P REMIERE PARTIE
C ARACTERISTIQUES COMMUNES AUX TROIS OBJETS
1.3.4 Des populations particulières
Em termos temporais, o primeiro acontecimento neste sentido que pôde emergir é aquele que a FSP designa por Seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, promovido pela TV
Cultura, que contou com falas do ex-presidente FHC e Franklin Martins, na ocasião ministro das
comunicações do governo Lula, expondo dizeres em funções enunciativas distintas. Temos, aqui, duas reportagens publicadas em dias subsequentes, sendo a reportagem (e, logo, a imagem)
centrada em Franklin seguida da de FHC, de modo a conferir-lhes um destaque especial na seção
Poder da FSP em dias consecutivos.
Neste sentido, a disposição imagética do corpo dos dois sujeitos políticos corrobora o funcionamento das formações discursivas na materialidade textual. Primeiramente, porque os textos verbais que estão relacionados às imagens conferem diferentes estatutos aos dois políticos, o que também atribui distintos valores aos saberes sobre a regulação da mídia que se vão construir nesta circulação.
(50) É impossível não regular mídia […]. (O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante
palestra no seminário "Cultura de Liberdade de Imprensa", em SP, 27/11/2010 – “É impossível não regular mídia", diz FHC)
(51) Por outro lado, é impossível não haver regulação no que diz respeito aos meios de difusão […]. (O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante palestra no seminário "Cultura de
Liberdade de Imprensa", em SP, 27/11/2010 – “É impossível não regular mídia", diz FHC)
A fala acima retrata que em alguns momentos FHC se filia à necessidade de determinada regulação (relativa à organização dos meios), de modo que filiações suas à FD(controle da mídia) estão presentes no início do texto. Tais referências à FD(controle da mídia) logo deslizam metaforicamente quando se cita a regulação […] de conteúdo, de modo que este sujeito ocupa uma posição favorável à regulação, mas a partir de outros domínios se comparada à posição que vem manifestando Franklin Martins:
(52) No debate atual, existe uma certa confusão. Estamos misturando a necessidade eventual da organização dos meios de difusão, inclusive por causa das novas tecnologias e da convergência entre plataformas, que requerem alguma regulação, com aquilo que não requer regulação, que é o conteúdo […]. (O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante palestra no seminário
"Cultura de Liberdade de Imprensa", em SP, 27/11/2010 - “É impossível não regular mídia", diz FHC)
A emergência destes dizeres se alia às duas imagens do corpo desses políticos que puderam emergir. Estas imagens, por sua vez, estão apresentadas por dois breves comentários realizados abaixo das figuras:
A diferença de filiações enunciativas se dá pois são dois cargos políticos concebidos na formulação como de estatutos bastante diferentes: ainda que à época da publicação desta reportagem Franklin Martins estivesse ativo na vida política e FHC não, o trecho […] FHC
Figura 2: O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante palestra no seminário “Cultura de Liberdade de
Imprensa”, em SP (27/11/2010 – “É impossível não regular mídia", diz FHC, imagem de capa nº. 3)
Figura 3: O ministro-chefe da Comunicação Social, Franklin Martins, discursa em seminário sobre a liberdade de
durante palestra na imagem (figura 2) corrobora o estatuto de FHC como diferente do de
Franklin Martins; esta lexia em sublinhadas, bem como a constante referência retoma a participação do ex-presidente neste evento, ao passo que Franklin Martins discursa, o que confere aos dizeres do ministro um cunho polêmico, que será comentado, com o intuito de saber-se enfim quais eram as significações residentes nesta fala primeira.
No texto da FSP, a participação de FHC enquanto palestrante aparece como uma proposta original deste evento, sendo a fala intitulada A liberdade de imprensa corre risco no Brasil?; de todos os modos, é dessa maneira que a questão pôde emergir na FSP, e as imagens escolhidas, pelo seu atravessamento pelas FDs, corroboraram tal valor atribuído, além de conferir visibilidade a ambos os textos.
