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Notre esprit influence-t-il notre santé ?

Dans le document Jacques Lecomte (Page 160-165)

A partir do que foi possível constatar sobre como se dá a organização do trabalho assistencial do profissional em questão, é possível se afirmar que, até certo ponto, é um trabalho aleatório. Embora exista uma sequência habitual de trabalho, a ordem dos procedimentos é alterada pelo próprio profissional técnico durante o seu turno de trabalho e, em algumas situações, um procedimento pode ser até mesmo postergado para o turno seguinte.

Um dos propósitos do presente estudo foi delimitar como e por quem é determinada, na prática, o sequenciamento e os procedimentos a serem executados no paciente. Embora a observação direta do pesquisador já evidenciasse que não há, sistematicamente, quem determine a ordem em que os referidos profissionais devem executar suas tarefas, evidencia-se claramente nas respostas dos técnicos de enfermagem que os mesmos decidem por si próprios ou perguntam a outros profissionais mais experientes (mas nem sempre devidamente habilitados). Isto significa que, no setor em questão, a assistência prestada aos usuários expressa as particularidades (necessidade, experiências, conhecimento acumulado, hábitos) dos profissionais envolvidos.

Quanto à existência de algum instrumento que sirva de balizador das ações assistenciais de enfermagem, a busca documental no setor de clínica cirúrgica indicou que a prescrição de enfermagem, que embora não se destine especificamente a definir a ordenação do trabalho, ajuda na delimitação de alguns passos. Entretanto, tal prescrição foi encontrada apenas em alguns prontuários e não estava preenchida de forma adequada, de modo a cumprir seu objetivo. Ambas as categorias pesquisadas relataram não existir instrumentos que orientem a prática, o que, por um lado, pode ser um indicativo de que há falhas no processo de comunicação e, por outro, que é necessário investir em ações que orientem e sensibilizem os profissionais sobre a importância e o impacto positivo de um trabalho sistemático, articulado e integrado.

Outra confirmação importante é que existem, na opinião dos profissionais estudados, atividades que poder deixar de ser feitas, sem que haja prejuízo ao usuário ou ao sistema. O que preocupa em relação a esse aspecto é que a literatura aponta que algumas das atividades dentre as citadas, se adiadas ou suprimidas,

podem trazer sérias consequências à saúde dos usuários. Entretanto, tal informação não parece ser de conhecimento dos profissionais do setor pesquisado.

Baseado nos dados coletados através da análise documental e da observação direta dos profissionais, pode-se afirmar que o fluxo dos processos de trabalho do técnico de enfermagem da unidade pesquisada, sem dúvida pode colocar em risco a integridade física do paciente, sua saúde, além de poder aumentar o tempo de internação destes usuários.

Durante o período da pesquisa, a enfermagem do HUOL passou por duas importantes mudanças que interferiram diretamente no desenvolvimento da investigação: A implantação da segunda fase da SAE e o aumento do número de profissionais de nível superior.

A implantação da segunda fase da SAE fez com que fosse retomada a pesquisa documental, uma vez que a mesma introduziu, através do sistema AGHU, um formulário importante para o estudo, a prescrição de enfermagem, além de outros formulários já descritos e comentados. Entretanto, a observação e análise dos processos a partir da percepção dos profissionais indicam que a prescrição de enfermagem não causou mudanças nos resultados por ainda não estar sendo utilizada de forma plena. Assim, apesar de constituir-se como sendo o instrumento com maior potencial para ajudar a definir os parâmetros de atuação, tal prescrição (ainda) não é uma referência, não funciona como modelo, como um balizador a ser utilizado pelos profissionais.

Um segundo momento que interferiu na pesquisa foi a entrada de um maior contingente de enfermeiros, realocando alguns profissionais do ECI para outros andares do próprio ECI, mas também para outros setores do hospital. Tal mudança tornou necessária a busca por esses enfermeiros em outros setores, além da necessidade de selecionar aqueles novos enfermeiros que poderiam ser incluídos no estudo considerando-se os critérios previamente definidos.

Outro fato que interferiu no trabalho e que merece ser registrado foi a mudança na configuração dos andares do ECI. Quando a pesquisa foi iniciada, o setor contava com três andares dedicados a clínica cirúrgica, mudando, durante o processo, para apenas um andar, o que diminuiu em muito o tamanho da amostra. Entretanto, considera-se que os dados obtidos com o contingente de servidores aptos a participar foram suficientes para permitir uma leitura mais acurada dos processos e dinâmica do ECI.

A partir das informações contidas neste trabalho, espera-se poder despertar no conjunto dos profissionais que atuam no setor o interesse sobre o tema, trazendo uma maior compreensão sobre sua atuação e a sensibilização para a necessidade do desenvolvimento de uma forma de abordagem multiprofissional que otimize a comunicação entre os envolvidos, a fim de se evitar a duplicidade de procedimentos no mesmo paciente, seja pela leitura dos impressos ou mesmo pelo contato verbal.

A partir de uma análise mais acurada, observa-se que talvez seja necessário o desenvolvimento de um protocolo específico de trabalho que possa ser usado pelas diversas categorias profissionais que assistem o usuário no setor. Tal protocolo pode até mesmo atribuir qual profissional executará um determinado procedimento no âmbito do setor, respeitando-se as peculiaridades, limites e questões éticas e legais de cada profissão.

