A análise da perspectiva sistêmica desenvolve-se, segundo Whittington (2002), na percepção de que as razões por trás das estratégias são peculiares a determinados contextos sociológicos. As principais questões utilizadas para a análise estão relacionadas a como se desenvolve e se planeja dentro dos ambientes, as razões por trás das estratégias e como o associado interfere neste processo, e o que abrange os resultados e como estão relacionados ao ambiente social.
A partir das entrevistas verificou-se que para os dirigentes da Associação, quando se planeja, primeiro se deva preocupar com o que não deu certo, e corrigir os pontos negativos para não se repetir erros. Com relação a interferência dos associados, existe um pressão para seguir determinado rumo, venda para determinada empresa, resolver determinado problema. A falta de conhecimento no processo de planejamento pela direção, gera um tipo de gestão paralela, onde vários associados também passam a achar que deveriam fazer algo. Surgem os conflitos e vertentes. Há divergências entre a diretoria e alguns associados, relacionadas ao destino dos produtos, entre outras questões.
Observa-se pelo que foi acima descrito, problemas de gestão, relacionados a princípios de eficiência, competência, estrutura, comando, planejamento, entre outros, que caracterizam, pela ausência dos mesmos, o tipo de ambiente organizacional.
Por traz do processo de decisão depara-se com várias interferências. Os associados interferem nos resultados, tem associados que ficam de acordo com tudo, mas não agem como o acordado. Na opinião dos associados, tem certos associados que “jogam contra” acham que a Associação é algo independente, não tratam como se deles fosse. Acham que a Associação deve prestar serviços para ele, não entendem que fazem parte da mesma. Não se comprometem, querem apenas vender bem seu produto , não se agrupam, não vêm as dificuldades dos colegas. As interferências dos associados limitam o que poderia ser realizado de melhor forma.
Nota-se uma situação de conflito entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais, numa visão não de alinhamento, mais de confrontação, ou de conformação. Assim distancia-se do conceito de organização que segundo Etzioni (1989, p.3), “os objetivos organizacionais tem várias funções, entre elas, ser a fonte de legitimidade que justifica suas atividades”
Nas entrevistas evidenciou-se que a Associação, busca como resultado, o bem estar do produtor, pois se ele não ganhar dinheiro fica desestimulado. Neste sentido, o resultado perseguido é: melhorar a vida do associado. Observa-se no entanto que mesmo que o lote, o solo, a água sejam os mesmos, alguns tem a produtividade e qualidade mais elevada, consequentemente alcançam um melhor padrão de vida. A direção esta implementando ações de visitas e conscientização do associado para melhor orientá-los, buscando melhorar sua situação. O objetivo da Associação não é só o lucro mas o bem estar e melhorias nas condições sociais, mas na pratica o que os associados querem ver são os resultados financeiros. Ações como a disponibilização de uma sala de informática para os associados, multirão, muitos acham “careta”, e só valorizam o lado financeiro.
O mercado justo disponibiliza prêmios para promover o bem estar na Associação, porém alguns associados achariam melhor distribuir o dinheiro do que fazer algo de cunho social. O Fair Trade ajudou muito na estruturação econômica e social, disponibilizando maquinas de embalar, empilhadeira, computadores, sala de vídeo, ar condicionado, internet, efetuando ações sociais para melhorar as condições da Associação e dos associados.
4.3.5 Contexto social
Pela análise do contexto social, verificam-se elementos semelhantes na análise da perspectiva sistêmica realizada anteriormente, decorrente da visão dos aspectos sociológicos envolvidos na mesma. Nesta dimensão, procurou-se, entender a Associação, a partir do conceito de Etzioni (1989), como unidades sociais deliberadamente construídas, apoiado ainda na visão de Berger (1989), segundo o qual, as organizações devem ser vistas como arenas relacionadas a interesses e objetivos diversos.
Observou-se então que os diferentes interesses geram conflitos na Associação, surgindo então grupos que são favoráveis a determinados métodos de trabalho e outros não, bem como conflitos políticos. Nessas situações ainda prevalece o direcionamento da diretoria, mas com muita pressão, o que ocasiona desgaste, deixando de capacitar, pois não tem como melhorar o aprendizado, surgindo os atritos. Mas, tudo isto pode ser entendido como parte do processo em uma Associação nova em desenvolvimento.
A contratação de um gerente executivo para agregar e envolver os associados a terem domínio do processo de gestão, parece ter sortido efeito oposto ao afastar mais ainda alguns associados.
Destaca-se a partir do que foi acima relatado, a visão de Goffman (1975), que argumenta que os atores sociais, que identificam o tipo de contexto social vivido em sua experiência atual, interpretam a situação e procuram seu tipo de papel e código de conduta, ou seja, nota-se a busca da identificação e posicionamento de papéis.
O contexto da visão social é impactada pelos resultados, alguns não vêm a Associação como bom negocio, têm uma visão de fora para dentro como se não fizessem parte dela.
As divergências surgem de diferentes formas, relacionadas à questão de preço, principalmente com relação ao atravessador. Em função das muitas divergências, está se trabalhando a organização de uma cooperativa, com um grupo de 27 associados. Na visão dos associados é complicado trabalhar, os interesses são diversos e há diferenças políticas, tenta- se então, com a criação da cooperativa, unificar os interesses.
Destaca-se neste desdobramento que está sendo seguido com relação à cooperativa, um redirecionamento, um reagrupamento, onde outros interesses e valores, refazem as interações sociais.
Os associados relatam ainda que, num processo mais participativo, quando existem opiniões divergentes, coloca-se o problema, e há uma votação. Na associação isto não acontece. Com relação à colaboração em situações divergentes é algo que ainda se trabalha para obter. Em algumas situações nem sempre os interesses diversos são atendidos. As divergências quando não solucionadas, ocasionam problemas, coisas que precisam ser resolvidas, mas são deixadas de lado devido a interesses ou outro objetivos. As situações de divergências aparecem principalmente nas horas de oscilação de preço. Busca-se a ver como envolver o associado e a comunidade. Nas atividades realizadas pelas empresas que dão apoio a Associação, percebia-se certas divergências, mas na verdade os pontos de vistas assemelham-se. Em atividades de planejamento normalmente chega-se a algum consenso.