5. Gestion d’IOS et processus de démarrage
5.1. Processus de démarrage
A apresentação e discussão dos resultados encontra-se estruturada em duas fases para cada categoria: na primeira é feita uma análise e interpretação centradas na presença (P) ou ausência (A) e frequência de cada categoria seleccionada e apresentada no capítulo anterior; na segunda fase confrontamos os nossos resultados com os obtidos na revisão da literatura.
4.1. Categoria Traços de Personalidade
Quadro I – Ausência(A)/Presença(P) da categoria traços de personalidade nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub-categorias: disponibilidade, tolerância, sentido de responsabilidade e espírito de iniciativa.
Agentes
Traços de Personalidade
Animadores Coordenadores Director
Disponibilidade P P P
Tolerância P P P
Sentido de responsabilidade P P P
Espírito de iniciativa A P A
Quadro II – Frequência da categoria traços de personalidade nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub-categorias: disponibilidade, tolerância, sentido de responsabilidade e espírito de iniciativa.
Agentes
Traços de Personalidade
Animadores Coordenadores Director Totais
Disponibilidade 10 13 1 24
Tolerância 3 13 1 17
Sentido de responsabilidade 10 13 3 26
Espírito de iniciativa 0 3 0 3
Totais 23 42 5
Através da leitura dos quadros I e II, respeitantes à categoria “traços de personalidade”, verificamos a presença coincidente nos discursos dos vários agentes quanto à disponibilidade, tolerância e sentido de responsabilidade. Isto é, à excepção da sub-categoria espírito de iniciativa, que está ausente nos animadores e no director, todas as outras sub-categorias são pertinentes para
todos os agentes. No entanto, encontramos diferenças ao nível da frequência destas sub-categorias. Assim, no que diz respeito às sub-categorias disponibilidade e sentido de responsabilidade encontramos dez referências nos animadores e treze nos coordenadores. Já o director, para estas sub-categorias, apresenta uma e três referências, respectivamente. Para a sub-categoria tolerância são três as referências nos animadores, treze nos coordenadores e uma no director. Finalmente, na sub-categoria espírito de iniciativa, somente presente nos coordenadores, encontramos três unidades.
No que concerne à sub-categoria disponibilidade, percebida pelos vários agentes como “estar presente”1, “viver para os participantes”2 e “lá estar”3, é mais usualmente apontada no discurso dos coordenadores que são os responsáveis pelo trabalho dos animadores e, como tal, exigem que estes estejam lá a ‘cem por cento’. Os animadores, por seu lado, também enunciam a disponibilidade com frequência, o que mostra a sua preocupação e a noção que possuem acerca do tipo de papel que representam, de acordo com a filosofia dos campos de férias. Por conseguinte, estes dados corroboram os da literatura, nomeadamente no que concerne ao facto de que o animador deve estar presente, sem, contudo, pesar ou impor-se, o que significa que deve estar presente e ausente (Lobrot, 1977). Assim sendo, a sua postura deve estar centrada no participante (Lança, 2003), até porque “às vezes, a vida de algumas crianças é tão complicada que aquele tempo que passam connosco têm que o passar da melhor maneira e a melhor maneira é darmos tudo o que temos e irmos ao encontro deles”4.
Quanto ao director, como representa apenas um elemento a analisar, possui, obviamente, um menor número de enunciações. Adicionalmente, é provável que este agente esteja menos atento a este aspecto devido à distância inevitável que possui durante a realização dos campos de férias em relação aos animadores, o que, necessariamente, resultará numa análise diferente.
1animador#3 2coordenador#3 3 director 4animador#3
Relativamente à sub-categoria tolerância, associada à “paciência”5, ou a ser “bom ouvinte”6 e “tolerante”7, denota-se uma substantiva diferença no número de referências, tal como foi anteriormente apresentado (animadores três referências e coordenadores treze). É provável que esta diferença esteja relacionada com o facto de que são os coordenadores que, ao estarem perto dos animadores e cientes do seu papel, conferem mais importância a este traço na relação com os participantes.
