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Dans le document INSTALLATION ET ADMINISTRATION SOLIDWORKS 2015 (Page 137-140)

Quando eu era jovem, a crença corrente era de que a juventude é progressista por índole. Desde então isso revelou-se falso, pois aprendemos que movimentos reacionários ou conservadores também podem formar organizações juvenis.68

Em 1943, o sociólogo Karl Mannheim, que havia visto a onda da Juventude Hitlerista tomar conta da Alemanha naqueles anos, observava o desfazimento da crença, que percebia em sua juventude, de um caráter progressista inato aos jovens.69 Com Mannheim, nascido

em 1893, e contemporâneo aos jovens deste estudo, iniciamos nossa reflexão acerca dos modos de identificação e validação das redes anti-imperialistas da década de 1920. O pertencimento ou não a esta força social (auto)referida como juventude, tida então como avant-gard da história ou “progressista por índole”, responde a uma parte importante do reconhecimento entre os pares destas redes e serve também como fundamento e justificativa para seu repertório de ação política.

O “culto moderno à juventude”, como demonstra Dardo Scavino, foi uma tradição intelectual forjada sobretudo durante o século XIX. Período no qual se constitui o entendimento dos jovens como força social contra-hegemônica destinada a renovar o mundo sempre em antagonismo com os antigos.70 Com a proposta de fazer a genealogia desta

devoção à juventude, Scavino analisa como esta noção, e seus correlatos (como o de “nova

67 Usamos juvenilismo destacado em itálico por tomarmos o termo da escrita em língua espanhola, ainda que não dicionarizada na língua. Em português, a palavra consta no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mas tem significação bastante distinta, relacionada à medicina.

68 MANNHEIM, Karl. O problema da juventude na sociedade moderna (1943-54). Trad. Octavio Alves Velho. In: BRITO, Sulamita de (org.). Sociologia da Juventude. Vol.1: da Europa de Marx à América Latina de hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 1968, p.73. Nascido em 1893 na Hungria, o sociólogo judeu Karl Mannheim viveu na Alemanha entre 1919 e 1933, onde foi professor em Heidelberg e Frankfurt.

69 Os grupos posteriormente conhecidos como “juventude hitlerista”, que reuniam crianças e adolescentes, iniciaram suas atividades em cerca de 1922. Os movimentos foram crescendo e, a partir de 1936, já unificados pelo estado em uma única associação, o alistamento se tornou obrigatório para todos os alemães (não judeus) saudáveis a partir dos 14 anos de idade. Em 1938, a Juventude Hitlerista reunia mais de 7 milhões de membros. Cf. BARTOLETTI, Susan Campbell. Juventude hitlerista: a história dos meninos e meninas nazistas e a dos que resistiram. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006.

70 Referenciamos também o estudo de Jacques Le Goff sobre como, a partir de finais do século XVIII, o par antigo/moderno se relaciona com a ideia de progresso, imprimindo um novo significado ao “novo” e, assim, valorizando sistematicamente o “moderno”. Nesse sentido, de acordo com Le Goff, a “consciência da modernidade” nasce desse sentimento de ruptura com o passado. Noção importante para o tema da tensão geracional que envolve o juvenilismo. LE GOFF, Jacques. Antigo/Moderno [Trad. Irene Ferreira]. In: História e memória. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1990.

geração”) tornaram-se, a partir de finais do século XVIII, noções chave na intelectualidade ocidental para se pensar a humanidade, sua história e a própria afirmação de concepção de modernidade. Conforme Scavino:

La apoteosis de la juventud significaba eso: a través de la veneración de esa edad, las sociedades occidentales empezaron de pronto a rendirle culto a su propia humanidad. La apoteosis de juventud no es sino el surgimiento del sujeto moderno.71

Este difuso conjunto de valores, chamado de “juvenilismo” por parte da bibliografia, pode ser entendido como “una creencia o ideología según la cual le corresponde a los jóvenes asumirse como avanzada histórica”72. Esta conceituação, que tomamos de Hugo

Edgardo Biagin é elaborada pelo autor tendo como referência os estudos do historiador Arturo Roig, que trabalhou com a ideia de “juvenilismo rio-platense” remontando aos escritos dos argentinos Esteban Echeverria e Juan Batista Alberdi (da década de 1840), passando por José Enrique Rodó em Ariel e chegando aos reformistas de Córdova.73

Todavia, além destas importantes referências históricas acerca do tema do juvenilismo nas letras latino-americanas, questão com forte presença entre os historiadores e filósofos argentinos ou que trabalham com temas argentinos74, nos interessa sobretudo compreender as

formas pelas quais o culto à juventude, como pretendemos demonstrar, constituíram um repertório intelectual com grandes significações na prática política dos nossos agentes. Os valores do juvenilismo que, segundo Patricia Funes, aparecem como “marco contenedor de

71 SCAVINO, Dardo. Las fuentes de la juventud. Genealogía de una devoción moderna. Buenos Aires: Eterna Cadencia, 2015, p.330.

