5. La problématique de recherche
5.1. Partir de l’intervention : comment le dialogue s’est-il développé entre les prescripteurs
Sobre a secção online, onde o estágio se realizou, esta é responsável pela publicação e agendamento dos artigos online, gestão do site e redes sociais, edição e redação de artigos sobre as mais diversas áreas do conhecimento. Conta atualmente com dois editores, três jornalistas, um gestor de redes sociais e dois gestores de homepage e é uma das únicas secções do jornal em que existem turnos sendo que, devido à imediatez e atualidade do online, é necessário que esteja sempre um jornalista disponível.
Parte da rotina inclui, à chegada à redação, fazer uma ronda pelos jornais nacionais e internacionais, de forma a averiguar se existe alguma notícia relevante que deva ser publicada. Ao encontro do que concluiu Bastos (2010) num estudo realizado junto de ciberjornalistas portugueses, a redação de notícias é a principal tarefa diária dos ciberjornalistas, à qual acrescentam a edição de textos provenientes de agências noticiosas e a adaptação de conteúdos do papel para o online (shovelware). Porém, importa destacar que durante o estágio verificou-se um grande aproveitamento de matérias escritas originalmente para o online no papel (tendo em conta que os jornalistas online colaboram também para a versão impressa).
No contacto com as fontes de informação, quando não se dá pessoalmente, os jornalistas recorrem essencialmente ao telefone e ao email ou redes sociais, sendo que os ciberjornalistas
efetuam maioritariamente o seu trabalho na redação (e não no terreno), o que tem implicações na recolha de material próprio, nomeadamente material multimédia. Porém, o jornal Público incentiva constantemente os jornalistas a contactarem as fontes de informação diretamente, sem se basearem nas fontes citadas por outros jornais ou agências de notícias.
A redação de Lisboa, onde se realizou o estágio, funciona num “open space”, não existindo separação por gabinetes. A redação está sim organizada por “ilhas” (conjunto de secretárias onde se situam os jornalistas de acordo com a sua secção/editoria), o que permite uma lógica de trabalho baseada na partilha e cooperação. Sobre a edição impressa, é produzida diariamente com conteúdos exclusivos e, geralmente, a edição é definida durante a reunião da manhã e concluída antes das 20h (hora de fecho), o que impõe um deadline rigoroso e uma verificação cuidada das informações e erros. A secção online é também controlada a partir do Porto, com a Internet a possibilitar que jornalistas em diferentes pontos geográficos possam colaborar num mesmo trabalho.
Quanto à interação, o Público disponibiliza várias formas para os leitores interagirem com os jornalistas. Desde contacto por e-mail (os jornalistas disponibilizam o seu endereço de email quando assinam uma notícia), sondagens, inquéritos, infografias interativas, opções de correção dos artigos, comentários e partilhas e participação do público no envio de fotos e sugestões, assim como a disponibilização de uma secção intitulada “provedor do leitor”. Invariavelmente, quanto maior destaque uma notícia tem na homepage, mais comentários apresenta (Paiva, 2016), sendo que estes comentários são moderados pelos gestores das redes sociais e editores, em conjunto com os próprios leitores que assumem também a posição de moderadores através de um sistema de reputação por pontos. Assim que os leitores se registam no site, passam a poder aceder a uma página pessoal, onde podem verificar o seu histórico e aceder a artigos por eles selecionados.
As redes sociais assumem um importante papel na difusão das notícias do jornal, nomeadamente o Facebook, Twitter e Instagram. Como explica Paiva (2016), “a funcionalidade para atrair os leitores ao media pelas redes sociais tem sido cada vez mais utilizada pelos leitores e pela redação em especial graças ao grande poder de partilha e de difusão das informações. O ato de convidar o leitor para interagir nas redes sociais é hoje uma ferramenta bastante divulgada na interface do jornal e tem sido eficaz para a partilha das notícias entre leitores em rede.” Porém, a iniciativa provém geralmente do leitor que reage às notícias já publicadas. “Com perfil sempre mais participativo, o leitor é quem dá o primeiro passo a caminho da interação, quem faz seu primeiro comentário, lançando um contraponto à notícia, seguido por uma diversidade de outros comentários de outros leitores” (Paiva, 2016).
Verifica-se ainda um aproveitamento do alcance do papel e online e uma convergência de formatos, sendo exemplo disso o facto de serem publicados na versão impressa alguns excertos de artigos e “chamadas” de atenção para alguns dos conteúdos disponíveis no site (secção intitulada “Em publico.pt”). As hiperligações são de extrema importância para os jornalistas online do Público, que alertam constantemente para a sua inclusão nas notícias de forma a dar contexto e profundidade aos artigos, assim como os elementos multimédia (fotografias, vídeos, publicações em redes sociais, etc.). Também a aposta em aplicações para tablets e smartphones tem-se revelado essencial, com muitos utilizadores a acederem aos conteúdos a partir destes dispositivos. O próprio site tem sido atualizado ao longo do tempo de acordo com critérios de usabilidade.
Importa referir que, tal como mencionado no estatuto editorial, apesar da pressão dos “likes”, dos rankings das notícias mais lidas e do lucro, o Público dá primazia à qualidade da informação (apesar de não descurar a importância de publicar a informação o mais rápido possível). Exemplo desta preocupação foi o facto de Hugo Torres, um dos editores e orientador da estagiária que se demitiu durante o período de estágio, ter alertado para a necessidade de redigir notícias de forma mais rápida, mas apenas caso isso não interferisse com a qualidade do conteúdo.
Apesar de geralmente as notícias que ocupam lugar de destaque na página de um site não contarem com a participação dos leitores, existem situações em que é dado destaque ao leitor, nomeadamente na questão da votação em parlamento da despenalização da eutanásia em que vários cidadãos (ainda que especialistas em determinadas áreas) foram incentivados a dar o seu contributo.