De fato, a FD(censura da mídia) está também presente nos textos que imediatamente se relacionam aos que relatam a fala de Franklin Martins encabeçada por uma imagem, como exemplificam alguns dos excertos já analisados (excertos nº 19 e 20). Também a elas se filiam os comentários de dois jornalistas, presentes em uma das reportagens que comenta o texto encabeçado pela imagem de FHC:
(53) O seminário ainda teve um debate sobre riscos à liberdade de imprensa, com os jornalistas Renata Lo Prete (Folha), Merval Pereira ("O Globo") e Ricardo Gandour ("Estadão"). Para Lo Prete, existe uma confusão na discussão, porque "as palavras [como liberdade de imprensa] estão sendo usadas fora do lugar para atender a interesses". Gandour questionou a necessidade de novas leis para regular a mídia: "Devemos pensar em fortalecer as instituições e as leis que já existem". (do texto da FSP, 27/11/2010 – Emissora
pública é "caixa-preta", diz Eugênio Bucci.)
Ao fundo da imagem de FHC, ainda, pode-se ler o destaque liberdade de imprensa no nome do evento em questão, enunciado que não emerge associado à imagem de Franklin Martins. Neste sentido, o excerto acima é aquele que comenta o texto sincrético que contém a imagem de FHC, reforçando, assim, a presença da FD(censura da mídia). Também, nas falas de FHC que são apresentadas, bastante espaço é concedido ao sociólogo e às suas filiações, que em certo ponto se opõem à necessidade de regulação, sobretudo o controle de conteúdo; poderíamos dizer, assim, que este texto sincrético veicula alguns sentidos sobre a FD(censura da mídia), ao passo que os enunciados verbais e não-verbais empregados na reportagem que trata a posição de Franklin corroboram também certos sentidos da FD(censura da mídia), enrijando aspectos presentes na
materialidade textual.
Neste sentido, o espaço concedido no texto para a voz desses políticos, cujas imagens encabeçam a seção Poder e também as reportagens em questão, reforçam tais efeitos: de fato, o espaço dado às palavras de FHC é bem mais volumoso que às de Franklin. Ampla voz é permitida ao ex-presidente para tratar o problema do controle e da regulação da mídia, com poucas incursões de outros posicionamentos; já no texto que veicula a posição de Franklin, há bastante oportunidades para contra-discursos, colocando-se sempre em xeque os saberes pertencentes à FD(controle da mídia), saberes que têm em Franklin uma figura central no desenrolar da questão nos últimos anos.
Não ocorre o mesmo em relação à reportagem de FHC, havendo maior presença da FD(censura da mídia) e trazendo-se poucas falas para interpelá-la, mostrando, assim, nuanças também da posição construída pelo órgão midiático em questão, ao fazer emergir no sítio determinados dizeres e não outros. Ambos os textos têm tal visibilidade nas edições sequentes da
FSP, mas o espaço dado a FHC e à defesa da FD(censura da mídia) é bastante emblemático no
tratamento diferenciado que se realiza da emergência destas posições em um dos mais importantes meios massivos brasileiros.
4.3.2.2. As imagens do 4º Congresso Nacional do PT (2011) e de Paulo Bernardo como parte de um mesmo domínio associado: a força e a confiança do homem político no palanque denegadas
Na emergência de comentários sobre o 4º Congresso Nacional do PT, outro importante momento para a circulação da questão nos últimos anos, a única imagem que pôde emergir nos chama o olhar ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma no palanque. Neste mesmo sentido, aparece também a imagem do ministro de Comunicações Paulo Bernardo em outro momento, imagens estas que farão parte de um mesmo domínio associado – que compreende, também, a imagem de Marco Aurelio, já comentada por nós em 4.3.1.:
Figura 4: A presidente Dilma Rousseff com Lula e José Dirceu durante a abertura do 4º Congresso Nacional do
PT, em Brasília (03/09/2011 – Dilma e Lula apoiam Dirceu e atacam mídia, imagem de capa nº. 5)
Figura 5: O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, durante a transmissão do cargo (07/01/2011 – Ministro
defende proibição de que políticos tenham TV, imagem de capa nº. 4)
Paulo Bernardo, na imagem que pôde emergir, assumia o posto que é seu até então, o de ministro das Comunicações. Tratar-se-ia, em essência, de um momento de demonstração de força e poder político não apenas para este sujeito, mas também para o PT, dado o estatuto e a
representatividade que tal partido ganhou na sociedade brasileira nos últimos anos. Ainda, dados os muitos comentários na FSP sobre a questão em um contexto latino-americano, o PT então teria mais poder para estabelecer o valor dos saberes presentes neste campo.
