touristique à travers la visite guidée
3. L’expérience de l’espace à travers la visite guidée
3.1. Pratiquer la visite guidée : suivre ou participer ?
A pesquisa TICs em domicílio (CGI 2008) nos mostra um desenho da exclusão digital no Brasil. Na tabela seguinte, temos acesso a um recorte desses dados.
72 Tabela 6 - Percentual de domicílios que tem acesso à internet no Brasil (%) – 2008*
* 20.020 domicílios abordados - Fonte:http://www.cetic.br
Os números da exclusão confirmam o abismo que ainda temos ao observarmos os índices. O primeiro índice apresenta o fosso entre os que têm acesso em relação aos que ainda não têm. No gráfico abaixo destacamos os índices para melhor visualizarmos os dados.
Entre a zona rural e a zona urbana podemos visualizar a diferença gritante de 16 pontos percentuais, em destaque no gráfico a seguir.
Sim Não Total 18 82 Urbana 20 80 Área Rural 4 96 SE 25 75 NE 7 93 Sul 20 80 Norte 7 93 Regiões Centro 21 79 Até R$ 415,00 1 99 R$416-R$830 4 96 R$831-R$1245 16 84 R$1246-R$2075 33 67 R$2076-R$4150 58 42 Renda familiar R$4151 ou mais 81 19
73 Ao destacarmos o acesso por região teremos graficamente:
No gráfico, vemos nitidamente, o quanto as regiões norte e nordeste ainda estão distantes da média nacional, ambas com um índice de 7%, como vimos na tabela acima, enquanto as outras regiões a superam significativamente.
Ao destacarmos graficamente o acesso diante da situação econômica da população, percebemos o quanto a inclusão digital no Brasil é um problema de ordem social.
74 Mesmo com as lan houses se espalhando por todo o território brasileiro, e com uma política de inclusão digital mais intensa nos três últimos anos, apenas 1% da população do primeiro decil de renda tem acesso à internet como podemos observar pelo gráfico.
Com relação ao uso do computador e lugares de acesso, temos: Tabela 7 - Local de uso individual do computador
Percentual sobre o total de usuários de computador* Renda
familiar casa público de centro acesso pago
trabalho casa de outra pessoa
escola centro público de acesso gratuito Até R$ 415,00 12 75 3 18 16 6 R$416-R$830 25 63 10 24 19 7 R$831- R$1245 41 51 20 25 17 3 R$1246- R$2075 58 37 29 23 15 3 R$2076- R$4150 77 22 35 21 15 3 R$4151 ou mais 90 16 44 17 15 3
Fonte: www.cetic.br - * Base: 7.542 entrevistados que usaram o computador nos últimos três meses em 2008. Respostas múltiplas e estimuladas.
Nos destaques, percebemos que os locais mais frequentados para realização do acesso pela população que ganha até R$415,00 reais (salário mínimo do período) são os centros públicos de acessos pagos, em primeiro lugar, em
75 segundo lugar aparece “a casa de outras pessoas”, seguida da escola, a sua própria casa, o centro público de acesso e por último o trabalho. A partir do segundo decil de renda, já percebemos uma pequena mudança nos locais de acesso: o acesso em centros públicos pagos apresenta um índice menor com uma baixa de 12 pontos percentuais; o acesso em casa duplica, ficando em segundo lugar, seguido da casa de outra pessoa, escola, trabalho, e por último, o centro público de acesso gratuito. O fato de aparecer a casa como lugar de utilização individual do computador nas duas primeiras faixas de renda, pode sinalizar que o programa “Computador para Todos” do Governo Federal está obtendo algum resultado, como podemos observar se compararmos com o item nos índices de 2007, apresentado a seguir.