72 Utilizamos esta definição, sintetizada por Hugo Biagin em artigo no qual destaca alguns autores que marcaram essa valorização do potencial transformador da juventude como Emile Zola, Walter Benjamin, José Ortega y Gasset, Jules Michelet, Oscar Wilde, José Rodó e aborda ainda o juvenilismo na “revolução sessentista” do século XX. BIAGINI, Hugo E. El discurso juvenilista y la impronta roigiana. Horizontes Filosóficos, nº3, 2013, p.57. Outros trabalhos de Biagin sobre o tema: BIAGINI, Hugo. El juvenilismo reformista desde adentro. Questiones de RUPTURA. Cúcuta, Colombia, Vol.2, nº1, jan-jun./2018; BIAGINI, Hugo. Utopías juveniles: de la bohemia al Che. Buenos Aires: Leviatán, 2000.

73 O principal artigo de Roig sobre juvenilismo, Deodoro Roca y el Manifiesto de la Reforma de 1918, de 1998, foi republicado como prólogo do Volume I de uma coletânea com os trabalhos de Deodora Roca. Cf. ROIG, Arturo A. Deodoro Roca y el Manifiesto de la Reforma de 1918 (1998). In: ROCA, Deodoro. Obra reunida. Vol.I. Cuestiones universitarias. Córdoba: Universidad Nacional de Córdoba, 2017.

74 Além de Roig, Biagin e Scavino, há referências importantes em Cattáneo e Rodríguez; Patrícia Funes; e Alexandra Pita González. Cf. CATTÁNEO, Liliana; RODRÍGUEZ, Fernando. Ariel exasperado. Avatares de la Reforma Universitaria en la década del veinte. Prismas, Quilmes, Argentina, nº4, 2000; FUNES, Patricia. Salvar la nación. Intelectuales, cultura y política en los años veinte latino-americanos. Buenos Aires: Prometeo, 2006, p.45-49; PITA GONZÁLEZ, Alexandra. La Unión Latino Americana y el boletín Renovación. Redes intelectuales y revistas culturales en la década de 1920. México-DF: El Colegio de México, Universidad de Colima, 2009, p.39-43. Em sua coletânea documental Vida e muerte de la República verdadera (1910-1930), o historiador Tulio Halperín Donghi organiza os temas em diferentes secções. A secção que reúne escritos de jovens conservadores, como os ligados à revista Inicial, Halperín denomina de “Las ambigüedades del juvenilismo”. Cf. HALPERÍN DONGHI, Tulio. Vida e muerte de la República verdadera (1910-1930) - Documentos. Buenos Aires: Emecé, 2007.

intelectuales y políticos a comienzos de los veinte”75, tem ainda mais relevância quando

compreendidos como repertório a partir do qual os autores estabeleciam e delimitavam seus papéis. De forma tão evidente que a partir deles, estabeleciam seus compromissos, reconheciam seus “companheiros” e validavam ou não um interlocutor e se constitui como uma das chaves para entender os modos de conexão entre os agentes da rede.

Em outras palavras, os valores entendidos como exclusivamente pertencentes à juventude atuam como parte das engrenagens do funcionamento das redes intelectuais. Pensamos este funcionamento a partir do que Katherine Faust entende como a situação relacional efetiva de uma rede: “La clave para conjeturar un modelo de red social a partir de una situación real estriba en la conceptualización relacional de tal situación. Es decir, en establecer qué tipo de lazos existen entre las entidades sociales en cuestión.”76 Dito

funcionamento, no qual os valores juvenis são tão prementes, é historicamente referenciado, uma vez que responde a atuações e relações específicas. No nosso caso, da intelectualidade latino-americana do pós Grande Guerra.

A juventude do pós-Guerra: critérios de pertencimento e ação política

A juventude, tomada como identidade política, nunca envelhece, pois se fundamenta em uma contemporaneidade que lhe é imanente e, portanto, sempre reposta. Entretanto, na inscrição histórica de sua luta compreende múltiplas configurações sobre as quais se estabelece sua identidade, missão e iconoclastia da ordem do dia. Isto posto e lembrando, conforme Pierre Bourdieu, que “juventude e a velhice não são dados, mas construídas socialmente”77, nos propomos a compreender os possíveis significados de juventude para os

agentes deste estudo, jovens na década de 1920.