Apesar de serem menos as unidades nos discursos dos animadores, nota- se a preocupação quanto à presença desta sub-categoria, nomeadamente no que diz respeito à compreensão das crianças. Na realidade, esta sub-categoria é um aspecto fundamental para a própria APCC, da qual fazem parte todos os entrevistados, isto é, a tolerância faz parte do compromisso educativo da associação. Por conseguinte, é natural que os animadores a percebam como intrínseca ao seu papel. Isto mesmo é confirmado pelo director entrevistado ao afirmar que para “a nossa estratégia educativa (...) o ideal será um animador que (...) não esqueça o papel de educador e partilhe todos esses princípios que têm a ver com o respeito pelo outro, cooperação, solidariedade, valores que achamos que são fundamentais”. O animador pode, desta forma, desempenhar também um trabalho essencial, favorecendo o diálogo, a compreensão e a tolerância (Gervilla, 1991).
Na sub-categoria sentido de responsabilidade, entendida como estar “consciente das suas atitudes”8 ou “saber que está lá a trabalhar”9, é frequentemente apontada tanto por coordenadores como por animadores. Com efeito, “mesmo parecendo um “cliché”, o animador tem que ter responsabilidade acima de tudo”10, na medida em que “o lado responsável está sempre presente”11. 5coordenador#1 6animador#4 7director 8animador#4 9animador#1 10coordenador#3
De facto, o animador é, antes de mais, uma pessoa madura que, tendo percorrido algumas etapas da vida, se põe ao serviço dos outros (Jardim, 2003). Também o director enuncia este traço de personalidade mas de um modo distinto, isto é, tendo em conta o seu cargo, o director realça a necessidade de que os animadores, ao trabalharem para esta instituição, devem igualmente ter consciência que tudo o que fazem é em nome da instituição. Assim, os animadores “vestem” a camisola da APCC, incluindo o seu nome em todas as suas atitudes e decisões.
Finalmente, no que diz respeito à sub-categoria espírito de iniciativa verificamos a sua presença apenas no discurso dos coordenadores. Na realidade, este é um aspecto pragmático no campo de férias, uma vez que, se o animador tiver este traço, o papel do coordenador será facilitado. Isto porque os coordenadores possuem um papel muito burocrático no campo e, por isso, quando o animador tem iniciativa própria não recorre a este sempre que enfrenta alguma dificuldade, apenas resolve, o que retira encargos à função do coordenador. De facto, como salienta um dos coordenadores, é extraordinário quando “pensas que precisas de algo e já está feito, há alturas em que não é preciso dizer nada”12. Neste sentido, percebemos a maior relevância dada pelos coordenadores àquele que eles até afirmam ser o “animador mágico”13.
Em suma e de uma forma geral, através da análise do quadro II, no qual se observa um número substancialmente superior de unidades de registo para todas as sub-categorias, é possível perceber que quem mais parece dar importância aos traços de personalidade no perfil do animador são os coordenadores. Com efeito, são estes que entendem que “as características de um animador são todas as características que uma pessoa adulta deve ter”14, ou seja, a disponibilidade, a tolerância e o sentido de responsabilidade. Não obstante, também os animadores realçam a disponibilidade e o sentido de responsabilidade, porquanto consideram
11animador#1 12coordenador#3 13coordenador#3 14coordenador#3
ser características primárias para a sua relação com os participantes. De facto, são estes que interagem directamente com as crianças e jovens integradas no campo de férias, uma vez que, tal como reforça Calvo (2002), a Animação se trata de partir da acção do grupo de crianças e jovens que nela participam.
4.2. Categoria Funções
Quadro III – Ausência(A)/Presença(P) da categoria funções nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub-categorias: pedagógica, educativa, didáctica e tutorial.
Agentes
Funções
Animadores Coordenadores Director
Pedagógica P P P
Educativa P P P
Didáctica P P P
Tutorial P P P
Quadro IV – Frequência da categoria funções nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub- categorias: pedagógica, educativa, didáctica e tutorial.
Agentes
Funções
Animadores Coordenadores Director Totais
Pedagógica 6 9 1 16
Educativa 4 9 14 27
Didáctica 5 20 3 28
Tutorial 4 7 4 15
Totais 19 45 22
Nos quadros III e IV podemos constatar uma concordância face à presença de todas as funções nos discursos dos vários agentes. No entanto, em relação à frequência com que as sub-categorias são referidas o mesmo não se constata. Assim, encontramos para a função pedagógica seis referências para os animadores, nove para os coordenadores e uma para o director; para a função educativa quatro para os animadores, nove para os coordenadores e catorze para o director; para a função didáctica cinco para os animadores, vinte para os
coordenadores e três para o director; para a função tutorial quatro para os animadores, sete para os coordenadores e quatro para o director.
