6. Using the Ubuntu Installer
6.3. Using Individual Components
6.3.5. Installing Additional Software
Ao longo das entrevistas fomos percebendo que os jogadores e ex- jogadores que fazem parte da nossa amostra são indivíduos humildes, capazes de assumirem os próprios erros. Esta capacidade, demonstrada por todos os nossos entrevistados, permite-nos constatar que o praticante ou ex-praticante tem a clara noção do seu valor, do seu rendimento, e principalmente das suas lacunas.
Todos os entrevistados assumiram que um dos motivos que interferiu, de uma forma negativa, na evolução das suas carreiras foi a incapacidade pessoal, isto é, eles mesmos reconhecem que não conseguiram atingir a excelência por questões pessoais, questões que partem do próprio jogador.
Segundo os nossos entrevistados, por muito boas que sejam as condições, por muito bons que sejam os treinadores, dirigentes, massagistas, etc., se o jogador não tiver qualidade individual suficiente não irá conseguir atingir a excelência
O E6 refere que: ―a minha falta de capacidade em chegar lá. Se eu fosse realmente melhor poderia ter superado isso‖.
Se não fosse necessária qualidade individual qualquer ser humano poderia ser jogador de excelência. A excelência está “reservada” para aqueles que realmente têm atributos para atingir o topo. No entanto, como iremos constatar mais a frente, a qualidade só não chega.
Logicamente, a falta de qualidade diminui a probabilidade do jogador representar um grande clube.
Segundo o E4: ―Se calhar a minha qualidade em termos físicos, técnicos e tácticos, quem dirigia na altura os clubes achavam que eu não tinha essa capacidade‖.
Tudo isto faz com que o jogador não se sinta capaz de evoluir, criando um sentimento de descrença difícil de superar.
Na perspectiva de E2: ―Em determinada fase da minha carreira senti que não estava a evoluir o suficiente para melhorar a minha performance. Quando cheguei a divisões inferiores, a partir dos 28/29 anos, senti que tudo aquilo que eu acrescentasse podia melhorar a minha performance, mas não melhorava nada que me desse garantias que iria ser melhor jogador‖.
A mente tem um poder muito grande sobre o rendimento do jogador. Ao longo da carreira, o jogador pode sofrer alguns entraves mentais que não lhe permitam evoluir. Estes entraves condicionam a capacidade do praticante para melhorar esta ou aquela capacidade. Desta forma, o jogador pode ver a sua evolução estagnar ou até mesmo regredir.
Um bom exemplo da influência da mente no rendimento do praticante é a instabilidade da performance resultante do estado de espírito do jogador. Isto é, há jogadores que quando estão bem mentalmente têm um desempenho fantástico, mas quando estão mal mentalmente parece que nada sai bem.
Assim, podemos constatar que se o praticante for mentalmente instável, dificilmente conseguirá ter um bom desempenho.
Num estudo recente, Côté, Baker e Abernethy (2003) comentaram trabalhos de alguns autores, no sentido de acentuarem a importância dos aspectos motivacionais para o desenvolvimento do desempenho de excelência. Como vimos anteriormente, se o jogador for frágil mentalmente dificilmente conseguirá atingir a excelência. E uma demonstração de fragilidade psicológica é a incapacidade de ultrapassar os problemas.
Tal facto é evidente nas palavras de E6: ―O que realmente não me deixou avançar foi não ter sido forte em termos psíquicos (…) Mais no aspecto psicológico, psíquico que não conseguia melhorar por causa de alguns entraves que tinha (…) Se calhar em alguns aspectos não conseguia crescer mais. Mais tecnicamente, mais futebolisticamente falando. Por causa do tal
psíquico. Passei vários momentos difíceis que tinham mais a ver com a cabeça do que com o resto (…) Quando estava bem da cabeça fazia coisas incríveis, mas quando estava um bocadinho mal já não saia nada. Portanto, penso que o factor psicológico influencia muito e deveria ser aperfeiçoado cada vez mais (…) A minha incapacidade para ultrapassar os problemas em termos psíquicos‖.
Sendo que a carreira de jogador é longa e, em muitos casos, cheia de entraves, se o jogador não tiver a capacidade para superar esses entraves dificilmente conseguira seguir em frente.
