partner) normalmente é formado por profissionais de grande experiência no mercado e tecnologia dos EI investidos e recebe uma taxa fixa para administrar o fundo e um percentual dos ganhos e retornos finais da operação. Cabe ao gestor de VC identificar oportunidades atraentes, avaliar o negócio e depois fazer o monitoramento e aconselhamento.
Para se compreender o conceito do VC e como evoluiu ao longo dos anos como uma indústria cada vez mais conectada aos Ecos, é importante conhecer alguns elementos principais do histórico deste tipo de investimento (KENNEY, 2011; AVNIMELECH; KENNEY; TEUBAL, 2004; GOMPERS; LERNER, 1999; KENNEY, 2011):
• Em 1939 Lammont du Pont (então presidente da Du Pont) usou pela primeira vez o termo “Venture Capital”, que passou a se espalhar pelos meios acadêmicos de Boston e apoiado pelo Wall Street Journal e Investment
Bankers Association;
• Após a segunda Guerra Mundial, os conceitos e métodos do VC passaram a ser estudados e difundidos especialmente por profissionais e pesquisadores vinculados ao MIT, Harvard e Federal Reserve Bank de Boston;
• Presidente Franklin Roosevelt encomenda estudo para analisar como a ciência e tecnologia poderiam contribuir com o crescimento da economia. Além disso, a indústria é muito estimulada neste período pelos interesses e investimentos em novas tecnologias militares devido à Guerra Fria;
• Em 1946 é criada a ARD – American Research and
Development – com a liderança de Georges Doriot (ex Dean da Harvard Business School) e Karl Compton (ex President do MIT), para investir em EI. O principal caso
de sucesso da ARD, que serviu de referência para esta indústria, foi o investimento, em 1958, de U$ 70 mil num
spin-off do MIT, a DEC – Digital Equipment Corporation,
que cresceu exponencialmente e chegou a um valor de U$ 400 milhões em 1970;
• O modelo se espalha pelos EUA e encontra campo fértil no SV, especialmente em função da criação do Stanford
Research Park. Em 1959 surge o primeiro caso de VC
atuando com Limited Partners (Instituições financeiras), modelo que representou um grande salto para o setor e passou a ser o padrão dominante. Apenas 6 anos depois, quando o SV já despontava como destino para VC, é formada a primeira parceria com Limited Partner em Boston;
• Em 1972 Eugene Kleiner, após investir na Intel, convida o ex dirigente da HP Tom Perkins para a Kleiner Perkins Caufield e Byers (KPCB) uma das mais renomadas e bem sucedidas empresas de VC dos EUA, tendo investido em gigantes como Google, Amazon, Genetec, Eletronic Arts, Sun, Flextronics e AOL;
• A indústria cresce consistentemente ao longo de décadas e atinge o ápice no final da década de 90, quando ocorre a “Bolha da Internet”, caracterizada por grandes investimentos (U$ 100 bilhões em no ano 2000) e perdas em empresas com modelos de negócio frágeis;
• Nos últimos 5 anos, o investimento de VC nos EUA, que respondem por cerca de 2/3 dos aportes mundiais, se estabilizou em torno dos U$ 25 bilhões.
Observa-se pelo histórico do mais importante caso de VC do mundo alguns elementos essenciais para compreender a relação da InVC com os Ecos: o VC nos EUA nasceu a partir de ambientes tipicamente relacionados a Eco, tais como universidades, e parques tecnológicos; os profissionais que lideraram o processo foram oriundos de empresas ou universidades, todos com grande foco e experiência em inovação; os volumes de investimentos no EUA são imensos, demonstrando a convicção e cultura da economia em estimular e acreditar no empreendedorismo inovador.
A relevância e exuberância do setor de VC americano levaram muitos países a tentar replicar o fenômeno, o que levou pesquisadores a buscar compreender, analisar e estruturar o processo na forma de uma nova indústria, no sentido econômico do termo. Ramalho et al (2011) caracteriza que a InVC é composta por quatro participantes: organizações gestoras de VC (que administram os recursos e o processo de VC), veículos de investimentos (fundos estruturados segundo a legislação local), investidores (pessoas físicas, pessoas jurídicas, grupos financeiros, fundos de pensão, etc.) e empresas investidas. Avnimelech e Teubal (2006) acrescentam que uma nova indústria é uma “instituição social” e que a InVC é um tipo particular de “sistema setorial de inovação” normalmente inserido no sistema nacional de um país e orientado para suprir um tipo particular de produto/serviço, no caso o capital. Uma nova
indústria envolve um conjunto de companhias que a compõe, seus clientes, fornecedores e todo um conjunto de atores e relacionamentos que visam promover a especialização, a divisão do trabalho e o crescimento econômico. A relevância e capacidade de gerar economias de escala e de escopo também são fatores que determinam a caracterização de uma nova indústria. Uma vez que as empresas desta indústria crescem, se expandem e eventualmente se concentram geograficamente numa determinada região acaba-se gerando um cluster.
