PORTRAN IV MICROFICHE LISTING - PROGRAMS 363N-PO-479, LM-480 SYSTEM/360 DISK OPERATING SYSTEM RELEASE 26 OLTEP
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1 basic knowledge of data processing, including teleprocessing, is required to understand tbe lIaterial
Hayek pode ser considerado um missionário no verdadeiro termo: assumiu a incumbência de atualizar os conceitos do liberalismo para a contemporaneidade e a concluiu. Em sua trajetória, dedicou-se a converter socialistas à sua utopia neoliberal. Seu biógrafo Alan Ebenstein classificou-o como um filósofo utópico. Em última instância, “ele vislumbrou uma ordem universal de paz” (EBENSTEIN, 2001, p.2).
Ebenstein lembra que o trabalho de Ludwig von Mises contribuiu para tentar inviabilizar a teoria socialista clássica, mas ninguém se posicionou contra o socialismo com tanta clareza e força, nem argumentou tão extensa e efetivamente, nem com tanta renovação da economia para a ordem social mais ampla quanto ele. “Hayek was
the great anti-socialist4” (EBENSTEIN, 2001, p.2).
Na obra Os erros fatais do socialismo5, Hayek aponta que a ordem ampliada
de mercado gerada sem desígnio (de forma espontânea) pode superar de longe os planos que os homens tramam de maneira consciente. Segundo ele, as normas do socialismo encarnam uma metodologia obsoleta e anticientífica própria das ordens primitivas, às quais chamou de “racionalismo construtivista” (HAYEK, 2017, p.16).
4 Hayek foi o maior antissocialista.
Seus esboços sobre a razão são no sentido de demonstrar que o ser humano não nasce sábio, racional e bom, mas tem que aprender a se tornar assim. Em suas palavras, “não foi nosso intelecto que criou a nossa moralidade; antes, as interações humanas regidas pela nossa moralidade tornaram possível o desenvolvimento da razão e das capacidades a ela associadas” (HAYEK, 2017, p.33).
Assim, a partir das interações humanas, nossa moralidade vai sendo aprimorada e então a razão desenvolve-se, motivo pelo qual esta é limitada para planejar o comportamento de cada indivíduo pertencente a um grupo infinitamente grande e complexo como o da ordem ampliada. Por isso, é impossível o socialismo cumprir o que promete (a planificação econômica).
Com relação à interação humana na ordem ampliada, aponta que as principais responsáveis por gerar essa ordem extraordinária e a existência da espécie humana com o número de indivíduos e a estrutura que ela tem hoje foram as regras de conduta que evoluíram gradativamente, em especial aquelas que lidam com propriedade separada6, honestidade, contratos, trocas, comércio, competição, ganhos e
privacidade, as quais são transmitidas por tradição, ensino e imitação. Os grupos que prosperaram foram aqueles que modificaram as regras (através de um processo contínuo de tentativa e erro e de experimentação) de maneira que as tornou cada vez mais adaptativas (HAYEK, 2017, pp.20-21).
Essas regras constituem uma moralidade nova que ultrapassam ou restringem instintos naturais (sem qualidade moral) como solidariedade e altruísmo, cujas práticas uniam o grupo primitivo reduzido, onde somente era possível assegurar a cooperação dentro dele à custa de atrapalhar ou bloquear sua expansão7.
Hayek conclui que a disputa entre a ordem do mercado e o socialismo não é nada menos que uma questão de sobrevivência, pois a espécie humana deve sua existência a uma forma específica de conduta baseada em regras de comportamento
6 Hayek prefere o uso do termo “several” por significar tanto “separada” quanto “várias, diferentes” do
que “privada” ao tratar de propriedade.
7 Note-se que para Hayek solidariedade e altruísmo são instintos, não estão ligados à moral.
“Somente se quisermos dizer que devemos seguir emoções altruístas o altruísmo se torna um conceito moral.”
que evoluíram gradativamente por terem sua eficácia comprovada, e a humanidade não tem opção de escolha (HAYEK, 2017, p.15).
Nesse sentido, é uma arrogância da ideologia socialista (oriunda do racionalismo construtivista) pretender que o governo controle ou planeje a economia. Interferir na ordem ampliada do mercado revela-se o que ele chamou de “presunção fatal”, pois seguir a moralidade socialista seria retornar aos instintos da ordem primitiva obsoleta. Esse retorno provocaria a destruição da moralidade nova - baseada na propriedade separada, honestidade, contratos, trocas, comércio, competição, ganhos e privacidade - o que arruinaria grande parte da humanidade presente e empobreceria o resto.
No capítulo 18 do terceiro volume de Direito, legislação e liberdade, ele descreve sua missão:
O que tentei nestes volumes foi traçar um roteiro que nos permita escapar ao processo de degeneração da forma existente de governo, bem como elaborar um equipamento intelectual de emergência que esteja ao nosso alcance quando não tivermos outra escolha senão substituir a estrutura insegura por uma edificação mais sólida, em vez de recorrer, em desespero, a alguma forma de regime ditatorial. Um governo é necessariamente produto de uma criação intelectual. Se pudermos dar-lhe uma conformação que o induz a fornecer uma estrutura benéfica ao livre desenvolvimento da sociedade, sem dar a ninguém o poder de controlar as particularidades desse desenvolvimento, poderemos ter esperanças de assistir à evolução contínua da civilização (HAYEK, 1985, v. III, p. 158).
No prefácio à edição brasileira da publicação de sua obra no ano de 1985, Hayek declarou que havia 40 anos que começara a desviar-se da teoria pura da economia para empreender uma análise das razões que tanto perverteram as políticas neste campo na maior parte do mundo. Isso fez com que se afastasse cada vez mais dos aspectos técnicos da economia para estudar os problemas da filosofia e particularmente os motivos pelos quais o próprio aumento da capacidade de compreensão do ser humano levou-o a exagerar os poderes da razão humana e a acreditar que poderia organizar deliberadamente ao seu bel-prazer o padrão da interação humana, embora a vasta ordem das interações humanas, da qual dependemos, exceda claramente o poder de nossa percepção e conhecimento.
Ele diz que não tem a pretensão de já haver conseguido algo como o conhecimento definitivo a respeito desses problemas, pois isso é negado para sempre
ao ser humano, mas afirma acreditar ter descoberto as origens de alguns dos mais perigosos erros correntes que constituem uma grave ameaça ao futuro da humanidade: 1 – a onipotência, em todo o mundo, dos parlamentos, governando de forma ilimitada, destruindo o princípio de equilíbrio entre os poderes na democracia; 2 – o enfraquecimento do dinheiro (dinheiro de qualidade ruim), causado pelo monopólio do governo na administração da moeda.
O que realmente espero é deixar às novas gerações não apenas um novo ‘insight’, que considero muito importante, mas duas novas recomendações: substituir o antigo modelo de democracia por um novo modelo de governo livre, a demarquia, e retirar do governo o poder, o monopólio da produção do dinheiro (HAYEK, 1981, p. 42).