No entanto, o que de fato emerge na FSP é o oposto de uma retórica da autoridade ou da confiança: trata-se de uma demonstração gestual de incerteza, marcada pelo rosto e pelo olhar desviante em relação ao público a quem se fala, que incidem abaixo. Definitivamente, não estamos diante, por exemplo, de uma gestualidade que pode ou deve emergir em um momento como um debate político, uma vez que uma de suas mais importantes finalidades seria a construção de efeitos de verdade. Não se trata, aqui, ainda, de um rosto que aparece com extrema proximidade para que se gerem tais efeitos (ou não), já que a posição de seu corpo também corrobora tal construção.
Neste sentido, esta imagem se inscreve em uma série, que retoma a presença homem político no palanque em uma posição de defesa ostensível, quando confrontado e julgado, o que a materialidade textual corrobora: nas palavras de Paulo Bernardo, […] As pessoas acham que
falar em marco regulatório é uma afronta à liberdade de expressão […] (07/01/2011 – Ministro defende proibição de que políticos tenham TV), caracterizando uma afronta; nesta reportagem,
inclusive, são desestabilizados muitos sentidos sobre o que é uma democracia, apontando para a subsequente emergência do enunciado democratização da mídia. Também, sua gestualidade contribui neste sentido: as mãos que aparecem segurando a mesa constituem também a unidade do corpo deste político no palanque, em uma aparente demonstração de força.
Para que se interprete tal circulação imagética, então, recupera-se imagens de uma fala pública de políticos quando então confrontados e colocados à prova ao público, como o célebre caso do então presidente estadunidense Nixon, em 17/11/1973, em retratações sumarizadas no enunciado I am not a crook16. Escândalos como o de Watergate, dentre outros acontecimentos,
mais tarde resultaram em sua renúncia, após alguns dos mais estapafúrdicos eventos da história americana e de um impeachment iminente.
Figura 6: Momento em que a posição escapular de Nixon aparece mais relaxada (I made my mistakes but in all of
my years of public life I have never profited from public service. [“Cometi erros, mas em todos os meus anos de
vida pública nunca lucrei com o serviço público.”, tradução nossa])
Figura 7: Quando o ex-presidente estadunidense Nixon aparece com os músculos da cintura escapular em tensão, opondo-se à imagem antes apresentada, antes de dar voz a seus interlocutores e cruzar os braços (I welcome this
kind of examination because people got to know whether or not their president is a crook. Well, I am not a crook. I have earned everything I have got. [“Eu os convido a este tipo de exame, pois as pessoas têm de saber se seu
presidente é ou não um criminoso. Bom, eu não sou um criminoso. Eu mereci tudo o que eu tenho”, tradução nossa])
À mesma maneira que a imagem de Nixon, tal posição das mãos também demonstra esta força, dando rigidez à musculatura escapular; entretanto, no caso da imagem de Paulo Bernardo,
não acontece na mesma intensidade que o exemplo de Nixon na figura 6 ou na figura 7, e esta mesma força é denegada na apresentação dos traços do rosto do ministro. Nixon, nestes dizeres, busca apresentar força e confiança (também na sua voz) em um momento derradeiro, atributos que no caso de Paulo Bernardo são totalmente denegados, ainda que tal momento de assunção de poder não se lhe o requira em sua essência. Seguramente, outras imagens poderiam ter emergido a respeito desta fala de Paulo Bernardo, mas a que pôde emergir ressalta tais traços. Coloca-se, assim, Paulo Bernardo em uma posição defensiva – ainda que, fundamentalmente, o momento de tomada de posse seja um gesto de poder (que aparece, aqui, negado).
