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PTF PROGRAM NUMBER 360N-IO-456

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PORTRAN IV MICROFICHE LISTING - PROGRAMS 363N-PO-479, LM-480 SYSTEM/360 DISK OPERATING SYSTEM RELEASE 26 OLTEP

PTF PROGRAM NUMBER 360N-IO-456

Na obra Os erros fatais do socialismo, Hayek apresenta suas considerações sobre os problemas relativos à linguagem que acompanham o conflito surgido entre o que chamou de práticas que buscavam os instintos do grupo primitivo e a moral da ordem ampliada, Por isso, esforçou-se para desemaranhar os conceitos de sociedade, social e liberdade.

Para Hayek, a linguagem transmite não apenas sabedoria, mas também um tipo de insensatez que é difícil erradicar, Por isso, lamenta que os vocábulos introduzidos pela filosofia socialista tenham promovido as principais confusões na linguagem da ordem ampliada, pois estes carregam conotações enganosas, o que envenena a nossa linguagem (HAYEK, 2017, pp. 145-162).

Ao tratar do termo sociedade, Hayek considera que os escritores socialistas tenham partido da concepção animista de mundo para produzir suas obras, motivo pelo qual sua sociedade personificada é “de fato a mais recente das interpretações animistas da ordem representada historicamente por várias religiões (com seus deuses)”, e é por isso que se atribui à sociedade personificada vontade, intenção ou desígnio (HAYEK, 2017, p.148).

Sua pesquisa aponta que a expressão foi empregada por Marx para descrever uma variedade de sistemas de inter-relações de atividades humanas, mas confunde a distinção entre governos e outras instituições, sugerindo que sejam do mesmo tipo. Presente também no latim, societas, de socius, (o colega ou companheiro que se conhece pessoalmente) o uso do substantivo sociedade pressupõe ou implica na busca comum de propósitos habituais que em geral só podem ser alcançados no pequeno grupo. Com o emprego dessa expressão, “conclui-se que todos os grupos que recebem esse nome deveriam se comportar do mesmo modo que um grupo primitivo de companheiros” (HAYEK, 2017, p.154).

Para ele, a principal diferença negligenciada nessa confusão é que o grupo reduzido pode ser guiado em suas atividades por propósitos convencionados ou pela vontade de seus membros (cooperação), ao passo que a ordem ampliada compõe-se numa estrutura harmônica porque seus membros observam regras de conduta semelhantes na busca de propósitos individuais diferentes (concorrência).

Quanto ao termo social, Hayek o considera ainda mais danoso para o vocabulário moral e político da ordem ampliada do que o uso inócuo do substantivo sociedade. Aponta que o adjetivo tenha sido usado por Bismarck na Alemanha, mas seu poder e sua influência difundiu-se por todo o globo.

Explica que “a confusão que ele difunde deve-se em parte ao fato de definir não apenas fenômenos produzidos por vários modos de cooperação entre homens como em uma sociedade, mas também define os tipos de ações que promovem essas ordens e as servem. Portanto, torna-se o cerne do apelo a um ideal antigo, agora obsoleto, de comportamento humano geral” (HAYEK, 2017, p.155).

O uso desses termos obsoletos não só induz de maneira concreta ao erro como também contém um desejo oculto de moldar a ordem ampliada do mercado de acordo com a associação íntima pela qual nossas emoções e instintos anseiam.

Certo de que o mercado é auto regulador, o pensamento hayekiano combate veementemente o uso do vocabulário inventado pelos socialistas para referir-se a essa ordem ampliada. Mas seu esforço principal é no sentido de convencer pela completa extinção do uso do adjetivo social porque, ao acompanhar conceitos bastantes claros na ordem ampliada, o atributo social esvazia-os de qualquer sentido evidente. Daí haver cunhado a expressão: “palavra doninha9” para o termo social

(HAYEK, 2017, p.160).

Indignado, sugere que o uso do termo tenha se tornado uma exortação, uma espécie de palavra de ordem para a moral racionalista com a pretensão de substituir

9 Em inglês, ‘weasel word’. Diz-se que o roedor doninha (da família dos furões) tem a habilidade de

a moral tradicional. Mas adverte: “ser social não é o mesmo que ser bom, nem justo, nem ‘justo aos olhos de Deus’” (HAYEK, 2017, p.156).

