• Aucun résultat trouvé

A cidade do Porto tem cerca de 230.000 habitantes, o contributo da Divisão Municipal de Parques Urbanos para a capitação dos espaços verdes no Município do Porto é de 6 m2 de área verde por habitante. Incluindo os bairros municipais, a contribuição é de 9 m2 de área verde por habitante. O Município do Porto tem como capitação, cerca de 16 m2.

Os parques urbanos são criados com base em algumas ideias fundamentais que devem englobar áreas extensas, dar importância à árvore e ter como função principal, o recreio. O respeito pela paisagem envolvente, a estabilidade de construção considerando custos de conservação e instalação, encaminham o conceito de parque à realização de uma paisagem natural (Cabral e Telles 2005).

Material e Métodos

A área abrangida pelos Parques Urbanos, Parque Oriental, Parque da Cidade (ocidental), jardins do Palácio de Cristal, Parque de S. Roque, Parque da Pasteleira, Jardim das Virtudes e Quinta do Covêlo é de cerca de 112 hectares. Os Bairros Municipais integram cerca de 80 hectares de espaços verdes.

O coberto vegetal dos parques urbanos é maioritariamente em prados de regadio, recorrendo a sistemas de rega automáticos e manuais, os cemitérios têm exclusivamente coberto vegetal em prado de sequeiro, contudo, sujeito a algumas regas anuais. As herbáceas e arbustivas não apresentam áreas destacáveis, o arvoredo existente não está inventariado. Sobre os bairros municipais, apresentou-se a sua descrição no ponto 3.2.

Quinta do Covêlo

A Quinta do Côvelo é vedada em toda a sua extensão de 4.2 ha. A tipologia deste espaço é bastante distinta, a área de mata e a área de atividades infantis, onde antigamente existiam estufas e se produziam plantas para abastecer os jardins de toda a cidade do Porto. A mata é constituída na sua maioria, por vegetação espontânea, sendo os sobreiros e os carvalhos as espécies arbóreas dominantes (Figura 20).

A zona de mata está perfeitamente delimitada da zona de atividades por um arruamento interno em cubos de granito. A zona de atividades inclui um parque infantil com cerca de 2 anos de utilização, sendo o coberto vegetal maioria em prado de regadio. Há também uma horta pedagógica explorada pelo centro de educação ambiental, gerido pela Divisão de Gestão Ambiental. A zona que requer mais cuidados diz respeito à mata, altamente sujeita a vandalismo e propicia a incêndios. Uma das práticas recorrentes é a recolha de resíduos sólidos urbanos, bem como o corte de matos.

A área de parque infantil é muito frequentada por famílias com crianças. Existem vários equipamentos de divertimento recentes, e sendo uma zona vedada, torna-se apetecível por transmitir segurança aos seus utilizadores. A esta área estão afetos 2 colaboradores a tempo inteiro.

Jardim das Virtudes

No coração da cidade do Porto, o Jardim das Virtudes, com 1.5 ha, é o parque urbano menos conhecido e com utilização mais controlada (Figura 21). Quem o conhece, gostaria de poder usufruir muito mais dele. O coberto vegetal é em prado de regadio, com sistema de rega automático.

As árvores existentes são maioritariamente magnolias e camélias. Existem algumas espécies arbustivas que servem de barreira anti-queda a alguns patamares. A grande dificuldade de manutenção a este espaço, tem que ver com a sua estrutura. A ligação entre patamares é através de escadas, o que dificulta o acesso a máquinas e equipamentos. A base de sustentação dos patamares é em muros de pedra, mas a área do espaço, é situada numa linha de água, logo, propícia a derrocadas com alguma frequência, normalmente no período invernal, aquando de chuvas rigorosas.

Além desta tendência a derrocadas, os patamares têm poucas barreiras anti-queda, situando-se apenas nas zonas de maior cota. Contudo, a aplicação de novas barreiras, iria criar um impacto visual não desejável, implicando a reestruturação de alguns muros de sustentação, com os custos daí resultantes.

