6. Using the Ubuntu Installer
6.3. Using Individual Components
6.3.9. Installation Over the Network
A família tem uma enorme influência sobre o rendimento do jogador. A proximidade que une o jogador aos membros familiares faz com que estes estejam intimamente ligados às decisões/comportamentos que o jogador vai tendo ao longo da sua carreira. A família pode funcionar como um entrave (com atitudes negativas) ou um impulsionador (com atitudes positivas) da carreira do praticante. No fundo, a família tem uma grande responsabilidade naquilo que o jogador conseguir atingir.
Além da influência que a preparação desenvolvida nas etapas anteriores desempenha na duração da etapa de alto rendimento, em nossa opinião, não menos importante é o amparo da família (Brito et al., 2004).
Os pais são fundamentais para dar apoio emocional, para ajudar o filho a vencer as dificuldades, tais como, pressão, lesões e fadiga, assim como o apoio financeiro para o treino Côté (1999).
As investigações de Bloom (1985) e Côté (1999) evidenciam como é que o apoio dos pais ajuda os atletas de elite a lidarem com as exigências da prática deliberada sustentada, essencial para atingir o nível de desempenho de excelência.
Os estudos sobre a relação entre os comportamentos dos pais e o abandono dos jovens no desporto têm concluído que o grande apoio dos pais, o envolvimento, o encorajamento e a satisfação têm sido associados com maior prazer, motivação intrínseca e preferências no desafio (Scanlan & Lewthwaite, 1986).
Assim, além dos treinadores, os pais também têm uma importância fundamental no desenvolvimento do atleta. Neste sentido, os estudos de Bloom e Sloane (1985), Côté (1999) e Salmela e Moraes (2003) dão ênfase à importância dos pais para que um indivíduo possa alcançar a excelência numa determinada área.
O facto do jogador não conseguir atingir a excelência pode estar ligado a falta ou mau acompanhamento familiar. Como vimos anteriormente, é nos momentos menos bons que o jogador mais precisa de ser apoiado. Porque é
nestes momentos que o jogador está mais susceptível às críticas, ao desânimo, a descrença e ao abandono. Segundo os nossos entrevistados, se o jogador não for apoiado pela família nestas ocasiões dificilmente conseguirá ultrapassar as dificuldades e voltar aos bons momentos.
Na perspectiva de E10: ―Quando estamos bem, tudo está bem e passamos por cima de tudo e todos, mas quando estamos mal não, precisamos que alguém nos puxe para cima, e ele nunca fez isso‖.
A falta de apoio da família tem um impacto negativo maior do que qualquer outro tipo de falta de apoio, porque é da família que o jogador mais espera apoio, e sabe que se não tiver o apoio da família dificilmente o apoio das outras pessoas conseguirá suplantar essa falta.
Assim, com esta dificuldade que o praticante sente para ultrapassar os problemas sem o apoio familiar, são inúmeros os casos de jogadores (principalmente na formação, que é quando o jovem mais precisa deste apoio) que não conseguem dar uma resposta afirmativa as exigências do futebol e acabam por ter uma carreira medíocre ou por abandonar.
Tal facto é evidente nas palavras de E7: ―Penso que se perdem muitos jogadores, principalmente na formação, por causa da má influencia dos pais‖.
No entanto, não é só a falta de apoio que prejudica o rendimento do praticante, o mau acompanhamento também tem um efeito nefasto na motivação do jogador. Principalmente quando algum dos familiares tem expectativas exageradas sobre o futuro do jogador e depois essas expectativas não são consumadas. Isto faz com que surja a descrença familiar e o jogador seja alvo de comentários depressivos por parte desse elemento familiar.
Como conta o E10: ―Pressionava-me em termos de resultados, e quando não jogava o que ele me dizia era: ―deixa mas é o futebol, porque tu não tens vida para isso, não tens valor‖. Isso às vezes também magoa, ter que ouvir essas coisas de um pai‖.
Se ao passar por momentos menos bons o praticante já se sente desmotivado, pior vai ficar se for a própria família a criticar em vez de apoiar. Isto só contribui para o aumento da descrença do jogador sobre as suas capacidades.
Em vez de desmotivar os filhos através de atitudes menos correctas, os pais devem ser pacientes e respeitar o tempo que cada um precisa para crescer. Para que o alto rendimento seja alcançado, é essencial que durante os oito a dez anos anteriores (Coelho, 1985; Grosser et al., 1988; Vicente, 1995; Nespreira, 1998; Raposo, 2000), os encarregados de educação tenham a tranquilidade e a perícia necessária para levar o praticante a alcançar o sucesso desportivo.
Muitas vezes o mau acompanhamento é resultado do excesso de rigor familiar. Segundo os nossos entrevistados, é compreensível e necessário que os pais se preocupem em dar uma boa educação aos filhos, com valores e regras, mas esta necessidade de disciplinar o comportamento do filho não pode ser levado aos extremos. Porque todo o ser humano precisa de espaço e liberdade para explorar novas experiências e errar, corrigir os erros e voltar a tentar. O excesso de rigor só contribui para o medo de errar, a inibição a falta de espontaneidade, a ansiedade e a pressão para não desiludir do praticante.
Normalmente, quando os pais têm uma enorme expectativa sobre o futuro dos seus filhos costumam exercer uma grande pressão para que estes atinjam grandes resultados desportivos.
As ambições desproporcionadas dos pais que querem converter os seus filhos em “astros” do desporto contribuem para o começo prematuro da preparação desportiva (Hahn, 1988).
