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Partitioning for Ubuntu

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As lesões (principalmente as mais graves) têm um peso muito grande no declínio da carreira do jogador.

Este tipo de impedimento físico acaba por ter uma origem algo ingrata, já que na maioria das vezes o ser humano não tem controlo sobre ele. A não ser que este seja provocado pelos colegas de profissão (numa entrada mais viril) ou pelo mau trabalho dos treinadores.

lesão grave.

Na perspectiva de E3: ―As lesões foram o factor dominante (…) Bastantes. Hérnia discal aos vinte anos, duas roturas de ligamentos, várias lesões musculares devido a paragens prolongadas‖.

Como já foi referido anteriormente, o período de formação é essencial para o futuro do jogador. Porque o que acontecer nesta fase (seja positivo ou negativo) irá reflectir-se no rendimento do praticante no escalão sénior. Por isso, se o jogador começar desde muito cedo a contrair lesões corre o risco de ficar limitado prematuramente. Isto é, quanto mais cedo o jogador sofrer uma lesão mais cedo irá sofrer as suas consequências. Assim, a lesão prematura faz com que o jogador não alicerce as suas bases da maneira adequada (a lesão leva-o a perder parte da preparação).

Tal facto é evidente nas palavras de E2: ―Se pudesse pedir, não é pedir, era para não me ter magoado aos 16 anos‖.

Existe uma diferença entre a medicina geral e a medicina desportiva. Enquanto a medicina geral tem a preocupação de tratar o doente com o intuito deste ficar apto para enfrentar as exigências do dia a dia (vida comum), a medicina desportiva só tem a preocupação de preparar o atleta com o intuito deste ficar apto para enfrentar as exigências da prática desportiva (sem ter em consideração o impacto que esse tratamento possa ter na vida extra-desportiva do praticante). No fundo, podemos referir que o médico geral se preocupa com o presente e o futuro do paciente e o médico desportivo se preocupa só com o presente do atleta (que este seja capaz de render no imediato).

O E6 refere que: “Na medicina desportiva fazem ―milagres‖. Que eu não concordo plenamente, vamos ser um bocado justos. Porque no futebol a recuperação tem que ser rápida. Na medicina tradicional tem que se ficar bom, tem que se ficar bem para o resto da vida. Há uma preocupação para atingirmos um final de vida com mais qualidade.‖.

O gosto pela prática, a necessidade de se mostrar, o medo da concorrência, as obrigações extra-futebol levam o jogador a recorrer a qualquer tipo de tratamento para poder jogar. Um desses tratamentos são os

medicamentos ditos “milagrosos” que ajudam a esconder a dor, mas podem piorar a lesão ou, inclusive, fomentar futuras lesões.

Com esta terapia o jogador é pura e simplesmente enganado, porque durante o jogo está tudo bem (não há dores), mas quando o jogo acaba as dores voltam.

Quando estes medicamentos não resultam o médico desportivo vê-se obrigado a utilizar outro tipo de tratamento extremo (e.g. injecções).

Segundo o E7: ―Um Voltaren que eu tomava todos os dias para me tirar as dores, aquilo não me estava a tratar, estava-me a enganar a dor (…) Andei quase um ano e meio a tomar injectáveis para treinar e para jogar‖.

Infelizmente, a procura da vitória imediata faz com que se esqueça a precaução especial que se deve ter no tratamento das lesões das crianças.

Na perspectiva de E6: ―Tive lesões que eram curadas muito rapidamente. Quando era mais novo tinha muitas entorses nos pés e cheguei a ser injectado para jogar, mesmo em criança‖.

Desta forma, a saúde e o futuro desportivo do jogador são, desde muito cedo, prejudicados. Porque com estas terapias o praticante não fica completamente recuperado, mas sim com constantes limitações físicas.

Este facto de jogar a qualquer custo, sem olhar a meios, deixa marcas na carreira do jogador. É nesta situação que os valores educativos do desporto e os seus presumíveis resultados positivos sobre a saúde se vêm comprometidos por interesses eminentemente competitivos (Andújar & Soto, 2000).

Um dos entraves imediatos que a lesão provoca na carreira do jogador é o tempo que este fica sem treinar e jogar. Por vezes este tempo de paragem é muito longo (dependendo do tipo de lesão), porque o jogador não só tem de tratar a lesão como também tem que recuperar os índices físicos que lhe permitam voltar a competição.

