Prop´ erades et PROPs
CHAPITRE 2. PROP ´ ERADES ET PROPS
4. PROP ´ ERADE ET PROP LIBRES, QUADRATIQUES
"RSE é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem voluntariamente contribuir para uma sociedade melhor e um ambiente mais limpo"
Há muitas definições da ideia de Responsabilidade Social Empresarial (RSE), de acordo com a agência a tomar. Duas são particularmente interessantes:
“Responsabilidade Social é a forma de conduzir os negócios de uma empresa de modo que esta se torne co-responsável pelo desenvolvimento social. Uma empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e incorporalos no planejamento de suas atividades, buscando atender a demandas de todos eles, não apenas dos acionistas ou proprietários”1
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"RSE é o compromisso contínuo por parte das empresas a se comportar de forma ética e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando a qualidade de vida dos funcionarios e suas famílias, da comunidade local e da sociedade em geral"2
O conceito de RSE, incorporando as forças das interconexões, é um assunto recente nas discussões do mundo acadêmico e corporativo. Os grandes destaques em relação ao assunto começaram com a publicação de Howard Bowen em 1953, seguido de outros estudiosos, inclusive do arauto da Administração, Peter Drucker.
Embora o conceito se tenha tornado popular recentemente, pode-se traçar suas origens no século XIX, no marco do cooperativismo e o associacionismo; no entanto, é no século XX, com o desenvolvimento do Estado de Bem-Estar e do aumento do sentimento filantrópico, quando se coloca dentro das instituições. Embora a expressão tenha surgido nos anos 1950-1960 nos EUA, na Europa começou a se desenvolver nos anos 1990, quando a Comissão Europeia utilizou o conceito para envolver os empresários em estratégia de emprego que geraria maior coesão social. Durante essa década, Estados e organizações internacionais apoiaram a sociedade civil nas suas
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Instituto Ethos - Brasil (2005).
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chamadas ao setor privado da economia para criar um modelo da gestão moderna, que aportasse soluções aos novos problemas nascidos com esta realidade em mudança, derivada da globalização. A Organização das Nações Unidas - ONU, a União Europeia - UE e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE começaram a dar uma orientação cada vez maior sobre diferentes aspectos da RSE (Santos et al., 2006).
Do Fórum Econômico Mundial em Davos (1999), surge o Pacto Global, tentando envolver as empresas nos princípios da RSE. Após a Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro (1992), a de Nova York (1997) e a de Joanesburgo (2002), a RSE recebeu grande apoio da sociedade, com o debate sobre a necessidade de um quadro regulamentar e formalização de políticas de RSE, como algumas das questões mais importantes. Estas cobranças encontraram suas primeiras respostas no ano 2000, com a publicação da versão definitiva do primeiro Global Reporting Initiative - GRI, que forneceu às empresas critérios básicos para a elaboração dos relatórios de sustentabilidade. Um ano mais tarde, a UE publicou o seu Livro Verde, onde lançou as bases do Marco Europeu de RSE. Desde então, a resposta dos Estados em matéria de RSE tem sido heterogênea. No contexto europeu, a Dinamarca e o Reino Unido encontram-se no topo da lista de atividades, com um secretário de Estado para a RSE a Suécia tenta envolver de maneira prioritaria as empresas públicas na RSE; a França foi um dos primeiros a desenvolver um quadro de política nacional e a Alemanha concentra-se mais em propostas voluntárias (Santos et al., 2006).
Nesse estudo da evolução da RSE, Schmidt e Bohnenberger (2009) assinalam que o termo coorporativo pode dar o entendimento da responsabilidade social apenas dentro das organizações. Para Schmidt e Bohnenberger (2009), a responsabilidade social empresarial deve ser utilizada estrategicamente, de forma a alcançar as pessoas dentro e fora da empresa. A organização pode aliar modelos da gestão empresarial focados no conhecimento em conjunto com um modelo de responsabilidade social corporativa. Dessa forma, algumas instituições defendem esse vocábulo sob diversos ângulos. Chamam a atenção, porém, a aceitação e a aplicação internacional do conceito de responsabilidade declarado pelo Ethos em 2005, que acentua, “o conceito de responsabilidade social aplicado à gestão dos negócios se traduz como um compromisso
ético voltado para a criação de valores para todos os públicos com os quais a empresa se relaciona: clientes, funcionários, fornecedores, comunidade, acionistas, governo, meio ambiente”.
A polêmica sobre o assunto se manteve e ainda se conservará por algum tempo, pois o mundo dos negócios alegava que o objetivo das corporações situava-se na geração de lucros para seus stakholders, e o conceito de sustentabilidade não se encaixa nesse objetivo. Friedman (1977, p. 116), corroborando, aponta que, em uma economia livre, "há uma e só uma responsabilidade social do capital - usar seus recursos e dedicar-se a atividades destinadas a aumentar seus lucros até onde permaneça dentro das regras do jogo, o que significa participar de uma competição livre e aberta, sem enganos ou fraudes".
