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LE COMMERCE FAIT-IL L’ARTISTE ?

CE DONT ON FAIT COMMERCE

1. LE COMMERCE FAIT-IL L’ARTISTE ?

Quando o recurso econômico básico de uma sociedade se altera e as formas sociais e tecnológicas de organização, que esse recurso pressupõe, passam a permear todas as esferas das atividades humanas, tendo início no âmbito econômico ou militar e alcançando os objetos e hábitos da vida cotidiana, faz sentido alterar a nomenclatura da sociedade vigente (DRUCKER, 2001; CASTELLS, 2009). Logo, o desenvolvimento de cada época da civilização não se limita apenas a novas ferramentas ou produtos, mas às alterações do comportamento de uma sociedade como um todo (KENSKI, 2007).

Para classificar o período atual, diferentes autores (DRUCKER, 2001; HARGREAVES, 2003; POZO, 2004; BEHAR, 2009; CASTELLS, 2009; COLL; MONEREO; 2010) utilizam-se de termos diversos. Expressões como "Sociedade da Informação"16 e "Sociedade do Conhecimento" são comuns para designar o momento em que se vive hoje. E há, nessas definições, conceitos que sobrepõem. Por isso, faz-se importante elucidar a diferença entre o que é informação e o que é conhecimento. Para Radfahrer (2000), quando um dado torna-se relevante, ele transforma-se em informação e quando a informação articula com a experiência pessoal e passa a fazer parte dela, tem-se o conhecimento. Nonaka e Takeuchi (1997, p. 63) definem o conhecimento a partir da conceituação de Platão (Século IV a.C) como uma "crença verdadeira justificada", o que quer dizer que consideram o conhecimento como um processo "humano dinâmico de justificar a crença pessoal com relação a 'verdade'". Já a informação, para os autores, pode ser conceituada como aquilo que proporciona "um novo ponto de vista para a interpretação de eventos ou objetos, o que torna visíveis significados antes invisíveis ou lança luz sobre conexões inesperadas" (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 63). Em resumo, os autores tratam a informação como "um meio ou material necessário para

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Castells (2009, p. 65) afirma que a expressão "Sociedade da Informação" é um termo que se fundamenta atualmente porque é uma tentativa de apreender as especificidades de um momento em que o papel da informação é enfatizado na sociedade, ou seja, um momento em que tal atributo interfere na "forma específica de organização social em que a geração, o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico".

extrair e construir o conhecimento", ou seja, como algo que afeta o conhecimento, podendo acrescentá-lo ou reestruturá-lo. Em outras palavras, a informação é "um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado por esse próprio fluxo de informação, ancorado nas crenças e nos compromissos de seu detentor" (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 64). Para Moran et al. (2000, p. 18), o conhecimento é resultado do processamento de informações. As informações, por sua vez, são a base de subsistência do conhecimento, ou seja, "o primeiro passo para conhecer" (MORAN et al., 2000, p. 24) e têm como características o fato de que são acessadas por meio de processos de interação, de troca e de comunicação e que podem ser processadas de várias formas (sequencial, hipertextual ou ainda multimidiática). Com base nesses autores, observa-se que todas essas definições enfatizam o conhecimento como algo essencialmente relacionado com a ação humana e que só pode ser constituído com base em informações.

Considerando o exposto e retomando a discussão, Bernett e Varvakis (2010) descrevem haver, neste século, uma passagem da era da informação para a era do conhecimento. Para Drucker (2001), é o conhecimento que está rapidamente se transformando no principal fator de produção, deixando de lado o capital e a mão de obra. E disso, pode- se depreender que a chamada Sociedade do Conhecimento é marcada pela crescente instrumentalização desse importante ativo. Na Sociedade Industrial, por exemplo, o conhecimento em si não era valor de troca, mas eram as mercadorias e os produtos que o incorporavam. Com o tempo, o conhecimento tem se transformado no principal fator de produção, na principal fonte de valor e de lucro. Para Drucker (2001), o termo Sociedade do Conhecimento define, então, a sociedade para a qual se está a caminhar muito rapidamente na qual o saber será o recurso-chave. Considerando o exposto e como forma de definir o ponto de discussão deste estudo, adota-se como contrapontos as características da Sociedade Industrial em oposição a uma sociedade que atualmente caminha para o que se denomina Sociedade do Conhecimento.