O dado imprescindível da idade biológica é importante, mas incompleto. Ele não permitiria a nenhum dos intelectuais da rede provenientes de geração anterior se incluírem na categoria de juventude (na década de 1920) sem estarem sujeitos ao ridículo. Como seria, por exemplo, o caso de Ugarte, Ingenieros e Vasconcelos - nascidos em 1875, 1877 e 1882.78 A

75 FUNES, Patricia. Salvar la nación. Intelectuales, cultura y política en los años veinte latino-americanos. Buenos Aires: Prometeo, 2006, p.49.

76 FAUST, Katherine. Las redes sociales en las Ciencias Sociales y del Comportamiento. In: GIL MENDIETA, Jorge; SCHMIDT, Samuel (org.). Análisis de redes. Aplicaciones en Ciencias Sociales. México-DF: UNAM, 2002, p.2, grifo no original.

77 BOURDIEU, Pierre. A “juventude” é só uma palavra (Entrevista com Anne-Marie Métailié, 1978). In: Questões de Sociologia. Trad. Miguel Serras Pereira. Lisboa: Fim de Século, 2003, p.152.

78 Em 1888, o peruano Ricardo Palma (1833-1919) não poupou ironia quando González Prada, seu contendor habitual, então como 44 anos proclamou sua famosa frase ¡Los viejos a la tumba, los jóvenes a la obra!. Palma comentou: “a los cuarenta e cuatro años, esto es cuando se avecina ya a la vejez”. In: PALMA, Ricardo. La

idade juvenil neste período se relaciona com a percepção de fim de uma era - e início de outra, que tem na Grande Guerra seu marco principal. A chegada da “hora americana”, sintetizada pelo Manifesto Liminar de 1918, converge para a percepção do advento dos novos homens, nascidos para vida a adulta após a hecatombe do velho continente. Esse referencial é comum não apenas nos documentos produzidos pelo processo da Reforma Universitária, mas figura também na forma que os contemporâneos perceberam aquela que seria uma transição de geração. Como podemos perceber na encuesta promovida pela revista Nosotros em 1923.

O questionário do periódico bonaerense sobre a “nueva generación literaria” se propunha a captar as diferenças de “sensibilidad y de ideología” com a geração predecessora. Para definir esta nova geração, para a qual o questionário era direcionado, Nosotros utiliza dois critérios: os “que no ha pasado aún de los treinta años” e, portanto, de geração diferente dos “escritores representativos de la pre-guerra”79. Este segundo fator, que compreende um arco

geracional muito maior do que apenas aqueles “que ainda não passaram dos trinta” é a principal baliza etária para o pertencimento a categoria de jovem neste período. Juventude que compreende os que entram para a vida adulta - política, profissional, intelectual -, após o fim de uma era - e início de outra. Para os contemporâneos, representada pelo advento da Grande Guerra.80

Além do fator geracional, subjaz na identidade juvenil do período, o modo de participação na política e a inserção social do indivíduo a partir do estudo ou da vida estudantil, o que Habermas et al. chamam de “premissas objetivas” a partir das quais “os estudantes têm de desenvolver sua consciência e conduta, em confronto com coevos da mesma idade, são diversas sob múltiplos aspectos. Isso é especialmente válido em referência

propaganda de la difamación [El Comercio, Lima, 13/11/1888] apud TAUZIN CASTELLANOS, Isabelle. Le Pérou partagé entre idéalisme et réalisme. Aperçu sur vingt années de polémiques littéraires (1870-1890). América: Cahiers du CRICCAL. Polémiques et manifestes aux XIXe et XXe siècles en Amérique latine, n°21, 1998, p.294. A reação de Palma se justifica pois, ainda que não citado nominalmente na fala, era uma liderança do grupo “tradicionalista”, alvo principal das críticas de González naquele período, e cerca de dez anos mais velho que este. O texto de Palma em El Comercio é publicado anonimamente, mas alguns anos depois ele assume a autoria. Além do trabalho deste trabalho de Tauzin Castellanos, a história da contenda entre González Prada e Ricardo Palma pode ser consultada em: PODESTÁ, Bruno. Ricardo Palma y Manuel González Prada: Historia de una enemistad. Revista Iberoamericana, nº78, Vol. 38, 1972.

