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O arcabouço estratigráfico da BRP foi inicialmente estudado por Braun (1969), Albuquerque (1970) e Mabesoone & Campanha (1974). Baseado em dados lito e bioestratigráficos, Braun (1969) formalizou a coluna estratigráfica da bacia, dividindo-a em unidades informais: A (basal e psamítica), B (média e pelítica) e C (superior e também psamítica) que foram, posteriormente, redesignadas por Albuquerque (1970) e Mabesoone & Campanha (1974) como três formações: Antenor Navarro, Sousa e Rio Piranhas, respectivamente da base para o topo, compondo o Grupo Rio do Peixe.

Lima et al. (1987) realizaram um estudo palinológico na sondagem Lagoa do Forno, e constataram o caráter não-marinho da seção analisada. As interpretações apontaram para uma idade que varia entre o Neojurássico Superior e o Eocretáceo, além de correlacionar, face ao contexto tectônico regional, a BRP à uma porção isolada aflorante da Fm. Pendência da Bacia Potiguar.

Apesar da compartimentação da BRP em sub-bacias, Córdoba et al. (2008) e Nunes da Silva (2009) defendem que estes depocentros integravam uma única bacia durante o Eocretáceo, cujo preenchimento é representado pela sucessão sedimentar correspondente ao Grupo Rio do Peixe. Analisando seções sísmicas, estes autores interpretam que o contato entre estas unidades ocorre de forma interdigitada, sendo, portanto, em parte cronoequivalentes.

A carta estratigráfica vigente atualmente para a BRP foi publicada por Córdoba et al. (2008) por meio dos resultados obtidos pelo projeto “Bacias Interiores” (Petrobras- UFRN-PPGG) e trabalhos prévios (Figura 2.5).

Rapozo, B. F. - Evolução tectono-estratigráfica da porção central da Bacia do Rio do Peixe, NE do Brasil Figura 2.5 – Carta estratigráfica vigente para a Bacia do Rio do Peixe, exibindo a relação de interdigitação e contemporaneidade entre grande parte das unidades que constituem o Grupo Rio do Peixe nos principais depocentros da bacia. (Córdoba et al., 2008).

A Formação Antenor Navarro reúne conglomerados e arenitos conglomeráticos desorganizados e matriz-suportados, e principalmente arenitos conglomeráticos com estratificações cruzadas tabulares e acanaladas. Tais arenitos são representativos de leques aluviais, fluviais entrelaçados grossos ou fluviais distributários desenvolvidos a partir das margens flexurais ou rampas direcionais. Paleocorrentes indicam direção de transporte para SE e S, com variações para E ou WSW (especialmente em margens direcionais; Córdoba et al. 2008).

A Formação Sousa é composta por folhelhos e siltitos intercalados a arenitos, apresentando estruturas como marcas onduladas, laminações plano-paralelas e cruzadas, gretas de contração e calcretes. Representam sistemas deposicionais distintos, que vão desde sistemas subaquosos até aqueles formados por drenagens efêmeras, com paleocorrentes seguindo direção similar às obtidas para os litotipos da Formação Antenor Navarro (Córdoba et al. 2008).

A Formação Rio Piranhas agrega arenitos grossos e conglomerados desorganizados matriz-suportados que representam sistemas de leques aluviais de margem falhada associados a sistemas fluviais entrelaçados. Paleocorrentes indicam sentido para NW ou N, confirmando que a área fonte deste sistema localizava-se nas ombreiras dos semi-grabens. Esta unidade também apresenta arenitos finos a grossos com estratificações cruzadas, intercalados a pelitos (Córdoba et al. 2008).

Rapozo, B. F. - Evolução tectono-estratigráfica da porção central da Bacia do Rio do Peixe, NE do Brasil Estudos com viés biocronoestratigráfico, como os trabalhos de Braun (1966; 1969), Lima & Coelho (1987), Regali (1990), Ponte et al. (1991) e Arai (2006), apontam o preenchimento sedimentar da BRP tem idade Berriasiana a Barremiana, tendo ocorrido, portanto, no Eocretáceo. Apesar de Ponte et al. (1991) admitirem que a BRP sedimentação da BRP apenas no estágio rifte neocomiano, estudos mais recentes, baseados em análises palinológicas de três poços perfurados pela Petrobras, indicaram a existência de uma seção siliciclástica sotoposta à seção rifte, de idade eodevoniana, cujas associações de palinomorfos apontam para uma idade lochkoviana – praguiana? sotopostas à seção rifte (Roesner et al., 2011).