A Sociedade Industrial foi pautada pela necessidade de previsibilidade, por tarefas manuais, por espaços institucionais e organizacionais hierarquicamente claros e por valores como controle, pontualidade e obediência. Segundo Castells (2009), nesse período, predominaram os modelos de produção e consumo em massa, que fundamentavam processos mecanizados e padronizados com base em linhas de montagem, em princípios de integração vertical e de divisão

do trabalho. De acordo com o referido autor, tais princípios encontram- se inseridos no que se denomina "fordismo" e "organização do trabalho". Nesses sistemas, são introduzidos os conceitos de padronização e racionalização, dos quais resulta a diminuição da mão de obra qualificada. São também inseridos os conceitos de fluxos contínuos da produção, por força do qual, as funções dos operários são “subdivididas e reduzidas aos seus elementos essenciais, permitindo a extrema especialização de tarefas simples e monótonas que podiam ser repetidas incessantemente e com grande rapidez” (DENIS, 2000, p. 103), o que exige do operário um ritmo constante e estático de trabalho, razão da desqualificação (DEMARCHI; FORNASIER; MARTINS, 2011).

Segundo Nonaka e Takeuchi (1997), esse tipo de estrutura mostrou-se, com o tempo, menos funcional em períodos de incertezas e mudanças rápidas, trazendo resistência e tensões intraorganizacionais, falta de responsabilidade pelas ações e, consequentemente, prejudicando a motivação dos membros da organização. O sistema de produção em massa passou a ser muito rígido e dispendioso e começou a não atender as características de uma nova economia que se formava (CASTELLS, 2009). De acordo com Castells (2009), diversos foram os sistemas e modelos propostos a partir desse momento. Entre os aspectos comuns dessas novas alternativas, têm-se:

 os sistemas on demand (sob demanda ou seja, mediante pedido), just in time (produtos certos no tempo certo e no volume certo) e just enough (o suficientemente necessário), de modo que mesmo os desejos específicos dos grupos menores de compradores sejam atendidos;  o envolvimento dos trabalhadores no processo produtivo

por meio de trabalho em equipe, iniciativa descentralizada, maior autonomia para a tomada de decisão, recompensa pelo desempenho e hierarquia administrativa horizontal;

 a mão de obra multifuncional, na qual os colaboradores são qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa; e

 o uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo.

Observa-se que são opções que voltam seu olhar às flexibilizações, ao caso a caso, à personalização de um mercado que não pode mais ser tratado como uma massa homogênea, mas que transforma-se continuadamente e, inclusive, passa a ser mais exigente e seletivo. Nessa perspectiva, enquadram-se os sistemas on demand, just

in time e just enough. Tal flexibilidade imprime mais responsabilidade

para quem produz e portanto, mais autonomia para todos os envolvidos no processo de produção e uma necessidade de menos hierarquia e mais horizontalidade entre cargos e funções, que, por sua vez, passam a ser mais complexos e exigem, portanto, novas maneiras de acompanhamento e controle. De acordo com Castells (2009), entre as tendências mais abrangentes de evolução organizacional provocadas pelas transformações que dão origem à Sociedade do Conhecimento, estão a transição da produção em massa para a produção flexível e da produção de bens tangíveis (típicos da Era Industrial) para a geração, gestão, suporte e transmissão de conhecimento.

