Segundo os nossos entrevistados, antigamente, não só para entrar, mas também para se manter num clube grande, o jogador tinha que se aplicar a fundo todos os dias. Esta aplicação constante criou um desgaste (mental e físico) muito grande no praticante.
Os nossos entrevistados também referem que antigamente era muito difícil o jogador provar o seu valor. Este tinha que realizar excelentes jogos (rendimento máximo), e não uma nem duas vezes, mas sim constantemente (durante muitos jogos seguidos). Só assim o praticante conseguia chamar a atenção dos clubes grandes
Como expõe o E9: ―Naquela altura para realmente as pessoas perceberem que nós tínhamos valor tínhamos que trabalhar imenso, tínhamos que mostrar durante muitos domingos consecutivos, tínhamos que estar sempre no máximo, o que era e é bastante difícil‖.
Como foi referido anteriormente, não é só para entrar nos clubes grandes que o jogador sente grandes dificuldades. Depois de lá chegar a exigência mantém-se.
Segundo o E4: ―A mim sempre foram exigidas intensidades máximas, porque no Sporting joga-se sempre para ganhar, joga-se sempre para assumir o jogo, é sempre para ganhar, portanto a intensidade é sempre alta. Internacionalmente, selecções idem, a pressão do jogo é sempre para ganhar, é sempre a intensidade máxima‖.
Quem está numa equipa de grande dimensão tem sempre uma pressão enorme para ganhar. Não há espaço nem paciência para derrotas, todos os jogos são para ganhar. Isto obriga o jogador a desenvolver uma alta e
constante intensidade.
É verdade que as consequências negativas desta exigência não têm um impacto imediato na carreira do jogador, mas vai acabando com ela aos poucos.
Na perspectiva de E7: ―É muita pressão, é muita exigência, muita frustração acumulada. Digamos que isso não mata, mas vai roendo aqui dentro‖ (E7).
Neste sentido, o E2 também refere que: ―Hoje em dia não é fácil um jogador de alta competição estar sujeito aquele tipo de pressão, aquele tipo de intensidade, aquele tipo de desgaste, dá cabo de um jogador, podes ter a certeza absoluta‖.
O jogador não se ressente de imediato, mas o desgaste vai-se acumulando com o passar do tempo, e o seu futuro é prejudicado.
Tal facto é evidente nas palavras de E2: ―Penso que isto me prejudicou em termos de futuro, porque cria um desgaste muito grande. Em termos psicológicos, em termos mentais cria um desgaste muito grande‖.
Toda esta exigência a que o jogador é submetido tem consequências nefastas na sua motivação. Não é nada fácil aguentar as obrigações e pressões constantes que existem nas grandes equipas. Com o passar do tempo o gosto que jogador sente pela prática vai diminuindo. Desta forma, o praticante deixa de sentir o prazer que tinha inicialmente, e passa a ter um sentimento de saturação (já não vai treinar nem jogar com a mesma alegria).
O E10 refere que: ―Hoje em dia a saturação é maior do que a 3/4 anos atrás e já não sinto aquele prazer de jogar futebol que tinha antes, mas se calhar a culpa é das pessoas do futebol‖.
No momento de escolher os jogadores, os clubes dão uma grande importância ao factor idade. As vezes, um jogador pode ser muito bom, mas se não tiver uma idade que o clube ache adequada a sua contratação fica desde logo condicionada.
Segundo as pessoas que lideram os clubes, existe uma idade limite para o jogador atingir a excelência. Se o jogador não conseguir esse objectivo até essa “idade limite” nunca mais o conseguirá.
Segundo o E1: ―Ouvia as pessoas a dizer que se não chegasse até aos 26/27 anos a um clube grande não tinha hipótese‖.
Para jogadores que têm um percurso de formação cheio de êxitos (como é o caso dos nossos entrevistados) é mais complicado lidar com esta situação do que para jogadores que tiveram uma formação “banal”. Porque ao praticante que tem uma formação repleta de grandes conquistas é projectado um grande futuro (chegar a uma equipa de top e atingir a excelência). Esta projecção cria elevadas expectativas ao jovem, e ao chegar a tal “idade limite” sem alcançar aquilo que era esperado o praticante vai-se sentir extremamente frustrado.
Na perspectiva de E4: ―Para qualquer jogador que tenha um início de carreira como eu tive, o início de formação que eu tive e chegar aquele meio termo, 24/25 anos e sentir que cada vez é mais difícil chegar a um clube de top e conseguir estar nos centros das atenções a nível nacional‖.