Outra contribuição do estudo diz respeito à constatação da necessidade de se desenvolver um instrumento que oriente em que ordem o técnico de enfermagem deve executar as suas atribuições para que, na ausência do enfermeiro, o mesmo possa ser guiado.

Constata-se também a necessidade de melhorar a comunicação entre os integrantes da equipe de enfermagem, visto que as categorias profissionais envolvidas têm percepções diferentes sobre seus papeis na assistência de enfermagem, principalmente no que diz respeito a percepção que o técnico de enfermagem tem sobre o papel do enfermeiro. Assim, é necessário que haja uma orientação mais cuidadosa do técnico de enfermagem quanto a SAE e o seu papel no cumprimento da prescrição de enfermagem.

Por último, e não menos importante, fica a sugestão para que se aprofunde o estudo do processo de trabalho da enfermagem nos moldes da SAE implantada no hospital estudado, no sentido de se perceber se a assistência melhorou para o usuário final e para o trabalho do técnico de enfermagem e, ainda, considerando que o técnico de enfermagem, além de ser a categoria numericamente mais presente no ambiente do hospital pesquisado é a que dispende maior tempo à beira do leito, sugere-se a ampliação de estudos envolvendo tal categoria, visto que a literatura disponível abordando especificamente o trabalho deste profissional é escassa.

REFERÊNCIAS

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ANEXO I - QUESTIONÁRIO PARA ENFERMEIROS

1-Quais são as atividades delegadas por você, aos técnicos de enfermagem, no seu turno de trabalho?

2-Ainda com relação as atividades atribuídas aos técnicos de enfermagem, na sua opinião: a. Quais as atividades que ele realmente faz?

b. Quais as atividades que ele faz e não deveria fazer?

c. Quais as atividades que ele não faz, mas poderia e deveria fazer?

3-Na sua opinião, de todas as atividades que o técnico de enfermagem executa, no seu turno de trabalho, qual a mais importante?

4-Numere a baixo a ordem em que você entende que devem ser executadas, pelos técnicos de enfermagem, as seguintes atividades:

( ) Receber o plantão ( ) Passar o plantão

( ) Administrar medicamentos

( ) Executar cuidados como curativos e nebulizações ( ) Executar cuidados de higiene e conforto

( ) Administrar dietas

( ) Registrar medicações e cuidados

( ) Auxiliar enfermeiro na execução de procedimentos

( ) Auxiliar outros profissionais na execução de procedimentos ( ) Transportar paciente para exames e procedimentos ( ) Auxiliar na admissão e alta dos pacientes

( ) Mudança de decúbito

5-Quem orienta em que ordem devem ser feitas as atividades executadas pelos técnicos de enfermagem?

( ) Enfermeiro ( ) Médico de plantão ( ) Um outro técnico mais experiente ( ) Ninguém

6-Você conhece algum documento que oriente a equipe do seu setor com relação a ordem das atividades atribuídas aos técnicos de enfermagem?

Se sim, qual? _____________________________ ( ) Não

7-Na sua opinião, o texto escrito pelos técnicos, no relatório de enfermagem reflete a realidade da assistência prestada ao usuário?

( ) Sim ( ) Não

8-Ha quanto tempo, em anos, você trabalha como enfermeiro? ( ) 0-1 ( ) 1-5 ( ) 5-10 ( ) 10-15 ( ) Mais de 15 9-Ha quanto tempo você trabalha no HUOL?

ANEXO II - QUESTIONÁRIO PARA OS TÉCNICOS

1-Quais são as atividades delegadas a você, pelo enfermeiro, no seu turno de trabalho? 2-Ainda com relação as atividades delegadas a você no seu turno de trabalho:

a. Quais as atividades que você faz?

b. Quais as atividades que você faz e não deveria fazer? c. Quais as atividades que você não faz, mas deveria fazer?

3-Na sua opinião, de todas as atividades que você executa no seu turno de trabalho, qual a mais importante?_______________________________________________

4-Numere a baixo a ordem em que você executa as seguintes atividades: ( ) Receber o plantão

( ) Passar o plantão

( ) Administrar medicamentos

( ) Executar cuidados como curativos e nebulizações ( ) Executar cuidados de higiene e conforto

( ) Administrar dietas

( ) Registrar medicações e cuidados

( ) Auxiliar enfermeiro na execução de procedimentos

( ) Auxiliar outros profissionais na execução de procedimentos ( ) Transportar paciente para exames e procedimentos ( ) Auxiliar na admissão e alta dos pacientes

( ) Mudança de decúbito

5-Quem lhe orientou em que ordem fazer as suas atividades de técnico, e qual deveria vir primeiro e assim por diante?

( ) Enfermeiro ( ) Médico de plantão

( ) Um outro técnico mais experiente ( ) Ninguém

6-Você conhece algum documento que lhe oriente com relação a ordem das suas atividades? Se sim, qual? _____________________________. ( ) Não

7-Dentre as atividades que são de sua responsabilidade, quais delas na sua opinião podem deixar de ser feitas?

8-Na sua opinião, o texto escrito no relatório de enfermagem reflete a realidade da assistência prestada por você ao usuário?

( ) Sim ( ) Não

9-Ha quanto tempo você trabalha como técnico de

enfermagem? ( ) 0-1 ( ) 1-5 ( ) 5-10 ( ) 10-15 ( ) Mais de 15 10-Ha quanto tempo você trabalha no HUOL?

( ) 0-1 ( ) 1-5 ( ) 5-10 ( ) 10-15 ( ) Mais de 15 11-Você cursou alguma graduação?

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