Muita pressão parental, grandes expectativas, crítica e pouco apoio parental têm sido associados ao aumento da ansiedade, a diminuição de prazer e ao abandono (Gould, Udry, Tuffey & Loerh, 1996). Por exemplo, tem sido indicado que há uma constante pressão dos pais para encorajar os filhos numa especialização precoce, de forma a alicerçar o desenvolvimento nos campos, clínicas e aulas, e para proporcionar facilidades de desportos específicos nas suas casas (Hill & Hansen, 1988). Também se tem sugerido que muitas vezes os jovens sofrem de pressão porque se sentem obrigados a treinar e a competir por causa das expectativas dos pais (Coakley, 1992).
É lógico que os pais só querem o melhor para os filhos, e quando os pressionam é com a intenção de que estes tenham os melhores resultados
possíveis. Mas, o que realmente conseguem com essa pressão é prejudicar o crescimento do jogador, ou seja, ao pressionar os filhos, os pais vão-se transformar em agentes negativos do processo de formação.
Segundo o E7: ―O meu pai sempre foi uma pessoa extremamente rigorosa (…) O meu pai teve alguma influência negativa pelo facto de me criar alguma pressão‖.
Também há pais que pressionam os filhos não pelo interesse de que este tenha grandes resultados, mas pela vaidade de ter um filho famoso.
Na perspectiva de E3: ―O meu pai era exigente e queria que atingisse resultados. Talvez pela vaidade de ter um filho profissional‖.
Nestes casos, a pressão faz menos sentido ainda, porque o pai não está a pensar só no sucesso do filho, mas também no proveito que ele pode retirar dessa situação. Isto é, através do filho, o pai torna-se alguém reconhecido pelos outros.
Este tipo de pressão familiar é muito fácil de detectar através dos conselhos que os pais dão aos filhos. Dado que os pais só pensam no sucesso a qualquer custo, os conselhos vão ser direccionados para o rendimento, sem existir uma preocupação com os danos que esses conselhos possam ter nos seus filhos.
Assim, os pais em vez de ajudarem (através de um suporte emocional equilibrado) o que fazem é prejudicar o futuro dos seus filhos.
Segundo os nossos entrevistados, é um erro os pais pensarem que só se devem manifestar quando os filhos não conseguem ter um bom rendimento, isto é, quando os filhos têm um bom desempenho os pais não reforçam esse bom momento (esta situação pode ter duas interpretações: os pais pensam que os filhos só estão a fazer a obrigação deles ou têm receio de elogiar porque os filhos podem ficar com excesso de confiança), mas basta o filho ter uma quebra no rendimento, vão logo criticar e dar indicações para fazerem as coisas de forma diferente.
Tal facto é evidente nas palavras de E7: ―O meu pai entra no quarto as 8h da manhã e diz-me: — ―vê lá se agora não aproveitas essa oportunidade‖. Aquilo ainda me criou mais pressão, em vez de me dizer para aproveitar e dar
o meu melhor (…) Também me tentou educar da mesma forma, ou seja, um bocado na pressão. Nos momentos bons estava tudo bem comigo, mas não era capaz de chegar a minha beira e me dar os parabéns pelo que tinha feito. Mas quando estava mal vinha logo com indicações para fazer as coisas de uma maneira e não de outra‖.
Isto faz com que o praticante não sinta prazer quando faz bem as coisas (já que não é elogiado pela própria família) e se sinta preso/pressionado nos maus momentos (já que deve procurar fazer as coisas como os familiares lhe indicaram).
Há pais que levam esta pressão aos limites e não são capazes de concederem um momento de liberdade aos filhos. Sendo que no próprio jogo estão constantemente a dar indicações para os filhos jogarem de uma determinada forma.
O E10 menciona que: ―O meu pai pressionou-me e muito, já lhe disse que se calhar não fui mais além no futebol por causa dele. Recordo-me na altura em que fui para o Porto, para as escolinhas, em que o meu pai foi proibido de ver os jogos, porque ele ia para trás da minha baliza e ficava a dar indicações durante todo o jogo. Isso influenciou e se calhar prejudicou-me um pouco‖.
A atitude destes pais só serve para limitar a acção do jogador. Estas indicações que os pais dão enquanto os filhos estão a jogar retiram a liberdade que o jogador precisa para tomar as suas próprias decisões.
Segundo o E6: ―Mas haviam muitos pais de colegas meus que o faziam. E posso-lhe dizer que limita muito (…) Tinha pais de colegas meus que cuidado. Metia dó, metia pena. Hoje em dia consigo olhar para trás e ver que a pressão era tanta acima daquelas crianças que não tinham como se libertar, como ser melhor, porque os pais não os deixavam. A família influencia muito‖.
Desta forma, o praticante vai passar o jogo todo preocupado em ouvir e acatar as “ordens” dos pais, em vez de estarem concentrados no jogo e serem eles próprios a tomarem a decisão que acharem mais correcta a cada exigência que o jogo vai colocando. Outra consequência negativa deste acto é a incongruência que se cria quando as indicações do pai e do treinador são
diferentes. Isto vai dificultar ainda mais a tomada de decisão do jogador, que vai ficar dividido entre as indicações do progenitor e do líder da equipa. E o pior é que este comportamento do pai não prejudica só o presente do filho, mas também o seu futuro. Isto é, o praticante terá grandes dificuldades para tomar decisões durante os jogos do escalão seniores, já que não desenvolveu essa capacidade. Em suma, ficou dependente/condicionado por correcções externas (não consegue pensar sozinho).