A Sociedade do Conhecimento surge com o início da era da informação pautada pelo surgimento das tecnologias digitais e pode ser caracterizada por noções de tempo e espaço mais flexíveis que a sociedade anterior. Nesse novo período, fomenta-se a agilidade, a autonomia, o espaço sem hierarquia, colaborativo, em que a criatividade, a iniciativa, a mudança e o improviso passam a ser valores presentes nos mais diferentes espaços sociais (CASTRO, 2009). Assim, nesse lugar em que grande volume de informações é veiculado livremente por diversos meios, as organizações são levadas "a refletir sobre que estratégias devem ser adotadas para continuar sobrevivendo com sucesso no mundo competitivo no qual a informação e o conhecimento são os bens de maior valor" (ROSSETTI et al., 2008, p. 61). Como já citado, inúmeros modelos foram propostos para esse novo cenário, Nonaka e Takeuchi (1997, p. 187) concluem que, em todos eles, há algumas características que lhes são comuns: (1) horizontalidade no lugar da hierarquia; (2) estrutura dinâmica e não estática; (3) aumento da responsabilidade pelas ações; (4) ênfase na importância de competências - tecnologias e habilidades únicas; e (5) reconhecimento do conhecimento como um dos ativos que mais possibilitam alavancagem de uma organização.

Drucker (2001) também faz algumas reflexões sobre essa nova conjuntura e expõe que, essa sociedade, ainda emergente, faz-se constituída por "trabalhadores do conhecimento" dos quais se exige: uma boa quantidade de educação formal, a habilidade de adquirir e

aplicar conhecimentos, tanto teóricos quanto analíticos, e, acima de tudo, o hábito do aprendizado contínuo. Para o referido autor, a primeira implicação dessa nova conjuntura social é que a educação torna-se essencial. Assim, tais transformações começam a interferir, de modo muito particular, nas concepções educacionais. De acordo com Behar (2009), nessa nova sociedade, abre-se um espaço pedagógico no qual se valoriza:

 o desenvolvimento das competências e habilidades;  o respeito ao ritmo individual;

 a formação de comunidades de aprendizagem e de redes de convivência;

 o espaço heterárquico (organização social

descentralizada, em que todos são iguais, o oposto da hierarquia que é um sistema centralizado e vertical), pautado pela cooperação, pelo respeito mútuo, pela solidariedade e por atividades centradas no aprendiz e na solução de problemas.

O enfoque educacional, portanto, amplia-se e passa a privilegiar a capacitação, a formação continuada (ou seja, a contínua, voluntária e automotivada busca pelo conhecimento tanto pessoal quanto profissional), a educação por toda a vida (expressão muito utilizada a partir do termo em inglês lifelong learning17) e a educação aberta18 e

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O termo educação por toda a vida, ou educação permanente, ou ainda o termo em inglês lifelong learning, de acordo com Peters (2006, p. 191), denomina todo um conjunto de conceitos, no qual se localizam ideias-alvo e estratégias defendidas por diferentes instituições internacionais, que, de modo geral, têm como objetivo fazer com que o ensino não fique mais restrito à infância, à juventude e às respectivas instituições, mas que a educação escolar, a educação profissional e a formação complementar sejam distribuídas ao longo do ciclo da vida (PETERS, 2006).

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O termo educação aberta, ou ensino aberto ou ainda aprendizagem aberta refere-se, de acordo com Peters (2004, p.179), em termos gerais, à "aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes em princípio acessível para qualquer pessoa", de modo que barreiras educacionais, tais como custo ou ambiente sociocultural desfavorável não existam. Esse tipo de educação também tem como característica o fato de não estar condicionada a determinados ciclos de vida ou locais ou períodos fixos, portanto, tem de estar disponível em toda parte em qualquer época (princípio do ensino permanente e ubíquo). Além disso, não devem existir pré-definições de currículo, sequência de estudo, situações

colaborativa. Como consequência disso tudo, tem-se o crescimento, de forma expressiva e relevante, da Educação a Distância (BEHAR, 2009, p. 20-21). A EAD é uma das temáticas chave deste estudo e sobre esse assunto trata o tópico a seguir.