Desta forma, pode-se afirmar que a InVC é um sistema que engloba, minimamente: um processo central de VC que aplicar investimentos numa empresa por meio de um veículo de investimento e viabilizado por atores tais como gestores, investidores, fornecedores e órgãos reguladores.
Estes diversos fatores e características são fundamentais para se compreender a InVC e seu relacionamento com os Ecos uma vez que só faz sentido analisar esta relação na medida que se tem efetivamente conceito de indústria. Em outras palavras, se numa região ou país existe somente uma companhia de VC atuando isoladamente no Eco será muito difícil identificar relações relevantes. Desta forma, a pergunta de pesquisa ressalta exatamente a importância de tratar o segmento de VC como uma indústria que de fato atua sobre a indústria de EI ou
startups de base tecnológica, na maioria das vezes no contexto
de um Eco.
A literatura analisada ressalta claramente as características de algumas InVC já estabelecidas pelo trabalho indutor ou pelo crescimento espontâneo ao longo de décadas, como é o caso dos EUA (KENNEY, 2011; GOMPERS; LERNER, 1999), e de InVC que surgiram mais recentemente como consequência de políticas públicas planejadas e deliberadas, como é o caso de Israel (AVNIMELECH; TEUBAL, 2006; SENOR; SINGER, 2009).
O caso de Israel constitui uma experiência extremamente aplicável à situação brasileira seja pelo fato de terem iniciado “do zero”, seja pelo trabalho realizado em paralelo com um esforço para estabelecimento de Eco no país.
Avnimelech e Teubal (2002 e 2006) realizaram um trabalho de pesquisa intenso acerca da InVC de Israel, depois estendido e comparado à InVC dos EUA. Os autores adotaram um modelo de caracterização e análise da InVC, denominado de Modelo Evolucionário, composto por 5 fases:
• Fase Background – contemplando as capacidades, ativos, experiências e outros elementos que podem facilitar a evolução da InVC;
• Fase Pré-emergência – envolvendo a estruturação das primeiras iniciativas;
• Fase Emergente – quando a InVC começa efetivamente a operar como indústria;
• Fase Crise e Reestruturação – considerada inevitável devido à extrema sensibilidade desta indústria não somente devido a fatores locais/regionais, mas também nacionais e mundiais (ex. bolha da internet, crise financeira);
• Fase de Consolidação – em que, caso sobreviva à crise, a InVC se reinventa e estabelece novos padrões mais sólidos e resistentes;
Como era de se esperar, o resultado indicou semelhanças impressionantes entre os casos, tal como o papel do setor militar e das universidades de ponta, bem como diferenças gritantes, tal como o papel chave dos imigrantes para a InVC em Israel (americanos e europeus trazendo recursos para investir e russos trazendo conhecimento e tecnologia). Mais importante, no entanto, é a detecção de padrões para planejamento e análise comparativa das características de uma indústria seja onde ela estiver.
Ainda na linha de entender como e porque desenvolver uma InVC, a OECD (1996) relaciona 4 grandes frentes de política pública:
• Criar um ambiente favorável ao investimento – com instrumentos legais, fiscais e financeiros para estimular e encorajar o engajamento de gestoras de VC, instituições financeiras, fundos de pensão e angels;
• Reduzir o risco para os investidores – articulando programas de subvenção, incentivos fiscais, instrumentos de seed capital, cobertura parcial de perdas e investimento em P&D.
• Aumentado a liquidez – estruturando instrumentos para facilitar a “saída”/desinvestimento dos fundos, criando mercados de ação secundários e favorecendo as operações com compradores estratégicos;
• Facilitando o empreendedorismo – por meio de programas de apoio a startups de alta tecnologia, redes de investidores anjo e estruturas de suporte e aconselhamento a EI.
Finalizando, ressalta-se que o conceito de “indústria de VC” envolve os mesmos desafios e complexidades identificados em outros setores, contemplando desde cuidados com a “microeconomia”, na forma de esforços para melhoria de eficiência e eficácia operacional, até movimentos no âmbito “macroeconômico”, representados pela concepção e implementação de políticas públicas de estímulo e suporte ao fortalecimento da indústria.
2.3.2 Papel do Venture Capital junto a Empresa Inovadora