B. Reconnaissance du contour
B.2 Analyse du contour
B.2.1 Première méthode utilisée
Fonte: Adaptado de www.crusing.org
Em relação à oferta de camas*dia, ou seja, levando em ponderação a duração dos cruzeiros em cada uma das regiões, releva-se a América do Norte e Central, pois constituiu, em 1999, perto de 70% da oferta total e, em especial as Caraíbas e Bahamas, com 43%. O Mediterrâneo, por sua vez, representou mais de metade da oferta da Europa, tendo representado 12,9% das camas*dia em 1999 (Quadro 21). Apesar do forte crescimento da actividade dos cruzeiros na Europa, “(...) as costas
atlânticas não constituem ainda um destino por si só. Elas são visitadas por pequenas unidades oferecendo serviços de alta gama, na sequência do posicionamento dos navios entre o Norte e o Sul da Europa, ou no momento das migrações transatlânticas”
(ISEMAR a: 2000, p.2)50.
Porém, o Mediterrâneo apresenta-se como uma região em expansão e com um grande potencial de desenvolvimento futuro. Em comparação com a zona das Caraíbas, que oferece essencialmente um produto relacionado com as praias e a vida a bordo, o Mediterrâneo afirma-se no mercado dos cruzeiros através da sua riqueza histórica, patrimonial, cénica, cultural51 (SACCHI: 2000).
50 De acordo com Cédric Rivoire-Perrochat, director de marketing da RCCL em França, o mercado dos cruzeiros abre- se lentamente à clientela europeia. Os preços, ainda muito elevados na Europa, deverão tornar-se mais concorrenciais, sendo já previsível a descida dos tarifários, a curto-prazo, no Mediterrâneo.
51 A existência de grande número de portos e cidades de escala, que possibilitam uma série de itinerários alternativos, e as boas condições climáticas que favorecem o prolongamento da actividade dos cruzeiros fora do Verão, são outros factores que explicam a expansão da actividade na região do Mediterrâneo.
(000) %
América do Norte e Central 31.721 69,2
Caraíbas e Bahamas 19.729 43
Riviera Mexicana e Panamá 5.565 12,1
Alaska 4.152 9,1
Bermudas e Nordeste Atlântico 2.277 5
Europa 10.336 22,6
Mediterrâneo 5.899 12,9
Noroeste da Europa 4.437 9,7
Resto do Mundo 3.757 8,2
Extremo Oriente e Sul da Ásia 338 0,7
Havai e Pacífico 1.918 4,2
América do Sul e Antártica 711 1,6
África e Oceano Índico 225 0,5
Cruzeiros circunterrestres 565 1,2 TOTAL 45.814 100 Camas*dia Duração média nº % (dias) Oeste do Mediterrâneo 757 4.867.627 41,4 7,2 Ilhas Atlânticas 159 1.507.047 12,8 9,6 Adriático 268 2.019.659 17,2 7,7 Este do Mediterrâneo 949 3.235.903 27,5 5,5 Mar Negro 17 141.281 1,2 12,9 TOTAL 2150 11.771.517 100 7 Camas*dia Cruzeiros Segmentos
QUADRO 21–CAMAS*DIA POR GRANDE REGIÃO DE OFERTA DO MERCADO DE
CRUZEIROS TURÍSTICOS (1999)
Fonte: Adaptado de www.crusing.org
Centrando a análise da oferta no Mediterrâneo, e levando em consideração os segmentos previamente explicitados, sobressai o Este do Mediterrâneo, com 949 cruzeiros, o que representa 44,1% do total. Porém, no que diz respeito às camas*dia, o Oeste do Mediterrâneo comportou, em 2002, mais de 40% do total da oferta, ainda que o Este ocupe a segunda posição com 27,5% daquele total. A duração média dos cruzeiros, para o conjunto da região, é de 7 dias, relevando-se o segmento do Mar Negro com cerca de 13 dias (Quadro 22).
QUADRO 22–OFERTA DOS CRUZEIROS NO MEDITERRÂNEO, POR SEGMENTO (2002)
Fonte: Adaptado de www.gpwild.com
Quanto aos portos de origem/destino do Mediterrâneo, destaca-se o Porto de Pireaus, na Grécia, que englobou, em 1999, perto de 30% dos cruzeiros desta área e 44 navios. Salientam-se ainda os portos de Veneza, Istambul, Barcelona e Génova, em relação ao número de navios, cruzeiros e passageiros. Lisboa, por sua vez, não
Pireaus 44 494 Veneza 31 198 Palma de Ma 7 158 Genova 21 135 Barcelona 22 149 Limassol 9 186 Istambul 26 104 Civitavecchia 19 87 Antalya 4 31 Southampton 5 23 Savona 2 18 Lisboa 15 20 Dover 7 13 Nice 4 28 Cannes 2 22 Greenock 1 4 Monte Carlo 7 20 Marselha 2 2 La Valletta 4 5 Liverpool 1 2 Harwich 2 2 Amesterdão 1 1 Aqaba 5 5 Copenhaga 1 1 Nápoles 2 7 Rouen 1 1 Kiel 1 1 Malága 5 5 Haifa 2 4 Bremerhaven 1 1 Heraklion 1 1 Safaga 1 1 Kusadasi 2 4 Sousse 1 11 Outros - 24 TOTAL - 1.768
Portos Navios Cruzeiros
constitui um porto relevante, no conjunto dos circuitos do Mediterrâneo, ao comportar apenas 1,1% dos cruzeiros e 15 navios (Quadro 23).