Pela leitura do quadro IV podemos observar que são os coordenadores que parecem conferir maior importância à sub-categoria função pedagógica, para quem – tal como para o director - esta função está relacionada com a “gestão de situações e conflitos”15 que surgem naturalmente na vida em comunidade e, principalmente, nas faixas etárias correspondentes às dos participantes dos campos de férias. Contudo, esta função não é percebida do mesmo modo pelos animadores. Para estes, esta função está associada à sua “sensibilidade”16 em, “lidar com situações de stress”17, relativas ao próprio ritmo de funcionamento do campo. Esta diferença nos discursos resulta do estatuto diferenciado dos agentes, uma vez que todas as situações que acontecem no campo têm uma relação directa com o papel do animador, sendo este o agente de resolução das mesmas. É neste contexto que aparece a sensibilidade em tratar dos problemas de cada e qualquer um dos participantes, tendo em conta a sua maneira de ser e de reagir. Por outro lado, é o animador que tem a responsabilidade de modificar e adaptar tudo o que acontece no campo de férias aos seus participantes, para que este decorra da melhor forma possível. Neste sentido, o animador tem que lidar com situações de stress, enquanto que o coordenador se encontra noutra posição, mais distante dos participantes e das actividades do dia-a-dia, e, desta forma, mais ‘protegido’. Assim sendo, o animador deve possuir uma preparação pedagógica que o capacite para reflexão e para a acção de forma a que seja vida e animação do colectivo humano e também colaborador e formador de cada um (Gervilla, 1991).
A função educativa é, igualmente, considerada importante para o perfil do animador para todos os agentes. Não obstante, é de realçar a grande diferença em relação ao número de unidades registadas no discurso do director, para quem
15coordenador#4 16animador#2 17animador#2
esta parece ser a função mais importante do animador. Realmente, sendo o director aquele que ocupa o lugar de defesa da instituição e da importância da participação nos campos de férias, é natural que releve o papel de “educador não formal”, do animador que “tem que estar preocupado não com a sua popularidade mas com a atitude mais correcta e certa, mesmo que essa não seja a mais fácil”. O director reforça ainda esta ideia ao afirmar que “todas as pessoas que passaram pela escola se lembram daqueles professores que criavam alguma balda (sic) e não é a esses que nós estamos agradecidos, é antes àqueles que nos ensinaram alguma coisa”.
Os coordenadores e os animadores referem também esta função, uma vez que o animador “pela postura dá o exemplo”18 e, assim, os participantes, “embora não o demonstrem, aprendem”19. De facto, tal como Franch e Martinell (1994) defendem, o característico do trabalho dos animadores não é a função de director de actividades, nem tão pouco a função de maestro, comporta, sim, elementos de facilitação de aprendizagens. Para além disso, o seu modo de actuar incide fortemente nos modelos de comportamento e no modo de actuar com os outros (Ander-Egg, s/d). Como tal, o animador não se poderá esquecer que actua, na maior parte das vezes, como fonte de exemplo social, sendo constantemente avaliado, interpretado e observado (Lança, 2003).
