3. L’intervention réalisée dans le service technique de la propreté de Paris
3.2. Dispositif et calendrier de l’intervention
“Recebi uma mensagem de texto dizendo que a aula tinha que ser transferida, pois ela [a professora de mantra] teria um concerto com seu grupo musical. Acabei esquecendo de perguntar a ela onde seria o concerto, então aproveitando a abertura da mensagem pelo telemóvel, enviei outra perguntando onde seria. Foi ai então que acho que o trabalho de campo de ontem [no templo] se prolongou até hoje. Ela ficou bastante entusiasmada com a minha mensagem e me enviou outra longa dizendo o nome do grupo, muito feliz que eu tinha perguntando, que ficaria feliz que eu fosse e disse para que eu desse uma olhada na página do facebook do grupo. Ainda na rua pelo telemóvel procurei pelo grupo, pois estava mesmo curiosa. Então encontrei a página do grupo e dei um "like". Alguns minutos depois, ela já havia me adicionado no facebook e eu acabei optando por ir ao concerto, que é hoje em Sintra.” (notas de campo em 21 de dezembro de 2012, primeiro mês do trabalho de campo)
Meu trabalho de campo online centrou-se em duas principais redes sociais que são de uso frequente entre os devotos de Portugal, o Facebook e o Youtube, além das comunicações por e-mail. O Facebook contribuiu para uma maior aproximação com os devotos e para o acompanhamento dos conteúdos que compartilhavam, que davam pistas de seus gostos musicais, seus posicionamentos políticos e sociais e também da forma como vivenciam sua
identidade devocional na Internet.95 Já o Youtube é a rede social de maior uso e interesse no
95
Quando encerrado o trabalho de campo online, o número de páginas seguidas de temática Hare Krishna na rede social Facebook era de 66, além da adesão a 9 grupos fechados. As páginas e grupos não eram de uso exclusivo dos devotos que frequentam o templo de Lisboa, mas tinham sido sugeridas por eles. Entre os grupos mais ativos no Facebook está o "Grupo de Estudos Védicos", compartilhado entre devotos falantes de língua portuguesa, maioritariamente do Brasil, com 3.629 membros (até 8/8/13) e 20 "amigos em comum" da comunidade Hare Krishna de Portugal, que para a "comunidade" portuguesa é um número bastante representativo. O outro grupo observado chama-se "Festa Hare Krishna Braga Namahatta", com 149 membros e 17 "amigos em comum". A página do templo Hare Krishna de Lisboa tem 3.912 seguidores (em 8/8/13) e tem seu conteúdo fechado, ou seja, somente a própria página pode publicar no mural da rede social.
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âmbito das práticas musicais, de acesso à vídeos de líderes do Movimento no âmbito da música e de registro e acesso à programações realizadas em diversas partes do mundo.
Através do Facebook interagi com os devotos que conheci em Lisboa, em especial nos grupos fechados, páginas de temática Hare Krishna, mas principalmente através de mensagens privadas e diálogos realizados pelo chat. O contato online dava continuidade às conversas e aos acontecimentos que tiveram lugar no templo. O diálogo pelo Facebook neste sentido, funcionou muitas vezes como um facilitador da minha presença no templo, aproximando-me mais de meus colaboradores, que sentiam-se mais à vontade comigo. Como muitas vezes o trabalho de campo era realizado durante a "programação" do festival de domingo, o que dificultava a possibilidade de conversas, era então através da Internet que era possível um diálogo mais aprofundado.
É através do Facebook que muitas vezes foi possível saber onde é que os devotos estão ou gostariam de estar. Foi deste modo que soube que a minha professora de mantras tinha ido ao Japão, enquanto eu estava fazendo trabalho de campo no Brasil. Também foi pela rede social que recebi a informação de que o dirigente do templo de Lisboa, Paramgati, estava no Brasil durante o Mundial de Futebol (Copa do Mundo), realizado em junho de 2014, para pregar e cantar nas cidades onde os jogos tiveram lugar.
Durante o curto período de trabalho de campo complementar que desenvolvi no Brasil, o Facebook foi uma fonte de informação essencial sobre onde estavam os devotos e que atividades planejavam realizar, já que minhas conexões com colaboradores no país nem sempre me forneciam estes dados. Através das redes sociais online foi possível seguir o dirigente do templo Português em sua viagem durante o Mundial de Futebol. Enquanto não me foi possível segui-lo pessoalmente, pois mudava de cidade em cidade a cada poucos dias, tive acesso à fotos e comentários em texto sobre sua pregação, através de jovens devotos que viajam com
ele e que eu havia adicionado ao meu perfil do Facebook96.
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O grupo de devotos que acompanhava Paramgati era maioritariamente constiuído por homens, dificultando a possibilidade de um acompanhento mais próximo. Devido a muitos desses devotos serem celibatários, a presença de uma mulher como parte do grupo de viagem era complicada. Ciente destes impedimentos, optei por fazer o
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Os devotos são bastante ativos usuários de Internet e formularam um amplo
vocabulário inspirado em gestos e emoções para substituir expressões visuais pessoais,97 o que
tornava uma conversa online bastante possível e proveitosa. Como aponta Machin-Autenrieth, isto faz com que a inserção de gestos visuais levem para as etnografias online o que as etnografias "reais" dizem ser sua principal diferença e vantagem (2014:74). Manter uma conversa por chat online ao invés de presencialmente exige um raciocínio rápido para manter o diálogo (Kozinets, 2009). Mesmo assim, tem as suas vantagens e desvantagens de acordo com o campo que se está a pesquisar. A ausência de poder observar reações físicas e ouvir o tom de voz de uma conversa podem parecer desvantagens, mas alguns temas mais delicados ou que não falariam no templo, tornaram-se mais possíveis justamente por esta ausência e de utilizar um tempo e ritmo que pode ser maior para responder ou comentar determinados assuntos. No trabalho de campo realizado foi possível discutir assuntos que jamais eram tratados no templo, mas que fluiam com tranquilidade na Internet. Pude compreender então que pela Internet, através de conteúdos privados, os devotos demonstravam características de sua personalidade que não apareciam no espaço coletivo do templo.