Um fenômeno similar ocorre em relação à imagem do 4º Congresso nacional do PT (figura 4), já que os políticos aos quais a imagem chama imediatamente o olhar – Lula e Dilma – não aparecem a partir de uma semiose muito distinta da de Paulo Bernardo, a da negação desta força do homem político. É importante ressaltar que este traço é um atributo por excelência conferido a este sujeito e os modos pelos quais este (se) significa, semiose que em uma relação clássica dependia muito do modo como o corpo e a voz atuavam, ademais do verbo; ainda que hoje estejamos diante de importantes mudanças neste sentido, com o advento da televisão e um paulatino fenômeno recente de adequação e constrangimento da força e mesmo da velocidade desses gestos, a negação desta é sem dúvida um dado importante na circulação da FSP, dentre uma possibilidade infindável da emergência de imagens sobre aquele acontecimento.
Por que, por exemplo, não emergiu uma imagem de Lula e Dilma demonstrando força na voz e nos punhos, como é o caso de alguns dos políticos afiliados ao PT, de não tão grande importância como estes, que aparecem ao fundo da figura 4? A imagem que emergiu na FSP chama a atenção justamente para certa ausência de força (representada no punho e mesmo na voz) de dois políticos de extrema representatividade nos últimos anos na política brasileira, mostrando-os em um momento de relaxamento face à necessidade de uma demonstração coletiva de união e força. Refuta-se, assim, não apenas tal atributo, mas também uma memória deste gesto em relação a movimentos de resistência e de esquerda, o que se dá não a todos que emergem na imagem, mas sobretudo para Lula e Dilma. Tal memória da resistência de esquerda é refutada pela FSP para dar vigor à FD(censura da mídia), o que é um dado importante na circulação destes textos sincréticos, pois é justamente desta atuação da esquerda durante a ditadura militar de que
se valem muitas vezes os partidários do PT que defendem tais propostas a partir da FD(controle da mídia), sobretudo para tratar o absurdo que seria a associação à censura, o que marca fortes embates:
(54) Nós não pegamos em armas [durante a ditadura militar]. Quem pegou em armas foram as Forças Armadas, usurpando as armas que a Constituição deu a elas para impor uma ditadura ao país. Nós só resistimos […]. (ex-ministro José Dirceu, um dos homenageados no prêmio
Democracia e Liberdade Sempre, 14/12/2010 – Dirceu diz que mídia é contra regulação por ter medo de novos concorrentes)
Há, ainda, outro evento importante que emerge como objeto de comentários na FSP, trazendo também imagens do corpo do homem político para a semiose. Trata-se da abertura da
15a. Conferência Nacional Anticorrupção, momento também oportuno para tratar a questão da
regulação da mídia, ainda que esta não tenha sido a pauta principal do evento, como pôde acontecer na Conferência Nacional de Comunicação, no Seminário Cultura de Liberdade de
Imprensa e, de certa maneira, no 4o. Congresso Nacional do PT de 2011. A FSP, bem como o
montante dos jornalistas presentes no evento, no entanto, tornam possível que indagações sobre a questão apareçam em um evento ligado não necessariamente à mídia, mas mais propriamente ao combate à corrupção: tal relação possível, não gratuitamente, também emergirá no texto que veicula comentários.