QUADRO 23–NÚMERO DE NAVIOS E CRUZEIROS EM PORTOS DA REGIÃO DO
MEDITERRÂNEO (1999)
Fonte: Adaptado de www.gpwild.com
No que respeita à concentração da oferta, relevam-se os operadores norte-americanos - Carnival e Royal Caribbean, por terem concentrado ¼ da capacidade da frota de cruzeiros turísticos, sendo ainda de assinalar a importância da Princess Cruises com pouco mais de 8% do total (Quadro 24).
nº % Carnival 37.430 13,2 Royal Caribbean 34930 12,3 P&O - - Princess Cruises 22.996 8,1 NCL 13.338 4,7 Celebrity 12.198 4,3 Holland America 14.564 5,1 Star Cruises 12.847 4,5 Outros 134.611 47,8 TOTAL 282.914 100
Operador Capacidade da Frota
QUADRO 24–CAPACIDADE DA FROTA DE CRUZEIROS TURÍSTICOS, POR OPERADOR (1998)
Fonte: Adaptado de www.crusing.org
2.3.4.1–A ATRACTIVIDADE DAS CIDADES E OS CRUZEIROS TURÍSTICOS
Até aos anos 50/60 os portos e as cidades cresceram juntos, o que, em parte, justifica que algumas das maiores cidades do mundo sejam também grandes portos. A problemática que se coloca actualmente na relação porto-cidade prende-se com a necessidade de reestruturação dos espaços portuários mais antigos, sendo de enfatizar as oportunidades que se colocam às cidades portuárias caso consigam tornar competitivas e ambivalentes as infraestruturas de interface com o meio aquático.
O papel das cidades na organização dos fluxos turísticos não se resume à simples geração de fluxos, ou seja à emissão de turistas. As cidades desempenham, muitas vezes, um papel fundamental no estabelecimento dos circuitos de cruzeiro, nomeadamente na escolha dos portos de origem, destino ou de trânsito dos cruzeiros turísticos. Este aspecto deriva não apenas da sua capacidade para disponibilizar uma série de serviços logísticos, exigidos pelos operadores das linhas de cruzeiro - serviços ao navio, à tripulação e aos passageiros, - mas também da própria capacidade de atracção da cidade. O estudo dos destinos dos cruzeiros mostra a mesma identidade entre as principais áreas de turismo e de cruzeiros, que coincidem com cidades e regiões com grande poder de atracção e muito frequentadas pelos visitantes.
Os turistas de cruzeiro constituem uma clientela complementar para os comerciantes e prestadores de serviços locais, contudo, o impacto económico pode ser menor do que se poderia pensar à partida, uma vez que muitas das actividades em terra já se
encontram contratadas aquando do cruzeiro e não são organizadas por empresas locais. Por outro lado, os próprios produtos turísticos (artesanato local, lembranças....) são vendidos a bordo, constituindo uma fonte de receita mais para os armadores do que para os comerciantes locais.
Para a cidade os cruzeiros representam ainda uma imagem de modernidade, de lazer ou mesmo de luxo. Note-se que o navio, comparado em tempos a um edifício, chegou a inspirar a arquitectura de Le Courbousier a propósito da “unidade mínima de
alojamento”. Actualmente é mais facilmente encarado como um quarteirão ou um
elemento urbano.
Por outro lado, no pressuposto de que a estadia tenha sido positiva, os milhares de turistas de cruzeiro constituem, certamente, um meio de publicidade e promoção da cidade. A grande diversidade de atracções turísticas permite à cidade responder a interesses turísticos muito diversificados, atrair indivíduos e ampliar o volume de turistas.
A variedade é um factor de atracção turística cada vez mais importante, pois possibilita aos turistas diferentes experiências ou vivências. No caso dos circuitos de cruzeiros, a diversidade é, também, assegurada pelas escalas (diferentes cidades, países e culturas).
A capacidade de afirmação de uma cidade na geografia da actividade dos cruzeiros pode ser analisada a duas escalas de análise – escala internacional e escala local/regional.
A primeira está intimamente ligada com a posição que ocupa nas redes de cidades e de transportes ao nível mundial, resultado da sua notoriedade internacional e da qualidade das suas infra-estruturas.
A centralidade de uma cidade nas redes de transporte favorece a sua posição na actividade dos cruzeiros. Se a existência de uma infraestrutura portuária é uma condição indispensável para a escala dos navios de cruzeiros, a existência de boas acessibilidades aéreas e terrestres reveste-se, também, de extrema importância.
A existência de um aeroporto intercontinental e de boas ligações aéreas pode justificar muitas escalas de navios de cruzeiro em cidades/regiões mesmo sem atracções turísticas relevantes. Quanto à escala local/regional, está associada à diversidade e à qualidade dos seus atractivos turísticos.
O transporte marítimo de passageiros constituiu, juntamente com a náutica de recreio as valências portuárias que melhor asseguram a articulação entre o porto e a cidade. Neste contexto, os terminais de cruzeiro assumem-se como espaços privilegiados de interface entre o porto e a cidade, a partir do qual se desenvolvem uma série de inter- relações. Mas não basta apenas dispor de boas infraestruturas portuárias, numa época em que as cidades e portos concorrem entre si para atrair mais linhas, o marketing é uma ferramenta cada vez mais importante na promoção de um destino turístico. Neste contexto, tem-se vindo a assistir ao desenvolvimento de parcerias público-privada, envolvendo os portos, as cidades e regiões, os órgãos responsáveis pelo turismo e os operadores privados (operadores turísticos e operadores de terminais de cruzeiro).
Estes acordos de parceria visam o desenvolvimento de programas comerciais e de marketing, bem como incentivar o investimento em acções promocionais e a concepção e identificação de “marcas turísticas” específicas.