Tal facto é evidente nas palavras de E2: ―Estamos a falar praticamente de quatro épocas ―perdidas‖ para recuperar, trabalhar no duro para recuperar‖.

Durante este período de recuperação o jogador fica impedido de competir durante vários jogos (podendo mesmo perder alguma fase mais

importante do campeonato), o que o impossibilita de dar o seu contributo à equipa.

Como conta o E10: ―Estive quatro meses para recuperar, e aquilo que me influenciou em termos negativos foi perder o início de campeonato, foi perder alguns jogos‖.

Ao não poder participar nos jogos, o praticante perde a oportunidade de ser visto, perde ritmo de jogo, deixa de evoluir e as suas capacidades podem estagnar ou até mesmo regredir. Assim, todos estes danos de uma longa paragem afectam não só o presente do praticante, mas também o seu futuro.

Segundo o E3: ―Estas lesões foram talvez o principal motivo que não me deixou ir mais longe. Depois de vários meses (24) de paragem é muito difícil voltar a ter um rendimento elevado, pois os níveis físicos mais elevados são muito difíceis de atingir‖.

Deste modo, uma das grandes dificuldades para o jogador que sofreu uma lesão é voltar a ter o rendimento que tinha antes da lesão. Porque depois de uma lesão há sempre uma quebra de rendimento, quer pelos danos físicos, quer pelo tempo que o praticante fica sem treinar e sem jogar.

Como, geralmente, são escolhidos para jogar aqueles que estão em melhor forma, o jogador que se lesiona corre o risco de ficar sem o lugar na equipa (o qual lhe vai ser muito difícil retomar).

Este impedimento dificulta ainda mais a recuperação, porque como sabemos a competição é fundamental para o rendimento do praticante.

É fundamental que o jogador não sofra uma lesão quando está num momento ascendente da sua carreira. Porque essa lesão faz com que o praticante perca toda a evolução que tinha tido até esse momento.

Na perspectiva de E7: ―Sem dúvida que lesões graves afectam sempre o nosso rendimento. É das coisas mais frustrantes para um jogador de futebol, porque para adquirires a tua forma máxima, para te sentires bem é preciso muito tempo e para a perderes é um instante (...) A lesão é das coisas mais tristes, é tu quereres e não poderes. Há tanta concorrência que se não estás bem, não consegues fazer um ano ou dois de bom nível porque tens uma lesão vai tudo por agua abaixo (…) É muito importante não ter lesões, principalmente

nas alturas em que estamos em boa forma, estamos a aparecer e estamos a dar nas vistas. Porque se vem uma lesão realmente vai tudo por agua abaixo‖.

As lesões nestes bons momentos são críticas porque todo o trabalho que se tem para melhorar a performance é posto em causa em questões de segundos. E também porque estes momentos são muito difíceis de conseguir.

A lesão não só quebra o rendimento como também diminui as capacidades físicas do jogador. Por isso os primeiros treinos após a lesão são fundamentais para a reintegração do praticante na equipa. Nestes treinos deve- se ter em atenção a exigência a que o praticante é submetido. Porque se essa exigência for elevada o jogador pode voltar a contrair uma lesão (fruto da debilidade causada pela longa paragem).

Tal facto é evidente nas palavras de E3: ―Depois de uma paragem prolongada temos a noção que o rendimento já não é o mesmo. Mais concretamente ao nível da velocidade de reacção e também na recuperação do esforço que é mais demorada, o que por vezes leva a lesões musculares devido ao cansaço‖.

Desta forma, quando o jogador volta aos treinos é importante que se tenha paciência e que não se exijam grandes intensidades, já que o jogador está a voltar de uma recuperação.

Se as lesões não forem bem tratadas (principalmente as mais graves) o praticante pode ficar com sequelas.

O E5 indica que: ―nas lesões, alem do tempo de paragem, se forem lesões graves, podemos não recuperar, podem ficar sequelas, quer físicas, quer psicológicas e isso influencia a carreira do atleta‖.

Podemos concluir que as lesões não só influenciam negativamente o presente do jogador, como também o seu futuro. Por isso a importância de um bom tratamento, uma boa recuperação das capacidades que ficaram afectadas e paciência nos primeiros treinos.