O pior é que em muitos casos essa “idade limite” é muito baixa. O que faz com que o jogador sem sinta incapacitado numa fase muito precoce da sua carreira. Mesmo tendo muitos anos de pratica pela frente, o jogador vai desanimar e criar um sentimento de auto-desconfiança. Este sentimento vai impossibilitar a evolução do jogador nos futuros anos. Assim, podemos concluir que o próprio jogador desanima e prejudica o seu desenvolvimento.
Tal facto é evidente nas palavras de E7: ―Já com 24 anos, não era velho, mas estava a sentir que as coisas já me estavam a fugir um bocadinho‖.
Neste sentido, o E8 também indica que: ―Chega a uma idade em que temos essa consciência, qualquer jogador sabe que chegando aos 27, 28 anos, mais ou menos, se não conseguiu dar o salto até ai muito dificilmente o conseguirá (…) A partir do momento em que as coisas não acontecem e chegamos a essa certa idade (27/28) pensamos pronto já não vai dar, agora é deixar rolar, se não conseguimos até aqui já não conseguimos mais‖.
O praticante sofre com os problemas que vão acontecendo ao longo da sua carreira (sejam eles no início ou no fim), mas o estigma criado pela “idade limite” faz com que os problemas que surgem depois dessa “tal idade” tenham um impacto negativo mais forte sobre o praticante. Isto porque ao ultrapassar essa “idade limite” o jogador fica muito desanimado, e consequentemente mais
vulnerável e incapacitado para resolver/superar algum contratempo.
Como relata o E7: ―A partir dos meus 26/27 anos, principalmente com aquilo que me fizeram em determinado clube (ter sido duas vezes dispensado) a minha imagem fico um bocadinho desgastada. A partir dai criou-se uma grande saturação dentro da minha cabeça‖.
Depois de passar esta idade, o praticante sente muita dificuldade em prosseguir a sua carreira. Porque tem a noção que muito dificilmente irá conseguir atingir as metas que traçou para o seu futuro. A partir desse momento a carreira do jogador entra numa fase descendente (com o passar dos anos o nível da equipa onde joga vai diminuindo ou então acaba por desistir).
Segundo o E9: ―Para mim aos 30/31 anos já foi muito difícil continuar a jogar na primeira divisão, precisamente por essa mentalidade das pessoas que gerem o futebol em Portugal, em que um jogador com 30 anos é um jogador velho, quando um jogador com 30 anos está no seu máximo (…) Quando atinjo essa situação dos 30 anos, por incrível que pareça (não só eu como há muitos colegas meus que estão a passar por isso agora, e já outros passaram antes), a nossa carreira desportiva começa a entrar numa situação descendente‖.
Infelizmente são raros os casos em que os clubes apostam em jogadores com idades superiores a “idade limite”. Estes bons exemplos acontecem de uma forma muito esporádica, o que vem confirmar que a idade tem um grande peso nas contratações efectuadas pelos clubes.
Na perspectiva de E2: ―A partir dos 22/23 anos ou és ou não és, apesar que agora já há jogadores que vão parar o Porto com 29/30 anos, mas são casos extremos‖.
A aposta do clube em jogadores com idades mais avançadas não deveria ser uma excepção, mas sim uma situação mais regular. Porque há muitos jogadores com idades superiores a “tal idade” que se sentem capazes de atingir a excelência.
Tal facto é evidente nas palavras de E9: ―Chegar aos 31/32 anos e saber que as minhas faculdades ainda estavam bem altas, saber que o interesse das pessoas diminui só por pensarem que um jogador que tem 30 anos já não é
capaz de fazer a mesma coisa que um jogador de 18, 20, 22, 24 anos, o que é errado‖.
Na opinião de Hahn (1988), uma programação rígida segundo as idades (criança, adolescente e adulto) expõe desequilíbrios e não coincide, por vezes, com a realidade.
Sendo que a etapa do alto rendimento é mais dinâmica da prática desportiva. A sua duração assume uma grande relação com o nível desportivo desenvolvido nas etapas anteriores. Segundo Matvéiev (1990), esta prolonga- se até aos trinta e cinco ou quarenta anos.