Como a vida de jogador, geralmente, não permite ter uma vida estável (ficar muito tempo na mesma cidade) este deverá ter a capacidade de adaptação a diferentes cidades. Sem esta capacidade, o praticante pode ver o seu futuro comprometido mo momento em que tenha que ir jogar para um clube de outra cidade.
O E7 relata que: ―Senti muita dificuldade em me adaptar a Lisboa, também sempre fui um bocado caseiro, estar perto da namorada, dos amigos. Faltou-me realmente aquela capacidade mental que é muito importante (lá está a parte psicológica) para poder singrar numa cidade diferente‖.
Esta inadaptação pode estar interligada a incapacidade do jogador para resolver os entraves mentais que vão surgindo ao longo da carreira.
Uma característica muito comum nos jogadores frágeis mentalmente é a dúvida no próprio valor. Esta dúvida é gerada pela insegurança do próprio jogador.
Segundo o E10: ―Penso que é nisto que os jogadores chamados fortes psicologicamente conseguem ser mais fortes e singrar no futebol. Se calhar, mentalmente nunca fui muito forte, mas nunca deveria ter posto em causa o meu valor, porque se ontem tinha valor hoje também o tenho‖.
Um jogador mentalmente frágil, geralmente, é um jogador inseguro, negativo, desanimado e vulnerável as críticas dos outros. Um jogador assim está mais próximo do fracasso do que do sucesso. Um praticante que queira atingir a excelência não pode duvidar do seu valor. Tem que ter a noção que a qualidade não se perde de um momento para o outro. Por isso, quando passar por alguma fase menos boa tem que se lembrar que se ontem era bom hoje
também o é.
Muitas vezes as dúvidas levam o jogador a pensar que deve mostrar o seu valor a alguém, isto é, pensa que tem que provar algo a alguém.
Na perspectiva de E7: ―Aquela pressão de te mostrar. Quando pensas que tens que mostrar o teu valor estragas tudo, vais com aquela ansiedade, com aquele stress. Ou és mesmo bom e consegues superar isso ou então é muito complicado‖.
Este sentimento faz com que o jogador fique ansioso e stressado, o que poderá prejudicar o seu rendimento dentro de campo.
As dúvidas que os praticantes têm sobre o seu valor podem surgir através da inexperiência que caracteriza o jogador jovem. Este tipo de jogador tem que competir com jogadores mais experientes, jogadores que já conhecem o meio, que já sabem o que devem e não devem fazer.
Tal facto é evidente nas palavras de E1: ―Com 18 anos vai ter que lutar com homens de 30 anos, com experiência, com traquejo, com manhas que cria, uma coisa que é exclusiva para quem já lá está (...) Esta desvantagem pode condicionar a integração do jogador jovem na equipa ―leque mais variado de escolhas do treinador, com jogadores mais experientes do que eu (já tinham mais idade, mais traquejo)‖.
A falta de experiência também pode levar a um mau aproveitamento do treino por parte do jogador.
Como diz o E10: ―Hoje em dia já não tanto, porque a minha idade já me permite tirar outro rendimento do treino, que aos 18/20 não tirava‖.
E se o jogador não tiver experiência suficiente para saber tirar o maior rendimento possível do treino dificilmente conseguirá melhoras as suas capacidades.
A inexperiência também pode levar o jogador a traçar metas exageradas, que dificilmente se concretizarão.
Segundo o E8: ―Mediante o caminho que tinha feito criei muitas expectativas em relação ao meu futuro‖.
Neste sentido, o E6 também refere que: ―Eu não delineei outra coisa que não fosse chegar a alta competição. Alias eu não via coisas para baixo, que era
coisas que os meus colegas viam‖.
É legítimo e positivo que o jogador tenha a ambição de querer ser o melhor possível ou de chegar o mais longe possível, mas essa ambição tem que ser realista. Porque de nada vale traçar metas ou definir objectivos que sabemos de antemão que não os conseguiremos atingir.
Acima de tudo o jogador tem que ser realista e ter os pés bem assentes no chão.
Um dos graves problemas das expectativas exageradas pode ser a incapacidade do praticante se adaptar a novas realidades, ou seja, o jogador está focalizado para um determinado objectivo, mas se este não se concretizar o jogador não tem a capacidade de reorientar os seus objectivos e seguir outro caminho.