Na prática, os utentes têm um horário restrito de utilização, com um vigilante permanente no local, não sendo autorizados eventos ou visitas de grupos. Pretende-se aplicar rampas de acesso a máquinas e equipamentos, atualmente em estudo pela equipa de projetistas.

Figura 21. Planta Parque das Virtudes.

Parque da Pasteleira

Com uma área de 7.2 ha, o Parque da Pasteleira, a seguir ao Parque da Cidade, é o parque que apresenta condições mais desejáveis aos seus visitantes. A equipa integra 2 colaboradores a tempo inteiro, com intervenções pontuais da equipa afeta ao Palácio de Cristal.

O projeto de construção é relativamente recente, tem um pequeno parque infantil e é atravessado por uma ciclovia (Figura 22). O coberto vegetal é em prado de regadio, com sistema de rega automático, abastecido por um lago. As mantas arbóreas são maioritariamente de pinhal. A manutenção do espaço é simples, pois as grandes áreas planas permitem que as ceifas sejam realizadas com recurso a máquinas com boa área de corte e com acessórios recicladores dos resíduos.

Existe no parque, um centro de educação ambiental, gerido pela Divisão de Gestão Ambiental. Assim como a Quinta do Côvelo, não pelos mesmos motivos, é um parque sujeito a vandalismo e frequentado por indivíduos errantes. A Quinta do Côvelo, deve o seu vandalismo à zona de mata de difícil vigilância, o Parque da Pasteleira, tem nas suas proximidades, Bairros sociais onde se pratica tráfico de estupefacientes. Este último tem vigilância 24 horas, a Quinta do Côvelo, tem vigilância noturna com recurso a piquetes por turno.

Este parque tem instalações para restauração mas que nunca foram concessionadas. Presentemente, foram atribuídas à Junta de Freguesia local para melhor desenvolver o edifício. No futuro, a linha do Metro, poderá atravessar as infraestruturas do espaço.

Figura 22. Planta do Parque da Pasteleira.

Parque de S. Roque

O Parque de S. Roque tem uma área aproximada de 5.4 ha. A maior parte da sua extensão é em bosque, com pinheiros e eucaliptos. A pouca área de coberto vegetal em prado de sequeiro é regada manualmente. Existe um jardim formal formado por sebes de buxo em forma de labirinto.

O parque é vedado em toda a sua extensão por muros de pedra que não permitem acesso fácil ao seu interior. Prevê-se ampliação do Parque de S. Roque no curto prazo, com grandes obras de reestruturação, nomeadamente, construção de área de restauração e armazém de abrigo aos colaboradores, máquinas e equipamentos.

A manutenção não requer nenhuma prática de relevante dificuldade. Neste parque colaboram 3 jardineiros a tempo inteiro. Há um lago de pequena capacidade, relativo ao qual está ser desenvolvido um estudo sobre biodiversidade de anfíbios, sob a gestão da Divisão de Gestão Ambiental.

Parque de Oriental

Na parte oriental da cidade, zona da Campanhã, surge o Parque Oriental com cerca de 8 ha de espaços verdes efetivos. Para este parque existe um projeto de abrangência equivalente ao Parque da Cidade, tendo por objetivo abranger os 90 ha de parque urbano.

A área é dividida pelo rio Tinto, onde uma das margens mostra pequenas hortas, às quais ainda se adia o desmantelamento por uso abusivo. O parque foi concluído em 2010, sendo, constituído por um pequeno bosque, áreas de prado de sequeiro e prado florido. O bosque tem como espécie destacável os sobreiros. O arvoredo deste parque, exceto na área de bosque, é muito jovem, as dificuldades são ainda a sua sobrevivência aos atos de vandalismo frequentes.