Ao preterir um jogador só porque este já tem uma idade avançada pode- se perder um grande valor. Há praticantes que atingem o máximo das suas capacidades muito próximo dos trinta anos. Porque através da experiência que foram adquirindo ao longo dos anos de prática conseguiram adquirir uma melhor capacidade de decisão.
O E4 indica que: ―Eu acho que um jogador profissional atinge a sua excelência muito próximo dos trinta anos, porque são as horas de treino, as horas de jogo, é isso que te dá a tua grande capacidade de decisão, e o saberes decidir melhor vem com a experiência‖.
Ericsson, et al. (1993) apontam que para atingir o status de excelência em qualquer domínio é preciso 10 anos ou 10. 000 horas de prática deliberada. A prática deliberada é definida como uma actividade altamente estruturada que requer esforço, gera recompensa não imediata e é motivada pela meta de melhorar o desempenho mais do que o próprio gosto.
Os autores pioneiros desta teoria (Ericsson et al., 1993) e aqueles que a têm abordado em diversos estudos (Abernethy, 1994; Hodges & Starkes, 1996; Charness, Krampe & Mayr, 1996; Helsen & Starkes, 1999), defendem a existência de uma relação directamente proporcional entre o tempo de treino acumulado e o desenvolvimento de um desempenho superior.
O limite que o clube impunha nas suas contratações não era só um limite máximo (até certa idade), também havia um limite mínimo (a partir de certa idade). Isto é, antigamente as equipas só apostavam em jogadores ditos experientes. Os clubes procuravam contratar jogadores que já tivessem várias
horas de treino e de jogo.
Segundo o E9: ―Apostavam nitidamente em jogadores a partir dos 25 anos, jogadores com alguma experiência, jogadores com muitos anos de experiência e o jogador jovem era como se não existisse‖.
Ao cingir as suas escolhas a jogadores com estas características, os clubes vetavam automaticamente a entrada de jogadores novos.
Visto isto, podemos referir que há uma faixa etária que estipula se o jogador deve ou não ser contratado. Se o jogador estiver abaixo dessa faixa etária não entra nos planos do clube porque não tem experiência, e se estiver acima dessa faixa etária não encaixa nos interesses da equipa porque já não tem capacidade.
Na perspectiva de E1: ―É isso, entre os 18, 20, 21 há um fosso muito grande. E depois há o estigma de que até os 27 é novo (não tem experiência), depois chega aos 28/29 já é velho (acabou)‖.
Em suma, alguns elementos da nossa amostra foram prejudicados por um desenquadramento temporal, ou seja, quando eram novos a aposta era feita em jogadores com mais experiência, e depois quando já eram jogadores mais experientes a aposta passou a ser feita em praticantes com menos idade.
Com isto, não é de estranhar o desejo dos nossos entrevistados para que as pessoas que geriam o futebol daquele tempo tivessem tido a mesma forma de pensar do responsáveis de hoje em dia (os quais apostam muito mais nos jovens).
Tal facto é evidente nas palavras de E9: “A minha geração ficou completamente desenquadrada. Porque passámos de uma época em que a aposta era nos jogadores com maior experiência em termos de idade, para uma época em que os jogadores com 28/30 anos já não têm qualquer tipo de interesse para a contratação das equipas grandes (…) a mentalidade das pessoas que estão a gerir hoje devia ser aquela dos dias em que conseguimos o campeonato de Riade, e as selecções jovens tiveram excelentes trajectos, não só a minha como as outras‖.
Como se não bastasse a limitação da idade, os jogadores ainda têm que ultrapassar as dificuldades criadas pela preferência do clube em jogadores
estrangeiros.
Esta estratégia de contratações diminui drasticamente a aposta, das equipas nacionais, em jogadores portugueses. E o pior é que tendo dois jogadores (um português e um estrangeiro) com a mesma qualidade, o clube prefere apostar no estrangeiro.
Segundo o E2: ―Preferência de ir buscar um estrangeiro duvidoso do que promover um júnior duvidoso português‖.
Já que em Portugal temos bons valores na formação, as equipas devem apostar nos portugueses e evitar trazer estrangeiros.
Na perspectiva de E8: ―Penso que como há vários jogadores portugueses com valor se deveria apostar mais neles‖.
Parece haver uma desigualdade muito grande entre a paciência que o adepto português tem em relação ao jogador nacional e a que tem em relação ao jogador estrangeiro. Se o jogador jovem que chega ao plantel sénior é português não serve porque é preciso um jogador com mais experiência, e por isso ao mínimo erro tem que sair logo da equipa. Mas se o jogador jovem que chega a equipa sénior for estrangeiro já serve, e mesmo que erre não há problema porque esta no período de adaptação.
