1. UN PROJET EDUCATIF A PROPOS DU SIDA
1.2. Evaluation de processus
1.2.2. L'expérience d'animation
1.2.2.2. Phase de production vidéo
1.2.2.2.2. Organisation de l'outil vidéo
Levando-se em consideração o verbo como escopo da negação, é visível, nas redações que se mostram favoráveis à pirataria na internet, o uso de verbos de estado que indicam, num plano mais abstrato, a intenção de praticar a pirataria, como “ser”, “estar”, “haver”, “poder”, “dever”, “ter”. Já nos textos cuja opinião se mostra desfavorável a tal atitude, percebemos o uso de verbos mais indicadores de ação, como “plagiar”, “acabar”, “cumprir”. Observemos as ocorrências seguintes:
(11) Posso até afirmar que a internet não existiria sem a pirataria, até porque assim as informações não seriam difundidas com tanta velocidade. (RF– 26)
(12) Esta é a minha pergunta em relação à baixar arquivos da internet, como evitar, se não temos devidas fiscalizações para intervir nesta problemática. (RF – 35) (13) A decisão correta não seria proibir o compartilhamento de mídias e
Estes dados evidenciam que a argumentação a favor do download de conteúdos da internet, através do NÃO pré-verbal, se dá sobretudo com os verbos “existir” (11), “ter” (12) e “ser (proibir)” (13), que seguem a partícula negativa, cujas noções mais abstratas às quais se referem - a internet não existir sem pirataria, em (11); não termos (no sentido de existir) fiscalização da internet, em (12); não ser correto proibir o compartilhamento de ideias na internet, em (13) - favorecem o uso desses mesmos verbos e similares. Comparemos agora com os seguintes dados:
(14) Só assim diminuía a pirataria existente e não vivíamos caindo tanto em crimes virtuais. (RD – 68)
(15) Uma crise que começa a se instalar nos dias atuais e que só tem a crescer é uma crise nas indústrias de filmes, cds de músicas, shows, no qual os mesmos não tem o retorno financeiro esperado, devido a prática ilegal da pirataria, tanto em camelôs, shopping populares, como principalmente na internet. (RD – 113)
(16) Sabendo-se que a constituição brasileira proíbe essa prática e torna como crime o uso da mesma, infelizmente muitas não obedecem as leis. (RD – 161)
Já nessas ocorrências, contrárias à prática da pirataria na internet, podemos perceber o uso de verbos num plano mais concreto de argumentação (“viver caindo”, em (14); “ter” (no sentido de possuir e não de existir), em (15); “obedecer”, em (16)), que apela mais para as atitudes concretas que os brasileiros têm em relação ao uso da internet.
Mais exemplos, desta vez, de redações que se mostram favoráveis e desfavoráveis, ao mesmo tempo, à questão proposta:
(17) [...] achamos que essa atitude [a pirataria] não é crime, porém mesmo o autor não permitindo pessoas o fazem [...] (RFD - 30)
(18) [...] não podemos levar a pirataria nesse caminho [como um crime] e também não culpar a internet. (RFD – 156)
(19) Pois tudo que é cópia, não deixa de ser um pouco de pirataria. (RF/D- 143) Nas ocorrências (17), (18) e (19), há um misto de verbo de estado (“ser” em (17) e (19)) com verbos de ação (“permitir”, em (17); “levar” e “culpar”, em (18)), o que nos faz pensar talvez em como o estatuto semântico desses verbos ora aponta para uma argumentação mais voltada para o ato concreto de baixar ou não conteúdos da internet (RD), ora para uma apelação ao estado de coisas tal como elas se mantêm nesse contexto (RF).
A seguir, demonstraremos a ocorrência dos verbos mais utilizados nas situações destacadas, a partir dos dois grandes polos de argumentação que envolvem a problemática proposta na questão da redação a ser desenvolvida pelos vestibulandos, a saber, o polo da “proibição” e o polo da “permissão” dos downloads de arquivos da internet. Quer seja negando a “proibição”, quer seja negando a “permissão” de tais downloads, o fato é que as manobras argumentativas utilizadas pelos vestibulandos deixam claro o seu posicionamento em relação à questão inicial da proposta de redação: “Baixar conteúdos da internet: permitir
ou proibir?”, através do uso dos verbos na construção em estudo.