Na perspectiva de E1: ―Muita culpa do atleta, que pela sua formação, cria estereótipos de jogador, eu sou assim, eu vou ser assim e é assim que eu vou ser. Se há alguma coisa que se intromete não tem capacidade para contornar ou para ultrapassar as barreiras que são postas ao longo do seu no caminho‖.
A pressão que o jogador sente ao não conseguir concretizar as expectativas traçadas pode ter um resultado nefasto no seu crescimento.
Tal facto é evidente nas palavras de E4: ―Quando se dá a transição para sénior a queda é maior e muitos deles não aguentam a pressão de não se verem em equipas que se calhar eles achavam que deveriam estar e planteis que se calhar eles achavam que deveriam estar‖.
A decepção e a redução do auto-conceito pode acompanhar a mudança da criança considerada “estrela” para o adolescente medíocre (Hill, 1988).
Há atletas que não estão psicologicamente habilitados para lidar com a pressão que acompanha o êxito e consequentemente podem ficar desiludidos ou frustrados quando encontrem um obstáculo COMO por exemplo: o rendimento durante a adolescência (Hill, 1988; Hill & Hansen, 1988).
A incapacidade do jogador aceitar um possível falhanço (não atingir algum objectivo) pode ser agravado pelo desconhecimento que este tem da vida “extra-futebol”. Isto porque o jogador não está ambientado com o
“funcionamento” da sociedade (nunca teve um emprego fora do futebol e não tem amigos fora do futebol).
Segundo o E7: ―O mundo do desporto, do futebol é uma coisa e ir lá para fora para o mundo real é completamente diferente‖.
Neste sentido, o E8 também menciona que: ―Não conheço a ―vida lá fora‖, não sei o que é ter um emprego, praticamente as pessoas que conheço estão ligadas ao futebol‖.
Este desconhecimento é resultado da exclusividade que o jogador tem que dedicar à sua carreira. Isto faz com que o praticante não saiba o que irá fazer quando acabe a sua carreira. Esta dúvida pode gerar alguma ansiedade, a qual prejudica a estabilidade mental do jogador.
Assim como todo o ser humano, o jogador de futebol também sofre as consequências das suas próprias decisões. Isto quer dizer que quando o praticante tem más decisões a sua carreira vai ser prejudicada.
Na perspectiva de E1: ―Tive escolhas em termos de clubes, de pessoas, de treinadores que não foram as melhores para mim‖.
É normal que ao não jogar o praticante fique insatisfeito e procure uma solução para sair desse problema. Mas essa solução não pode ser, de maneira alguma, precipitada, isto é, o jogador não pode querer sair do clube de formação sem antes pensar nas consequências que esse acto vai ter.
Tal facto é evidente nas palavras de E10: ―Nunca teria rescindido o contrato com o Porto‖.
Segundo os nossos entrevistados, o jogador deve ser paciente e esperar que surja a sua oportunidade no seu clube de formação. Ao sair de uma forma precipitada o jogador arrisca-se a nunca mais voltar ao seu clube de origem.
O E2 relata que: ―Desde que quebrei a minha ligação com o Porto (com 23 anos) senti que muito dificilmente iria jogar no Porto, ou que ia voltar ao Porto, ou que muito dificilmente iria chegar a um clube grande‖.
É preferível o jogador esperar pela oportunidade no seu clube do que se deixar levar pela pressa de jogar e ser emprestado a outros clubes.
Segundo o E5: ―Os empréstimos a que estive sujeito nos primeiros anos de sénior. Não foram os mais adequados, nem foram a melhor opção. Na altura
pareciam-me, mas se calhar não foi. Deveria ter continuado no meu clube (…) Hoje se calhar não tinha aceitado os empréstimos que tive nessa altura e tinha arriscado continuar no Boavista e esperava pela minha oportunidade que poderia surgir a qualquer momento‖.
Por outro lado, rejeitar uma mudança de clube no momento certo e para o clube certo também se pode revelar como um erro
Na perspectiva de E2: ―Más decisões da minha parte, ter clubes para ir, optar por um e não ir para outro e acabar por as coisas não correrem bem no outro‖.