Carrol (1979) sugere a responsabilidade social das corporações como obrigações das organizações com a sociedade. Transcendia o conceito econômico de gerar lucros e seguir as normas das empresas. Alguns pesquisadores, sobre o assunto, acreditavam que a responsabilidade social empresarial se resumia a atividades meramente voluntárias desenvolvidas pela empresa (Manne, Wallich, & Carrol, 1979).
Durante a década de 1970, o Comitê de Desenvolvimento Econômico adotou a sustentabilidade baseada na Teoria dos Três Círculos. O primeiro se refere à eficiência econômica das empresas e sua função de gerar produtos para vender à sociedade, produzir trabalho e impulsionar a economia local. O segundo analisa o papel da empresa de oferecer empregos e contratar pessoas, manter um contato humano entre empregador e empregados e sua missão em conservar os recursos naturais. O terceiro círculo engloba a ideia da empresa que auxilia a sociedade a minimizar suas mazelas, tais como a miséria e a fome.
Acompanhando este debate até então, torna-se evidente o fato de que a conceituação de responsabilidade social ainda não possui uma padronização de termos e conceitos, porém Carrol (1979) sugere que o pensamento evolua com conhecidência em três etapas, a primeira das quais consiste na obrigatoriedade da empresa em seguir as regras de mercado e as leis, a segunda em alinhar as ações da empresa no sentido de se convergirem com as normas, valores e expectativas da sociedade, e a terceira consiste
na capacidade de as organizações agirem além das pressões da sociedade, investindo uma visão de benefício em longo prazo para a sociedade.
O primeiro modelo analisado pelo autor para compreender o conceito de responsabilidade social está baseado em quatro necessidades, simultâneas e inseparáveis, da sociedade divididas em quatro etapas. A primeira e de maior importância consiste na responsabilidade econômica da empresa, a segunda na responsabilidade legal, a terceira na responsabilidade ética e a última na responsabilidade discricionária. Como noticia Carrol (1979), a responsabilidade econômica é o papel primordial da empresa: oferecer produtos ou serviços para vender à sociedade. Responsabilidade legal significa tornar a organização lucrativa, seguindo as normas, leis e regulações impostas para a atividade. A responsabilidade ética é a capacidade da empresa em seguir preceitos que, mesmo não constituindo uma lei formal, a sociedade espera da organização. A responsabilidade discricionária são as atividades que a empresa assume perante a sociedade, mesmo que estas não sejam esperadas legal, etica ou economicamente. Consiste de um ato puramente voluntário da empresa perante a comunidade.
O modelo descrito configura uma base de referência para compreender a responsabilidade social, pois este assunto é dinâmico e algumas necessidades da sociedade, como as contidas na responsabilidade ética, mudam ao passar dos anos. O autor acredita que o modelo de responsabilidade social é apenas um fator que deve ser analisado junto com as questões sociais e a filosofia da responsabilidade (estratégia do negócio) para formar a responsabilidade social empresarial.
Considera ainda que o ambiente que envolve as questões sociais deve ser compreendido por parte de cada organização, pois, com o apoio em estudos realizados pela Holmes (1999), variadas empresas podem ser alvo de pressões éticas pela sociedade. “Um banco, por exemplo, não é tão pressionado sobre assuntos ambientais como uma fábrica.” (Holmes, 1999, p. 501).
Compreende-se, então, que a filosofia da responsabilidade consiste na capacidade da empresa em produzir ações proativas de responsabilidade social (Pompeu & Marques, 2013).
Na visão de Melo Neto e Froes (2001), a responsabilidade deve chegar, tanto interna como externamente, a organização. Para esses autores, não basta que uma empresa adote ações para a melhoria de sua comunidade externa sem a preocupação com seus funcionários, com sua qualidade de vida e no atendimento de suas necessidades básicas. Essa visão mais abrangente contribui para a definição de estratégias e ações de responsabilidade social, de forma a criar uma consciência, em seus agentes, dos papéis que podem atuar. Trabalhar a responsabilidade social interna não exclui a externa, conforme o direcionamento institucional adotado.
Assim, a responsabilidade social deve ser encarada como um processo que visa ao aprimoramento das relações entre os diversos agentes que compõem o cenário social. Esse panorama engloba as organizações, governo, comunidade civil e a sociedade. O estudo do capital social inerente a esse cenário oferece o entendimento de como as relações entre os agentes podem ajudar na melhoria da qualidade de vida das pessoas (Dobers & Halme, 2009).