Iniciemos pela tabela 4, abaixo, com os verbos mais utilizados nas redações favoráveis (RF) ao download:
Tabela 4: Verbos mais utilizados nas ocorrências do NÃO pré-verbal em redações
favoráveis ao download de conteúdos da internet. TIPO DE
OPINIÃO VERBOS DE ESTADO
RF Ser, estar, haver, ter, existir
Os dados, a seguir, ilustram alguns usos de verbos de estado nas redações favoráveis à pirataria:
(20) Muitas vezes, quando queremos um cd de músicas vamos a uma loja de discos, mas não é sempre que encontramos o cd desejado lá... é muito mais prático encontrar o cd na internet [...] (RF – 03)
(21) E não existia tantos acontecimentos que existe por conta da liberação que a internet nos proporciona nesse mundo tão tecnológico que estamos vivendo hoje. (RF – 12)
(22) [...] nunca se sabe ao certo quem jogou aquele arquivo primeiro na rede, portanto não há riscos de multas, ou coisas do tipo. ( RF – 13)
Nesses dados, observamos o uso de verbos de estado nas redações favoráveis, o que, de fato, não excluiu a possibilidade de ocorrer a apresentação desse tipo de opinião com verbos de ação, como podemos ver nas ocorrências com o verbo “proibir”:
(24) [...] estamos em um tempo em que tudo gira em torno do capitalismo e da internet, e não proibindo pode e irá ajudar milhões de pessoas porque internet também é cultura [...] (RF – 20)
(25) Esta função de baixar conteúdos não era para ser proibida, podendo apontar para outras soluções, como cobrar taxas pelo produto a ser baixado [...] (RF – 37)
(26) Então na minha opinião não devemos proibir. (RF – 58)
Ao que nos parece, apesar de o verbo “proibir” indicar uma ação concreta como a de impedir que alguém faça algo, nas ocorrências em análise, é possível perceber uma tendência modalizadora de se abstratizar tal ação, a partir do momento em que esse verbo, na maioria das vezes, aparece em forma de perífrase ao lado de auxiliares como em “era para ser proibida” (25) ou “devemos proibir” (26), ou ainda de forma impessoal, no gerúndio, “proibindo” (24), em todas as quais, sempre apontando para a possibilidade de haver um impedimento dos tais downloads. É o que não ocorre com o verbo “permitir”, em cujo uso, por outro lado, percebemos uma abstração mais velada de ideias, como o questionamento feito em (27), acerca da permissão dos downloads ou a proposta de um sistema que não favorecesse essa permissão (28):
(27) Neste país liberam tantas imprudências para os jovens e adolescentes, porque não
permitir o uso da internet para baixar conteúdos de interesse? (RF – 118)
(28) O que poderia amenizar com esse “problema” seria diminuir o valor dos produtos...Ou colocando algum sistema que não permitisse ao menos cópias de textos, o que também não seria nada fácil. (RF – 137)
Tabela 5: Verbos mais utilizados nas ocorrências do NÃO pré-verbal em redações desfavoráveis ao
download de conteúdos da internet.
TIPO DE OPINIÃO VERBOS DE AÇÃO RD Polo da “proibição”
proibir, perder, parar, acabar, prejuizar, prejudicar, invadir, violar, causar (danos), plagiar, ultrapassar
Polo da “Permissão”
permitir, cumprir, pedir, deixar, postar, baixar, obedecer, aceitar, receber, prover
Mais uma vez, comparemos as ocorrências abaixo, com os verbos “proibir”, (29) e (30), e “permitir”, (31) e (32), nesse outro contexto de opinião:
(29) Não tendo como proibir, a única saída é conscientizar a população [...] (RD – 29)
(30) A grande questão não é proibir ou não. A questão é educar [...] (RD – 106) (31) Isso sim [o plágio] não pode ser permitido. (RD – 82)
(32) Mesmo não permitindo a venda, nós ainda vemos grandes quantidades desses produtos, vendendo em qualquer lugar de nossa cidade. (RD – 81)
Nesses casos, não se “proíbem” ou não se “permitem” a ideia de baixar conteúdos da internet, mas, por outro lado, não se “proíbem” ou não se “permitem” atitudes mais concretas como o download propriamente dito, em (29) e (30), ou o “plágio” em (31) e a “venda [de produtos pirateados]” em (32).
Nas redações em que há uma opinião favorável e desfavorável ao mesmo tempo, notamos que, curiosamente, o NÃO pré-verbal não envolveu, em nenhum momento, o verbo “proibir”, sendo mais utilizados verbos do campo semântico da “permissão”, como podemos ver no quadro e nos exemplos seguintes:
Tabela 6: Verbos mais utilizados nas ocorrências do NÃO pré-verbal em redações concomitantemente
favoráveis e desfavoráveis ao download de conteúdos da internet. TIPO DE OPINIÃO VERBOS DE AÇÃO VERBOS DE ESTADO RFD Polo da “proibição”
negar, cometer, culpar, cobrar Ser, estar, ter, possuir, existir, haver, achar
Polo da “Permissão”
permitir, publicar, dar, fazer, autorizar, lucrar, baixar, colocar, liberar
(33) Logo, podemos concluir que, não devemos permitir de mais, nem proibir totalmente. (RFD – 10)
(34) [...] achamos que essa atitude [baixar arquivos da internet] não é crime, porém as vezes mesmo o autor não permitindo pessoas os fazem. (RFD – 30)
(35) Quem ao menos uma vez na vida não cometeu um desses atos? [piratear, fazer cópias piratas] (RFD – 30)
Quanto aos verbos de estado, nas RFD, podemos destacar alguns dados, como os que seguem:
(36) [...] aqui no Brasil essa lei [da pirataria] não é tão rigorosa, temos livre acesso a sites que fornecem conteúdo necessário para uso contidiano (RF – 144) (37) [...] a diferença é que os criminosos não são regulamentados como no meio
real [...] (RD – 96)
(38) Mas por outro lado, há arquivos que estão disponíveis para baixar, que não são tão “maléficos” a sociedade [...] (RFD – 88)