the Standard Model
1.1 Neutrinos in the Standard Model
Após análise e validação do profissional proficiente em libras, a interpretação dada pelo guia-interprete e após assistir os vídeos das narrativas, por diversas vezes, esses foram disponibilizados para duas bolsistas do PIBIC – Programa de Iniciação Científica da UFBA, as quais fizeram as transcrições das narrativas.
As transcrições feitas pelas bolsistas foram revisadas detalhadamente por mim com a finalidade de realizar uma revisão cuidadosa de todo material então colhido e transcrito. Nas
transcrições, procurei registrar as narrativas dos participantes de forma que reproduzissem o que foi vivenciado literalmente em cada uma das entrevistas, sempre me mantendo fiel às narrativas, incluindo inclusive, além das falas (oral ou em libras), os silêncios, as hesitações, as ênfases e expressões do narrador.
Partindo da história de vida de cada um dos participantes, a análise e discussão de dados nesse estudo, buscou compreender de que forma essas pessoas com surdocegueira se constituíram ao longo de seu processo de escolarização, quais suas expectativas e experiências, observando as significações dadas pelos participantes e as relações estabelecida durante suas itinerâncias de vida na educação básica.
Para proceder a essa compreensão, tomei como referência a análise de conteúdo proposta por Bardin (2004, p. 41), que a define como:
[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (qualitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção\recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.
De acordo com Galvão (2010, p. 141), o método de análise de conteúdos busca investigar, no que está implícito, as significações dos conteúdos que se repetem ao longo das narrativas. A autora complementa:
Segundo Silva, Simão e Gobbi (2005, p. 74), “[...] o método da análise de conteúdo aparece como uma ferramenta para a compreensão da construção de significado que os atores sociais exteriorizam no discurso”. Essa ferramenta, segundo Laville e Dionne (1999), não é uma estrutura rígida que engessa o trabalho do pesquisador, pelo contrário, é um facilitador que, ajudando o pesquisador a direcionar-se, permite resgatar os dados coletados de forma mais organizada, revelando o significado por trás das informações.
A análise de conteúdo é considerada uma técnica para o tratamento de dados que visa identificar o que está sendo dito a respeito de determinado tema (VERGARA, 2003, p. 15). “É um procedimento de pesquisa que se situa em um delineamento mais amplo da teoria da comunicação e tem como ponto de partida a mensagem”. (FRANCO, 2005. p. 20)
Para Moscovici (2003) e Bardin (2004), tudo que é dito ou escrito (comunicação) é passível de ser decifrado pela técnica de análise de conteúdo, constituindo-se essa. Segundo Berelson (1952 apud BARDIN, 2004), como uma técnica de investigação que por meio de uma descrição objetiva e metódica do conteúdo patente da comunicação tem por finalidade a sua interpretação\tradução.
Assim, para definir as categorias analíticas desta pesquisa, segui o que Laville e Dionne (1999), citado por Galvão (2010), sugerem como etapas para o desenvolvimento da análise de conteúdo:
De posse dos dados coletados na forma bruta, o pesquisador realiza um recorte dos conteúdos, priorizando, por exemplo, os que mais se repetem; a partir de então, o trabalho passa a envolver a organização dos conteúdos em categorias analíticas, que anteriormente podem ter sido definidas em relação a um corpo teórico pré-existente, ou podem ser definidas à medida que a análise do conteúdo vai evoluindo; por fim, a apresentação da categorização final das unidades que foram analisadas. (LAVILLE; DIONNE, 1999 apud GALVÃO, 2010, p. 142)
Bardin (2004, p. 111) acerca da categorização, na sua “Análise de Conteúdo”, comunica que esta,
[…] é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto […]. As categorias são rubricas ou classes, que reúnem um grupo de elementos (unidades de registo no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos.
Para o autor a categorização pode empregar dois processos: um em que o sistema de categorias não é fornecido no início do estudo (vai sendo construído à medida que o estudo vai se desenvolvendo, mediante os dados recolhidos no próprio estudo); e outro em que é fornecido a priori um sistema de categorias, permitindo a repartição dos elementos à medida que vão sendo encontrados (BARDIN, 2004).
No estudo em questão, a opção foi pelo primeiro processo, com a elaboração de um sistema categorial, cujas categorias foram definidas à medida em que houve uma maior
imersão com o material escrito, elucidando as particularidades das narrações, tomando como fio condutor as três dimensões enfatizadas pelos objetivos específicos da pesquisa.
Inicialmente, foi feita uma leitura flutuante para haver uma aproximação mais direta com as histórias apresentadas e para a identificação da temática contida nas narrativas. Em seguida, fez-se uma segunda leitura para verificar se os assuntos trazidos nas entrevistas eram pertinentes aos objetivos da pesquisa. Esse cuidado permitiu que, após a transcrição das narrativas, os conteúdos, mesmo sem terem sido trabalhados e ainda no seu estado bruto, fossem organizados em três grandes grupos:
1) Diferentes Formas de Comunicação utilizadas como suporte para o acesso aos conteúdos escolares.
2) A família como suporte da inclusão escolar. 3) Desafios e possibilidades da inclusão escolar.
Marconi e Lakatos (2008, p.124) informam que, segundo as regras da formulação de categorias, um conjunto pode ser formado por duas ou mais categorias, mas as subcategorias apenas devem existir nos casos em que haja indispensabilidade no estabelecimento de diferenças entre os diversos tipos de resposta, porquanto as categorias devem ser exclusivas e incluir todas as probabilidades relevantes a fim de se evitarem equívocos nas respostas obtidas.
No presente caso, a bibliografia consultada referenciou a formulação das categorias, que, por sua vez, sustentaram as narrativas, sendo nossa tarefa a confirmação da sua presença ou ausência no corpus do estudo.
Por se tornar necessária a distinção entre os diferentes tipos de resposta, das três categorias de análise constituídas, a primeira e terceira categorias subdividiram-se, dando origem às subcategorias. As subcategorias estabelecidas foram:
1. Categoria Diferentes Formas de Comunicação utilizadas como suporte para o acesso aos conteúdos escolares, subdividiu-se em duas subcategorias: Comunicação Receptiva e Comunicação Expressiva;
2. Categoria Desafios e possibilidades da inclusão escolar: subdividiu-se em três subcategorias: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Feitas as considerações sobre o delineamento da análise de dados, cabe apresentar agora o resultado dessa pesquisa.
4.6 DISCUSSÃO E ANÁLISE DE DADOS: A VOZ DOS ALUNOS COM