Em relação à sub-categoria função didáctica, descrita como “explicar as actividades”20, “adaptar as actividades ao grupo”21 e “dinamizar”22, é a mais frequentemente indicada pelos coordenadores. Assim é porque no campo de férias o animador é responsável por uma comunidade de participantes, para os quais é necessário fazer adaptações do programa e dinamizar todo o grupo de forma a “garantir que ali nasçam relações fortes e que perdurem”23. Efectivamente, 18coordenador#1 19animador#1 20coordenador#2 21coordenador#2 22coordenador#4 23director
o animador desempenha uma função didáctica, na medida em que facilita uma série de aprendizagens (Vallecas, 1995 cit. p/ Costa, 2003). Em relação a esta função, é na acção “dinamizar” que encontramos um dos aspectos mais valorizados no contexto do campo de férias, uma vez que é percebida por todos os agentes como uma das funções capitais para o bom desenrolar do campo de férias. Com efeito, também os animadores e o director enunciam esta função, definindo-a como fundamental, sendo “uma das pequenas coisas que se vai testando e aprendendo”24. Esta ideia é corroborada por Franch e Martinell (1994) que consideram que a função essencial do animador é dinamizar o grupo. Na verdade, o animador é aquele que possui a capacidade de dinamizar - com o seu ser e o seu modo de ser - os demais, de tal maneira que forme pessoas mais humanas e mais felizes (Gervilla, 1991). É sua função animar, vitalizar e dinamizar as energias e potencialidades existentes nas pessoas e nos grupos (Lança, 2003). Finalmente, a função tutorial, com maior número de referências por parte dos coordenadores, e com igual frequência entre os animadores e o director está relacionada com o “assegurar as questões de sobrevivência”25, tais como levantar, comer, dormir, e com o “papel de pai”26 , que o animador assume nos dias em que o campo de férias decorre. Como salienta um dos coordenadores “os participantes vêem-nos um bocado como pai e mãe”27. Com efeito, o animador realiza um seguimento personalizado a cada participante (Vallecas, 1995 cit p/ Costa, 2003) assumindo, neste sentido, papel parental.
Mais uma vez e de uma forma geral, são os coordenadores que dão maior revelância no que concerne às funções do animador, e em particular à função didáctica. Realmente, tendo em conta o papel do coordenador no campo de férias, é natural que este se preocupe com o modo de concretização das actividades pelos animadores. 24director 25director 26coordenador#3 27coordenador#3
É ainda de realçar que o número de registos para esta categoria é inferior para a totalidade dos animadores em relação ao número de referências obtidos através de apenas uma entrevista ao director. Pensamos que, apesar dos números poderem serem demonstrativos da acção consciente e reflectida por parte dos animadores, no que diz respeito às suas funções pedagógica, educativa, didáctica e tutorial, é provável que o reduzido número se deva precisamente à ausência de reflexão em relação a este assunto. Na realidade, embora os animadores não a expressem, a sua acção no campo é pautada, maioritariamente, por este tipo de funções. Por conseguinte, é de considerar que os animadores interiorizem as suas funções sem que reflictam acerca das mesmas, pois ser animador implica desenvolver um certo número de funções. De facto, de acordo com Vallecas (1995) ao animador cabe a oferta de modelos educativos, a facilitação de aprendizagens, a realização de actividades e a dinamização do grupo, que correspondem, respectivamente, àquilo que considerámos funções pedagógica, didáctica, educativa e tutorial.
4.3. Categoria Capacidades/Competências
Quadro V – Ausência(A)/Presença(P) da categoria capacidades/competências nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub-categorias: auto-crítica, interacção, espírito criativo, liderança e organização.
Agentes
Capacidades/Competências
Animadores Coordenadores Director
Auto-crítica P P A
Interacção P P P
Espírito criativo A P P
Liderança P A A
Quadro VI – Frequência da categoria capacidades/competências nos discursos dos diferentes agentes com as respectivas sub-categorias: auto-crítica, interacção, espírito criativo, liderança e organização.
Agentes
Capacidades/Competências
Animadores Coordenadores Director Totais
Auto-crítica 1 1 0 2 Interacção 14 22 6 42 Espírito criativo 0 7 1 8 Liderança 5 0 0 5 Organização 6 5 4 15 Totais 26 35 11
Relativamente à categoria capacidades/competências podemos verificar que não existe uma concordância total relativamente à presença/ausência de todas as sub-categorias. De facto, a sub-categoria auto-crítica está ausente no discurso do director, enquanto que a sub-categoria espírito criativo não está presente no discurso dos animadores. Adicionalmente, a sub-categoria liderança está apenas presente no discurso dos animadores. Quanto à frequência, podemos observar que a sub-categoria auto-crítica apresenta apenas um registo, quer nos animadores, quer nos coordenadores; que a sub-categoria interacção mostra catorze unidades nos animadores, vinte e duas nos coordenadores e uma no director; que a sub-categoria espírito criativo tem sete unidades nos coordenadores e uma no director; que na sub-categoria liderança existem somente cinco referências nos animadores e, finalmente, para a sub-categoria organização encontramos seis referências nos animadores, cinco nos coordenadores e quatro no director.