Silva et al. (2014), com base em dados de afloramentos, sísmicos e de perfis geofísicos, formalizaram a referida sequência siliciclástica eodevoniana, classificando-a nas formações Pilões e Triunfo, reunidas no Grupo Santa Helena, além de reconhecerem uma unidade informal vulcanoclástica, formada por ignibritos e brechas coingnibríticas denominada de “Brecha Vulcânica Poço da Jurema”. A Formação Pilões é composta por pelitos, arenitos finos a muito finos, com brechas e conglomerados subordinados, tendo sido formada a partir de leques deltaicos e fluvio-deltaicos. A Formação Triunfo é composta por arenitos grossos a conglomeráticos, cauliníticos com estratificações cruzadas, e conglomerados, com pelitos e arenitos finos intercalados; esta associação é interpretada como depósitos fluvio-deltaicos, do tipo entrelaçado. Segundo estes autores, o Grupo Santa Helena corresponde a uma tectonossequência depositada em um graben de direção NW-SE, durante um ciclo transgressivo-regressivo, cujo limite inferior é representado por uma discordância litológica e angular com o embasamento cristalino e o limite superior constitui uma discordância erosional e angular, envolvendo um hiato de cerca de 265 milhões de anos.

2.4.1 Sismoestratigrafia e Tratos de Sistemas

A caracterização da expressão sísmica das unidades correspondentes ao Grupo Rio do Peixe foi realizada por Córdoba et al. (2008)

A expressão sísmica da Formação Antenor Navarro revela uma geometria tabular, ocorrência de sismofácies shingled, cuja direção de fluxo sedimentar é consistente com a interpretação de sistemas deposicionais progradantes de NW para SE. O intervalo sísmico correspondente à Formação Sousa exibe refletores descontínuos e desordenados que

Rapozo, B. F. - Evolução tectono-estratigráfica da porção central da Bacia do Rio do Peixe, NE do Brasil passam lateralmente, em direção ao depocentro, para reflexões mais contínuas que divergem e espessam em direção a falha de borda. O intervalo sísmico relativo à Formação Rio Piranhas, por sua vez, exibe sismofácies caótica que passam, em direção a NW, para sismofácies paralelas a sub-paralelas da Formação Sousa.

Córdoba et al. (2008) dividiram a Tectonossequência Rifte dois tratos de sistemas deposicionais, separados por uma Superfície de Inundação Máxima (SIM). Durante a fase inicial, a taxa de criação de espaço de acomodação era maior do que a de aporte sedimentar, resultando em um arranjo retrogradacional de fácies. Esta fase foi relacionada ao trato de sistemas basal, chamado de Transgressivo. Na fase final, que foi designada como Trato de Sistemas Regressivo, esta relação se inverte e as fácies apresentam um caráter progradacional. Esta fase foi resultada de uma diminuição da atividade tectônica, e, consequentemente, da acomodação, fazendo com que os lagos fossem se tornando progressivamente mais rasos sob condições climáticas semi-áridas.

A integração de dados de campo, das análises faciológicas em afloramentos e dos resultados da análise sismoestratigrafia de Nunes da Silva (2009) resultou na individualização e três tratos de sistemas tectônicos (segundo o modelo de Kuchle 2007): 1)Trato de Sistemas Tectônico de Início de Rifte; 2) Trato de Sistemas Tectônico de Clímax do Rifte e 3) Trato de Sistemas Tectônico de Preenchimento do Rifte.

Pichel (2014) interpretou, com base no modelo proposto por Kuchle & Scherer (2010) para bacias do tipo rifte, quatro tratos tectônicos, a saber: TST de Início de Rifte, TST de Desenvolvimento de Meio-Graben, TST de Clímax do Rifte e TST de Final do Rifte), representando um ciclo completo, denominado de Sequêcia Rifte I. A ocorrência de alguns onlaps em direção à margem flexural sobre a superfície de final do rifte e o avanço de sismofácies caótica indicam, segundo o autor, um novo aumento da atividade tectônica. Neste contexto, o autor sugere a existência de pelo menos duas sequencias rifte, sendo a primeira a que contempla um ciclo completo e, a segunda, a que preserva apenas as seções basais.

Souza (2016) reconhece para a mesma bacia, três dos quatro tratos de sistemas tectônicos definidos por Kuchle & Scherer (2010): TST de Início de Rifte, de Desenvolvimento de Meio-Graben e Clímax de Rifte. Os tratos reconhecidos neste

Rapozo, B. F. - Evolução tectono-estratigráfica da porção central da Bacia do Rio do Peixe, NE do Brasil trabalho divergem daqueles reconhecidos por Pichel (2014) no tocante à ocorrência do TST de Final do Rifte e à existência de uma sequência superior.

Rapozo (2017) analisando cinco seções sísmicas localizadas na porção sudeste do SgS dividiu o registro sedimentar em sequências deposicionais de 3ª ordem, compostas por ciclos transgressivos-regressivos de acordo com o modelo e tratos de sistemas deposicionais proposto por Chiossi (2005), permitindo interpretar sucessivos ciclos que registram momentos de intensa atividade tectônica e quiescência na bacia.

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