Neste parque trabalham 4 operadores a tempo inteiro. As regas dos prados são feitas exclusivamente de forma manual. Estão contudo a decorrer estudos para a possível execução de um sistema de rega, com abastecimento pela estação de tratamentos de água a cerca de 3 km.

Palácio de Cristal

O Palácio de Cristal é um parque muito emblemático. Tem 9.7 ha, sendo conhecido pela sua história, pelos seus jardins, localização e grandes eventos associados.

Neste parque há uma grande estrutura ligada ao desporto, concertos e feiras - o pavilhão Rosa Mota. Existe um parque infantil, uma biblioteca, um restaurante, uma capela, um palco exterior, conhecido como concha acústica, entre outros interessantes espaços a visitar (Figura 23).

Figura 23. Planta Palácio Cristal.

O coberto vegetal de relva e prado de regadio é irrigado através de sistema de rega automático. O arvoredo é bastante diversificado, entre a conhecida Avenida das Tílias, carvalhos, castanheiros da índia, alguns exemplares, são classificados.

Há jardins da época do romântico onde se inclui um roseiral, várias sebes de buxo, fontes e estátuas, que muito despertam a atenção dos seus visitantes. A este espaço,

estão afetos 8 colaboradores a tempo inteiro que também realizam a manutenção do parque das virtudes. Este número elevado de colaboradores é justificado pelo número de canteiros existentes, tanto de plantas anuais como de arbustivas.

Além das exigências ao nível de manutenção, o parque é muito requisitado para visitas guiadas e eventos, havendo necessidade de atenção redobrada nas limpezas e pequenas requalificações.

Parque da Cidade

O Parque da Cidade do Porto, com 76.1 ha, ainda é o maior parque urbano do país. A obra foi distinguida pela Ordem dos Engenheiros como uma das “100 obras de Engenharia Civil do século XX” em Portugal (Figura 24). O conceito do Parque é concebido em torno de uma ideia naturalizada de todo o espaço onde se criaram zonas de vegetação densa, que permitem o abrigo e o aumento da biodiversidade, com habitas com cogumelos, aves, anfíbios e roedores. A proliferação destas espécies deve ser espontânea, onde se pretende apenas proporcionar o ambiente adequado com esconderijos e abrigos.

Os primeiros planos para implantação de um vasto espaço de reserva, remontam o ano de 1961 Em 1981 iniciam-se os primeiros estudos de integração do parque. O projeto da primeira fase ficou concluído em 1994, disponibilizando cerca de 45 ha. Em 1998 atingiu a sua área inicialmente prevista.

As entradas principais localizam-se nas duas zonas de maior cota sobre o vale. Os limites são bem definidos entre Avenida da Boavista, Estrada da Circunvalação, o mar e a rua da Vilarinha, que são ótimos acessos aos visitantes. Existe uma vasta rede de caminhos, sendo a construção mais formal de todo o espaço e que abrange cerca de 8 km. Onde a onde, surgem áreas de “estadia” com bancos ou resultado de pequenas clareiras. A criação destas estadias, tem por objetivo o aumento da capacidade de carga de utilização do Parque, que é ultrapassada quando se perde a privacidade ou sossego de cada utilizador aquando da sua visita (Pardal, 2006).

Este Parque alberga várias edificações, o “Núcleo rural” - zona de reconstrução de pequenos albergues agrícolas, utilizados para fins comerciais e o Centro de Educação Ambiental; o Pavilhão da Água, explorado pelas Águas do Porto; o edifício administrativo do Departamento de Espaços Verdes e Higiene Pública; um pavilhão desportivo, ainda em construção. Na zona do “Núcleo rural”, realiza-se todos os sábados, a feira de produtos biológicos, onde os produtores podem usufruir de venda directa ao consumidor.

Em fase de estudo do projeto, não foi ignorada a existência de um lençol freático, e, com recurso a registos das variações de níveis de água, definiram-se as cotas de altimetria dos 3 lagos, que estão ligados entre si e abastecem todo o sistema de rega (Pardal, 2006). Em 2001, construiu-se o quarto lago no parque. Ao longo do espaço há ainda pequenas charcas de retenção e infiltração de água (Figura 25).