Neste sentido, na figura 8, o corpo do ministro Jorge Hage também aparece também de certa maneira fragilizado, com o braço quebrado, juntamente a muitas de suas falas que corroboram a FD(censura da mídia). A emergência de sua imagem, longe de ser uma escolha ao acaso, é um dado muito raro se considerada a larga emergência da questão na FSP:
Figura 8: Ministro Jorge Hage participa de conferência em Brasília (08/11/2012 – Para CGU, julgamento do
mensalão ajudará a combater corrupção, imagem de capa nº. 8)
A fragilização do corpo de Hage (figura 8) e a emergência desta imagem, aqui, funcionam da seguinte maneira no texto sincrético: conforme ocorreu quando se apresentou a posição de Helio Bicudo (...mesmo ainda em recuperação…[Subiu no parlatório para] ler um manifesto
pela democracia e liberdade de imprensa, exemplificado no quadro nº. 8), relata-se a fragilidade
do corpo do sujeito político não apenas para descreditar-lhe atributos clássicos como a força, mas também para potencializar a urgência da defesa da liberdade de expressão a partir da FD(censura da mídia). A oração concessiva para apresentar a fala de Helio Bicudo (em sublinhadas) não confere relevância à sua condição frágil, mas sim à necessidade de enunciar tal defesa, mesmo dado tal entrave.
Tal realização é importante pois a reportagem evidencia que Hage, assim como Helio Bicudo, é uma figura ligada ao PT, de modo que o órgão midiático não hesita em, posteriormente, evocar o escândalo do Mensalão e os desenrolares de seu julgamento. Isto ressalta o funcionamento da disposição da seção Poder como um todo nesta edição, pois boa parte das reportagens se dedicam à condenação de Dirceu no julgamento do Mensalão. Neste sentido, uma fala de José Dirceu filiada à FD(controle da mídia) é retomada, para logo ser refutada pela FD(censura da mídia), conforme mostramos ser um gesto recorrente na construção textual das reportagens que comentam a questão:
(55) Em seu blog, Dirceu disse que o PT "faz muito bem em eleger essa regulação como uma das principais metas a serem conquistadas em 2013, ao lado da reforma política tão imprescindível ao país e da luta para desconstituir a farsa do mensalão".
Mas, para o ministro, cabe ao Judiciário corrigir os excessos. "Há quem ache que os órgãos de controle atrapalham a gestão. No limite, a Constituição e a Justiça podem dirimir conflitos e tratar de eventuais excessos. É simples assim", afirmou. (do texto da FSP, 08/11/2012 – Para CGU,
julgamento do mensalão ajudará a combater corrupção, sublinhadas nossas)
Quando se falou sobre corrupção, assim, houve também um momento oportuno para a emergência da questão do controle, mostrando a necessidade de os jornalistas investigarem as razões por detrás de tais desejos. Novamente, também, a Constituição brasileira é um objeto de discurso, e aqui sua soberania é retomada, ao passo que a necessidade de novas leis é contrariada, o que confere a tal dizer de Hage uma filiação mais próxima à FD(censura da mídia). Uma vez que se trata de um dos ministros de Dilma Rousseff, que como presidente até então não defendeu explicitamente os controles propostos pelo PT, veremos tal filiação à FD(censura da mídia) marcada por nuanças não tão fortes como as falas que são realizadas, por exemplo, por políticos do PSDB (seção 4.1.2. e, sobretudo, o excerto nº. 7) em meio à campanha:
(56) Questionado sobre a afirmação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão, de que regulamentar a mídia é uma prioridade, Hage defendeu a imprensa "absolutamente livre".
"A imprensa é tão fundamental quanto órgãos de controle e de investigação. Não há como combater a corrupção sem uma imprensa absolutamente livre", disse. (do texto da FSP, 08/11/2012 – Para CGU, julgamento do mensalão ajudará a combater corrupção, sublinhadas nossas)
Ainda que não se valha da formação discursiva, reinscrita neste momento na memória, de que a acusação da censura colocaria, está em xeque a credibilidade dos reclames de José Dirceu por regulamentar a mídia (e a filiação à proposta de controle) não apenas porque à época da veiculação deste texto Dirceu havia sido recentemente condenado devido ao Mensalão (escândalo que, inclusive, é trazido pela FSP na realização deste texto), mas também pela presença destes traços da FD(censura da mídia) que a imagem e a fala de Hage veiculam.
4.3.3. As formações discursivas e a estabilização de sentidos autoritários: aspectos de