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3. L’intervention réalisée dans le service technique de la propreté de Paris

3.1. Construction de la commande et action engagée auprès des commanditaires

“Domingo (dia 22) foi um dia bastante particular no campo. Começou logo cedo, quando acordei às 9h da manhã com uma mensagem de texto da Carla. Ela pedia para que eu ligasse, eu liguei logo em seguida. Ela precisava de ajuda pra se comunicar com alguém do templo em português por conta do Encontro Mundial de Yoga. Ela iria participar no encontro, mas desmarcou dois dias antes com a KP porque iria a Coimbra e resolveu tentar tocar novamente porque viu que chegaria a tempo. Carla me disse no telefone que esse encontro é quando o templo consegue arrecadar mais dinheiro. O evento era um encontro mundial com representantes de várias comunidades religiosas de Lisboa e do mundo todo. (...) Neste dia, resolvi chegar cedo ao templo, ou seja, às 15h. Por lá nada parecia ter começado ainda. Portas fechadas, caixas na entrada, templo ainda por organizar. Noto logo que o harmônio não está lá. Vendo que está tudo meio caótico, ofereço ajuda. A ajuda é aceita uns 15 minutos depois,

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Esta atividade, diferentemente do Harinama e da Festa de Domingo, não tem o intuito de angariar nem devotos, nem fundos para o templo, sendo uma contribuição solidária à cidade.

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quando me pedem para ir ao Continente comprar algumas coisas. É também quando descubro que o jantar de encerramento do Encontro Mundial de Yoga seria no templo. Como era domingo, também dia de festival, estava explicada a confusão.” (diário de campo, Lisboa, 25 de junho de 2013)

Os devotos participam intensamente de um “circuito neo-esotérico” da cidade através de diversas feiras e festivais de cunho oriental que têm lugar em Lisboa, a exemplo do Encontro Mundial de Yoga citado acima. Em geral, nestes eventos, têm uma barraca a vender comida e

também participam com música, apresentando-se em palco.88

Ao referir o neo-esoterismo sigo a proposta de Magnani (2009), que define o termo como “formas de religiosidade denominadas ora místicas, ora esotéricas, ou ainda New Age - e que juntam livros de auto-ajuda (Paulo Coelho, é o top de vendas), oráculos e sistemas

divinatórios como o i-ching89 ou o tarô90, rituais ocultistas, práticas corporais, terapias ditas

alternativas, lojas de produtos "naturais", incensos, imagens de anjos e duendes”. Para o autor, esse fenômeno que já foi considerado uma espécie de "religião pós-moderna", é visto como uma imensa bricolagem de elementos tirados das mais diversas linhas e filosofias, desde tradições orientais até o xamanismo e rituais wicca, evocando as experiências da contracultura dos anos 1960 (Ibid. 2009:24-25). O Movimento Hare Krishna em Lisboa, próximo do que acontece em São Paulo, contexto apresentado por Magnani, participa deste circuito neo- esotérico, tanto por questões de sobrevivência financeira, como pela própria circulação de habitantes da cidade, já que muitos frequentadores do templo participam de diversas outras

atividades e espaços semelhantes na cidade91, a exemplo do Espaço neo-esotérico chamado

Espiral92.

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As feiras e festivais em que os devotos participaram não foram objeto da minha pesquisa.

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O Iching, também conhecido como Livro das Mutações, é um livro chinês de oráculos.

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É um jogo esotérico composto por um baralho de 78 cartas. O jogo das cartas supostamente dá pistas do futuro.

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É preciso mencionar que o possível circuito esotérico em Lisboa mencionado não foi foco na pesquisa. Em meu trabalho de campo, observei e descobri através de conversas informais que muitos frequentadores do templo circulavam por diferentes espaços “esotéricos”, com uma dinâmica semelhante do circuito esotérico pesquisado

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4.5. Considerações finais

A música é central na devoção, através do canto coletivo de mantras, presente nas principais práticas expressivas do Movimento Hare Krishna, nomeadamente no bhajan e no kirtan. O canto de mantras desempenha um papel central na interação e coesão entre os presentes no templo, sejam devotos ou visitantes. No templo de Lisboa, observa-se o que Turino aponta, nomeadamente, que é através da performance em conjunto, dos movimentos e sons em sincronia, que os indivíduos experienciam um sentimento de unidade com os outros. Os sinais dessa "intimidade social" são vivenciados diretamente - corpo a corpo - e, portanto, no momento são sentidos como verdadeiros. Para ele, dependemos de grupos sociais - nossa família, nossos amigos, nossa tribo, nossa nação - para sobreviver emocionalmente e economicamente e pertencer a algo maior que nós mesmos (ibid. 2008:2-3).

O templo Hare Krishna organiza três atividades principais: o Festival de Domingo, o Harinama e o Food for Life. Não se trata do mesmo grupo de pessoas que circula por todas as atividades, mas de diferentes combinações e dinâmicas que integram interesses e práticas diversas na cidade. Seguindo a proposta do antropólogo João Leal no estudo que desenvolveu em torno das festas Açorianas nos Estados Unidos da América, perspectivo estes eventos como um momento onde "grupos são feitos, refeitos e desfeitos". Para ele, mesmo que o relacionamento entre as pessoas envolvidas na organização dos eventos possa ser mais fraco ou esporádico, existe um sentido de pertença de um coletivo que estas atividades ajudam a criar (2015:7). Constituem ao mesmo tempo o público, os organizadores e os financiadores

por Magnani. Desta forma, adotei o termo para retratar esta circulação de pessoas por diferentes práticas místicas e associadas ao oriente. Não encontrei uma pesquisa dedicada a um circuito esotérico em Lisboa, nem mesmo em Portugal.

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O Espiral CRL é um "Centro para Divulgação de Alternativas". Fica na Praça Ilha do Faial 14 A, na Estefânia, próximo ao templo Hare Krishna. Tem um dos restaurantes vegetarianos mais antigos da cidade, cursos workshops, atendimento de terapias alternativas e concertos de música devocional e/ou "alternativa" zen. Assisti durante o meu trabalho de campo a concertos de bandas/grupos de devotos no espaço.

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destes eventos e formam um grupo mesmo que somente pelo período de organização. Produzem localidade para outros ao mesmo tempo que produzem para si próprios (ibid.:8).

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Capítulo 5