Tabela 8 - Local de uso individual do computador Percentual sobre o total de usuários de computador em 2007* Renda familiar casa centro público
de acesso pago
trabalho casa de
outra pessoa escola centro público de acesso gratuito Até R$ 380,00 7 63 6 23 20 9 R$381-R$760 21 58 13 26 21 6 R$761-R$1140 38 50 23 26 15 5 R$1141-RS1900 53 38 33 26 18 8 R$1901 R$3800 74 29 37 19 15 4 R$3801 ou mais 78 23 49 25 14 2
Se compararmos as duas tabelas, na frequência dos anos de 2007 e 2008 no item “em casa”, temos uma subida significativa de 5 e 4 pontos percentuais, nas duas primeiras faixas de renda, afirmando uma resposta positiva para a aquisição de computadores nas camadas mais pobres da população brasileira. Contudo, com a comparação entre as duas tabelas, percebemos que a coluna um, que indica o uso de computadores em casa, vai subindo gradativamente os percentuais de diferença à medida que sobe o poder aquisitivo da população. O mesmo ocorre com a coluna “trabalho”. A população de baixa renda, que provavelmente, em sua grande maioria, não necessita usar computadores para realizar suas tarefas no trabalho, não faz quase uso da máquina, chegando até a diminuir o percentual de um ano para outro, como podemos observar na primeira faixa de renda (6% em 2007 e 3% em 2008). O fenômeno é contrário no que se refere aos centros públicos pagos e os gratuitos, na escola e na casa de outra pessoa, isto é, quanto maior a renda, menor a procura por esses espaços e maior o acesso em casa e no trabalho.
76 Com relação ao acesso à internet e faixa de renda, temos um movimento parecido em 2008. Com exceção da escola que apresenta uma média constante para todas as faixas de renda, os lugares de acesso público, pagos ou gratuitos, apresentam queda de acordo com o aumento do poder aquisitivo da família, como podemos observar na tabela seguinte. Já o acesso no trabalho aumenta na proporção que aumenta a faixa de renda.
Tabela 9 - Local de acesso individual à internet – recorte renda familiar*
Renda familiar casa centro público de acesso pago trabalho casa de outra pessoa escola centro público de acesso gratuito Até R$ 415,00 7 82 2 15 12 6 R$416-R$830 15 69 7 23 14 5 R$831-R$1245 34 55 18 23 15 3 R$1246-R$2075 52 39 27 23 13 4 R$2076-R$4150 71 23 35 21 14 3 R$4151 ou mais 87 15 43 16 13 3
*Os números representam dados colhidos na área urbana e rural em 2008 - Fonte: www.cetic.br A população do primeiro decil de renda tem utilizado bem mais os centros pagos que os públicos, apresentando uma diferença enorme entre um número e outro. Em relação às outras classificações de renda, parece haver um equilíbrio entre as classes com o uso dos centros gratuitos, baixando nas duas últimas faixas de renda para 3%, apenas. Esse dado nos sinaliza que, provavelmente, a quantidade de centros pagos (lan houses, cibercafés etc) é maior que o número de centros públicos, embora as pesquisas não tenham conseguido chegar a alguma conclusão com relação a quantidade desses espaços. Além disso, como vimos, alguns pesquisadores e gestores têm questionado a qualidade de acesso nos centros públicos gratuitos49.
Com relação aos locais de acesso na zona rural e urbana temos:
77 Tabela 10 – Locais de acesso: diferenças entre populações da zona rural e urbana
Os números parecem comprovar mais uma vez a importância dos centros públicos pagos para a inclusão digital, pois se compararmos os índices da coluna 2, percebemos que o acesso na zona rural nos centros pagos superam os da zona urbana em 11 pontos percentuais acima; já no trabalho, o acesso da população rural baixa para metade, seguida do item “casa”, apresentando uma diferença de 17 pontos percentuais para baixo.
Os números, com relação às regiões brasileiras confirmam a tendência de uso dos centros públicos pagos pelos mais excluídos. As regiões norte e nordeste têm os maiores índices de uso de centros pagos do país (o norte com 68%, o nordeste com 66%). Já o uso de internet em casa baixa consideravelmente no norte (26%) e no nordeste (24%). No trabalho, o índice continua abaixo (19% e 11%, respectivamente). Nos itens “casa de outra pessoa”, “escola” e “centro público” há um pouco mais de equilíbrio dos números dessas regiões em relação às outras. Os dados comprovam que os serviços prestados pelas lans houses, atualmente, superam numericamente os ofertados pelos centros públicos, nas regiões mais excluídas.
