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COMPLEXE DE KOSZUL

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Dualit´ e de Koszul

CHAPITRE 7. DUALIT ´ E DE KOSZUL

4. COMPLEXE DE KOSZUL

Como ensina Capra (1999), o enfoque sistêmico tem como eixo as propriedades de plasticidade e de flexibilidade, com características de auto-organização e de autotranscendência. A auto-organização é o princípio da organização e manutenção dos elementos e da dinâmica dos sistemas. A autotranscendência é a base da renovação, aprendizagem e evolução dos sistemas. Ambos os princípios, em movimentos complementares, são responsáveis pela manutenção e crescimento dos sistemas vivos. Sob esse enfoque biológico, a ordem preconizada para qualquer sistema é que ele cresça de forma espontânea, criativa, adequada e ordenada em si mesmo.

Esses dois princípios são básicos na evolução e integram elementos de naturezas diversas e variados entre si. Assim sendo, a explicação do todo considera as distintos partes nos elementos, características e princípios. Num enfoque inverso, tais partes também retratam elementos, características e princípios do todo.

Os movimentos complementares, por sua natureza, exigem uma explicação dialética ou princípio dialógico. Na perspectiva de Morin (2004) , quer dizer que é impossível chegar a um princípio único ou causa primeira, logo, aplicar este princípio “significa articular, mantendo a dualidade no seio da unidade, sem pretender realizar uma síntese como acontece na dialética” (Vasconcellos, 2002, p. 114) que dê sustentação à dinâmica do crescimento.

Hegel (1992) propôs o método dialético como forma de ensinar a pensar e a entender o curso da história. Baseia-se no princípio de que só a história é real e pode explicar os fatos. É o caminho para se chegar à verdade. Esta é alcançada no confronto do “eu”, do ponto de vista interior, com o “eu”, sob o prisma do mundo. A vida representa uma luta de forças que se tentam combinar umas às outras, resultando numa unidade mais elevada. Debaixo de uma diversidade superficial, apreendida sensorialmente, existe sempre uma unidade profunda e motriz. Esta unidade é a própria espontaneidade e a criatividade proposta na visão sistêmica e constante na evolução dos sistemas.

A visão sistêmica significa que fez uso do pensamento sistêmico e, segundo Morin (2004), “a recursividade se define como organização de elementos segundo um processo de autoprodução ou, mais simplesmente, seguindo uma causalidade linear em sincronia.” (p. 98).

A visão sistêmica oferece um complexo universo de conceitos sob vários títulos e referências práticas, tornando-se difícil um consenso na sua compreensão. Conforme Morin (2004, p.98), “[...] a ausência de receio da desordem, da explosão, sabendo que brotará uma nova ordem e que os enunciados ordenados gerarão, por sua vez, componentes criadores”.

A elaboração epistemológica desse conhecimento considera as dimensões da complexidade, da instabilidade e da intersubjetividade que, consoante Vasconcellos (2002, p. 147), são pressupostos que “[...] constituem em conjunto uma visão do mundo sistêmico.”

Pensar complexamente significa pôr em evidência as relações até então obscurecidas pela simplicidade adotada no paradigma científico cartesiano, que focaliza o objeto ou o

acontecimento; significa contextualizar os fenômenos e reconhecer a causalidade recursiva.

Contextualizar significa ver o objeto existindo no contexto. Na visão de Vasconcellos (2002, p.113), “[...] contexto não significa simplesmente ambiente, mas se refere às relações entre todos os elementos envolvidos”.Acrescenta, ainda, que as operações lógicas consequentes sejam de distinção e conjunção que permitirão ver a complexidade organizada.“Trata-se de promover uma articulação, sem reduzir ou eliminar as diferenças”.

Assim, Vasconcellos (2002, p.114) acrescenta: “[...] pensar o objeto em contexto significa pensar em sistemas complexos cujas interações e retroações não se inscrevem numa causalidade linear – tal causa produz tal efeito – e exigem que se pense em relações causais recursivas”.

Entende-se por causalidade recursiva o que Morin (2004, p.123) indica como “...processos em que os efeitos e produtos são necessários ao próprio processo que os gera. O produto é produtor daquilo que o produz”.

As organizações dos quadros dos modelos sistêmicos, na sua visão histórica e prática, estendem aos pressupostos epistemológicos da complexidade próprios do paradigma sistêmico, disponibilizados a aplicações por meio de um pensamento integrador, que neste enfoque se denomina de atitude.

Outro pressuposto da nova Ciência própria do pensamento sistêmico, é a instabilidade do mundo que se manifesta por intermédio do caos, ou, conforme Vasconcellos (2002), o que popularmente é chamado de crise, já conhecida, porém, até então postergada pela comunidade científica. Só recentemente os cientistas vieram a aceitar a influência do pesquisador no objeto pesquisado. Estudando o mundo subatômico, ele identifica o fato de, ao se lançar luz sobre o elétron para vê-lo, modifica-se o seu percurso, afetando a sua velocidade e posição.

Os estudos de Heisenberg, físico quântico, formularam o “princípio da indeterminação”, que manifesta a lógica da desordem, dinâmicas caóticas, incertezas e assimetrias, além de fenômenos imprevisíveis do universo. As descobertas mostram que “[...] o cientista

se torna uma intervenção perturbadora sobre alquilo que quer conhecer.” (Vasconcellos, 2002, p.109).

A noção de que apenas o objeto se modifica cede espaço para a consideração de que não só o objeto muda, mas observador também, e estes se modificam por meio de um número infinito de probabilidades em influências mútuas.

Esta instabilidade demonstra o mundo em processo. Um universo de possibilidades passíveis de atualização, dependendo das eleições de opções e das redes de relações que se estabeleçam em um determinado tempo.

Vasconcellos (2002) considera que a crença num mundo estável, num “mundo que já é”, em que as coisas se repetem com regularidade, foi revista. Hoje, se pensa em um mundo instável, um processo de tornar-se, em transformação contínua e formado de constante auto-organização. A instabilidade contradiz a ideia de um mundo acabado e definido, e abre a concepção de um mundo de “vir-a-ser”.

Na intelecção de Costa (2006, p. 19), “a instabilidade no novo paradigma surge como mais um pilar, pois a incerteza produzida a partir da ideia de caos ocasiona uma imprevisibilidade de ações, abrindo espaço para a instabilidade sempre presente”. Considera-se, ainda, que, nas Ciências Humanas, a noção de instabilidade já era evidente e faltava essencialmente à Física incorporar essa ideia para concretizar a necessidade de um novo paradigma. Pode-se identificar facilmente a instabilidade com a segunda Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia formulada na Física, nos estudos de fenômenos do calor ou fenômenos térmicos.

Define-se a entropia como “[...] uma medida da desordem molecular, concluindo que a “segunda lei” descreve a evolução do sistema para o estado mais provável, o de maior desordem, em que, não sendo possível realizar trabalho, não há mais acontecimentos.” (Vasconcellos, 2002, p.122). Desde então, a dificuldade, inclusive de objetividade identificada como de trato difícil nas Ciências Biológicas e Sociais, passou a ser também na Física.

Assim ocorre com os processos que atingiram o grau máximo de entropia, o de maior desordem em que não podem mais realizar trabalho nem promover mais acontecimentos, quando o tempo avança no sentido do aumento da desordem e da entropia. Pode acontecer de alguma flutuação restaurar o estado inicial do processo. Além da presença do observador, interferindo na realidade e podendo modificar o fenômeno pesquisado, é possível entender a necessidade de incluir a denominada flecha do tempo, ou seja, ante a possibilidade de alguma flutuação, poder restaurar o estado inicial do processo.

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