79 NOSOTROS. Nuesta encuesta sobre la nueva generación literaria. Nosotros, Buenos Aires, mai./1923, p.5. A chamada pública para a encuesta foi publicada em abril de 1923 e o periódico publicou 44 respostas entre maio e setembro daquele ano. A primeira pergunta da encuesta, “Como es Vd. joven, presumimos que nos podrá contestar a lo siguiente con absoluta franqueza: ¿cuántos anos tiene Vd.?”, que aparentemente só perguntava a idade, foi uma das que causou mais celeuma entre os entrevistados.

80 Este foi o critério fundamental na composição do nosso quadro geracional (Anexo 3). No quadro, relacionamos as idades de alguns dos indivíduos que trabalhamos no decorrer de todo o texto e ajuda a localizar os sujeitos em seus tempos geracionais.

à sua participação na vida política.”81 Mais do que as diferenças de repertório intelectual e da

formação de redes (das quais já destacamos o papel da universidade como locus de desenvolvimento), nos referimos à própria identificação enquanto “juventude”, precisamente por se tratar de uma identidade política.

Esse elemento é observável, por exemplo, quando vimos que mesmo sendo “coevos de mesma idade”, Haya de la Torre e Julio Portocarrero, que trabalharam juntos pela implementação da Universidade Popular em Vitarte, se percebem como representações sociais distintas. O primeiro - universitário, egrégio de uma família trujillana com posses e que vivia de seu trabalho de escrita e da docência -, se identifica como membro da “juventude peruana” (ou “trabalhador intelectual”, termo usual entre os apristas); enquanto Portocarrero, operário do setor têxtil, líder sindical, com “dois anos de instrução primária”82

era obrero ou “trabalhador manual”.83 Não se trata, evidentemente, hierarquizar ou qualificar

tais participações na vida política, mas compreender como este aspecto é formativo deste grupo social e latente entre os agentes deste estudo.

Ethos juvenilistana década de 1920

Todavia, esta definição de juventude como o conjunto de jovens adultos do pós-Guerra de trabalho intelectual ou experenciando a vida universitária, opera apenas como pressuposto do que configura a identidade juvenil na década de 1920: sua função política. Na década de 1920, mais do que um referente geracional, a ideia de juventude e daquilo que é compreendido como seus deveres de vanguarda da histórica, tem um papel político arregimentador fundamental entre a intelectualidade latino-americana. Implica uma orientação política caracterizada pela prioridade dada à questão social e pela afirmação da modernidade da ideologia que professa.

O idealismo arielista, que dá o tom do juvenilismo dos universitários reformistas cordoveses em 1918, que preconizavam o heroísmo daquela juventude “cruzada extrema por nuestra liberación espiritual”84 vai se afirmando na luta pela questão social. Tal reorientação

81 HABERMAS, J.; FRIEDEBURG, L.V.; OEHLER, Ch.; WEITZ, F. O comportamento político dos estudantes comparado ao da população em geral [1961]. Trad. Breno Schman. In: BRITO, 1968.

82 LÉVANO, César. Conversando con Julio Portocarrero y Lino Larrea. Con los Primeros Comunistas Peruanos. MARKA, Revista de Actualidad y Análisis, nº165, 24/07/1980, p.16. Portocarrero nasceu em 1898, sendo três anos mais novo que Haya.

83 Tais diferenças não se dão apenas em relação as classes sociais, mas também podem ser observadas, em uma mesma sociedade, a partir de questões de gênero, por exemplo.

84 COMITE PRO-REFORMA UNIVERSITÁRIA DE CÓRDOBA. Nuevo manifiesto (31/03/1918). In: MAZO, 1941 (Tomo I), p.7, Manifesto que chama os estudantes de Córdova para greve geral.

era apontada pelos autores como o novo sentido da ação juvenil, que adequava sua luta para o momento histórico revolucionário, marcado pelo anseio de justiça social. Ressignificação tão poderosa que, para Deodoro Roca, havia sido intuída pelo povo mesmo que os muitos dos jovens ainda não se dessem conta. Diz o jovem advogado em 1920:

Y un día, los jóvenes, inquietos de hondas y lejanas inquietudes, sintieron un asco invencible. Abrieron las puertas y tomaron lo suyo, sin pedírselo a nadie. Animaba sus mentes un profundo anhelo de renovación. El pueblo, con instinto seguro, comprendió el significado recóndito de aquella cruzada iconoclasta. Advirtió oscuramente - acaso más certeramente, que los mismos actores - su amplio contenido ético y social. Leyó la clara razón de ceguera. Y diose todo entero a la causa de los estudiantes revolucionarios.85

