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1.5 Similarit´ e/ dissimilarit´ e

1.5.1 M´ etriques

Diante da natureza polêmica da definição de competências, Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006) considera, de forma geral, competência como o conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que um professor de línguas deve dominar que o capacita para a ação eficaz. A autora complementa que tais competências são construídas ao longo da prática docente, encetando na sua formação inicial e continuando durante toda a sua prática reflexiva. O Conselho Europeu cita cinco competências a serem requisitadas em um professor de línguas – conhecimento declarativo, competência da realização, competência existencial, competência de aprendizagem e competência comunicativa – (como citado no Conselho da

Europa, 2001). Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006, pp. 454-458) acrescenta a esta lista europeia mais três competências: competência em multimídia, a competência cultural/ intercultural/sociocultural e a competência de ensino.

A Competência no Conhecimento Declarativo na Formação do Professor de Línguas

A competência no conhecimento declarativo (saber) é o conhecimento que se utiliza ao aprender uma nova língua e engloba o conhecimento acadêmico do ensino formal e o conhecimento empírico (Bizarro, 2006).

A Competência Existencial na Formação do Professor de Línguas

A competência existencial (saber ser e saber estar) é representada pelo aprimoramento de traços da personalidade e atitudes do professor devido ao envolvimento profundo com o novo idioma e sua cultura através do crescimento de sua autoimagem e do reconhecimento de si e do outro (Bizarro, 2006).

A Competência da Realização na Formação do Professor de Línguas

A competência da realização (saber-fazer) abarca a capacidade de pôr em prática procedimentos e ações do fazer docente. Esta é uma competência muito ligada à competência existencial uma vez que as ações são influenciadas por características individuais de cada professor (Bizarro, 2006).

A Competência Comunicativa na Formação do Professor de Línguas

A competência comunicativa está diretamente relacionada à outra competência, a do saber (conhecimento declarativo). É uma competência que diz respeito, não só ao entender o outro, mas principalmente ao fazer-se entender, ação que depende do conhecimento empírico

e formal do professor. A língua é aqui vista além de uma forma linguística, ela é uma forma de comunicação entre as pessoas e a competência comunicativa capacita o professor a agir utilizando sobretudo meios linguísticos (Bizarro, 2006).

Assim, a competência comunicativa, segundo Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006), é constituída pelas competências pragmáticas (competência de realização), competências linguísticas (conhecimentos e capacidades lexicais, fonológicas e sintáticas) e competências sociolinguística (condições socioculturais do uso da língua).

A Competência de Aprendizagem na Formação do Professor de Línguas

A competência de aprendizagem (saber-aprender) é a competência que mobiliza, para o seu desenvolvimento, todas as anteriormente citadas e deve estar presente ao longo de todos os anos da prática docente de um professor de línguas. A aprendizagem, diante da efemeridade da sociedade, deve ser contínua e ininterrupta (Bizarro, 2006).

A Competência Em Multimídia na Formação do Professor de Línguas

A competência em multimídia, principalmente na utilização do computador, diz respeito à capacidade do professor de línguas de empregar profissionalmente tais meios na aprendizagem de línguas, em suas quatro habilidades, a nível linguístico, cultural e intercultural. Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006, p. 457) destaca que esta competência implica o “saber” e “saber-fazer” e que a aplicação multifuncional do computador tem caráter tanto informativo quanto comunicativo através do qual o professor de línguas pode canalizar seu uso para o reforço e para a motivação na aquisição eficiente e eficaz do novo idioma.

A Competência De Ensino na Formação do Professor de Línguas

A competência de ensino, de acordo com Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006), engloba os saberes científico, pedagógico e didático da língua estrangeira aplicados eficazmente pelo

professor de línguas. A autora destaca algumas aptidões integrantes desta competência docente:

 Adaptar os programas escolares ao nível e à necessidade dos alunos;  Criar oportunidades para estabelecer a comunicação em sala de aula;  Tornar compreensível o conhecimento que deseja compartilhar;  Suscitar nos alunos o desejo de aprender;

 Garantir que os conteúdos curriculares sejam interessantes e relevantes para os alunos;  Fugir da tentação em seguir um programa de sequência gramatical;

 Refletir criticamente sobre sua prática docente continuamente;

 Estar aberto às críticas e opiniões daqueles com quem compartilha o espaço educacional;  Estar sempre disponível para reformular sua ação profissional.

A Competência Intercultural na Formação do Professor de Línguas

A competência intercultural, que pode se chamar de cultural ou sociocultural (cultura e sociedade), está intimamente relacionada com a competência existencial devido, não somente às atitudes docentes, mas à capacidade de reflexão constante sobre as próprias atitudes, sobre as ações do outro e sobre essa interação de culturas diferentes. A competência intercultural envolve a consciência das diferenças entre a própria cultura e a estrangeira e ter capacidade de ser flexível e adequado ao confrontar as ações e expectativas do indivíduo de cultura diferente. Tal competência, ainda segundo Clarisse C. Afonso (Bizarro, 2006), representa a capacidade de manter a própria identidade e ajudar outros a manterem a sua própria identidade no processo de mediação entre as culturas.

O professor de línguas, como todo professor, deve possuir um saber pedagógico e reflexivo, às vezes conservador às vezes dinâmico, habilidade didática, preparação cultural,

preparação psicológica, otimismo, espiritualidade, temperança, senso de justiça e ser benevolente. E acima de tudo, paixão pela docência.

“Paixão pelo que faz e pelos alunos que se acolhe possui um indisfarçável complemento que se expressa na palavra “competência”, no saber fazer. E como esse atributo não se conquista senão pelo estudo permanente, dedicação extremada e atenção diária às coisas relativas ao aprendizado, é impensável se buscar qualidade em professor que não estuda muito, lê sempre, busca com seu grupo um caminho de aprimoramento. Gostar do que se faz e amar a quem se faz se materializa no esforço contínuo de, cada vez mais, aprender mais.” (Antunes, 2010).

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