Com relação à faixa etária, nenhuma surpresa: os jovens continuam liderando os acessos com uma frequência consideravelmente maior nos centros públicos pagos (63% de adolescentes, na faixa de idade entre 10 e 15 anos e 60% de jovens, na faixa etária de 16 a 24 anos). No gráfico a seguir comparamos uso de centros públicos e centros pagos em relação à faixa etária.
casa
centro público de
acesso pago
trabalho casa de outra
pessoa escola centro público de acesso gratuito Zona urbana 43 47 22 22 14 3 Zona rural 26 58 11 18 15 4
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Ao comparamos a curva dos centros públicos pagos, com ela mesma, o resultado é decrescente à medida que a idade aumenta e o pico das curvas é a faixa dos 10 aos 15 anos. Já a curva dos centros públicos gratuitos apresenta uma leve subida, mas se torna quase uma constante, diminuindo na última faixa etária. Comparando as duas curvas, na que representa os centros públicos pagos, percebemos um aumento vertiginoso em relação aos centros gratuitos, com um súbito crescimento, iniciado na faixa etária dos 45 a 59 anos; outro pico na faixa dos 25 anos, seguido de uma subida na faixa de 16 a 24, continuando o mesmo processo até a primeira faixa, dos 10 aos 15 anos.
Os dados comprovam a distância entre a população que acessa a internet e os centros públicos gratuitos, o acesso expressivo dos jovens e a grande procura às lan houses.
Em nossa pesquisa, em todos os bairros que visitamos, os gestores de espaços, fizeram alguma menção sobre a procura das lan houses. Nas ruas onde estão instalados os Telecentros, ou bem próximos, existem várias lan houses e a procura, segundo os gestores, é bem maior que nos Telecentros.
Porque a população mais pobre prefere pagar uma lan house a usufruir dos centros públicos? Uma das alternativas à resposta é que o número de centros públicos gratuitos é quase insignificante em relação às lan houses espalhadas em todo o Brasil, e localizadas, principalmente, nas regiões e bairros mais pobres. Outra
79 possibilidade é a restrição de uso de sites como Orkut e MSN nos Telecentros e a carga horária reduzida à situação de contratação de pessoal.
As lan houses são pequenos empreendimentos, geralmente tocados pelos donos e familiares que se dispõem a abrir o espaço em qualquer horário, desde que tenha demanda, pois os acessos representam dinheiro em caixa para tocar o negócio. Também não se preocupam, nem se responsabilizam com o conteúdo de quem está acessando. Esses dois itens são pontos importantes e polêmicos no debate sobre inclusão digital, já que alguns pesquisadores da área e gestores governamentais, já veem as lan houses como espaços de inclusão digital, reativando questões como gratuidade dos Telecentros.50
Outras questões ficam em torno do uso dos espaços. Os jovens e adolescentes (faixa etária de 10 a 24 anos) são os maiores usuários da internet, mas salvo trabalhos direcionados para o ensino profissionalizante de jovens para inserção dessa população no mercado de trabalho, nenhum dos programas de inclusão digital propõe um trabalho voltado às suas especificidades. As lan houses
apostam nos jogos, no acesso aos ambientes de encontros on line e são esses os
ambientes que o jovem de baixa renda tem procurado.
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3 CDI E TELECENTROS: A EXPERIÊNCIA EM SÃO PAULO
A gente não quer só comida/a gente que bebida, diversão e arte (Comida - Titãs).
O nosso objetivo neste capítulo é caracterizar a prática da inclusão digital, tendo os Telecentros na cidade de São Paulo como estudo de caso. Para isso, tomamos por base dois modelos: um espaço de inclusão digital estatal, o Telecentro municipal, e o espaço do Comitê para Democratização da Informática. Ambos, pioneiros na política de inclusão digital no Brasil.
Apesar dos modelos não terem sido aplicados, inicialmente, na cidade, escolhemos como cenário São Paulo, porque é a cidade onde se concentra um maior número de programas de inclusão digital do país, e um grande potencial de comunicação e posse de bens culturais, o que torna a cidade uma metrópole, referência, no Brasil e na América Latina.