Também em 1920, de forma muito semelhante, Gabriel del Mazo, tributa à união de estudantes e trabalhadores a este anseio comum de justiça social. Em nome da Federação Universitária Argentina, Mazo defende os estudantes da acusação publicada pelo governador da província de La Plata de perturbar a “ordem social” e insuflar trabalhadores contra o governo. Mazo, que presidia a FUA, expressa seu orgulho pela situação e reinterpreta a situação. Não a vê como uma influência dos universitários sobre os trabalhadores, mas como uma simpatia recíproca afinada com o momento histórico:

El señor gobernador no pierde oportunidad de poner de manifiesto la adhesión de los obreros a los estudiantes. Nos acusa por esta circunstancia y nos sentimos honrados por ella. No nos extraña que, a diferencia de otros poderes, no nos comprenda. No es la primera vez que se nos califica de anárquicos o disolventes. Bien sabemos que es esta la reacción natural del espíritu viejo. La simpatía entre estudiantes y obreros es una resultante lógica y natural

del momento histórico que vivimos; y los ideales que animan a la Reforma Universitaria, conjuntamente con la voluntad de propender al enaltecimiento de la Universidad argentina, dan vida a un hondo anhelo de justicia social y por sobre todo tienen la significación alta y a la vez profunda de habernos colocado en una situación de espíritu, e inducido a una actitud de lucha, capaz de hacernos sentir y repudiar las mentiras que andan a nuestro alrededor. Nos ha hecho también querer como hermanos a todos los que, paralelamente a nosotros, bregan en esta hora por afianzar el imperio de la verdad.86

Não apenas entre os argentinos, esse deslocamento de uma autoimagem menos espiritual para uma mais social também se evidencia nos primeiros escritos de Julio Antonio Mella, em especial em sua fase universitária, entre 1921 e 1925.87 Bastante conhecido por sua

85 ROCA, Deodoro. Servidumbre de la cultura [1920]. In: CUNEO, 1978, p.152.

86 MAZO, Gabriel del. Plan del Gobierno provincial y de la prensa en general contra la Federación Universitaria (23/03/1920). In: MAZO, 1941 (Tomo I), p.158, grifo no original. Pelas notas de Mazo, o ministro repreendeu o governador por sua oposição aos estudantes: “La comunicación que motiva este mensaje es la voz de la juventud estudiosa, que debemos escuchar atentamente, para contribuir a afianzar el concepto de la justicia en el espíritu de los hombres llamados por su preparación a ser, en un futuro próximo, los conductores de pueblos”, p.181

87 Mella se matriculou como aluno de Direito da Universidade de Havana em setembro de 1921, mas não chegou a completar o curso, foi expulso em outubro de 1925 e, logo na sequência, foi preso e exilou-se no México. Segundo Christine Hatzky, fazia tempo que a direção da Universidade de Havana queria se

militância comunista, nesse momento Mella deixa transparecer então sua formação intelectual rodoniana. Em seu periódico Juventud, revista dedicada a “eternos jóvenes rebeldes”88, além da já referenciada menção a Haya de la Torre como o “arquetipo de la

juventud latinoamericana, es un sueño de Rodó hecho realidad, es Ariel”, qualificou José Varona como “el Prospero de Ariel”.89

Neste primeiro período de seu trabalho político-intelectual, entre o início de sua vida universitária e sua saída para o exílio, Mella busca harmonizar suas referências arielistas e sua crescente adesão ao comunismo. O grupo marxista Renovación do qual Mella fazia parte, junto com os também jovens cubanos Sarah Pascual, Gustavo Aldereguía e Alfonso Bernal del Riesgo, participou da mesma variação. Fundando, em fevereiro de 1924, a escola Intituto Politécnico Ariel e, no ano seguinte, emprestando a sede da escola para a formação do Partido Comunista Cubano. Para Mella, a convergência era total, pois lia em Rodó o mesmo ideal de luta social que o guiava para a militância comunista, como afirma em 1924, no texto Intelectuales y tartufos: “Intelectual es el trabajador del pensamiento. ¡El trabajador! o sea, el único hombre que a juicio de Rodó merece la vida, es aquel que empuña la pluma para combatir iniquidades”90

O juvenilismo era tão marcante para Mella que, mesmo quando tentou se desvincular dele como forma de antagonizar com a APRA e reafirmar seu posicionamento classista, teve

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