Figura 25. Parque da Cidade, vista de caminhos e charca de água.

A proximidade à costa Atlântica não alarga as escolhas de vegetação, tendo de optar-se por plantas rústicas de elevada resistência aos ventos e salinidade. As espécies instaladas na zona mais próximo do mar são a Pinus pinea (L.), Metrosideros excelsior (Banks ex Gaertn) e Cupressocyparis leylandii (A. B. Jackson and Dallimore). Mais protegidas,

podemos encontrar árvores como tílias, magnólias, liriodendros, entre outras, tão característicos em toda a cidade do Porto. As árvores desempenham neste parque um importante papel de barreira sonora e visual, principalmente, na zona da Boavista (Pardal, 2006).

A paisagem naturalista traduz-se num espaço de fácil manutenção, consumindo poucos recursos. Em termos de mão-de-obra, a equipa é formada por 14 assistentes operacionais, entre eles picheleiros, jardineiros e ajudantes de jardineiros. As áreas com pouco declive permitem intervenção de maquinaria pesada com grandes larguras de trabalho facilitando as ceifas. Estas são realizadas com recurso a recicladoras que estilham os resíduos verdes, raramente recolhidos, contribuindo para melhor estrutura do solo, promovendo a retenção e infiltração de água e matéria orgânica, esta manta de resíduos, permite ainda a regulação da temperatura do solo. O sistema de rega é abastecido por água dos lagos, mas requer uso de bombagem de enorme capacidade. As bombas são de pressão variável, anualmente

revista pelo fabricante, e os consumos de água rondam os 70.000 m3 ano, dependendo do clima, carga de utilização, recurso a regas manuais e necessidades de requalificação.

O arvoredo, maioritariamente de crescimento livre, não exige muitas intervenções de manutenção. Salientam-se as necessidades de podas limpeza, realizando-se anualmente duas a três intervenções de segurança. Isso contribui para reduzir algum peso das copas mais densas passíveis de queda em zona de estragos com custos financeiros. A este nível, a obra contínua a crescer, recorrendo-se a novas plantações no período de inverno. Todos os resíduos de podas são transformados em estilha e aplicados em canteiros quer dos parques urbanos, quer dos jardins da cidade.

Discussão dos Resultados

A gestão dos espaços verdes dos parques urbanos está bem estruturada e organizada, carece de ferramentas informáticas, sendo que se pretende realizar inventário, pelo menos, do arvoredo existente, julga-se uma tarefa de difícil execução no curto prazo, mas no ponto de vista do autor, imprescindível.

Os sistemas de rega existentes são antigos e já apresentam debilidades. Assim, pretende-se reduzir os consumos de água através da substituição da vegetação mais exigente em regas. Há jardins históricos onde se manterá a originalidade e nestes, os sistemas de rega precisam de uma melhoria importante.

A gestão de eventos é sem dúvida a fonte de maiores estragos nos parques. Os mais requisitados para visitas e eventos são o Palácio de Cristal e Parque da Cidade, onde ocorrem muitos desgastes. A reposição da normalidade é prevista antecipadamente, contudo, pretende-se que os estragos sejam cada vez menores, impondo práticas de respeito ambiental pelos utilizadores e a preparação dos espaços com antecedência às ocorrências, que nem sempre são possíveis.

Em Junho do presente ano, decorreu o evento Optimus Primavera Sounds no Parque da Cidade, e considerando a dimensão do evento e carga a que o parque foi sujeito (cerca de 20 mil participantes), os estragos foram mínimos.

É importante divulgar e dinamizar os restantes parques de forma a reduzir os impactos no Palácio de Cristal e Parque da Cidade. Contudo os outros parques não reúnem as características da dimensão do Parque da Cidade, ou a história do Palácio de Cristal.

Documents relatifs