Segundo ele, toda a exortação para que sejamos sociais é um apelo ao avanço rumo à justiça social do socialismo, motivo pelo qual se torna equivalente à convocação pela justiça distributiva, o que é irreconciliável com uma ordem competitiva como o mercado e com o seu desenvolvimento, até mesmo para manutenção da população e da riqueza. “Aquilo a que se chama de justiça “social” ou “distributiva” é na verdade, algo sem significado numa ordem espontânea, só tendo sentido numa organização” (HAYEK, 1985, v. II, p.38).

Na obra Os fundamentos da liberdade, Hayek considerou ser um equívoco dos pobres de qualquer país subdesenvolvido acreditarem, apoiados por alguns intelectuais do socialismo, que podem atingir a posição de progresso alcançada pelos países ricos do Ocidente mediante uma redistribuição da riqueza já existente.

Embora a posição tão avançada, em termos de riqueza, na qual se encontram hoje os povos do Ocidente em relação aos demais seja em parte consequência de maior acúmulo de capital, isto decorre, principalmente, do fato de que utilizam o conhecimento de maneira mais eficiente (HAYEK, 1983, p.47).

Para Hayek, a riqueza acumulada pelos países ricos é secundária na questão do progresso. O fundamental é a utilização do conhecimento adquirido por alguns membros da sociedade de maneira mais eficiente, cujos desdobramentos resultarão em benefício para as massas. Ou seja, não adianta distribuir a riqueza dos ricos com os pobres porque não é a riqueza que gera progresso, mas o uso eficiente que se faz do conhecimento (HAYEK, 1983, pp.41-45).

Essa ideia permite que Hayek defenda o progresso infinito:

As aspirações da grande massa da população mundial só podem ser satisfeitas, hoje, por um rápido progresso material. A profunda frustração de suas esperanças pode levar a sérias divergências internacionais. Portanto, a paz no mundo e a própria civilização dependem do progresso constante, a um ritmo acelerado. Nessa altura, somos filhos e prisioneiros do progresso (HAYEK, 1983, p.53).

Em oposição ao pensamento de Hayek, ao tratar do tema da realização das aspirações sociais, na obra A idolatria do mercado, Hugo Assmann diz que

“necessitamos de um pensamento econômico que salvaguarde, ao mesmo tempo, o acesso à criatividade e à iniciativa individual e também às metas sociais de uma felicidade humana, que só adquire sabor prazeroso quando plenifica a vida de todos” (ASSMANN, 1989, p.204).

Para Assmann, o cristianismo provocou um vazio quando deixou de elaborar uma sistematização suficientemente satisfatória do pensamento e das práticas religiosas cristãs com relação a conceitos adequados de liberdade e felicidade em sociedades complexas. Tal vazio foi ocupado por uma determinada concepção de ciência que passou a arrogar o papel de solucionadora das carências de liberdade e felicidade humana por supostos caminhos científicos, tendo encontrado sua expressão consumada na ideologia do mercado.

Ao arrogar-se o papel de solucionadora, a ciência moderna tornou plausível que fossem adotadas em seu nome e como únicas soluções viáveis saídas que levam a marca de um destino certo e ineludível. Por isso, Assmann apresenta a economia moderna como “religião do destino”. E completa: nesta teologia há uma ausência sobre a questão social no que se refere a caminhos viáveis para a melhoria da fraternidade entre os homens. Trata-se de um dogma de que não existe outro caminho (ASSMANN, 1989, pp.205-247).

A posição de Hayek de que somos filhos e prisioneiros do progresso parte dessa proposta que Assmann chamou de religião do destino. O dogma que somente o progresso poderá trazer satisfação aos mais pobres nos aprisiona porque o conhecimento espalha-se mais rapidamente do que os benefícios materiais. A satisfação humana não pode depender somente dos resultados que o progresso possa oferecer.

Por acreditar que a principal característica da utopia cristã seja a rejeição da fatalidade de destinos pré-definidos no que se refere à relação indivíduo / sociedade, Assmann considera que o cristianismo seja uma aposta ousada na capacidade de o ser humano desenvolver uma libido subjetiva e socializada, que anele um prazer que não se satisfaça jamais com substitutos sádicos ou masoquistas de prazer. O cristianismo é a fonte inspiradora e motivadora para manter unidas - mesmo sem conseguir alcançar a plenitude da utopia -, a afirmação da dimensão enriquecedora

do individual e do convívio social como elementos constitutivos do ser livre e do ser feliz.

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