Depois da lesão também surge a descrença, onde o jogador tem que conviver com a dúvida de saber se consegue atingir o mesmo rendimento que tinha antes de se lesionar. Esta dúvida diminui os níveis de confiança.

Segundo o E4: ―Todo o jogador tem essas fases menos boas de quando as coisas não estar a sair bem, principalmente após as lesões. Temos sempre essa ideia de que não vamos conseguir lá chegar outra vez‖.

Assim, nesta fase, o praticante está mais susceptível ao desânimo causado pelos eventuais erros que cometa no jogo (falhar um golo, falhar uma marcação, falhar vários passes).

A incerteza também deixa uma marca negativa no praticante que se irá arrastar até que este consiga provar que voltou a ser o jogador que era antes da paragem. Esta situação acarreta uma pressão extra para o jogador, porque não só tem que demonstrar que está recuperado da lesão, como também tem que demonstrar que recuperou os níveis competitivos que tinha anteriormente.

Na perspectiva de E1: ―Quando temos uma lesão fica a dúvida se iremos ter as mesmas capacidades para desempenhar aquele papel que vínhamos desempenhando‖.

Em muitas casos essa pressão extra é originada pela ignorância da pessoas, ou seja, o desconhecimento sobre esta matéria faz com que as pessoas menos preparadas, que fazem parte do meio do futebol, pensem que os jogadores lesionados não conseguem voltar a ter um bom rendimento. Esta mentalidade pode fechar várias portas aos praticantes.

Tal facto é evidente nas palavras de E4: ―A nível de visibilidade para quem não percebe nada disto (quem não percebe nada de lesões, futebol) fico sempre marcado pelas lesões que tive‖.

Assim, a lesão pode-se tornar uma limitação constante. Por muito que o jogador se esforce para demonstrar que realmente é merecedor de uma oportunidade, o facto de ter estado lesionado vai condicionar sempre a decisão das pessoas que têm o futuro do praticante nas suas mãos.

Como diz o E3: ―muitas vezes aos olhos dos outros parece que estás sempre limitado‖.

Desta forma, o jogador que esteve parado durante muito tempo por causa de uma lesão tem menos hipóteses de ser contratado.

Segundo o E4: ―Há treinadores e dirigentes que têm receio de contratar um jogador pós-operado, com uma fase de recuperação muito longa, têm

dúvidas da sua capacidade física‖.

A lesão é algo tão repentino e prejudicial que pode inviabilizar uma eventual transferência, que já estivesse bem encaminha, para um clube de maior dimensão. Principalmente se os responsáveis desse clube são dos que pensam que o jogador lesionado não consegue recuperar a 100%.

Na perspectiva de E1: ―(...)uma altura em que se calhar tinha a possibilidade de assinar por um clube melhor deixei de a ter e melhorar a nível desportivo e melhorar a nível financeiro‖.

Assim, o praticante pode perder a única possibilidade de melhorar a sua carreira.

Com todos estes entraves causados pela lesão, o praticante pode desanimar e até perder a vontade de seguir trabalhando diariamente com o mesmo afinco.

Tal facto é evidente nas palavras de E6: ―Esta lesão deixou-me sem força, sem vontade‖.

Esta desmotivação surge quando o praticante chega a conclusão que não vale a pena seguir lutando por um lugar, porque a lesão que teve marcou-o para sempre, ou seja, por muito que se esforce dificilmente irá conseguir desvincular-se do “fardo” pesado da lesão.

Com o passar do tempo o jogador vai ficando desgastado mentalmente com toda esta situação. O jogador até pode estar fisicamente bem, mas em termos psicológicos está completamente esgotado.

Como expõe o E7: ―Se calhar cheguei aos trinta anos e não aguentava mais, porque isso me deu cabo da cabeça, já não tinha andamento para andar aqui‖.

Este desgaste contribui para a decadência precoce da carreira do jogador. Isto é, fica saturado com maior facilidade, porque já não tem mais paciência para lidar com as exigências e cobranças que lhe são feitas dia a dia. Em casos extremos, este desgaste emocional leva o jogador a abandonar a prática.

Segundo o E2: ―Tudo isto começa a desgastar bastante, e influenciou- me também em termos de desgaste. Desgastou-me muito em termos

psicológicos. E como te disse foi um dos factores que me levou também a abandonar‖.

Esse desgaste pode ser tão devastador ao ponto do jogador não querer ouvir falar mais de futebol.

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