A sub-categoria auto-crítica é referida, tanto pelos animadores, como pelos coordenadores apenas uma vez e relaciona-se com a capacidade de “pensar bem nas coisas”28 e sentir-se “minimamente apto”29 para o seu papel nos campos de férias. Realmente, é importante que o animador tenha a noção das suas
28coordenador#2 29animador#1
capacidades e das funções em que se sente à vontade e, para isso, é necessária uma auto-crítica. No entanto, quando esta capacidade não é revelada, os outros elementos da equipa compensam-na através da sua observação do trabalho efectuado por esse animador. O director corrobora esta afirmação, pois considera que, estando lá, é possível observar o animador e confirmar as suas capacidades face às avaliações do coordenador e dos outros animadores que constituem a equipa pedagógica. Porém, o animador deve exercer sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o real circundante uma análise crítica constante (Silva, 2002). Pérez (1997) considera mesmo a capacidade de auto-crítica um dever intrínseco ao papel de animador. Neste sentido, a humildade assume grande importância, pelo facto do animador ter conhecimento do que poderá realizar e da formação que possui para tal (Lança, 2003).
Em relação à sub-categoria interacção é importante referir que este conceito envolve, em qualquer uma das suas manifestações, a presença de, pelo menos, dois intervenientes, pelo que se torna, antes de tudo, num acto social em que está presente a comunicação (Teixeira, 2002). Neste sentido e no contexto do campo de férias, é natural que esta seja uma sub-categoria sobrevalorizada. Com efeito, pela leitura do quadro VI podemos observar que esta é a mais referida por todos os intervenientes nos campos de férias e é entendida como “trabalho em equipa”30, “colaboração”31, “boa relação com os outros”32 e “observação”33. Não obstante, são os coordenadores os agentes que mais parecem dar importância à relação que o animador estabelece com todas as pessoas que constituem um campo de férias. Neste sentido, para o coordenador, o animador deve “ser capaz de ter uma boa relação com todas as pessoas que pertencem ao campo de férias”34. Além disso, deve cooperar com os outros animadores, de forma a originar “bom espírito de equipa, o que é muito importante pois os participantes 30animador#1 31animador#2 32coordenador#4 33animador#4 34coordenador#4
apercebem-se”35. Estes, para além de sentirem um ambiente mais familiar, ficam também com a noção que não podem ‘jogar’ com a equipa de animadores, ou seja, se houver uma recusa a algum pedido do participante ao animador 1, não vai conseguir o que quer perguntando ao animador 2, pois a resposta será a mesma.
Também o animador confere importância à interacção, principalmente em relação ao espírito de equipa, pois o que muitas vezes acontece é que um ou mais elementos dessa equipa falham nas suas funções, sobrecarregando todos os outros, tornando assim o trabalho mais exaustivo e fastidioso. O animador fica, igualmente, sem tanta disponibilidade para a interacção com os participantes numa situação como a descrita. Por outro lado, o animador deve também participar nas actividades com os participantes, a fim de os motivar e, ao mesmo tempo, atribuir importância à mesma.
Para o director, esta interacção relaciona-se com o “garantir que as relações entre participantes sejam boas” e com a necessidade de “realçar o papel dos participantes”, para assim evitar o protagonismo do animador que deve possuir um “papel relativamente invisível”. Com efeito, tal como é sugerido por Jesus (s/d cit. p/ Silva, 2002), o animador não deve competir para sobressair em relação aos outros, mas sim integrar-se para realizar trabalho em grupo, ou seja evitar o “estrelismo”.
No que concerne à sub-categoria espírito criativo, quer para os coordenadores, quer para o director, esta parece ser fundamental para se ser capaz de “improvisação”36, de “animar as actividades”37 e de “polivalência”38, ou seja, “ser capaz de entrar em várias áreas”39. Por outras palavras, para estes agentes, o animador deve ter a capacidade de assumir funções distintas, dado que muito frequentemente lhe são solicitadas tarefas, tais como criar uma peça de teatro ou organizar um concurso de fotografia. Por conseguinte, é natural que 35coordenador#4 36coordenador#4 37director 38coordenador#4 39coordenador#4
sejam os coordenadores e o director a enunciar esta capacidade, na medida em que a esperam de um bom animador, pois apenas estes são capazes de realizar o