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+ ECONOMIQUE Planification des besoins

PARTIES PRENANTES DIRECTES PASSIVES (NON INFLUENTES, LÉGITIMES)

Segundo a Associação Brasileira de Cerâmica (ABC), o excelente desempenho da indústria de materiais refratários no Brasil converge para uma autossuficiência, representando um superávit na balança comercial brasileira desde 1998.

A abundância de matérias-primas naturais, as fontes alternativas de energia e a disponibilidade de tecnologias práticas embutidas nos equipamentos industriais, fizeram com que as indústrias cerâmicas brasileiras evoluíssem rapidamente e muitos

tipos de produtos dos diversos segmentos cerâmicos atingissem nível de qualidade mundial com apreciável quantidade exportada (ABC, 2014).

Schneider (1996) relatou que a superfície da chapada Uberlândia/Uberaba possui uma grande concentração de argila refratária, que tem sido explorada há, aproximadamente, cinco décadas.

A extração desse tipo de minério pode acarretar grandes impactos no meio ambiente, uma vez que é realizada nas proximidades de áreas úmidas que, por sua vez, caracterizam-se como áreas de preservação permanente.

Oliveira et al., (2013) apontaram que as argilas refratárias da chapada Uberlândia/Uberaba são compostas, sobretudo, por caulinita e gibbsita, com predominância desta última.

Esse tipo de argila possui um grande valor econômico, além de ser fonte de matéria-prima para a indústria de cerâmica refratária, principalmente em Minas Gerais e em São Paulo. Na área da chapada, onde se localiza a área de estudo, Corrêa (2006), verificou que há matéria-prima para ser explorada nos próximos 300 anos.

O DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) realizou um mapeamento do seu banco de dados e registrou as autorizações para pesquisa e concessões de exploração da lavra, por meio do Decreto nº 62.934 de 1968 (Código de Mineração). Trabalhos realizados anteriormente (SCHENEIDER, 1996; OLIVEIRA, 2013) apontaram que os impactos ambientais da atividade de mineração podem reduzir a quantidade e a qualidade da água disponível na área da chapada e estão relacionados com a retirada da vegetação original e com o avanço em direção às áreas úmidas.

A exploração mineral dessa argila (Figuras 18, 19 e 20) poderá levar à degradação das áreas úmidas onde ocorre a exploração, com a abertura de cavas e

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grandes movimentações de solo, o que dificulta ou impossibilita a restauração das condições ambientais que existiam antes da exploração. Isso leva a uma alteração nas nascentes dos cursos d’água que abastecem Uberlândia, comprometendo a dinâmica hídrica do alto da bacia do Rio Uberabinha com processos erosivos, assoreamento e perda da quantidade de água armazenada ao longo do ano (NISHIYAMA; BACCARO, 1989; NISHIYAMA, 1989).

Figura 19 Extração de Argilas Autora: Ferreira, 2014

Figura 20 Cavas de Extração de Argilas Autora: Ferreira, 2014

Figura 21 Argilas Extraídas Autora: Ferreira, 2014

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3. 5 A relação carbono / solo

Nas áreas úmidas do Cerrado, diferentes fitofisionomias colonizam esses ambientes (MEIRELLES; FRANCO; FERREIRA, 2012), confirmando-se como uma transição entre os ecossistemas terrestres e os aquáticos (COWARDIN et al., 1979). A condição de umidade dessas unidades restringe a decomposição feita por organismos anaeróbicos (DROZDOWICZ, 1997), com uma velocidade de síntese menor em relação aos organismos aeróbicos (WHITING; CHANTON, 2001), possibilitando, assim, a formação de extensas e profundas camadas orgânicas sobre os horizontes minerais.

A partir dessa informação, ou seja, com extensas e profundas camadas orgânicas, as áreas úmidas tropicais são de grande importância para a manutenção do ciclo mundial de carbono, além de apresentarem outras funções ecológicas, hidrológicas e sociais (MACHADO, 2014).

De acordo com Lal (2006), a Terra tem cinco grandes reservatórios de carbono: (a) oceanos, estimados em 38.000Pg; (b) reserva geológica, estimada em cerca de 5.000 Pg, composta de 4.000 Pg de carvão e 500 Pg para óleo e gás; (c) reserva pedológica ou de carbono no solo, composta por 1.550 Pg de carbono orgânico no solo (SOC) e 950 Pg de carbono inorgânico no solo (SIC); (d) atmosfera, estimada em 750 Pg com um aumento anual em torno de 3,3 Pg/ano; (e) reserva biótica, com 620 Pg incluindo 60 Pg por detritos materiais. Nesse contexto, Pg equivale a 10¹⁵ g, podendo os valores variar de acordo com cada autor e é importante destacar que as reservas juntas são responsáveis por 3.120 Pg (LAL, 2006) ou 3.060 Pg (DIECKOW

et al., 2004).

É necessário ressaltar que o estoque de carbono nas camadas superficiais do solo é bastante importante, pois no solo estão estocados de duas a três vezes mais

carbono do que na vegetação e, aproximadamente, duas vezes mais quando comparado à atmosfera (CERRI et al., 2006).

Os solos são ecossistemas frágeis e manejos impróprios podem mineralizar a matéria orgânica e liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa na atmosfera. Singh e Lal (2005) afirmam que são duas as principais fontes para redução de gases de efeito estufa na Terra: a redução das emissões e o sequestro de carbono.

Segundo o IPCC (1997 apud Cerri et al., 2006), as fontes potenciais de emissões de carbono do solo são: (1) mudanças líquidas no estoque de carbono orgânico de solos minerais, associadas às mudanças no uso da terra e manejo; (2) emissões por calagem de solos agrícolas e (3) emissões provenientes de solos orgânicos cultivados.

Resende (2011) apontou que a conversão de ecossistemas naturais em área agrícola pode levar às perdas de carbono orgânico do solo (SOC). E tais perdas são causadas pelo uso inadequado de práticas de manejo agrícola, como aração, retorno de resíduo mínimo e aceleração da erosão (CERRI et al., 2006).

Post e Know (2000) verificaram que a mudança no uso da terra faz com que haja um declínio muito rápido da matéria orgânica do solo. Essa matéria orgânica pode ser quantificada tanto na forma de teores totais quanto na concentração encontrada nos diferentes compartimentos do solo (LEITE; MENDONÇA; MACHADO, 2004).

Tal quantificação é possível, uma vez que, o solo possui grande capacidade, por meio de seu manejo, de reter ou de liberar o carbono para a atmosfera. É nesse sentido que se torna extremamente relevante a preservação e a conservação do bioma do Cerrado, porque as áreas úmidas presentes nesse bioma, além de serem

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grandes prestadores de serviço para o homem e para o meio, são agentes importantes na estocagem de carbono.

3.6 Insumos agrícolas