Neste sentido, o E8 também conta que: ―Na altura em que tive o convite de outro clube melhor, de outra dimensão, se fosse agora já nem olhava para trás, mudava mesmo‖ (E8).
Se a mudança for para melhor o praticante deve aceitar, sem ter medo de arriscar:
Muitas vezes o praticante prefere o comodismo de ficar num ambiente que já conhece e onde já conquistou o seu espaço (mesmo que seja num clube pequeno) do que ir para um meio novo e ter que conquistar o seu lugar.
Tal facto é evidente nas palavras de E8: ―Preferi dar continuidade em termos de jogar futebol, jogar de domingo a domingo em vez de ir para um sítio onde tivesse que conquistar o meu lugar, onde tivesse que conquistar coisas novas (…) Preferi ficar onde me sentia bem do que tentar mudar e ir para um sítio desconhecido, onde não conhecia ninguém, não conhecia dirigentes, não conhecia os jogadores, apesar de ouvir falar deles na televisão‖.
Por vezes o medo de tentar leva o jogador a rejeitar uma grande oportunidade.
Como expõe o E9: ―Posso dizer que há sempre qualquer coisa por fazer, mas acredito que, sinceramente, neste momento a única coisa que mudaria um bocadinho mais era o meu risco, o arriscar mais um bocadinho (…) Aquele passo que não consegui dar ao ficar como atleta do FC Porto. Hoje dava esse passo, sem qualquer tipo de receio, sem qualquer tipo de ressentimento. Penso que foi o grande erro que cometi na minha carreira‖.
equipa melhor é a preocupação com a família.
Na perspectiva de E10: ―O facto de ter tido várias oportunidades para jogar noutros clubes e não ter ido, lembro-me de uma oportunidade que tive para ir jogar para Espanha, que em termos financeiros era uma proposta muito boa, na altura tinha vinte anos, e não quis ir por uma questão de família‖.
Segundo os nossos entrevistados, o praticante também não se pode deixar levar por aquilo que os outros dizem. Deve ser capaz de decidir, por ele próprio, aquilo que é melhor para o seu futuro.
Tal facto é evidente nas palavras de E8: ―Na altura também era novo e acreditei que seria o melhor para mim. Depois de várias conversas influenciaram-me a ficar e eu aceitei ficar, mas se calhar podia ter saído, podia ter outra carreira profissional.‖.
Há decisões que põe em causa a carreira desportiva e a própria saúde do jogador. Uma destas más decisões é o querer jogar a todo custo (mesmo estando lesionado), sem se importar com as consequências que isso possa ter.
Jogar lesionado não só afecta o rendimento imediato do jogador, como também o seu futuro. Isto porque esta escolha pode deixar sequelas no corpo do praticante.
Em suma, todas estas más decisões têm consequências negativas na carreira do jogador.
Como diz o E2: ―Joguei com roturas, joguei com meniscos partidos, joguei com hérnias, joguei com contracturas, joguei com tudo e mais alguma coisa. Os médicos obrigaram-me a assinar autorizações para jogar, porque não me queriam deixar jogar, eu assinava e jogava (…) Também comecei a dar muitos tiros nos pés, as tais opções. Foi o conjunto de essas coisas todas que me levou a pensar que dificilmente ia evoluir muito mais que aquilo que estava naquele momento‖.
Os nossos entrevistados têm uma coisa em comum: todos eles tiverem uma formação cheia de êxitos. Estes sucessos são positivos, até ao momento em que o jogador se deixa levar pela vaidade e perde a humildade.
Por muitas conquistas que o jogador tenha, nunca pode pensar que já sabe tudo e que já não tem mais nada a aprender.
Segundo o E9: ―Na altura em que fui internacional, tinha 18 anos e ganhei o que ganhei, houve um período em que pensei diferente, pensei que já sabia tudo, achei que já não era necessário aprender mais nada, tinha conseguido atingir o topo, e com o tempo a passar comecei a perceber como estava errado‖.
Esta forma de pensar só irá prejudicar o desenvolvimento do jogador, já que este não irá procurar evoluir (sendo que se encontra satisfeito com os seu êxitos).
Como refere Fuentes-Guerra (2000), independentemente da idade, o praticante deve seguir a formação visando o aperfeiçoamento das suas habilidades, corrigindo erros, procurando variantes para os distintos meios técnico-tácticos, ou seja, complementar-se de forma a tornar-se um praticante mais completo.
