Leite & Neto (2003) observaram no seu estudo sobre lesões no Futebol feminino, que a entorse de tornozelo foi o trauma mais frequente e que as atletas lesionadas apresentavam alterações posturais como, genu varum ou
valgu, anomalias do pé, aumento do ângulo Q e assimetria de membros
inferiores. Desta forma, os autores acreditam que alterações posturais podem aumentar o risco de lesões tráumato-ortopédicas nesta prática desportiva.
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Ribeiro et al. (2003) observaram que há relação entre alterações posturais e incidência de lesões em jogadores de futsal com idade entre 9 e 16 anos, principalmente no grupo que apresentava hiperlordose lombar. Acrescentam que as alterações posturais geram uma sobrecarga mecânica extra nas estruturas osteomioarticulares, podendo predispor os segmentos envolvidos à lesão.
Watson (1995) verificou que 51,9% dos atletas de Futebol avaliados apresentavam aumento da lordose lombar. Relatou que 67% dos atletas com essa alteração postural sofreram lesão muscular, enquanto que no grupo sem alteração postural apenas 36% tiveram essa mesma lesão. Esse autor mostrou que há relação entre o aumento da lordose lombar e a incidência de lesão. Acrescenta ainda que indivíduos que sofreram roturas musculares apresentam uma incidência maior de hiperlordose e genu varum.
Hennessy & Watson (1993) também associaram a hiperlordose a lesões nos isquiotibiais.
Wodecki et al. (2002) acrescentam ainda que, nos jogadores de Futebol, verifica-se uma menor cifose torácica e um aumento no grau de lordose lombar. Em termos de atitude escoliótica, Massada (2006) refere que com a idade existe uma diminuição estatisticamente significativa do alinhamento normal da coluna vertebral e um aumento significativo das atitudes escolióticas dorsais e dorsolombares.
Segundo Bienfait (1995, cit. da Silva et al. 2008), não há hiperlordose sem anteversão pélvica. De entre as causas que levam à hiperlordose lombar e anteversão da anca, estão a tensão dos flexores da anca, a contractura da musculatura lombar e fraqueza dos músculos abdominais e glúteos.
Gabbe et al. (2005) verificaram que a diminuição da flexibilidade dos músculos flexores da anca e dos quadricípites estão identificados como factores de risco para as lesões nos isquiotibiais.
De facto, parece ser possível relacionar o alto índice de hiperlordose lombar à prática desportiva, uma vez que, em comparação com indivíduos não atletas na faixa etária entre 8 e 18 anos, os atletas apresentaram alteração significativa na curvatura lombar (Hutchinson, 1999 cit. da Silva et al., 2008).
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Em relação aos pés, Razo et al. (1994) investigaram o alinhamento postural de 48 crianças entre sete e 14 anos praticantes de Futebol e observaram que 31,2% delas apresentavam alterações nos arcos plantares. O pé cavo foi a postura mais observada em comparação com o pé plano. Os mesmos autores referem ainda que a incidência de pés cavos ou planos está associada a lesões crónicas ou a microtraumas em praticantes de modalidades desportivas, já que alterações no apoio plantar, em função dos movimentos desportivos, podem ser consideradas como factor de risco de lesão.
Grabara (2008), num estudo sobre a prática de Futebol e alterações no membro inferior em jovens entre os 10 e os 14 anos, verificou que os futebolistas examinados, especialmente com aqueles com maior tempo de prática, apresentavam tendência para genu varum e halux valgus.
No Futebol, a articulação do joelho sustem uma enormidade de cargas e picos de força, particularmente na alta competição (Witvrouw, et al., 2009). Chantrain (1985, cit. Witvrouw et al., 2009) refere a hipótese de que um elevado stress imposto na articulação do joelho durante o crescimento e adolescência, associado à prática desportiva, pode contribuir para um crescimento deformado.
Os mesmos autores referem ainda que a experiência clínica indica que os jogadores de Futebol desenvolvem mais frequentemente genu varum comparados com pessoas que não praticam Futebol. No seu estudo sobre a incidência de genu varum em futebolistas jovens, demonstraram existir uma significativa diferença entre dois grupos distintos, um de não praticantes e outro de praticantes de Futebol. Observaram também que no final do crescimento nos rapazes, foi observada uma elevada taxa de genu varum no grupo dos jogadores de Futebol em relação ao grupo de controlo.
Yaniv et al. (2006) demonstraram também que um grupo de jovens futebolistas, em comparação com um grupo de jovens tenistas, desenvolveu
genu varum em maior percentagem, principalmente a partir dos 16 anos.
Massada (2006) verificou também que os jogadores jovens de Futebol apresentam genu varum bilateral, acrescentando que nos futebolistas a torção tibial interna é nitidamente evidente nos dois membros inferiores. O genu
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varum do futebolista resulta quer de um varismo do eixo tíbio-femoral, quer de
uma característica torção tibial interna.
A presença de genu varum altera as forças no joelho, de forma que as linhas de força se deslocam medialmente do centro, intensificando os compartimentos mediais de carga, e cria uma força de reacção medial do joelho que é aproximadamente três vezes e meia a força do compartimento lateral (Lewek, Rudolph & Snyder-Mackler, 2004).
Para entender a associação entre o genu varum e o Futebol, é imperativo perceber as cargas externas provocadas sobre a articulação do joelho durante as diversas tarefas dentro de um jogo de Futebol (Witvrouw, et al., 2009).
Olhando para o Futebol, as actividades mais frequentes durante um jogo de Futebol profissional e jovem são a corrida, trote, passe, mudanças de direcção, cortes defensivos e o pontapé (Capranica, et al., 2001).
Besier et al. (2001) mediram as cargas externas sobre a articulação do joelho durante a corrida e mudanças de direcção, verificando que as tensões varo/valgo sobre a articulação do joelho aumentaram drasticamente durante as mudanças de direcção comparando com a corrida normal.
Chantraine (1985, cit. Yaniv et. al., 2006) observou, num grupo de ex- jogadores de Futebol, uma incidência de 82% de genu varum em jogadores nunca operados, e destes, 40% apresentaram evidências radiológicas de osteoartrite. Isto vem reforçar a necessidade de que medidas profiláticas sejam introduzidas no treino do futebolista, para que os jogadores não sejam prejudicados, tanto na sua performance a curto prazo, como na sua qualidade de vida a longo prazo.
Em relação a dismetrias nos membros inferiores, Massada (2006) refere, num estudo realizado sobre incidência desta anomalia nos jogadores de Futebol, que estes demonstraram uma prevalência de 41,2% de dismetrais nos membros inferiores, sendo que em 25,3% dos casos o membro inferior esquerdo era mais longo do que o direito e que em 15,9% a relação era contrária. Acrescenta que o maior número de dismetrais dos membros
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inferiores surge aos 14 e 17 anos, com prevalências de 47,7% e 47% respectivamente.