Assim, segundo a nossa amostra, o jogador jovem português (que ao igual ao estrangeiro está a entrar numa nova realidade) não tem direito a um período de adaptação, mas o estrangeiro sim tem direito a esse período de adaptação.
Tal facto é evidente nas palavras de E5: ―Normalmente o adepto português pensa ―vem dos miúdos, é dos miúdos, se calhar precisamos ali de mais traquejo, mais experiência‖, mas se for um de 19 anos que seja argentino, brasileiro, uruguaio, russo, é um bom jogador, é uma promessa, já não olham para aquela situação da necessidade de crescer (…) Se for um jogador que venha da América do Sul com 18/19 anos dizem ―coitado está-se a adaptar‖, se for o português vindo das nossas camadas jovens dizem que não tem qualidade, se o jogo correr mal‖.
Se a concorrência já é extremamente forte só com jogadores portugueses, com a chegada dos jogadores estrangeiros as oportunidades
para os praticantes nacionais jogarem ficam muito reduzidas.
Como conta o E10: ―É mais difícil porque temos os chamados estrangeiros, é evidente que o mercado do futebol está engolido pelos estrangeiros‖.
Neste sentido, o E3 também menciona que: ―para um jovem se conseguir impor ou tem de facto muita qualidade ou é tapado por jogadores estrangeiros‖.
Ao não competir no seu clube, o jogador perde visibilidade, ou seja, não é observado pelo seleccionador, o que diminui, drasticamente, as hipóteses de ser chamado a selecção nacional.
Para voltar a ter alguma visibilidade o jogador vê-se obrigado a ir para equipas de divisões inferiores (onde, a priori, terão mais oportunidades para jogar). Mas mesmo assim é complicado serem chamados a selecção nacional, porque raramente o seleccionar aposta em jogadores de divisões secundárias (parte do princípio que os melhores jogadores estão na primeira divisão).
Segundo o E10: ―É muito mais difícil ser chamado a uma selecção A quando temos jogadores estrangeiros a jogar na nossa posição, e não jogando no nosso clube é impossível ser chamado a selecção (…) Os portugueses estão tapados e têm que ir jogar para outras divisões, e numa segunda liga é muito difícil ser chamado a uma selecção A‖.
Como foi referido anteriormente, em muitos casos o jogador estrangeiro escolhido é em tudo semelhante ao português. Neste caso não faz qualquer sentido trazer para Portugal um jogador que é igual a um que já cá está. Assim, quando um estrangeiro não vem acrescentar algo melhor ao futebol nacional é preferível apostar naquilo que foi formado pelas nossas equipas.
Na perspectiva de E8: ―Acho que se deveria dar mais oportunidades ao jogador português. Há demasiados jogadores estrangeiros em Portugal. Se fossem jogadores com qualidade tudo bem, mas comparando o jogador estrangeiro com o jogador português chegamos a conclusão de que são iguais‖.
Neste sentido, o E2 também diz que: ―Esta aposta torna-se ainda mais desnecessária quando os clubes nacionais vão buscar um praticante estrangeiro que tem menos qualidade que o jogador português. Mas só porque
vem de outro país já merece a oportunidade que o ―nosso‖ não teve (…) tem 5,6,7 estrangeiros a jogar que não têm qualidade absolutamente nenhuma para jogar no futebol português, quando tem jogadores com a mesma qualidade com 17, 18, 19 anos, mas porque são portugueses e porque são da formação não entram nos quadros do clube em termos de plantel sénior‖.
Com as poucas oportunidades para jogar que o clube oferece ao praticante, têm que ser encontradas soluções para este problema. Uma das soluções que o clube encontra é o empréstimo. Mas esta solução acarreta um inconveniente que a desmotivação, isto porque qualquer praticante tem ambição de jogar no seu clube.
A desmotivação aumenta quando o praticante é alvo de vários empréstimos seguidos. Se o clube emprestar várias vezes seguidas o mesmo jogador, este começa a perder a ligação ao clube, fica inseguro, fica descrente, cai na rotina do empréstimo, e assim nunca mais consegue voltar à sua equipa. Essas constantes mudanças de clube gerem uma instabilidade muito grande na carreira do jogador. Nesta situação, o jogador não consegue estabelecer uma relação estável com o clube, na qual possa criar elos de ligação com a equipa, e tudo aquilo que a rodeia.