Também Maldonado (1992) encara que um jogador nunca está formado, ou seja, a formação desportiva dura até ao final da sua vida desportiva.
Segundo os nossos entrevistados, grande parte dos jovens jogadores da actualidade, mesmo aqueles que ainda não ganharam nada, tem esse defeito.
Esta falta de humildade transforma o jogador numa pessoa sem respeito pelos companheiros mais velhos e egoísta. O que só prejudica a sua integração na equipa, porque os treinadores das equipas seniores não têm paciência para este tipo de jogador.
Na perspectiva de E4: ―Os miúdos que agora sobem a seniores parece que mandam na cabina, mandam no treino, mandam em tudo. Respondem a toda a gente, sentem-se muito superiores ao que eu me sentia na altura. E eu na altura já era internacional, já tinha ganho troféus, estava numa equipa boa, já tinha algum nome e tinha um respeito muito grande (…) Os miúdos quando sobem a seniores em clubes como Porto, Benfica e Sporting têm um nível de egoísmo muito grande, pensam que são estrelas cedo de mais. (...) O trabalho em equipa cada vez mais é fundamental, e jogadores que olhem só para si dificilmente os treinadores têm paciência para aturar essas coisas‖.
Numa carreira tão exigente como é a de futebolista não há lugar para a falta de profissionalismo.
Tal facto é evidente nas palavras de E3: ―Um pouco mais de profissionalismo também poderia ter ajudado‖.
O jogador tem que ser dedicado ao trabalho e cumprir com todos os seus deveres. Isto é, tem que ser um jogador aplicado, porque ter qualidade individual não basta para atingir a excelência. É preciso o praticante se entregar de corpo e alma à profissão.
O E10 menciona que: ―Há jogadores que nunca atingiram o patamar alto do nosso futebol por nunca se terem aplicado a sério no trabalho‖.
Neste sentido, o E2 também diz que: ―Eu lembro-me de colegas meus que, felizmente, foram muito mais longe do que eu no futebol e que nem metade da minha qualidade como jogador tinham, mas tinham se calhar outras coisas que eu não tinha. Tinham uma paixão maior pelo jogo, entregavam-se mais ao jogo‖.
Por muitas conquistas que o jogador tenha não pode cair no erro de começar a desvalorizar os próximos sucessos. Isto pode gerar um estado de acomodação no praticante, o que faz com que este perca a vontade de se superar e perca, também, o gosto pelas vitórias.
Segundo o E6: ―As pessoas não valorizam os feitos atingidos, o que é mau porque depois acabas por não ter gosto por ganhar‖.
Há três capacidades que são fundamentais para o jovem atingir a excelência: a capacidade de se relacionar com o crescimento das suas aptidões, a capacidade de adaptação à competição e a capacidade de se relacionar com os factores que rodeiam a sua carreira (Barreiros, 2005).
O facto de um jogador se destacar na formação não é garantia de que esse mesmo jogador se irá destacar nos seniores. Neste longo processo o jogador pode deixar de evoluir e estagnar.
Pereira (1999) questiona a possibilidade do desempenho alcançado em idades jovens constituir garantia de sucesso futuro. Este autor fundamenta a questão, dizendo que raramente tem visto óptimos praticantes jovens de nível nacional e internacional que viessem a ser mais tarde óptimos praticantes nos Campeonatos do Mundo e nos Jogos Olímpicos.
Para Sobral (1994), a vocação, a aptidão e mesmo o nível actual de prestação de uma criança ou adolescente não são garantia de êxito em etapas posteriores da sua carreira desportiva.
Vários autores (Filin, 1996; Bompa, 2000; Coelho, 2000) reconhecem que o facto de se atingir resultados elevados na idade infantil e juvenil não é garantia de resultados futuros e asseguram que é mais provável acontecer o contrário.
Segundo Marques (1993a), os estudos têm comprovado que dificilmente se poderá estabelecer correlações sólidas entre as prestações na competição nas fases iniciais da preparação desportiva e nas fases mais avançadas do processo. As limitações alusivas ao prognóstico devem-se, sobretudo, ao facto de as características da prestação serem avaliadas numa idade na qual elas