Tal facto é evidente nas palavras de E5: ―O factor desmotivante dos empréstimos. Mas um empréstimo na altura, uma, duas, três, quatro épocas foi muito e uma pessoa começa a perder, mesmo inconscientemente, a motivação, deixa-se ir na onda e depois nunca mais regressa (…) Depois andamos de um clube para o outro sempre a saltar, nunca nos fixamos, não criamos raízes e penso que foi isto que mais influenciou a minha carreira.‖.
Em cada mudança de clube que o jogador faça vai ter que começar tudo de novo, isto atrasa a adaptação, e, consequentemente, a prontidão desportiva do praticante.
Em suma, se o jogador já conhecer o meio de trabalho e tudo o que nele está inserido irá ter uma vantagem para conseguir alcançar um bom rendimento.
Ao longo da sua carreira o jogador tem momentos bons e outros menos bons. Em qualquer um destes momentos é preciso um acompanhamento
adequado. Nos momentos bons o acompanhamento serve para tirar o maior proveito desses instantes, e nos momentos menos bons o acompanhamento serve para diminuir ao máximo os danos que estes possam causar no jogador.
Assim, quando o clube não dá o devido acompanhamento ao seu jogador podemos, facilmente, deduzir que este terá alguns problemas nessa equipa. Um desses problemas é o sentimento de impotência que o jogador sente quando é alvo do abusa de poder do clube.
Há ocasiões em que o praticante tem a noção que não está a fazer ou não lhe estão a fazer aquilo que é correcto, mas mesmo assim tem que compactuar com isso. Porque se não o fizer pode pôr em causa a sua carreira. No fundo, podemos dizer que o clube manda e o jogador tem que obedecer. Por muito que, em alguns instantes, o jogador queira dizer não, tem que dizer sim, ou vice-versa.
Por causa da grande exigência que existe no mundo do futebol (principalmente na necessidade sistemática de encontrar novos talentos) e da elevada quantidade de jogadores que vão aparecendo o clube perde o interesse naqueles jogadores que, na óptica do próprio clube, já não têm nada positivo a acrescentar.
Geralmente, este desinteresse surge com o aparecimento de um jogador novo que atrai o interesse económico/desportivo do clube. Isto faz com que o jogador seja esquecido, caía no esquecimento e fique desprotegido.
O E1 menciona que: ―É como ser uma marioneta, faz isto, faz aquilo. Isto não é falta de personalidade, quem está no meio tem que se sujeitar a determinadas coisas, e essa impotência de dizer, de se criar justiça, cria um sentimento de impotência, algo que revolta cá dentro (…) Passei por fases em que não significava nada para o clube (…) E quando queremos agarrar-nos as pessoas elas já não estão. Porquê? Porque entretanto já surgiram outros‖.
Quando o jogador deixa de ter interesse é largado à sua sorte. Como já não tem nada que possa dar, o clube deixa de o acompanhar. A partir desse momento o jogador está entregue a si mesmo, como um auto-didacta, ou seja, é ele que tem de resolver o seu futuro.
Segundo o E5: ―Não ter sido acompanhado (…) Não houve aquele acompanhamento que eu julgo adequado‖.
E o facto do jogador poder perder o seu futuro não preocupa muito o clube, porque se esse não der, há outros para servirem de “cobaias”.
Na perspectiva de E1: ―É quase como um auto-didacta que se dedica aquilo e depois olha vou tentar fazer isto, vou tentar fazer aquilo e há de sair qualquer coisa (…) Na minha altura demorava muito tempo, deixava-se ao ―abandono‖, olha faz, se conseguires está tudo bem, se não conseguires há outros‖.
Como vimos anteriormente, uma das formas encontradas, pelo clube, para resolver a “estadia” de um jogador que não interessa é emprestar. Outra maneira de resolver este entrave é a dispensa. Infelizmente é este o poder que o clube tem e que pode acabar com o sonho de muitos jogadores.
Se por um lado o clube resolve o problema (ao livrar-se do jogador), por outro lado isto pode causar transtornos ao jogador. Ao ver que tanto tempo de trabalho e dedicação não deram resultado, o praticante pode ficar saturado da exigência desta profissão e deixar de estar mentalmente disponível para voltar a fazer tudo de novo.
Tal facto é evidente nas palavras de E7: ―O que é facto é que